A Vida Oculta na Maçonaria

por

C. W. Leadbeater 33.°

EDITORA TEOSÓFICA ADYAR, MADRAS, ÍNDIA 1926 — Segunda Edição

Lâmina 0.

PREFÁCIO

É mais uma vez meu privilégio apresentar ao mundo, para auxílio dos pensativos, outro volume da série sobre o lado oculto das coisas, escrito pelo Bispo Charles W. Leadbeater.

Verdadeiro Maçom que é, ele procura sempre difundir a Luz que recebeu, para que ela possa afugentar as trevas do Caos.

Procurar a Luz, ver a Luz, seguir a Luz eram deveres familiares a todos os Maçons egípcios, embora a escuridão naquela Terra Antiga nunca se aproximasse da densidade que envolve o Ocidente hoje.

Este livro será bem-vindo por todos os Franco-Maçons que sentem a beleza de seu antigo Rito e desejam acrescentar conhecimento ao seu zelo.

A História interna da Maçonaria é deixada de lado por enquanto, e o aprendiz é conduzido por um guia digno de confiança através do labirinto que protege o Santuário central dos inquiridores descuidados e ociosos.

Lugares que eram obscuros tornam-se iluminados; alusões sombrias transformam-se em clareza cristalina; paredes que pareciam sólidas se dissolvem; a confiança substitui a dúvida; vislumbres da meta são captados através de frestas nas nuvens; e as névoas nascidas da terra desaparecem diante dos raios do sol nascente.

Em vez de fragmentos de tradições meio compreendidas, confusas e não interpretadas, encontramos em nossas mãos uma ciência esplêndida e um reservatório de poder que podemos usar para a elevação do mundo.

Não perguntamos mais: "O que é a Grande Obra?" Vemos que ela não é nada menos que um esforço concertado para cumprir o dever que nos é imposto, como aqueles que possuem a Luz, de difundir essa Luz pelo Mundo e, na verdade, tornar-nos colaboradores com o G:.A:.D:.U:. em Seu grande Plano para a evolução de nossos Irmãos.

As explicações detalhadas das cerimônias são profundamente interessantes e iluminativas, e eu as recomendo calorosamente a todos os verdadeiros Franco-Maçons.

Nosso V:.·. I:.·. Irmão acrescentou uma pesada dívida de gratidão por este livro às muitas que já lhe devemos.

Sejamos devedores honestos.

Adyar

ANNIE BESANT

25 de dezembro

PREFÁCIO DO AUTOR

A fraternidade maçônica difere de todas as outras sociedades pelo fato de que os candidatos à membresia têm de ingressar nela de olhos vendados e não podem receber muita informação sobre ela até realmente entrarem em suas fileiras.

Mesmo assim, a maioria dos maçons geralmente obtém apenas a ideia mais geral do significado de suas cerimônias e raramente penetra além de uma interpretação moral elementar de seus principais símbolos.

Neste livro, meu objetivo, embora preservando o devido sigilo sobre aqueles assuntos que devem permanecer secretos, é explicar algo do significado e propósito mais profundos da Maçonaria, na esperança de despertar entre os Irmãos

uma reverência mais profunda por aquilo do qual são guardiões e uma compreensão mais plena dos mistérios do Ofício.

Embora o livro seja destinado principalmente à instrução dos membros da Ordem Co-Maçônica, cujo desejo, como é expresso em seu ritual, é derramar as águas do conhecimento esotérico nos vasos maçônicos, espero, no entanto, que possa apelar a um círculo mais amplo e talvez ser útil a alguns daqueles muitos Irmãos

no Ofício masculino que buscam uma interpretação mais profunda do simbolismo maçônico do que a dada na maioria de suas Lojas, mostrando-lhes que no ritual que conhecem e amam tão bem estão consagrados ideais esplêndidos e ensinamentos espirituais profundos, que são do mais absorvente interesse para o estudante do lado interior da vida.

Antes de podermos obter essa compreensão mais plena, devemos ter pelo menos algum ligeiro conhecimento de certos fatos concernentes ao mundo em que vivemos — um mundo do qual vemos ou compreendemos apenas metade.

De fato, por mais indigna que a afirmação possa soar, é bastante verdadeiro que nossa posição se assemelha muito de perto à de uma lagarta alimentando-se de uma folha, cuja visão e percepção se estendem muito pouco além da folha sobre a qual rasteja.

Quão difícil seria para tal lagarta transcender suas limitações, adotar uma visão mais ampla, compreender que sua folha é parte de uma árvore enorme com milhões de tais folhas, uma árvore com uma vida própria — uma vida que perdura mil gerações de vidas como a sua; e essa árvore, por sua vez, apenas uma unidade em uma vasta floresta de dimensões incalculáveis para seu minúsculo cérebro! E se, por algum desenvolvimento incomum, uma lagarta vislumbrasse o grande mundo ao seu redor e tentasse explicar sua visão aos seus semelhantes, como aquelas outras lagartas o desacreditariam e ridicularizariam, como o exortariam a não perder tempo com tais imaginações improdutivas, mas a perceber que o único propósito da vida é encontrar uma boa posição em uma folha suculenta e assimilar dela o máximo que puder!

Quando mais tarde se torna borboleta, sua visão se amplia, e ele entra em contato com uma beleza, uma glória e uma poesia na vida das quais não tinha a menor concepção antes.

É o mesmo mundo, e ainda assim tão diferente, simplesmente porque ele pode ver mais dele e mover-se nele de uma nova maneira.

Toda lagarta é uma borboleta em potencial; e temos a vantagem sobre essas criaturas de que podemos antecipar o estágio da borboleta, e assim aprender muito mais sobre o nosso mundo, aproximar-nos muito mais da verdade, desfrutar muito mais da vida e fazer muito mais bem.

Deveríamos estudar o lado oculto da vida cotidiana, pois assim extrairemos muito mais dela. A mesma verdade se aplica a coisas mais elevadas — à religião, por exemplo.

A religião sempre falou à humanidade de coisas invisíveis acima — não apenas distantes no futuro, mas bem próximas de nós, aqui e agora.

Nossa vida e aquilo que podemos fazer dela dependem em grande parte de quão reais essas coisas invisíveis são para nós. O que quer que façamos, deveríamos pensar sempre nas consequências invisíveis de nossas ações.

Alguns de nós sabemos quão útil esse conhecimento nos tem sido em nossos Cultos Eclesiásticos; e é exatamente o mesmo na maçonaria.

Embora esse vasto mundo interior seja invisível para a maioria de nós, ele não é, portanto, invisível.

Como escrevi em A Ciência dos Sacramentos:

Há no homem faculdades da alma que, se desenvolvidas, o capacitarão a perceber esse mundo interior, de modo que se tornará possível para ele explorá-lo e estudá-lo precisamente como o homem explorou e estudou aquela parte do mundo que está ao alcance de todos.

Essas faculdades são a herança de toda a raça humana; elas se desdobrarão dentro de cada um de nós à medida que nossa evolução progride; mas os homens que estiverem dispostos a se dedicar ao esforço podem obtê-las antes dos demais, assim como um aprendiz de ferreiro, especializando-se no uso de certos músculos, pode alcançar (no que lhes diz respeito) um desenvolvimento muito maior do que o de outros jovens de sua idade.

Há homens que têm esses poderes em pleno funcionamento e são capazes, por seu uso, de obter uma vasta quantidade de informações das mais interessantes sobre o mundo que a maioria de nós ainda não pode ver.

— Que fique bem entendido que não há nada de fantasioso ou antinatural em tal visão.

É simplesmente uma extensão de faculdades com as quais todos estamos familiarizados, e desenvolvê-la é tornar-se sensível a vibrações mais rápidas do que aquelas às quais nossos sentidos físicos são normalmente treinados para responder. (Op. cit., pp. 9, 10.)

É pelo uso dessas faculdades perfeitamente naturais, porém supernormais, que grande parte das informações contidas neste livro foi obtida.

Qualquer pessoa que, tendo desenvolvido tal visão, observe uma cerimônia maçônica, verá que se realiza muito mais do que é expresso nas meras palavras do ritual, por mais belas e dignas que muitas vezes sejam.

Naturalmente, compreendo plenamente que tudo isso pode parecer fantasticamente impossível àqueles que não estudaram o assunto em primeira mão; só posso afirmar que isso é uma realidade clara e definida para mim, e que, por longa e cuidadosa pesquisa, estendendo-se por mais de quarenta anos, estou absolutamente certo da existência e da confiabilidade deste método de investigação.

Não é uma descoberta nova, pois era conhecida pelos sábios da antiguidade; mas, como muito do restante da sabedoria antiga, foi esquecida durante as trevas do início da Idade Média, e seu valor está apenas gradualmente sendo redescoberto; por isso, a muitos parece desconhecida e incrível.

Basta lembrarmos quão totalmente inconcebíveis o telégrafo sem fio, o telefone, o avião ou mesmo o automóvel teriam parecido aos nossos bisavós, para percebermos que seríamos tolos em rejeitar uma ideia meramente porque nunca a ouvimos antes.

Há apenas alguns anos, os poderes de pesquisa colocados à nossa disposição pela invenção e desenvolvimento do espectroscópio estavam tão além do pensamento popular quanto os da clarividência estão agora.

Que por meio dele pudéssemos descobrir a constituição química e medir os movimentos de estrelas a milhões de quilômetros de distância bem poderia ter sido considerado o tecido vazio de um sonho.

Não poderiam outras descobertas estar iminentes?

Homens de altas realizações científicas, como Sir Oliver Lodge, Sir William Crookes, Professor Lombroso, M. Camille Flammarion e o falecido Professor Myers, que se deram ao trabalho de investigar esta questão da visão interior, convenceram-se de que essa faculdade existe; portanto, se há entre os Irmãos aqueles para quem esta afirmação parece ridícula, peço-lhes que, não obstante, continuem a ler e vejam se o conhecimento obtido por um meio que lhes é estranho não fornece, ainda assim, para pontos obscuros ou incompreensíveis em nosso ritual, uma explicação que se recomenda à sua razão e ao seu bom senso.

Aquilo que lhes proporciona uma melhor compreensão do significado subjacente aos mistérios do nosso Ofício, e assim aumenta sua veneração e amor por ele, não pode ser indigno ou absurdo.

Qualquer estudante que deseje saber mais sobre este fascinante assunto pode ser encaminhado a um pequeno livro intitulado *Clairvoyance*, que escrevi há alguns anos.

Gostaria de recomendar fortemente para a leitura dos meus Irmãos do Ofício dois livros do Ven. Ir. W. L. Wilmhurst - *The Meaning of Masonry* e *The Masonic Initiation*; eu mesmo os li com grande deleite e proveito, e colhi muitas joias de suas páginas.

[Nota: Embora este parágrafo esteja ausente na Primeira Edição, na Segunda Edição ele é indicado como parte da Primeira Edição.]

Desejo oferecer meus mais sinceros agradecimentos ao Rev. Herbrand Williams, M.C., B.A., por sua gentileza em colocar à minha disposição seus vastos conhecimentos maçônicos, e por muitos árduos meses de pesquisa paciente e meticulosa; também ao Rev. E. Warner e à Sra. M. R. St. John pelo cuidadoso desenho das ilustrações, e ao Professor Ernest Wood por sua incansável assistência e cooperação em todos os departamentos do trabalho, sem a qual a produção do livro não teria sido possível.

C. W. L.

Segunda Edição

Nesta segunda edição, algumas correções triviais foram feitas, e algumas informações adicionais foram dadas com relação a certos graus superiores.

C. W. L.

ÍNDICE

Prefácio

Prefácio do Autor

CAPÍTULO I

INTRODUTÓRIO

Experiência Pessoal.

Evidências Egípcias.

Preservação de Rituais e Símbolos.

A Perspectiva Egípcia.

O Trabalho Oculto.

A Raça Egípcia.

As Grandes Lojas.

As Lojas Comuns.

A História da Maçonaria.

CAPÍTULO II

A LOJA

Forma e Extensão.

Orientação.

O Dossel Celeste.

O Altar.

Pedestais e Colunas.

Ordens de Arquitetura.

Significado das Três Colunas.

Os Pilares do Pórtico.

CAPÍTULO III

AS GUARNIÇÕES DA LOJA

Os Ornamentos.

O Pavimento Mosaico.

A Borda Dentada.

A Estrela Flamejante.

O Mobiliário.

As Jóias Móveis.

As Jóias Imóveis.

CAPÍTULO IV

CERIMÔNIAS PRELIMINARES

O Ritual Co-Maçônico.

A Procissão.

O Avental.

A Cerimônia de Incensação.

Acendimento das Velas.

CAPÍTULO V

A ABERTURA DA LOJA

Os Irmãos Auxiliam.

Cobrindo a Loja.

O E.A. S ... n.

Os Oficiais.

Os Deveres.

A Abertura.

O E.A. K � s.

CAPÍTULO VI

INICIAÇÃO

O Candidato.

Divisões da Cerimônia.

Preparação do Candidato.

A Preparação Interior.

As Três Jornadas Simbólicas.

O O �. O E �. I L � s. O S � e P � Exame e Investidura.

As Ferramentas de Trabalho.

Interpretação Egípcia das Ferramentas de Trabalho.

(Segunda Edição: As Ferramentas de Trabalho, e a Interpretação Egípcia das Mesmas.

CAPÍTULO VII

O SEGUNDO GRAU

As Perguntas.

A Preparação.

A Preparação Interna.

A Abertura.

O Último Trabalho do A.A.

Os Cinco Estágios.

Os Cinco Passos.

O O. As Ferramentas de Trabalho.

Encerramento da Loja.

CAPÍTULO VIII

O TERCEIRO GRAU

A Abertura da Loja.

O C � A Preparação.

A Preparação Interna.

Entrando na Loja.

Os Sete Passos.

O O � As Forças Etéricas.

Hiram Abiff.

Morte e Ressurreição.

A Estrela.

A Elevação da Humanidade.

Fogo, Sol e Lua.

Os Vilões.

A Inscrição.

(Segunda Edição: Nosso Mestre H. A. em vez de Hiram Abiff.)

CAPÍTULO IX

OS GRAUS SUPERIORES

O Plano Maçônico.

A Cerimônia de Instalação.

O Grau de Marca.

O Santo Arco Real.

Ainda Mais Alto.

O Rosacruz.

Maçonaria Negra.

Maçonaria Branca.

Como Usar os Poderes.

Nossa Relação com os Anjos.

CAPÍTULO X - (CAPÍTULO IX na Primeira Edição)

DOIS RITUAIS MARAVILHOSOS

Os Trabalhos no Egito. A Forma do Templo de Amen-Rá. A Construção do Templo de Amen-Rá. A Revelação da Luz Oculta.

As Ofertas.

A Descida de Osíris.

A Distribuição do Sacramento.

A Reunião de Osíris.

O Brilho da Luz.

O Compromisso e a Bênção.

A Cerimônia dos Santos Anjos.

A Loja e os Oficiais.

O Triângulo dos Adeptos.

A Chegada dos Anjos.

A Construção do Templo dos Anjos.

A Cerimônia no Templo. O Efeito do Festival.

CAPÍTULO XI - (CAPÍTULO X na Primeira Edição)

ENCERRANDO A LOJA

As Saudações.

Preparação para o Encerramento.

O Encerramento.

LÂMINAS

0.  O Templo Maçônico (Colorido)

I.  Um Avental Egípcio (Colorido)

II.  (a) Uma Iniciação Egípcia

(b) Osíris no Esquadro

III.

A Planta da Loja

IV.  As Três Colunas

(a) Dórica

(b) Jônica

(c) Coríntia

V.  Ruínas de um Templo Grego

VI.  Um Pilar do Pórtico

VII.

O Capitel

VIII.

A Flecha de Rá (Colorido)

IX.  Os Chacras

X.  O Segundo Portal

XI.  O Templo dos Anjos (Colorido)

CAPÍTULO I

INTRODUTÓRIO

EXPERIÊNCIA PESSOAL

1.   As origens da Maçonaria perdem-se nas brumas da antiguidade.

No século passado, muitos pensavam que ela não poderia ser rastreada mais além das guildas medievais de pedreiros operativos, embora alguns considerassem estas, por sua vez, como relíquias dos Colégios Romanos.

Pode ainda haver alguns que não saibam melhor do que isso, mas todos os estudantes dos Antigos Mistérios que também são Maçons estão cientes de que é nessa linha que encontramos nossa verdadeira ancestralidade filosófica; pois há muito em nossas cerimônias e ensinamentos que não teria tido significado para o mero maçom operativo, embora, quando examinados à luz do conhecimento recebido nos Mistérios, veja-se que estão repletos de significado.

Muitos escritores maçônicos reivindicam vários graus de antiguidade para a Ordem, alguns atribuindo sua fundação ao Rei Salomão, e pelo menos um afirmando corajosamente que sua sabedoria é tudo o que resta do conhecimento divino que Adão possuía antes de sua queda.

Há, no entanto, muita evidência menos mítica do que essa, e para essa evidência eu posso contribuir com um fragmento de experiência pessoal de um tipo bastante incomum.

2. Ao dedicar alguns anos ao esforço e muitos mais anos à prática, fui capaz de desenvolver certas faculdades psíquicas do tipo mencionado no Prefácio, que, entre outras coisas, me permitem lembrar as existências anteriores pelas quais passei.

A ideia de pré-existência pode ser nova para alguns de meus leitores. (Aqueles que desejarem aprender mais sobre esse assunto fascinante devem ler *Reencarnação*, do M.·. I.·. Ir.·. A. Besant, e o capítulo sobre Reencarnação em meu *Compêndio de Teosofia*.) Não proponho agora apresentar argumentos a seu favor, embora existam em abundância, mas simplesmente afirmar que para mim, como para muitos outros, é um fato de experiência pessoal.

A única dessas vidas anteriores minhas com a qual estamos aqui preocupados foi vivida cerca de quatro mil anos antes de Cristo no país que hoje chamamos de Egito.

3. Quando fui iniciado na Maçonaria nesta vida, minha primeira visão da Loja foi uma grande e agradável surpresa, pois descobri que estava perfeitamente familiarizado com todas as suas disposições, e que elas eram idênticas àquelas que eu conhecera seis mil anos atrás nos Mistérios do Egito.

Estou bem ciente de que esta é uma declaração surpreendente; só posso dizer que é literalmente verdadeira.

Nenhum erro é possível; a coincidência não servirá como explicação.

A disposição dos três oficiais principais é incomum; os símbolos são significativos e distintivos, e sua combinação é peculiar; no entanto, todos pertenciam ao antigo Egito, e eu os conhecia bem lá.

Quase todas as cerimônias permanecem inalteradas; há apenas algumas diferenças em pontos menores.

Os s � ps tomados, os k � s dados - todos têm um significado simbólico que me lembro distintamente.

4.   EVIDÊNCIAS EGÍPCIAS

5.   Sabendo que esses fatos são assim por minha própria experiência, pus-me a trabalhar para coletar evidências corroborativas comuns do plano físico para eles, a partir de livros que estavam ao meu alcance, e encontrei até mais do que esperava.

A explicação do Primeiro Grau t � b � começa observando que os usos e costumes entre os Maçons sempre tiveram uma afinidade próxima com os dos antigos egípcios, mas não nos fornece nenhuma ilustração dos pontos de semelhança.

Estas podem ser encontradas nos livros mais iluminadores do Ir. Churchward, Sinais e Símbolos do Homem Primordial e A Arcana da Maçonaria, também em As Escolas Arcanas, do Ir. John Yarker, e Maçonaria e os Deuses Antigos, do Ir. J. S. M. Ward.

Vou proceder a resumir, com reconhecimento grato, as informações derivadas desses volumes.

Maçons de vários graus poderão selecionar dela as características que os lembram de suas próprias cerimônias.

6.   Algumas ilustrações interessantes foram coletadas das pinturas murais do antigo Egito e de vinhetas em vários papiros, principalmente do Livro dos Mortos, do qual existem muitas recensões.

É claro a partir dessas fontes que a formação do templo no Egito era

7.   Figura

8.   um quadrado duplo, e no centro havia três cubos empilhados um sobre o outro, formando um altar (Churchward, A Arcana da Maçonaria, p. 43.) sobre o qual eram colocados seus Volumes da Sabedoria Sagrada - não os mesmos que os nossos, é claro, pois os nossos ainda não haviam sido escritos.

Esses cubos representavam os três Aspectos ou Pessoas da Trindade - Osíris, Ísis e Hórus - como pode ser visto pelos sinais gravados neles (ver Fig. 1) que, no entanto, é copiado não de um altar egípcio, mas de uma ilustração no livro do Sr. Evans sobre Creta; mas em um período posterior encontramos apenas um cubo duplo.

10. Havia dois pilares na entrada do templo, e sobre eles estavam quadrados representando a terra e o céu. (Ibid., p. 44.) Um deles trazia um nome que significava "em força", enquanto o nome do outro significava "estabelecer". (Ibid., p. 121.) Este portal era considerado como conduzindo ao mundo superior de Amenti, o mundo onde a alma era mesclada com o espírito imortal, e a partir de então estabelecida para sempre; portanto, esta era a figura da estabilidade.

Na entrada da Loja havia sempre dois guardas armados com facas; o exterior era chamado o Vigia, o interior era conhecido como o Arauto. (Ibid., p. 47.) O candidato era despojado da maior parte de suas roupas, e entrava com um c � t � e h � w �. Ele era conduzido à porta do templo, e ali perguntavam quem ele era.

Ele respondia que era Shu, o "suplicante" ou "prostrado", vindo em um estado de escuridão para buscar a Luz.

A porta era um triângulo equilátero de pedra, que girava sobre um pivô em seu próprio centro.

11. Quando o candidato entrava, pisava no quadrado e, ao fazê-lo, supunha-se que ele estava pisando e deixando para trás o quaternário inferior ou a personalidade do homem, a fim de desenvolver a tríade superior, o ego ou a alma.

(Na Maçonaria moderna, a mesma ideia é expressa na Primeira Instrução, onde se afirma que um Maçom vem à Loja "para aprender a governar e subjugar suas paixões, e para fazer progresso adicional na Maçonaria".) Ele era conduzido através de longas passagens, e levado ao redor da Loja sete vezes; e, após ter respondido a muitas perguntas, ele era finalmente trazido ao centro da Loja, e ali perguntavam o que ele necessitava.

Foi-lhe dito para responder: "Luz". Em todas as suas perambulações, ele tinha que começar com o pé esquerdo.

Se o candidato violasse seu juramento, como é afirmado em O Livro dos Mortos, sua garganta era cortada e seu coração arrancado.

Outro grau é mencionado no papiro de Nesi-Amsu, onde se diz que o corpo era cortado em pedaços e queimado até virar cinzas, e estas eram espalhadas sobre a face das águas aos quatro ventos do céu.

12. Há no templo de Khnumu na ilha de Elephantine, logo em frente a Assouan, um baixo-relevo que nos mostra duas figuras, uma do Faraó e a outra de um sacerdote usando o cocar de íbis de Thoth, em pé em uma atitude fortemente sugestiva do f � p � de f, embora não concordando exatamente com nossa prática atual.

(Veja a Prancha II a.) Pretende representar uma iniciação, e a palavra dada é "Maat-heru", que significa "verdadeiro de voz" ou "aquele cuja voz deve ser obedecida". (Churchward, *The Arcana of Freemasonry*, p. 49.) Também vi uma pintura em que quatro assistentes são representados saudando um Faraó com o s � a � de um I.M., e o s � de s � é frequentemente encontrado nos monumentos, e é característico de Hórus.

O malhete era então feito de pedra e era um modelo do machado de dupla lâmina.

13. Prancha I

14.

15. Naqueles dias, os aventais eram feitos de couro e eram triangulares.

O do Primeiro Grau era branco puro, como é agora; mas o avental do M.M. era brilhantemente colorido e ricamente adornado com joias, com franjas de ouro.

(Veja a Prancha I.) Nosso t � f � i � g � era representado por um côvado de vinte e cinco polegadas.

A Estrela Flamejante no centro da Loja existia, mas tinha oito pontas em vez de seis ou cinco.

Era chamada "A Estrela da Alvorada" ou "A Estrela da Manhã", e representava Hórus da Ressurreição, que é retratado carregando-a sobre a cabeça e como tendo-a dado aos seus seguidores.

16. O esquadro maçônico era bem conhecido e era chamado *neka*. É encontrado em muitos templos e também aparece na grande pirâmide.

Diz-se que era usado para esquadrejar pedras e também simbolicamente para esquadrejar a conduta, o que mais uma vez se assemelha à interpretação moderna.

Construir no esquadro era construir para sempre, segundo os ensinamentos do antigo Egito; e no Salão do Julgamento egípcio, Osíris é visto sentado sobre o esquadro enquanto julga os mortos.

(Veja a Prancha II b.)

17.

18. Assim, o esquadro veio a simbolizar o fundamento da lei eterna. (Churchward, *The Arcana of Freemasonry*, p. 59.)

19. Os egípcios usavam a pedra bruta e a pedra polida com praticamente o mesmo significado que os maçons lhes atribuem hoje. (Ibid., p. 60.) Uma varinha encimada por uma pomba é representada não apenas no antigo Egito, mas também em alguns monumentos da América Central, e aqueles que a portavam eram chamados "condutores". É um fato curioso, também, que os descendentes dos negros nilóticos, que emigraram há muito tempo do Egito para a África Central, quando convocados a prestar juramento em um tribunal de justiça, ainda o fazem com um gesto que, se eu estivesse à vontade para descrevê-lo por escrito, seria universalmente reconhecido pela Ordem.

20. Outro ponto que muito me impressionou ao observar as gravuras de vinhetas no Livro dos Mortos é que o h � s � da F.C. é representado de forma perfeitamente clara; um grupo de pessoas é mostrado adorando o sol poente, ou prestando-lhe respeito, nessa atitude.

21. Este Livro dos Mortos, como foi um tanto infelizmente chamado, faz parte de um manual que, em sua totalidade, destinava-se a ser uma espécie de guia para o plano astral, contendo uma série de instruções para a conduta tanto do falecido quanto do iniciado nas regiões inferiores daquele outro mundo.

Os capítulos que foram coletados dos diversos túmulos não nos dão a obra completa, mas apenas uma seção dela, e mesmo essa está bastante corrompida.

A mente do egípcio parece ter funcionado segundo linhas extremamente formais e ordenadas; ele tabulava toda descrição concebível de entidade que um morto pudesse, por qualquer possibilidade, encontrar, e arranjava cuidadosamente o encanto especial ou palavra de poder que considerava mais certa para vencer a criatura, caso ela se mostrasse hostil, sem jamais perceber aparentemente que era a sua própria vontade que fazia o trabalho, mas atribuindo seu sucesso a algum tipo de magia.

O Livro dos Mortos foi originalmente destinado a ser mantido em segredo, embora em dias posteriores certos capítulos fossem escritos em papiro e enterrados com o morto.

Como é dito em um dos textos: "Este Livro é o maior dos mistérios.

Não permita que o olho de alguém o contemple — isso seria abominação.

O Livro do Mestre da Casa Secreta é o seu nome." (W. Marsham Adams, The Book of the Master, p. 96.)

22. No antigo Egito, eles reconheciam sete almas, ou forças de vida, que emanavam do Altíssimo.

Estudantes da filosofia oriental as chamam de sete primordiais, e elas são mencionadas no Livro de Dzyan. (Ver A Doutrina Secreta, de H. P. Blavatsky.) Seis dessas eram pré-humanas; a sétima era a nossa humanidade, e foi trazida à existência a partir da virgem Neith.

O símbolo associado a esse nascimento era o do pelicano, que, segundo a fábula, tirava sangue do próprio peito para alimentar seus filhotes; isso mais tarde se tornou um símbolo proeminente na filosofia rosacruz, que parece ter sido derivada em grande parte dos ensinamentos egípcios.

Lemos nos hieróglifos egípcios sobre "o Um e os Quatro", referindo-se a Hórus e seus quatro Irmãos.

Dessa também lemos nas Estâncias de Dzyan; e outra expressão comum a ambas é "O Um do Ovo". No Egito, o ovo era o símbolo do sol poente, que muitas vezes é visto nessa forma quando está prestes a tocar o horizonte.

Esse ovo passava para o submundo, e ali era chocado, e dele saía o jovem sol na manhã seguinte, erguendo-se em sua força, o que era chamado de "a chama nascida de uma chama". Tudo isso tinha um significado profundamente místico, que era explicado nos Mistérios.

23. Quando Osíris morreu, Ísis e Néftis - por sua vez - tentaram erguê-lo, mas foi em vão; então Anúbis tentou e obteve sucesso, e Osíris retornou ao mundo com os segredos de Amenti - uma declaração significativa que parece sugerir que os segredos que possuímos estão intimamente ligados ao submundo e à vida após a morte.

24. Estas são algumas das evidências mais notáveis que consegui reunir; e há outras que não podem ser escritas.

Sinto que muitas outras podem provavelmente ser encontradas, mas mesmo estas, quando tomadas em conjunto, tornam impossível qualquer teoria de coincidência.

Não há dúvida de que esta fraternidade à qual temos a honra de pertencer hoje é a mesma que conheci há seis mil anos, e pode de fato ser remontada a uma antiguidade ainda maior.

Ir.

Churchward afirma que alguns dos sinais têm seiscentos mil anos; isso é bem provável de ser verdade, pois o mundo é muito antigo, e certamente a Maçonaria possui um dos rituais mais antigos que existem.

Devemos, é claro, admitir que a mera aparição de um de nossos símbolos não implica necessariamente a existência de uma Loja, mas pelo menos mostra que, mesmo há tanto tempo, os homens pensavam em linhas semelhantes, e tentavam expressar seus pensamentos na mesma linguagem de símbolos que empregamos hoje.

25. PRESERVAÇÃO DE RITUAIS E SÍMBOLOS

26. Que os rituais e símbolos tenham sido preservados para nós com tão maravilhosamente pouca alteração é certamente uma coisa admirável; seria inexplicável não fosse o fato de que as Grandes Potências por trás da evolução se interessaram pelo assunto, e gradualmente trouxeram as pessoas de volta às linhas verdadeiras quando elas se desviavam um pouco delas.

Este negócio sempre esteve nas mãos do Chohan do Sétimo Raio, pois esse é o raio mais especialmente ligado à cerimônia de todos os tipos, e seu Chefe era sempre o Hierofante Supremo dos Mistérios do Egito Antigo. O atual ocupante desse cargo é aquele Mestre da Sabedoria de quem falamos frequentemente como o Conde de S. Germain, porque Ele apareceu sob esse título no século XVIII.

Ele também é às vezes chamado de Príncipe Rakoczi, pois é o último sobrevivente daquela casa real.

Exatamente quando Ele foi nomeado para a Chefia do Raio Cerimonial, não sei, mas Ele se interessou profundamente pela Maçonaria já no século III d.C.

27. Nós o encontramos nesse período como Albanus, um homem de nobre família romana, nascido na cidade de Verulam, na Inglaterra. Quando jovem, foi a Roma, alistou-se no exército lá e alcançou considerável distinção nele. Serviu em Roma por cerca de sete anos, pelo menos, talvez mais do que isso.

Foi lá que ele foi iniciado na Maçonaria e também se tornou proficiente nos Mistérios Mitraicos, que estavam tão intimamente associados a ela.

28. Após esse tempo em Roma, ele retornou ao seu local de nascimento na Inglaterra e foi nomeado governador da fortaleza lá.

Ele também ocupou a posição de 'Mestre das Obras', o que quer que isso possa ter significado; ele certamente supervisionou os reparos e o trabalho geral na fortaleza de Verulam, e ao mesmo tempo era o Pagador Imperial.

A história conta que os trabalhadores eram tratados como escravos e mal pagos, mas que S. Alban (como foi chamado posteriormente) introduziu a Maçonaria e mudou tudo isso, garantindo-lhes melhores salários e condições geralmente muito melhoradas.

Muitos de nossos Irmãos devem ter ouvido falar do Manuscrito Watson de 1687. Nele, muito se diz sobre o trabalho de S. Alban para a Ordem, e é especialmente mencionado que ele trouxe da França certos encargos antigos que são praticamente idênticos aos em uso no presente.

Ele foi decapitado na perseguição do Imperador Diocleciano no ano de 303, e a grande abadia de S. Alban foi construída sobre seus restos mortais cerca de quinhentos anos depois.

29. No ano de 411, ele nasceu em Constantinopla e recebeu o nome de Proclus - um nome que na vida posterior ele estava destinado a tornar famoso.

Ele foi um dos últimos grandes expoentes do Neoplatonismo, e sua influência ofuscou em grande medida a Igreja Cristã medieval.

Depois disso, há uma lacuna em sua lista de encarnações, sobre a qual atualmente nada sabemos.

Nós o encontramos renascido no ano de 1211, e nessa vida ele foi Roger Bacon, um frade franciscano, que foi reformador tanto da teologia quanto da ciência de seu tempo.

Em 1375 veio seu nascimento como Christian Rosenkreutz.

Essa também foi uma encarnação de considerável importância, pois nela ele fundou a sociedade secreta dos Rosacruzes.

Parece que cerca de cinquenta anos depois, ou um pouco mais que isso, ele usou o corpo de Hunyadi Janos, um eminente soldado e líder húngaro.

Também nos é dito que por volta de 1500 ele teve uma vida como o monge Robertus, em algum lugar da Europa central. Sabemos praticamente nada sobre isso, sobre o que ele fez ou de que maneira se distinguiu.

30. Depois disso vem um de seus maiores nascimentos, pois no ano de 1561 ele nasceu como Francis Bacon.

Desse grande homem ouvimos na história pouco que seja verdadeiro e muito que é falso.

Os fatos reais de sua vida estão gradualmente se tornando conhecidos, em grande parte por meio de uma história cifrada que ele escreveu secretamente nas muitas obras que publicou.

Essa história é de interesse fascinante, mas não nos concerne aqui.

Um esboço dela pode ser encontrado em meu livro *O Lado Oculto das Festas Cristãs*, do qual estou resumindo este relato. (Op. cit., p. 303.)

31. Um século depois, nos é dito que ele nasceu como Jozsef Rakoczi, um príncipe da Transilvânia. Nós o encontramos mencionado nas enciclopédias, mas não é dada muita informação.

Depois disso, considerável mistério cerca seus movimentos.

Ele parece ter viajado pela Europa, e aparece em intervalos, mas temos pouco conhecimento definido sobre ele.

Ele foi o Conde de Saint Germain na época da Revolução Francesa, e trabalhou muito com Madame Blavatsky, que estava naquele período em encarnação sob o nome de Père Joseph.

Ele também parece ter se disfarçado como Barão Hompesch, que foi o último dos Cavaleiros de São João de Malta, o homem que arranjou a transferência da ilha de Malta para os ingleses.

Este grande santo e mestre ainda vive, e Seu corpo atual não tem aparência de grande idade.

Eu mesmo O encontrei fisicamente em Roma em 1901, e tive uma longa conversa com Ele.

32. Na Co-Maçonaria, referimo-nos a Ele como o Chefe de todos os Verdadeiros Maçons em todo o mundo (abreviado como H.O.A.T.F.) e em algumas de nossas Lojas, Seu retrato é colocado no leste, acima da cadeira do R.W.M., e logo abaixo da Estrela da Iniciação; outras o colocam no norte, acima de uma cadeira vazia.

Ao Seu reconhecimento e consentimento como Chefe do Sétimo Raio depende a validade de todos os ritos e graus.

Ele frequentemente seleciona discípulos entre os Irmãos da Ordem Maçônica e prepara aqueles que se habilitaram nos mistérios menores da Maçonaria para os verdadeiros Mistérios da Grande Loja Branca, dos quais nossas iniciações maçônicas, por mais esplêndidas que sejam, são apenas reflexos tênues, pois a Maçonaria sempre foi um dos portões pelos quais se poderia alcançar aquela Loja Branca.

Hoje, poucos de Seus Maçons O reconhecem como seu Soberano Grande Mestre, mas a possibilidade de tal discipulado sempre foi reconhecida nas tradições da Ordem.

Diz-se em um antigo catecismo da Maçonaria masculina:

33. P. Como Maçom, de onde vens? R. Do Oeste.

34. P. Para onde diriges teu curso? R. Para o Leste.

35. P. Que incentivo tens para deixar o Oeste e ir para o Leste? R. Para buscar um Mestre, e dEle obter instrução.

36. Felizmente, nossos ancestrais reconheceram a importância de transmitir o trabalho inalterado. Alguns poucos pontos foram abandonados durante esse vasto lapso de tempo; alguns outros foram ligeiramente modificados; mas são maravilhosamente poucos. As obrigações tornaram-se mais longas, e os não-oficiais participam menos do trabalho do que costumavam; nos velhos tempos, eles constantemente entoavam pequenos versículos de louvor ou exortação, e cada um deles entendia estar preenchendo uma posição definida, ser uma roda necessária na grande máquina.

37. Desse conhecimento emergem vários pontos. É notável que as cerimônias maçônicas, que por tanto tempo foram supostas estar em oposição à religião recebida do país, são vistas como sendo elas mesmas uma relíquia da parte mais sagrada de uma grande religião antiga. Como todo produto desses sistemas antigos e elaboradamente aperfeiçoados, esses ritos são cheios de significado, ou melhor, de significados; pois no Egito atribuímos a eles uma significação quádrupla.

Como cada detalhe é, portanto, pleno de importância, é óbvio que nada deveria jamais ser alterado sem o maior cuidado, e somente por aqueles que conhecem sua intenção completa, para que a simbologia do todo não seja prejudicada.

38. A PERSPECTIVA EGÍPCIA

39. É extremamente difícil explicar aos leitores do século XX tudo o que este trabalho significou para nós na ensolarada terra de Khem; mas tentarei descrever as quatro camadas de interpretação tal como eram ensinadas quando eu mesmo ali vivi.

40. A primeira ideia de seu significado era a de que ele nos transmitia e simbolizava em ação o modo pelo qual o Grande Arquiteto havia construído o universo — que nos movimentos executados e no plano da Loja estavam consagrados alguns dos grandes princípios sobre os quais esse universo havia sido edificado.

O movimento vorticoso na defumação, a elevação e o abaixamento das colunas, a cruz, a âncora e o cálice sobre a escada da evolução — todas essas coisas e muitas outras nós interpretávamos dessa maneira.

Os diferentes graus penetravam cada vez mais fundo no conhecimento de Seus métodos e dos princípios sobre os quais Ele opera.

Pois não apenas sustentávamos que Ele trabalhou no passado, mas que Ele trabalha agora, que Seu universo é uma expressão ativa d'Ele.

Naqueles dias, os livros ocupavam um lugar muito menos proeminente em nossas vidas do que ocupam agora, e considerava-se que registrar o conhecimento numa série de ações apropriadas e sugestivas fazia um apelo mais poderoso à mente do homem e estabelecia esse conhecimento melhor na memória do que lê-lo num livro.

Estamos, portanto, preservando por meio de nossas ações invariáveis a memória de certos fatos e leis da natureza.

41. Porque assim é, e porque as leis do universo devem ser universais em sua aplicação e devem atuar aqui embaixo tanto quanto acima, sustentávamos que o Grande Arquiteto esperava de nós uma vida em conformidade com a lei que Ele havia feito.

O esquadro deveria ser aplicado literalmente a pedras e edifícios, mas simbolicamente à conduta do homem, e o homem deveria organizar sua vida em concordância com o que obviamente decorria dessas considerações; portanto, exigia-se a mais estrita probidade e um elevado nível de pureza, física, emocional e mental.

Retidão e justiça perfeitas eram exigidas, e ao mesmo tempo benevolência amorosa e gentileza, e em todos os casos "fazer aos outros o que queríeis que vos fizessem". Assim, a Maçonaria é de fato "um sistema de moralidade velado em alegoria e ilustrado por símbolos", mas é um sistema baseado não em um suposto mandamento, "Assim diz o Senhor", mas em fatos e leis definidos na natureza que não podem ser postos em dúvida.

42. O trabalho é uma preparação para a morte e para o que se segue a ela. As duas colunas B. e J. supunha-se que estivessem à entrada do outro mundo, e as várias experiências pelas quais o candidato passava destinavam-se a simbolizar aquelas que lhe sobreviriam quando ele saísse deste mundo físico para o estágio seguinte.

Há uma vasta quantidade de informações sobre a vida após a morte que pode ser derivada de uma consideração inteligente das cerimônias maçônicas, e, através da prática constante delas, esses mundos tornar-se-ão realmente familiares para nós; de modo que, quando passarmos além do túmulo, não mais em morte figurada, sentir-nos-emos bastante à vontade ao repetir mais uma vez o que tantas vezes encenamos em símbolo dentro da Loja.

Acima de tudo, enfatiza-se que as mesmas leis vigoram do outro lado do túmulo como neste lado, que em ambos os estados estamos igualmente na presença de Deus, e que onde esse Santo Nome é invocado não pode haver motivo para temor.

43. A quarta intenção é a mais difícil de todas de explicar.

Para fazer-vos compreender isso, devo tentar levar-vos de volta, se puder, à atmosfera do antigo Egito, e à atitude que os homens religiosos ali mantinham.

Não sei se é possível reconstruir isso nestes dias modernos, que são tão desesperançosamente, tão fundamentalmente diferentes.

44. A religião que melhor conhecemos na atualidade é intensamente individualista; o grande objetivo central apresentado à maioria dos cristãos é o de salvar suas próprias almas.

Esse dever é representado como sendo de importância primordial.

Vocês podem imaginar uma religião que, em todos os sentidos, em todos os aspectos, fosse tão sincera, tão fervorosa, tão real quanto qualquer outra, mas da qual essa ideia estivesse totalmente ausente, à qual ela teria sido completamente inconcebível? Podem pensar, para começar, em um estado de mente no qual ninguém temesse nada, exceto o erro e seus possíveis resultados no atraso do desdobramento; no qual os homens aguardassem com perfeita certeza seu progresso após a morte, porque sabiam tudo a respeito; no qual seu único desejo não fosse a salvação, mas o avanço na evolução, porque tal avanço lhes trazia maior poder para realizar eficazmente o trabalho oculto que Deus esperava deles?

45. Não estou sugerindo que todos no antigo Egito fossem altruístas, assim como não o são todas as pessoas na Inglaterra moderna. Mas afirmo que o país estava permeado de alegria e destemor no que diz respeito às suas ideias religiosas, e que todo aquele que, por qualquer extensão de cortesia, pudesse ser descrito como um homem religioso estava ocupado não com pensamentos de sua salvação pessoal, mas com o desejo de ser um agente útil do Poder Divino.

46. A religião externa do antigo Egito — a religião oficial da qual todos participavam, do rei ao escravo — foi uma das mais esplêndidas que a humanidade já conheceu.

Procissões magníficas percorrendo avenidas de milhas de extensão, entre pilares tão estupendos que pareciam dificilmente obra humana, barcas imponentes em uma profusão de cores de arco-íris deslizando majestosamente pelo plácido Nilo, música triunfante ou plangente, mas sempre arrebatadora — como descrever algo tão absolutamente sem paralelo em nossos insignificantes tempos modernos? O traje comum de todas as classes no Egito era branco; mas, em contraste, suas procissões religiosas eram massas de cor esplêndida e vibrante, com os sacerdotes vestindo vestes carmesim e um azul esplêndido que se supunha representar o azul do céu, além de muitas outras cores brilhantes.

A vida do antigo Egito, como de fato a do Egito moderno, girava em torno do rio Nilo, de fluxo lento e majestoso, e barcas ricamente decoradas eram usadas para todos os fins de transporte e também para a celebração de festivais religiosos.

Nelas, os sacerdotes eram dispostos em certas figuras simbólicas, de pé ou sentados; e todos usavam as cores apropriadas ao aspecto particular da Divindade que simbolizavam.

47. Não somente sacrifícios solenes eram oferecidos aos deuses sobre essas barcaças, em altares maravilhosamente adornados com flores e bordados preciosos, às vezes erguidos em andares a cem pés ou mais de altura; mas também quadros vivos ou cenas eram encenados sobre elas, tendo um significado simbólico relacionado ao festival que estava sendo celebrado.

Dessa forma, era representado o julgamento dos mortos, com a pesagem do coração por Anúbis contra a pena de Maat, sendo os personagens de Anúbis e Thoth interpretados por sacerdotes que usavam as máscaras apropriadas.

Lembro-me também de uma representação muito macabra do desmembramento de Osíris, na qual Seu corpo era cortado em pedaços e depois remontado — não o corpo de uma pessoa real, é claro, mas nem por isso encenado com menos realismo.

Essas procissões esplêndidas deslizavam rio abaixo entre as multidões de adoradores, derramando a bênção dos deuses ao passarem e evocando tremendo entusiasmo e devoção no povo.

48. Os antigos egípcios foram frequentemente acusados de politeísmo, mas na realidade não eram mais culpados dessa acusação do que os hindus.

Todos os homens conheciam e adoravam o Deus Único, Amen-Rá, o "Único sem Segundo", cujo centro de manifestação no plano físico é o sol; mas O adoravam sob diferentes aspectos e através de diferentes canais.

Em um dos hinos dirigidos a Ele, dizia-se:

49. Os deuses Te adoram, Eles Te saúdam, Ó Tu, a Única Verdade Oculta, o Coração do Silêncio, o Mistério Escondido, o Deus Interior assentado no santuário, Tu, Produtor dos Seres, Tu, o Eu Único.

Adoramos as almas que emanam de Ti, que compartilham do Teu Ser, que são Tu mesmo.

Ó Tu, que estás oculto, mas manifesto em toda parte, nós Te adoramos ao saudar cada Alma-deus que vem de Ti e vive em nós.

50. Os "deuses" não eram considerados iguais a Deus, mas sim como tendo alcançado união com Ele em vários níveis e, portanto, como canais de Seu poder infinito para a humanidade.

51. O culto aos deuses era, na realidade, pouco diferente do culto aos Anjos e Santos na Igreja Católica.

Assim como os cristãos veem São Miguel e Nossa Senhora como personagens reais e celebram festas em sua honra, assim também no antigo Egito a adoração era oferecida a Ísis e Osíris, e igualmente a outras divindades.

Em última análise, esses nomes augustos referiam-se a Aspectos da Divindade, Amen-Rá, pois a Trindade no Egito era representada por Pai, Mãe, Filho — Osíris, Ísis e Hórus, em vez da apresentação cristã de Pai, Filho e Espírito Santo; mas abaixo desse nível divino havia então, como há agora, grandes Seres nos quais o Ideal estava corporificado, que atuavam como representantes e como canais do tríplice poder e graça de Deus para o homem.

Além disso, há hierarquias de Anjos pertencentes a essas diferentes linhas, assim como há hierarquias de Anjos que seguem a liderança de São Miguel e de Nossa Senhora — cada um dos quais é um canal e representante de sua Ordem de acordo com o nível de seu desenvolvimento.

A celebração do ritual de Ísis, por exemplo, sempre atraía sua atenção e invocava a presença de Anjos de Sua Ordem, que atuavam como canais da bênção divina naquele aspecto maravilhoso da Verdade Oculta que Ela representava.

52.   A YORK OCULTA

53.   Sem dúvida, o homem verdadeiramente religioso participava de toda a pompa exterior que descrevi; mas o que ele prezava muito acima de toda a sua magnificência surpreendente era sua filiação a alguma Loja dos Sagrados Mistérios — uma Loja que se dedicava com entusiasmo reverente ao trabalho oculto que era a principal atividade dessa nobre religião.

É desse lado oculto do culto egípcio, não de suas glórias exteriores, que a Maçonaria é um relicário, e o ritual que nela se preserva é uma parte do ritual dos Mistérios.

Para explicar o que era esse trabalho oculto, tracemos um paralelo com um método mais moderno de produzir um resultado um tanto semelhante.

54.   O plano cristão para difundir o poder ou a graça divina é principalmente por meio da celebração da Santa Eucaristia, comumente chamada por nossos irmãos romanos de Missa.

Não devemos pensar nessa graça como uma espécie de expressão poética, ou como sendo no mínimo grau vaga e nebulosa; estamos lidando com uma força tão definida quanto a eletricidade — um poder espiritual que é difundido sobre o povo de certas maneiras, que deixa seu próprio efeito atrás de si e necessita de seus próprios veículos, assim como a eletricidade necessita de sua maquinaria apropriada.

55.   É possível, por clarividência, observar a ação dessa força, ver como o serviço da Eucaristia constrói uma forma-pensamento, através da qual essa força é distribuída pelo sacerdote com o auxílio do Anjo invocado para esse fim.

Foi assim disposto que a atitude do sacerdote, seu conhecimento — até mesmo seu caráter — não interfere de modo algum no devido efeito do Sacramento. (Ver nº 26 dos Trinta e Nove Artigos da Igreja da Inglaterra no Livro de Oração Comum.) Há, em qualquer caso, um mínimo irredutível que é transmitido.

Enquanto ele realizar as cerimônias prescritas, o resultado é alcançado. (Ver Os Cânones e Decretos do Concílio de Trento, por T. Waterworth, p. 55 (Sessão VII, Cânon xii)) Se ele for também um homem devoto, aqueles que recebem o Sacramento de suas mãos têm o benefício adicional de uma participação em seu amor e devoção, mas isso de modo algum afeta o valor do Sacramento em si; quaisquer que sejam suas falhas, a força divina é derramada sobre o povo.

56. A antiga religião egípcia tinha a mesma ideia de derramar força espiritual sobre todo o seu povo, mas seu método era totalmente diferente.

A magia cristã pode ser realizada somente pelo sacerdote, e pode até ser feita de maneira bastante mecânica; mas a assistência inteligente dos leigos aumenta grandemente seu poder e a quantidade de força que pode ser derramada.

O plano egípcio, no entanto, exigia positivamente a cooperação séria e inteligente de um número considerável de pessoas.

Era, portanto, muito mais difícil de ser realizado perfeitamente, mas quando completamente feito era muito mais poderoso e cobria uma extensão muito maior de território.

O esquema cristão necessita de um vasto número de igrejas espalhadas por toda a terra; o plano egípcio exigia apenas a ação de algumas Grandes Lojas estabelecidas nas principais cidades para inundar todo o reino com a Luz Oculta — o trabalho das Lojas comuns sendo considerado subsidiário a estas, e antes como um campo de treinamento para a membresia nas Grandes Lojas.

57. A doutrina central da religião dos antigos egípcios era que o poder divino habitava em todo homem, mesmo no mais baixo e mais degradado, e eles chamavam esse poder de "A Luz Oculta". Eles sustentavam que, através dessa Luz, que existia em todos, os homens sempre poderiam ser alcançados e ajudados, e que era seu dever encontrar essa Luz dentro de cada um, por mais desanimador que fosse, e fortalecê-la. O próprio lema do Faraó era "Procurai a Luz", implicando que seu dever supremo como Rei era procurar essa Luz Oculta em cada homem ao seu redor e esforçar-se para trazê-la à manifestação mais plena.

58. Os egípcios sustentavam que essa centelha divina, que existe em cada um, poderia ser mais eficazmente avivada transmutando e trazendo para os três mundos inferiores a tremenda força espiritual que é a vida dos planos superiores, e então derramando-a sobre o país, como foi descrito. Sabendo que a força espiritual é apenas outra manifestação do poder multifacetado de Deus, eles também lhe deram o nome de Luz Oculta; e desse duplo uso do termo surge às vezes confusão.

Eles reconheciam plenamente que tal efusão de graça divina só poderia ser evocada por um supremo esforço de devoção de sua parte; e a realização de tal esforço, juntamente com a provisão de mecanismos adequados para difundir a força quando ela viesse, era uma grande parte do trabalho oculto ao qual os mais nobres dos egípcios dedicavam grande parte de seu tempo e energia; e este era o quarto dos objetivos que se pretendia alcançar com o ritual sagrado e secreto, do qual o da Maçonaria é uma relíquia.

59. A RAÇA EGÍPCIA

60. A raça egípcia do período do qual tenho falado era de sangue misto, mas predominantemente ariana.

Nossas pesquisas mostram que por volta de 13.500 a.C., um grupo de homens e mulheres pertencentes às classes mais altas do grande império do sul da Índia que então existia partiu em uma expedição ao Egito, via Ceilão, tendo sido direcionados a fazê-lo pelo Manu.

A raça dominante no Egito naqueles dias era um ramo do que tem sido chamado nos livros teosóficos de sub-raça Tolteca — um ramo provavelmente idêntico àquela raça Cro-Magnon que habitou a Europa e a África por volta de 25.000 a.C. Em *Ancient Types of Man* (Op. cit., p. 71), Sir Arthur Keith observa que essa raça era mental e fisicamente uma das mais notáveis que o mundo já viu.

Broca notou que o conteúdo cerebral do crânio da mulher Cro-Magnon supera o do homem médio de hoje.

A altura média dos homens dessa raça era de seis pés e uma polegada e meia; os ombros eram extremamente largos e os braços curtos em comparação com as pernas; o nariz era fino, porém proeminente, as maçãs do rosto altas e o queixo maciço.

61. Aconteceu que o Rei ou Faraó no trono na época em que a expedição do sul da Índia chegou tinha uma filha, mas nenhum filho, tendo sua esposa morrido no parto.

Os recém-chegados foram recebidos com grande cordialidade tanto pelo Rei quanto pelo Sumo Sacerdote, e o casamento misto com os estrangeiros tornou-se uma honra cobiçada nas famílias egípcias, especialmente porque o Rei havia aprovado o casamento de sua filha com o líder do bando, que era um Príncipe da Índia.

62. Em poucas gerações, o sangue ariano tingira toda a nobreza egípcia, e isso produziu o tipo, bem conhecido pelos monumentos, que tinha traços arianos, mas a coloração tolteca.

Após muitos séculos, veio um governante que foi influenciado por uma princesa estrangeira, com quem se casara, a abandonar as tradições arianas e estabelecer formas inferiores de adoração; mas o clã uniu-se e, casando-se estritamente apenas entre si, preservou os antigos costumes e a religião, bem como a pureza de sua raça.

Quase quatro mil anos após a chegada dos indianos, surgiram no Egito certos profetas que predisseram um grande dilúvio, então o clã, em corpo, embarcou através do Mar Vermelho e encontrou refúgio entre as montanhas da Arábia.

63. Em 9.564 a.C., a profecia foi cumprida; a ilha de Poseidonis afundou sob o Oceano Atlântico no dilúvio mencionado no Timeu de Platão; ao mesmo tempo, a terra elevou-se e fez surgir o Deserto do Saara onde antes havia um mar raso, e uma vasta onda de maré varreu o Egito, de modo que quase toda a sua população foi destruída.

Mesmo quando tudo se estabilizou, o país era um ermo, limitado a oeste não mais por um mar pacífico, mas por um vasto pântano salgado, que, com o passar dos séculos, secou em um deserto inóspito.

De todas as glórias do Egito, restaram apenas as pirâmides erguendo-se em solidão desolada — um estado de coisas que perdurou por mil e quinhentos anos antes que o clã retornasse de seu refúgio montanhoso, já transformado em uma grande nação.

64. Mas muito antes disso, tribos semisselvagens haviam se aventurado na terra, travando suas batalhas primitivas nas margens do grande rio que outrora carregara as frotas de uma poderosa civilização, e que ainda testemunharia um renascimento daquelas glórias antigas, e refletiria os majestosos templos de Osíris e Amom-Rá. O primeiro dos vários povos que entraram no país foi um povo negróide da África Central; eles, no entanto, foram substituídos por vários outros antes que os ario-egípcios retornassem da Arábia, estabelecessem-se perto de Abidos e, gradualmente, de maneira pacífica, tornassem-se mais uma vez o poder dominante.

Dois mil e quatrocentos anos depois, o Manu (sob o nome de Menes) encarnou, uniu todo o Egito sob um único governo e fundou ao mesmo tempo a primeira dinastia e sua grande cidade de Mênfis. Esse império já florescia há mais de um milênio e meio antes do reinado de Ramsés, o Grande, que foi ele próprio o Mestre de uma das principais Lojas na época em que tive a honra de pertencer a ela.

65. AS GRANDES LOJAS

66. Durante o tempo em que vivi no Egito, o governo do país era dirigido de dentro da organização dos Mistérios.

O Egito estava dividido em quarenta e dois nomos ou condados, e o nomarca ou governante do condado era o Mestre da Loja principal do nomo.

Havia uma Grande Loja — não confundir com as três Grandes Lojas de Amen, descritas mais adiante — composta por todos os nomarcas, e cujo Grão-Mestre era o Faraó.

Essa Grande Loja se reunia em Mênfis e trabalhava com um ritual diferente daqueles dos graus inferiores.

Era a esse corpo que o Faraó anunciava seus decretos; pois, embora seu poder na terra fosse quase absoluto, antes de qualquer decisão séria ele sempre consultava seus nomarcas — e, a julgar por suas decisões, eles eram um grupo de homens muito capazes.

Assuntos menores eram resolvidos por um comitê executivo dessa Loja, presidido pelo Faraó; mas passos importantes eram sempre discutidos na própria Grande Loja.

Assim, os Mistérios penetravam tanto na vida política quanto na religiosa nos tempos antigos; e a política era muito menos egoísta em consequência.

67. Havia no Egito, naqueles dias, três Grandes Lojas de Amen, cada uma estritamente limitada a quarenta membros, cada um dos quais era uma parte necessária da máquina.

Incluindo os oficiais, cuja função era a recitação do Ofício e a magnetização da Loja, cada membro era o representante de uma qualidade particular.

Um era chamado Cavaleiro do Amor, outro Cavaleiro da Verdade, outro Cavaleiro da Perseverança, e assim por diante; e cada um deveria se tornar especialista em pensar e expressar a qualidade que lhe era atribuída.

A ideia era que as quarenta qualidades, assim expressas através da Loja como um todo, formariam o caráter de um homem perfeito, uma espécie de homem celestial, através do qual o poder oculto poderia ser derramado sobre todo o país.

68. Essas três Grandes Lojas trabalhavam três tipos distintos de Maçonaria, dos quais apenas um chegou até nós no século XX.

O Mestre da primeira Grande Loja representava a sabedoria, e seus dois Vigilantes, a força e a beleza, como em nossas Lojas de hoje.

O poder predominante derramado era aquela sabedoria que é amor perfeito, a qualidade que é de fato a mais necessária no mundo no tempo presente.

O Mestre da segunda Grande Loja representava a força, e seus Vigilantes, a sabedoria e a beleza, e a força do Primeiro Aspecto da Trindade era a qualidade predominante da Loja.

O Mestre da terceira Grande Loja tipificava a beleza, e a sabedoria e a força eram subordinadas a esse terceiro aspecto da Luz Oculta.

69. Como todos os presentes tinham que desempenhar sua parte na construção da forma, a cooperação exata e a harmonia perfeita eram absolutamente necessárias, e somente pessoas que pudessem esquecer-se inteiramente de si mesmas na grande obra eram selecionadas das Lojas ordinárias para se tornarem membros dessas três Grandes Lojas, cujo poder era tal que sua influência cobria todo o país.

A mais leve falha no caráter de um dos quarenta membros teria enfraquecido seriamente a forma através da qual todo o trabalho estava sendo realizado.

É talvez uma relíquia dessa necessidade primordial que dita nossa regulamentação atual de que quaisquer Irmãos que não estejam em perfeita harmonia entre si não devem colocar seus aventais até que tenham resolvido suas diferenças.

No antigo Egito havia uma intensidade de sentimento fraternal entre os membros de uma Loja que provavelmente raramente é alcançada agora; eles se sentiam ligados uns aos outros pelos mais santos laços, não apenas como partes da mesma máquina, mas realmente como colaboradores do próprio Deus.

70. O ritual trabalhado pelas Grandes Lojas era conhecido como A Construção do Templo de Amon; uma tradução de sua redação real será dada em outra parte deste livro.

Era de fato um dos sacramentos mais esplêndidos e poderosos conhecidos pelo homem.

Foi celebrado por milhares de anos, durante os quais o Egito era uma terra poderosa, mas chegou um tempo em que os egos mais avançados em evolução começaram a buscar encarnação em novas nações, nas quais, como em diferentes classes na escola do mundo, pudessem aprender novas lições.

Então essa porção dos Mistérios Egípcios caiu em desuso, enquanto a civilização egípcia se tornava degenerada e formalizada, à medida que se tornava um teatro para as atividades de homens menos evoluídos.

71. AS LOJAS ORDINÁRIAS

72. Havia também, espalhadas por todo o país, numerosas outras Lojas, que se assemelhavam mais de perto às dos tempos modernos.

Seu trabalho era muito mais variado do que o das três Grandes Lojas, e elas se reuniam com mais frequência, pois a elas era confiada a tarefa de preparar seus membros para coisas mais elevadas, dando-lhes uma educação liberal.

Seu propósito era o mesmo dos Mistérios em toda parte: proporcionar um sistema definido de cultura e educação para adultos, algo que não é feito em grande escala e publicamente nos dias de hoje, quando se difundiu amplamente a crença bastante curiosa de que a educação termina com a escola ou a faculdade.

Os Mistérios eram as grandes instituições públicas, centros da vida nacional e religiosa, para onde afluíam em milhares as pessoas das classes mais distintas, e eles cumpriam bem o seu trabalho, pois aquele que passara por seus graus — um processo de muitos anos — tornava-se, por isso, o que hoje chamaríamos de homem ou mulher altamente educado e culto, com, além do conhecimento sobre este mundo, uma vívida realização do futuro após a morte, do lugar do homem no esquema das coisas e, portanto, do que realmente valia a pena fazer e pelo que viver.

73. Mesmo nessas Lojas comuns, todo membro participava do trabalho, e a labuta daqueles nas colunas era considerada mais árdua do que a dos oficiais.

Embora estes tivessem ações físicas especiais pelas quais deviam passar com grande precisão, aqueles tinham de usar seu poder de pensamento o tempo todo.

Todos deviam unir-se em certos pontos do ritual para emitir correntes de pensamento, mais na natureza de força de vontade do que de meditação, sendo o objetivo de todo o esforço erguer sobre e ao redor da Loja uma magnífica e radiante forma-pensamento de proporções perfeitas, especialmente construída para receber e transmitir da maneira mais eficaz a Força Divina que era invocada por seu ato de devoção.

Se o pensamento de algum membro fosse ineficaz, a poderosa forma-pensamento semelhante a um templo ficava correspondentemente defeituosa em uma parte; mas o Mestre da Loja era geralmente um sacerdote ou sacerdotisa clarividente que podia ver onde estava o defeito e, assim, manter sua Loja estritamente em alto nível.

Assim, essas Lojas também participavam do mesmo grande trabalho de distribuição de força, embora em escala menor do que as três Grandes Lojas, às quais era especialmente confiada essa tarefa.

74. Sem um propósito como este, nosso grande esforço maçônico parece ininteligível.

Temos em quase todas as Lojas Maçônicas uma bela cerimônia de abertura, repleta de profundo significado simbólico e, quando compreendida, percebe-se que não é mera formalidade, mas uma fórmula maravilhosamente eficaz, que convoca diversas entidades em nosso auxílio e prepara o caminho para a realização de um serviço muito definido à humanidade.

No entanto, tendo aberto nossa Loja e feito todos esses preparativos, procedemos imediatamente ao encerramento, a menos que tenhamos um candidato para iniciar, passar ou elevar, ou uma palestra a proferir para nossos próprios membros.

Certamente, uma preparação tão maravilhosa deveria culminar em algo definido, em uma obra real em benefício da humanidade.

75. No antigo Egito existia esse esplêndido trabalho, o ápice para o qual todos os preparativos conduziam. Nosso verdadeiro propósito deveria ser o mesmo.

Reunimo-nos e realizamos certas cerimônias, dando-lhes o nome de trabalho — um nome bastante inadequado quando aplicado às meras cerimônias, por mais repletas de significado que sejam. Mas se estamos construindo uma forma grandiosa e bela como canal para a energia divina, por meio da qual o mundo possa ser ajudado, então certamente estamos realizando trabalho, coletando, concentrando e armazenando grandes forças sobre-humanas e, então, com a bênção de encerramento, derramando tudo isso sobre o mundo.

Sem isso, todos os preliminares são, como diz a carga mística co-maçônica, "como portais maciços, que não levam a lugar algum".

76. Não há razão para que nós, nos dias atuais, não façamos tanto com nosso ritual quanto faziam os antigos egípcios.

Quaisquer defeitos que possam se interpor no caminho não se encontram no mundo exterior, mas na falha por parte dos Irmãos em perceber a seriedade do trabalho que empreenderam, ou em elevar-se ao grau de altruísmo necessário para garantir a frequência regular em prol da humanidade.

No Egito, ninguém incomodava o Irmão Secretário com cartas de desculpas; os Irmãos consideravam sua filiação o privilégio e a bênção mais valiosos de suas vidas, e estavam sempre na Loja na hora devida, a menos que estivessem demasiado doentes para se mover.

Esperemos que a Maçonaria tenha um futuro digno de seu passado e que, em breve, Lojas como as que existiam no Egito estejam trabalhando em muitas partes do mundo.

77. Há várias linhas ao longo das quais a recordação do modo como o trabalho era feito no antigo Egito pode ser útil para nós, pois aquelas pessoas realizavam suas cerimônias com pleno conhecimento de seu significado, e assim os pontos aos quais davam grande ênfase provavelmente também são importantes para nós.

78. A profunda reverência era sua característica mais forte.

Eles consideravam seu templo muito como os cristãos mais sinceros consideram sua igreja, exceto que sua atitude era ditada pelo conhecimento científico, e não pelo sentimento.

Eles compreendiam que o templo era fortemente magnetizado e que, para preservar toda a força desse magnetismo, era necessário grande cuidado.

Falar de assuntos comuns no templo teria sido considerado sacrilégio, pois significaria a introdução de uma influência perturbadora.

A paramentação e todos os preparativos preliminares eram sempre feitos na antecâmara, e os Irmãos entravam na Loja em procissão, cantando, como os Co-Maçons fazem agora.

79. A HISTÓRIA DA MAÇONARIA

80. O ensino dos Mistérios do Egito era guardado com muito rigor, e somente com grande dificuldade e sob condições especiais alguém que não fosse egípcio de nascimento poderia recebê-lo. Ainda assim, foi dado a vários estrangeiros distintos, e entre outros a Moisés, de quem se diz na narrativa bíblica que era "instruído em toda a sabedoria dos egípcios". Ele transmitiu seu conhecimento à linhagem sacerdotal judaica, e assim ele sobreviveu de forma mais ou menos defeituosa até a época de Davi e Salomão.

81. Quando Salomão construiu seu templo, ele o ergueu segundo linhas maçônicas e o tornou um centro de simbolismo e trabalho maçônicos.

Ele, sem dúvida, pretendia que seu templo demonstrasse e preservasse para seu povo um certo conjunto de medidas, da mesma maneira que todos os tipos de fatos astronômicos e geodésicos estavam consagrados nas medidas da grande pirâmide. (Ver Cap. II, sobre os Pilares.) Ele não teve sucesso, porque grande parte da tradição havia se perdido; ou talvez fosse mais verdadeiro dizer que, embora o cerimonial externo e até mesmo a ornamentação tradicional tivessem sido razoavelmente bem preservados, a chave para o significado de tudo aquilo não era mais conhecida.

Até aquela época, os iniciados dos Mistérios Judaicos tinham sua atenção dirigida à Casa da Luz no Egito; mas o Rei Salomão resolveu manter seus pensamentos e sentimentos estritamente focados no edifício que ele próprio havia erguido e, portanto, em vez de lhes falar da morte e ressurreição simbólicas de Osíris no Egito, inventou a forma original de nossa atual história tradicional para ocupar seu lugar.

Na verdade, ele judaizou todo o ritual, substituindo palavras hebraicas pelas egípcias originais, embora em alguns casos, pelo menos, preservando o significado original.

82. Deve-se lembrar que, ao fazer isso, ele estava apenas alinhando a prática de seu povo com a das tribos e nações vizinhas.

Havia muitas linhas de tradição dos Mistérios, e embora os judeus tivessem trazido consigo através do deserto do Sinai grande parte da forma egípcia, os tírios e outros preservaram antes a história da descida de Tamuz ou Adônis do que a do desmembramento de Osíris.

Na verdade, o Ir. Ward, em seu último livro sobre este assunto, parece inclinado a defender a teoria de que nós, como maçons, devemos comparativamente pouco ao Egito e muito à Síria. Neste esboço brevíssimo da história maçônica, não posso prosseguir com a questão, mas espero dizer mais sobre ela em meu próximo volume, *Vislumbres da História Maçônica*.

83. É principalmente ao longo dessa linha de descendência judaica que a Maçonaria chegou até nós na Europa, embora tenha havido outras infiltrações.

Numa Pompílio, o segundo rei de Roma, que fundou os Colégios Romanos, estabeleceu em conexão com eles um sistema dos Mistérios que derivava sua sucessão maçônica do Egito; mas suas cerimônias e ensinamentos foram um tanto modificados pela migração dos ritos de Átis e Cibele para Roma por volta de 200 a.C., e novamente por meio dos soldados que retornavam das campanhas de Vespasiano e Tito.

Dos Colégios, essa tradição mesclada foi transmitida através dos Comacini e de várias outras sociedades secretas pelos tempos perigosos da Idade Média; e quando uma era melhor amanheceu e a perseguição se tornou menos feroz, ela veio à tona mais uma vez.

Certos fragmentos dela foram reunidos em 1717 para formar a Grande Loja da Inglaterra, e assim chegou até nós até os dias atuais.

84. Deve-se entender, no entanto, que não há uma única linha de ortodoxia maçônica.

Uma tradição paralela, originária das fontes caldeias, deu origem à Maçonaria tal como é trabalhada no continente europeu. E ainda outra linha parece ter sido trazida pelos Cavaleiros Templários em seu retorno das cruzadas.

85. Todo o assunto da história maçônica é de interesse extraordinário; mas, devido ao fato de a Maçonaria ser, afinal, uma sociedade secreta, muitas vezes é quase impossível traçar a linha de sua descendência por meio de quaisquer documentos atualmente disponíveis e, consequentemente, há grande confusão e contradição entre os vários relatos.

Nós mesmos dedicamos considerável investigação e pesquisa a esse assunto, e publiquei alguns de seus resultados no livro recém-mencionado, *Glimpses of Masonic History*.

86. Muito da sabedoria antiga foi deixado cair no esquecimento, e assim alguns dos verdadeiros segredos foram perdidos para o grande corpo dos Irmãos.

Mas entre os Hierofantes da Grande Fraternidade Branca os verdadeiros segredos foram sempre preservados, e eles sempre recompensarão a busca do Maçom verdadeiramente sincero.

Nós, destas sub-raças posteriores, podemos provar-nos tão altruístas e capazes de um trabalho tão bom para nossos semelhantes quanto o foram os povos de outrora.

Na verdade, nós mesmos bem podemos ser aqueles homens de outrora, retornados em novos corpos, trazendo conosco a antiga atração pela forma de fé e trabalho que então tão bem conhecíamos.

Tentemos reviver, sob estas condições tão diferentes, o espírito indomável que nos distinguiu há tanto tempo.

Isso significa muito trabalho árduo, pois cada oficial deve desempenhar sua parte com perfeição, e isso envolve muito treinamento e prática.

Contudo, estou certo de que há muitos que responderão ao chamado do Mestre e se apresentarão para se unirem na preparação do caminho para aqueles que hão de vir.

87. Que cada Loja se torne uma Loja-modelo, completamente eficiente em seu trabalho, de modo que, quando alguém a visite, fique impressionado com o bom trabalho realizado e com a força de sua atmosfera magnética, e assim seja induzido a compartilhar deste vasto empreendimento.

Nossos membros também devem ser capazes, quando por sua vez visitarem outras Lojas, de explicar nosso método de trabalho e mostrar como, do ponto de vista oculto, as cerimônias devem ser realizadas.

Acima de tudo, devem levar consigo, por toda parte, o forte magnetismo de um centro completamente harmonioso, a potente radiação do amor fraternal.

88. Para nós também, como para os antigos egípcios, a Loja deve ser um solo sagrado, consagrado e separado para o trabalho maçônico, nunca usado para qualquer propósito secular.

Ela deve ter uma atmosfera própria, assim como as grandes catedrais medievais; assim como elas são permeadas pela influência de séculos de devoção, também as próprias paredes do nosso Templo devem irradiar força, tolerância e amor fraternal.

89. CAPÍTULO II

90. A LOJA

91. FORMA E EXTENSÃO

92. É costume, ao falar da Loja Maçônica à qual se pertence, pensar em um salão ou sala em um edifício comum no mundo físico.

Portanto, quando sua extensão é mencionada, as ideias comuns de suas medidas em comprimento, largura e altura vêm à mente.

É necessário, no entanto, pensar em muito mais do que isso, pois a Loja representa o universo em geral, como é explicado no ritual dos Graus Simbólicos da Co-Maçonaria Universal.

Na descrição da tábua, somos informados de que a Loja tem de comprimento de leste a oeste, de largura de norte a sul, e de profundidade do zênite ao centro da Terra, o que mostra que ela é um símbolo do mundo inteiro.

93. A forma do salão da Loja, segundo o Dr. Mackey, deve ser a de um paralelogramo, pelo menos um terço maior de leste a oeste do que de norte a sul.

Deve sempre, se possível, estar situada exatamente a leste e oeste, deve

94. Prancha III

95.

96. ser isolada, quando praticável, de todos os edifícios circundantes, e deve ser alta, para dar dignidade à aparência do salão, bem como para fins de saúde.

Os acessos ao salão da Loja vindos de fora devem ser em ângulo, pois, como diz Oliver, "uma entrada reta é antimaçônica e não pode ser tolerada". Deve haver duas entradas para o salão, que devem estar situadas no oeste, e de cada lado da estação do W.S.W.

Aquela à sua direita é para a introdução de visitantes e membros e, conduzindo do aposento do Cobridor, é chamada de porta do Cobridor ou porta externa; a outra, à sua esquerda, conduzindo da sala de preparação, é conhecida como "porta interna" e às vezes é chamada de porta noroeste.

A Prancha III mostra a forma da Loja e as posições dos principais objetos nela, como geralmente dispostos pelos Co-Maçons da jurisdição britânica.

97. O piso da Loja, tecnicamente falando, é o pavimento mosaico, que será descrito entre os ornamentos da Loja.

A forma correta para isso é um quadrado duplo — isto é, um retângulo cujo comprimento seja o dobro de sua largura — e a Loja pode ser pensada como um cubo duplo erguido sobre esse piso.

Considerada como a sala inteira, a Loja é um templo da humanidade e, como tal, pode ser tomada como símbolo de um homem deitado de costas.

Nessa posição, os três grandes suportes correspondem a centros importantes do corpo humano.

A coluna do Venerável Mestre está no lugar da cabeça ou do cérebro; a do Primeiro Vigilante corresponde aos órgãos geradores, símbolos de força e virilidade, e também ao plexo solar, o grande centro ganglionar do sistema simpático; e a do Segundo Vigilante corresponde ao coração, antigamente considerado a sede das afeições.

98. ORIENTAÇÃO

99. Três razões são dadas no ritual para explicar por que nossas Lojas são dispostas de leste a oeste.

Em primeiro lugar, o sol nasce no leste, e o sol é considerado na Maçonaria como um símbolo da divindade.

Em segundo lugar, todas as nações ocidentais olham para o leste como a fonte de sua sabedoria.

Em terceiro lugar, os Maçons seguem o precedente do templo do Rei Salomão, que foi disposto de leste a oeste, imitando a disposição do tabernáculo que os israelitas carregavam em suas peregrinações pelo deserto e que era sempre colocado de leste a oeste quando assentado.

Certamente não basta dizer que os primeiros Maçons orientavam suas Lojas meramente porque todas as igrejas e capelas deveriam assim o fazer; antes, a regra eclesiástica *spectare ad orientem* era também uma regra para os Maçons.

100. Como já dissemos, a origem egípcia da Maçonaria foi um tanto obscurecida pela influência judaica.

Quando Moisés introduziu a sabedoria egípcia entre os judeus, eles rapidamente lhe deram sua própria coloração. São uma raça muito notável, pois assimilam prontamente, mas imprimem suas próprias características decididas sobre tudo o que adotam. Nesse caso, os egípcios falavam da grande pirâmide de Gizé como a "Casa da Luz", ou mais comumente "A Luz", mas os judeus foram ensinados a interpretar isso como referindo-se ao templo do Rei Salomão.

101. A verdadeira razão, no entanto, para a cuidadosa orientação da Loja é magnética.

Há um fluxo constante de força em ambas as direções entre o equador e cada um dos polos da Terra, e há também uma corrente fluindo em ângulo reto com essa, movendo-se ao redor da Terra na direção de seu movimento.

Ambas essas correntes são utilizadas no trabalho da Loja, como será explicado quando tratarmos das cerimônias.

O mundo em geral não reconhece a presença dessas forças, que não são da mesma ordem daquelas que influenciam um ímã comum de aço ou ferro, mas há algumas pessoas que são sensíveis a elas a tal ponto que não conseguem dormir confortavelmente se deitarem através delas.

Algumas dessas pessoas dormem melhor com a cabeça para o norte, outras com a cabeça para o sul.

Entre os hindus, considera-se que apenas um asceta deve dormir com a cabeça para o norte.

O chefe de família, o homem do mundo, deve deitar-se com a cabeça para o sul.

102.   O DOSsel CELESTIAL

103.   O ritual nos diz que a cobertura de uma Loja Maçônica é um dossel celestial de diversas cores.

Isso pode muito bem simbolizar o céu estrelado que cobre o verdadeiro templo da humanidade, quando consideramos a Loja como universal; mas a referência a diversas cores indica outro significado, pois a abóbada do céu não é de matizes variados, exceto ao nascer e ao pôr do sol, mas é azul.

O verdadeiro dossel celestial é a aura do homem que pensamos estar deitado de costas; é a forma-pensamento vividamente colorida que é criada durante o trabalho da Loja.

Vemos esse simbolismo aparecendo também em outros lugares, no casaco de muitas cores de José no V.S.L., no Manto de Glória que o iniciado veste, segundo o hino gnóstico; e também no Augoeides dos filósofos gregos, o corpo glorificado no qual a alma do homem habita no sutil mundo invisível.

O Ir.

Wilmshurst em O Significado da Maçonaria também interpreta o dossel como a aura do homem, o que é certamente mais razoável do que supor com o Dr. Mackey que, porque os primeiros Irmãos se reuniam nos mais altos montes e nos mais baixos vales, esse símbolo deve se referir à abóbada celeste que se arqueia por cima.

104.   O ALTAR

105.   O altar deve estar no meio do quadrado, mais próximo do Venerável Mestre, embora isso difira em diferentes Obediências.

No trabalho da Grande Loja da Inglaterra, geralmente não há altar algum, ou, no máximo, apenas um apêndice ao pedestal do Mestre; de modo que, quando o candidato está fazendo o juramento, ele se ajoelha diante do pedestal do Venerável Mestre. Em algumas Lojas, o altar fica um pouco a leste do centro do piso, e em outras ele fica no meio do piso.

106. Sobre o altar, ou próximo a ele, ou suspenso acima dele no meio do quadrado oriental, há nas Lojas Co-Maçônicas uma pequena luz acesa, geralmente encerrada em vidro cor de rubi.

Essa luz simboliza o reflexo da Divindade na matéria, e corresponde exatamente à luz nas igrejas católicas que arde sempre diante do Altar onde está reservada a Hóstia.

107.   Figura 2.

108.

109.   Mackey, em seu Léxico da Maçonaria, fala do altar como:

110.   O lugar onde as oferendas sagradas eram apresentadas a Deus.

Após a ereção do Tabernáculo, os altares eram de dois tipos: altares de sacrifício e altares de incenso.

O altar da Maçonaria pode ser considerado como o representante de ambas as formas.

Daqui, o incenso grato do Amor Fraternal, do Alívio e da Verdade eleva-se sempre ao Grande Eu Sou; enquanto sobre ele as paixões desregradas e os apetites mundanos dos Irmãos são oferecidos como sacrifício adequado ao gênio da nossa Ordem.

A forma própria de um altar maçônico é a de um cubo, com cerca de três pés de altura, com quatro chifres, um em cada canto, e tendo sobre ele, abertos, a Bíblia Sagrada, o Esquadro e os Compassos, enquanto ao redor são colocados, em forma triangular e posição adequada, os três pequenos luzeiros.

111.   Fig.

é tirada da mesma fonte.

As estrelas representam as três velas acesas e o ponto preto a vacância no norte, onde não há luz.

Em nossas Lojas Co-Maçônicas seguimos o costume inglês de ter as três velas ao lado dos assentos dos três oficiais principais, mas elas permanecem nas mesmas posições relativas.

Nisto, como em outras questões, não há ortodoxia na Maçonaria.

112.   O símbolo no lado oriental do altar é um círculo limitado ao norte e ao sul por duas linhas.

No centro deve haver um ponto — o ponto dentro de um círculo, em torno do qual um M.M. não pode errar.

O círculo, como mostrado na tábua, é desenhado no tamanho total do altar, de modo que toca ou quase toca o V.S.L. Uma explicação disso, frequentemente dada nas palestras de Loja, é que, como o círculo é limitado por duas linhas, que significam Moisés e Salomão, e também pelo V.S.L., qualquer um que se mantenha dentro desse círculo e siga os preceitos do V.S.L. tão rigorosamente quanto o fizeram Moisés e Salomão não errará.

113.   No antigo Egito, contudo, muito antes do tempo dos judeus, já era um símbolo com muitos significados.

Em primeiro lugar, era o símbolo do deus-sol, Rá; em segundo lugar, trazia para os egípcios a significação da Terra circulando ao redor do Sol.

Isso era, para eles, uma porção do conhecimento secreto reservado aos Mistérios.

Havia uma tradição ainda mais antiga, que considerava o círculo como o equador e o ponto no centro como a estrela polar, cuja posição muda devido à precessão dos equinócios, na qual os egípcios tinham grande interesse.

A inclinação da passagem principal da grande pirâmide foi determinada pela posição da estrela polar da época.

Este símbolo foi usado mais uma vez para indicar o olho que tudo vê — uma ideia facilmente sugerida pelo ponto no meio do círculo.

114. Outra interpretação do símbolo pelos egípcios era particularmente bela, e todos os Irmãos acharão digna de recordação sempre que seus olhos incidirem sobre ela. As três colunas, representando sabedoria, força e beleza, dizia-se que se erguiam ao redor do trono de Deus, que era o próprio altar, o qual tomavam por significar o amor.

Assim, o círculo descreve o amor de Deus, e as duas linhas que o limitam são as linhas do dever e do destino ou, para colocar a ideia em termos orientais, do dharma e do karma.

Dizia-se que, enquanto um M.M. se mantivesse dentro do círculo do amor divino, e limitasse suas ações pelo dever e pelo destino, não poderia errar.

115. O mesmo dispositivo também significa a primeira manifestação da Divindade.

Os egípcios sustentavam que havia três manifestações sucessivas; o primeiro aspecto muito acima de nosso alcance, o segundo e o terceiro sucessivamente mais baixos, e sua concepção desses três era muito semelhante à das Três Pessoas da Bem-aventurada Trindade no Cristianismo e do Trimurti entre os hindus; de fato, praticamente todas as religiões filosóficas reconheceram a tríplice manifestação da Divindade.

Em O Livro de Dzyan, o mesmo emblema, mas sem as duas linhas, era usado para denotar a mesma realidade, o primeiro Logos ou Verbo; enquanto no misticismo cristão significa o Cristo no seio do Pai.

Também era considerado um reflexo da Estrela Flamejante que deveria estar no centro do teto da Loja, sendo, a este respeito, o mesmo que a lâmpada de rubi sempre acesa.

Simbolizava Sua luz que "arde sempre em nosso meio" e "brilha mesmo em nossas trevas". Alguns estudantes da Maçonaria veem o mesmo símbolo uma vez mais em muitos dos templos dos Druidas e Escandinavos, que eram formados por um círculo de pedras com uma, geralmente mais alta que as demais, no centro.

116. PEDESTAIS E COLUNAS

117. "Nossas Lojas são sustentadas por três grandes pilares — sabedoria, força e beleza", diz o ritual maçônico, "sabedoria para conceber, força para sustentar e beleza para adornar; sabedoria para conduzir-nos em todos os nossos empreendimentos, força para sustentar-nos sob todas as nossas dificuldades, e beleza para adornar o homem interior.

O universo é o Templo da Divindade a quem servimos; sabedoria, força e beleza estão ao redor de Seu trono como pilares de Suas obras, pois Sua sabedoria é infinita, Sua força é onipotente, e Sua beleza brilha através de toda a criação em simetria e ordem.

Os céus Ele estendeu como dossel; a terra Ele plantou como Seu escabelo; Ele coroa Seu Templo com estrelas como com um diadema, e de Suas mãos fluem todo poder e glória.

O sol e a lua são mensageiros de Sua vontade, e toda a Sua lei é concórdia.

Os três grandes pilares que sustentam uma L � e maçônica são emblemáticos desses atributos divinos."

118. Colunas de tamanho completo raramente são erguidas em qualquer Loja, mas o P.V. e o S.V. têm colunas em miniatura sobre seus pedestais, e todos os três oficiais principais têm geralmente colunas maiores ao lado deles, sobre as quais são apoiadas suas respectivas velas.

Na literatura do Ofício, várias razões são dadas para a presença dos três pedestais e para sua disposição.

Alguns dizem que há três porque o Rei Salomão tinha duas outras pessoas importantes associadas a ele na construção do templo; mas o fato mais profundo é que os pilares sobre a t � b � e as colunas próximas aos pedestais dos três oficiais principais destinam-se a simbolizar os três aspectos da vida divina em manifestação, que têm sido falados por várias religiões como a Santíssima Trindade.

Nos tempos mais remotos no Egito, como já explicamos, havia três tipos de Grandes Lojas, com métodos de trabalho um tanto diferentes, conforme o V.M. representava sabedoria, força ou beleza.

Em nossos dias modernos, temos apenas um desses tipos, no qual o pedestal do Mestre significa sabedoria, e o trabalho é o da Segunda Pessoa da Trindade, o Cristo.

No Rito de Swedenborg, agora praticamente extinto, a cadeira do Mestre representava a força.

119. No processo de desenvolvimento do nosso universo, o terceiro membro da Trindade exerceu primeiro a Sua porção do poder divino ao preparar o mundo da matéria; então a segunda Pessoa emitiu a Sua energia, e esse foi o início da evolução da vida consciente.

Isso é simbolizado na abertura da Loja.

No início, a coluna em miniatura do W.J.W., que significa a Terceira Pessoa e o primeiro derramamento da atividade divina, está ereta, mas no momento em que o R.W.M. declara a Loja aberta, essa coluna é deitada e o W.S.W. ergue a sua coluna para a posição vertical.

Pela autoridade da Primeira Pessoa, o Pai, o Governante do mundo, a Segunda Pessoa assumiu agora a direção dos trabalhos, e a obra de evolução dos poderes da consciência é a ordem do dia na Loja aberta.

120. Os três pilares, as colunas e os pedestais, os castiçais e as velas, todos significam a mesma coisa.

A coluna sobre a mesa ou pedestal de cada um dos principais oficiais da Loja é esculpida em uma ordem definida de arquitetura que significa o seu poder ou qualidade; o seu castiçal também é talhado no mesmo desenho, e muitas vezes é representado também na sua vela.

As nossas colunas e castiçais são agora geralmente feitos de madeira pintada, mas na realidade deveriam ser de três tipos diferentes de pedra; a do R.W.M. deveria ser de freestone, a do W.S.W. de granito, e a do W.J.W. de mármore.

Esses três tipos de pedra são espécimes típicos das três grandes classes de rochas: freestone é aquosa ou sedimentar; granito é ígnea ou plutônica, e mármore é metamórfica.

Se forem usadas colunas de madeira, elas deveriam ser pintadas para se assemelhar a essas pedras.

121. Prancha IV

122.

123. ORDENS DE ARQUITETURA

124. Ao olhar para qualquer coluna, há duas partes principais a serem consideradas - a própria coluna, e no topo dela o entablamento que a ajuda a sustentar o teto.

Cada uma dessas duas partes é dividida novamente em três.

A coluna tem a sua base, depois um longo fuste delgado, e então o capitel.

As partes do entablamento são: primeiro a arquitrave, que se projeta acima do capitel; depois o friso, que é uma peça reta com ornamentos; e acima desse, a cornija.

Em quase todos esses pontos, as diferentes ordens de arquitetura variam.

125. As três ordens de arquitetura na Grécia antiga eram a Jônica, a Dórica e a Coríntia, que hoje são atribuídas respectivamente ao R.W.M., ao W.S.W. e ao W.J.W.

Posteriormente, duas outras foram acrescentadas, de origem italiana – a Toscana e a Compósita, que não utilizamos na Maçonaria.

As três colunas são mostradas na Estampa IV.

126. Das três colunas gregas, a Dórica é a mais simples.

Seu fuste possui vinte caneluras rasas, e sua altura é oito vezes o seu diâmetro.

Não tem base, e o capitel é sólido e bastante simples.

No entablamento, que geralmente não é reproduzido nos pilares dos oficiais, seu friso é caracterizado por triglifos, que representam as extremidades das vigas, e métopas, que representam as ripas, e sua cornija exibe mútulos.

Considera-se que esta coluna foi formada segundo o modelo de um homem musculoso e adulto; ela demonstra força e nobre simplicidade.

127. A coluna Jônica tem vinte e quatro caneluras e uma altura nove vezes o seu diâmetro.

Seu capitel é adornado com duas volutas, e sua cornija com dentículos.

Acredita-se que ela foi modelada com a graça de uma bela mulher, sendo as volutas sugeridas pelo penteado de seus cabelos.

128. A coluna Coríntia é, de longe, a mais bela.

Suas caneluras não diferem das da Jônica, mas sua altura é dez vezes o seu diâmetro, o que lhe confere uma aparência esbelta e muito graciosa.

O capitel é ornamentado com duas fileiras de folhas de acanto e oito volutas, que sustentam o ábaco.

129. A seguinte história é contada a respeito da origem da coluna Coríntia.

Um poeta e arquiteto grego chamado Calímaco certa vez visitou um cemitério e viu ali o túmulo de uma criança, sobre o qual uma planta de acanto havia crescido de uma maneira que impressionou o poeta como tão agradável e bela que ele a mandou esculpir em pedra, e ela se tornou a origem da forma hoje vista no capitel de todo pilar coríntio.

Sobre o túmulo havia uma caixa circular de brinquedos que havia sido ali colocada pela ama da criança a fim de agradar ao seu espírito – pois naquela época prevalecia a ideia de que os espíritos dos falecidos costumavam visitar seus locais de sepultamento ou enterro, e eram capazes de desfrutar dos objetos ali colocados para eles, ou das contrapartes desses objetos, que assim se tornavam suas posses no outro lado da morte.

130. Estampa V

131.

132. No topo da pequena caixa de brinquedos, a ama havia colocado uma telha plana para proteger da chuva.

Aconteceu que ela colocara a caixa sobre uma raiz de acanto, e que as folhas cresceram e, ao alcançarem a telha, voltaram-se para formar uma espécie de franja ao redor dela, com efeito belíssimo.

A planta de acanto cresce selvagem por toda a Sicília, no sul da Itália e na Grécia, e é encantadora em todos os lugares.

133. A coluna toscana é a mais simples de todas; tem base e capitel perfeitamente lisos, o comprimento de seu fuste é apenas sete vezes seu diâmetro, e não possui caneluras.

A coluna compósita, por outro lado, é a mais ornamentada de todas, pois é uma tentativa de combinar as belezas da jônica e da coríntia.

Tem o mesmo número de caneluras e as mesmas proporções que esta última, mas combina com o ornamento de acanto as volutas do estilo jônico.

134. As três colunas fazem parte do estilo grego ou clássico de arquitetura, que tem sempre um telhado plano ou levemente inclinado, sem arcos, e muitos pilares dispostos em fileiras, geralmente com um grande triângulo raso, o pílon, na frente do edifício.

(Veja a Estampa V.)

135. Na arquitetura religiosa da Europa encontramos principalmente o estilo gótico.

As guildas de maçons livres na Idade Média viajaram pela Europa em bandos errantes, que se dedicavam à construção de igrejas.

Toda a grande construção gótica foi feita, em linhas gerais, no mesmo período, e nessa época as famosas catedrais da Europa foram erguidas pelos maçons livres, que tinham as três ordens.

Eles eram maçons operativos, mas tinham seus segredos práticos, e somente eles eram capazes de fazer esse tipo de trabalho.

O gótico era um método inteiramente novo, afastando-se totalmente do clássico, e há ampla evidência para mostrar que os maçons livres foram responsáveis pela mudança.

A grande catedral de Colônia, por exemplo, que está em construção há quinhentos anos e ainda não foi concluída, foi projetada por um homem que se assinou com um sinal conhecido apenas pelos M. M., e há também documentos que mostram que a parte inicial da construção foi feita por maçons livres.

Tem a forma peculiar de arco ogival, feita pela interseção de dois arcos ascendentes, que caracteriza o estilo gótico, diferindo tanto do estilo normando e romano com seus arcos arredondados, quanto do sarraceno ou bizantino com seus arcos serrilhados e cúpulas redondas.

136. SIGNIFICADO DAS TRÊS COLUNAS

137. Devo as seguintes sugestões luminosas ao Ir. Ernest Wood.

Eles são uma interpretação das três colunas à luz dos princípios incorporados em seu livro, *Os Sete Raios*, e os recomendo ao estudo cuidadoso dos Brn.

138. Para compreender o pleno significado das colunas presididas pelos três oficiais principais, devemos recordar o ensinamento oculto da grande Trindade Divina de Pai, Filho e Espírito Santo, ou Shiva, Vishnu e Brahma.

Em Sua unidade, Eles são um Deus Universal em quem tudo existe, seja animado ou inanimado, pois nada há senão Isso.

Mas em Suas aparições separadas, o Espírito Santo é o fazedor ou construtor do mundo exterior, e o Filho é a vida em todos os seres, a "luz que ilumina todo homem que vem ao mundo". Todo objeto material no mundo é parte do ser de Deus, o Espírito Santo, nesse sentido amplo, e toda vida ou consciência é parte da consciência de Deus, o Filho, que é o Logos Solar manifestado.

Por trás destes, invisível e além de toda imaginação, está a glória inefável e a felicidade do Pai.

139. Tanto o Espírito Santo quanto o Filho são, por sua vez, trinos; sabedoria, força e beleza são as três qualidades de Deus, o Espírito Santo, e elas formam os três suportes do mundo objetivo, assim como marcam suas três divisões.

Essas divisões são (1) o mundo visível dos objetos materiais, fundado na beleza — Deus nas coisas é visto como beleza; (2) a energia invisível da qual o mundo está repleto, e sobre a qual todas as coisas que são vistas estão construídas — esta é a força de Deus, o Espírito Santo; (3) a mente universal, o mundo das ideias, o depósito de arquétipos, marcando as possibilidades das formas materiais e relações, que é visto no que o cientista chama de leis da natureza — a sabedoria do Arquiteto Divino, Seus planos estabelecidos.

Estas são as três partes de qualquer mundo objetivo; elas constituem a Loja, o edifício, no qual a vida desempenha seu papel; e os três Pilares, Iônico, Dórico e Coríntio, simbolizam essas três divisões do mundo — o campo de consciência, como tem sido chamado no Bhagavad Gita.

140. Todos os seres vivos que povoam este mundo exibem a luz da vida divina e da consciência em seus variados graus.

Eles são todos partes de Deus, o Filho, o Cristo, o grande sacrifício, a vida divina crucificada na cruz da matéria.

Ele também é uma trindade, e isso se vê nos três poderes da consciência que aparecem no homem como a vontade espiritual, o amor intuicional e a inteligência superior, que são a raiz de toda vontade, amor e pensamento humanos.

Uma vez que os oficiais são a vida na Loja, eles representam essas qualidades na consciência, que são chamadas na filosofia sânscrita de Ichchha, Jnana e Kriya.

O M.V.M. expressa a vontade divina do Cristo, dirigindo o trabalho para o aperfeiçoamento do homem; o V.S.O. representa o amor divino do Cristo; e o V.J.O. o pensamento divino.

Esses oficiais devem ser conhecidos por suas joias, que representam vontade, amor e pensamento, respectivamente, não pelas colunas às quais presidem.

141. Assim como a energia material é a força nas coisas, também o amor é a força na consciência; é o que foi chamado na terminologia sânscrita de buddhi no homem, a sabedoria que é conhecimento direto da vida, a energia da consciência.

É a faculdade no homem com a qual ele contacta e lida com a vida ao seu redor, enquanto seu pensamento é a faculdade com a qual ele lida com as coisas objetivas.

Assim, quando na abertura da Loja o V.J.O. abaixa seu pilar e o V.S.O. ergue o seu, isso simboliza o fato de que agora estamos interessados na vida, estamos trabalhando sobre o homem, sobre a consciência, não sobre objetos materiais, como seria o caso se estivéssemos construindo uma estrutura material, e não o templo do homem, seu caráter interior, sua alma imortal.

O Grande Arquiteto está agora construindo "um templo nos céus, não feito por mãos humanas".

142. Assim, as colunas representam as três qualidades da Loja material, mas os três oficiais principais expressam as três qualidades da consciência ou da vida.

Agora os oficiais assistentes devem ser explicados.

Em sua natureza interior, todo homem é uma consciência espiritual, tríplice, como vimos — mas quando o olhamos neste mundo, não vemos o homem em si, mas o corpo no qual ele vive, sua casa material, ou antes, para usar um símile mais moderno, seu automóvel no qual ele se locomove para fazer os negócios de sua vida, para ver o que quer ver e trabalhar onde quer trabalhar.

Esse corpo, talvez treinado para uma profissão específica, criado na cultura especial de uma das nações, com seus modos e hábitos de ação, sentimento e pensamento, constitui sua personalidade, a máscara através da qual sua voz pode ser ouvida no mundo das aparências externas.

Esta personalidade é quádrupla – há o corpo físico, depois o duplo etérico ou contraparte deste, depois a natureza emocional, depois a mente inferior – os dois últimos constituindo seu próprio depósito privado e galeria de sentimentos e ideias pessoais.

O S.D. representa a mente inferior, o J.D. a natureza emocional ou astral; o I.G. o duplo etérico, e o O.G. ou T. o corpo físico. (Para um estudo mais completo desses princípios sob este ponto de vista, veja o livro do Professor Wood, *Os Sete Raios*.)

143. Segundo esta interpretação, as colunas representam os três aspectos do mundo exterior (o mundo da instrução humana), mas os três principais oficiais, que presidem em seus pedestais, representam os três aspectos da consciência divina (o mundo interior da intuição humana), como no diagrama seguinte:

144. Diagrama

145.

146. OS PILARES DO PÓRTICO

147. Referindo-se ao templo do Rei Salomão, o ritual do Ofício Inglês diz: “Não havia nada em conexão com esta magnífica estrutura mais notável, ou que mais particularmente chamasse a atenção, do que as duas grandes colunas que foram colocadas no pórtico ou entrada.” O ritual prossegue explicando que essas duas colunas foram erguidas à entrada do templo para lembrar os filhos de Israel, em seu caminho de ida e volta ao culto divino, da coluna de fogo que deu luz aos israelitas durante sua fuga da escravidão no Egito, e da coluna de nuvem que se mostrou trevas para Faraó e seus seguidores, quando tentaram alcançá-los.

148. Seu significado original, no entanto, remonta muito mais além disso.

Afirma-se que essas duas colunas originalmente representavam as estrelas polares do norte e do sul.

Elas foram a princípio os pilares de Hórus e Set, mas seus nomes foram depois mudados para Tat ou Ta-at, e Tattu, o primeiro significando “em força” e o último “estabelecer”, sendo os dois juntos considerados como o emblema da estabilidade.

Tattu é a entrada para a região onde a alma mortal é mesclada com o espírito imortal, e assim estabelecida para sempre, como já expliquei no Capítulo I. Parece estranho que tantos autores falem das estrelas polares do norte e do sul, quando o fato é que não há estrela de qualquer importância no polo sul.

O polo sul dos céus está situado em uma região extraordinariamente árida do céu, e a estrela mais próxima de alguma importância é aquela ao pé do Cruzeiro do Sul, que está a nada menos que vinte e sete graus do polo.

149. No topo das duas colunas, no simbolismo muito antigo, havia inicialmente quatro linhas ou varas cruzadas, que eram símbolos do céu e da terra, como na Fig. 3.

150. Figura 3.

151. 

152. Como os quatro quadrantes ou o quadrado, ou antes, os dois quadrados, surgiram, pode ser compreendido pela Fig. 4.

153. Figura 4.

154. 

155. O primeiro símbolo mostra os dois olhos do norte e do sul, com uma linha de conexão. O segundo mostra a linha de Shu, onde ele faz uma divisão no equinócio, e assim forma dois triângulos de Set e Hórus; e a terceira figura completa o quadrado dos quatro quadrantes. Diz-se que Tattu é, assim, o lugar estabelecido para sempre, um céu com seus quatro quadrantes, assim como Tat representa a terra com seus quatro quadrantes.

156. Figuras 5 e 6.

157. 

158. Nos hieróglifos, a forma tornou-se como na Fig. 5, enquanto no Papiro de Ani aparece como na Fig. 6.

159. O Dr. Mackey fez um estudo especial dessas duas colunas em sua forma judaica posterior. Ele fala delas como memoriais das repetidas promessas de Deus de apoio ao Seu povo de Israel, pois Jaquim é derivado de Jah, que significa "Jeová", e achin, "estabelecer", e significa "Deus estabelecerá a Sua casa em Israel", enquanto Boaz é composto de b, que significa "em", e oaz, "força", significando o todo "em força será estabelecida". Mackey pensa que as colunas deveriam estar dentro do pórtico (o que na realidade não estavam), bem na sua entrada; e em cada lado do portão.

Ver-se-á quão exatamente os significados dados aqui correspondem aos dos nomes egípcios das mesmas colunas.

160. Encontramos várias descrições dessas colunas dadas nas Escrituras Cristãs. As referências são 1 Reis, vii, 15; 2 Reis, xxv, 17; 2 Crônicas, iii, 15 e iv, 12; Jeremias, lii, 21 e Ezequiel, xl, 49. Uma descrição também é dada pelo historiador judeu Josefo, e outra pode ser encontrada no Léxico de Maçonaria de Mackey. Esses relatos diferem em vários aspectos, e os detalhes dados são tão confusos que os escritores maçônicos estão longe de concordar quanto a qualquer coisa além das principais características.

Portanto, considerei melhor tomar a liberdade de fazer uma investigação clarividente, cujo resultado é dado nas Lâminas VI e VII.

A primeira delas é o que se chama de desenho em escala, mostrando as proporções da coluna exatamente como era, mas como jamais poderia ter sido vista por qualquer ser humano, devido ao seu tamanho.

A segunda é um desenho ampliado, do mesmo caráter, do capitel (ou, como é chamado na Bíblia, o capitel) para mostrar o detalhe de seu trabalho um tanto complicado.

Há também uma pequena planta baixa (Fig.

7) do templo, para mostrar a posição das

161.   Figura

162.

163.   colunas em relação ao pórtico.

Ver-se-á que elas não estavam dentro do pórtico, mas logo fora dele. Esta planta baixa foi desenhada em escala de acordo com as medidas bíblicas, mas deve-se notar que nela não se leva em conta nenhuma outra porta além da do pórtico, nem as curiosas capelas laterais que o rei Salomão acrescentou; tampouco se faz qualquer tentativa de indicar os átrios que cercavam o templo.

164.   Estas colunas são descritas na Bíblia como de latão, mas sua aparência é muito mais a do que hoje chamamos de bronze.

A altura da própria coluna é dada em todos os relatos, exceto um, como dezoito côvados, e o capitel que se avoluma acima dela é dito ter cinco côvados de altura, mas como se sobrepunha ao topo na extensão de meio côvado, a altura total era de 22 1/2 côvados.

Como o côvado é geralmente calculado em dezoito polegadas, isso nos dá a altura total da coluna e seu capitel como 33 pés e 9 polegadas.

Sua circunferência é dada como doze côvados ou dezoito pés, o que tornaria seu diâmetro pouco menos de seis pés.

As colunas eram ocas, e a espessura do metal de que eram compostas é geralmente suposta ser de três polegadas, embora às vezes tenha sido dada como quatro.

Na parte posterior de cada coluna, de modo que não fossem vistas de forma alguma pela frente, havia três pequenas portas, uma acima da outra, de modo que parte da coluna pode ser pensada como dividida em compartimentos, nos quais arquivos, livros da Lei e outros documentos eram guardados.

165.   Prato VI

166.

167.   Os capitéis que se ajustam ao topo das colunas como tampas são a parte mais interessante dessas notáveis fundições.

A ornamentação desses capitéis será melhor compreendida pela ilustração.

O capitel inteiro eleva-se em uma forma algo semelhante a uma urna, com um disco circular plano repousando sobre ele. A curva ascendente da urna é continuada através do disco, e forma uma projeção acima do disco que é um segmento de esfera, embora isso, naturalmente, não fosse visível para quem olhasse de baixo, ao pé da coluna.

Seria mais correto dizer que a forma sugerida não é na verdade uma esfera, mas sim um esferoide oblato, e na coluna de pedra original que ocupava um lugar semelhante no templo egípcio, cuja simbologia foi copiada pelo artífice tírio, essa forma um tanto incomum foi sem dúvida intencional, e foi adotada para dar uma ideia da verdadeira forma da Terra, que era perfeitamente bem conhecida no antigo Egito.

Como se verá em um capítulo posterior, os egípcios estavam bastante familiarizados com as medidas exatas da Terra, mas na indicação dela no esferoide da coluna, a depressão polar é naturalmente muito exagerada, pois de outro modo a diferença dificilmente poderia ter sido visível.

Sabe-se que essas colunas destinavam-se a representar as esferas terrestre e celeste, respectivamente; e em algumas tentativas modernas de reproduzi-las, elas são coroadas com esses dois globos.

Nos originais, contudo, não havia tais globos, pois os capitéis arredondados os representavam suficientemente.

168. Ver-se-á pela ilustração que a superfície do capitel abaixo do disco é coberta por uma rede, e que as extremidades inferiores da rede coalescem em uma espécie de franja, da qual pendem várias pequenas bolas.

O relato bíblico nos diz com bastante precisão que essas bolas destinavam-se a representar romãs, e que havia duzentas dessas romãs sobre cada coluna.

Sobreposta à rede há uma decoração bastante curiosa de correntes, pendendo em festões, e há sete fileiras desses festões, uma abaixo da outra.

Cada laço de corrente consiste em sete elos, e em cada caso o elo central da corrente é de longe o maior e mais pesado, e os elos diminuem em tamanho e peso à medida que sobem em direção às extremidades do laço.

Ao longo da borda do disco corre uma fileira de lírios, e a partir dela quatro correntes das mesmas flores são representadas pendendo verticalmente pelo capitel, nas direções norte, leste, sul e oeste, respectivamente.

Essas correntes de flores, contudo, não pendem soltas no ar, mas aderem estreitamente ao contorno do capitel.

Entre eles, duas folhas de palmeira estão cruzadas através do elo central da corrente central em cada espaço.

169. Totalmente à parte deste esquema de decoração, uma faixa de flores muito bem executada é introduzida para ocultar a junção do capitel com a coluna.

Esta consiste em uma tripla fileira de lírios; a fileira central, que cobre exatamente a borda do capitel, é composta de flores totalmente abertas voltadas para fora da coluna, com folhas entre elas, enquanto há uma fileira superior de botões bem fechados erguendo-se entre as flores da fileira do meio, produzindo um efeito não

170. Prancha VII

171.

172. diferente do das pontas de uma coroa.

Os lírios da terceira fileira pendem graciosamente para baixo a partir da fileira do meio sobre hastes curvas, e voltam-se em várias direções.

173. Tudo isso, nos é dito, foi obra de H. A., filho de uma viúva de Naftali — um homem descrito no relato bíblico como um hábil trabalhador em bronze, que foi enviado a Jerusalém por H., R. de T., especialmente para realizar esta e outras obras em metal para o Rei Salomão.

Sem dúvida, este homem era um verdadeiro artista, pois teve um cuidado quase inconcebível para executar seu desenho exatamente como o queria. Até onde os investigadores puderam ver, seu trabalho baseava-se inteiramente em um relato tradicional dos pilares egípcios de pedra, que havia sido transmitido desde os tempos de Moisés.

Não parecia que ele tivesse qualquer ideia clara do significado de todas essas estranhas decorações, embora Moisés conhecesse perfeitamente todo o sistema de simbologia que estava por trás delas.

174. Deve-se entender que toda essa ornamentação variada não foi disposta em baixo-relevo, como seria de esperar em uma fundição; ao contrário, sobressaía-se ousadamente da face da coluna, estando muitas das flores conectadas a ela apenas por uma haste comparativamente fina e de considerável comprimento.

Alguma indicação da paciência e do cuidado que o artista demonstrou pode ser inferida do fato de que ele esculpiu em madeira e em tamanho real toda a tripla fileira de lírios para contornar a circunferência de dezoito pés da base do capitel, e então fez seus moldes ao redor dessa escultura em madeira.

Embora a ideia geral da tríplice guirlanda de flores fosse preservada, tudo foi arranjado de maneira muito natural, nenhuma flor sendo uma reprodução exata de sua vizinha; não era uma mera repetição de um padrão, como poderíamos ter em um papel de parede moderno, mas toda a concepção foi executada como uma grande unidade, com o mais amoroso e meticuloso cuidado.

175. Muitas experiências foram tentadas antes que este antigo artífice ficasse satisfeito, e ele adotou vários métodos engenhosos para atingir seu objetivo.

Ele estava ansioso para fazer todo o capitel e todas as suas decorações o mais próximo possível de uma única fundição, e com os aparelhos primitivos à sua disposição, isso lhe deu uma imensidade de trabalho.

Seus lírios podem talvez ser considerados um tanto convencionais; pelo menos não correspondem exatamente a nenhuma variedade que eu por acaso conheça.

Eles eram, no todo, mais parecidos com o lótus do que com um lírio comum; mas, por outro lado, as folhas não eram de modo algum folhas de lótus.

176. Para o adorador comum no templo, toda essa ornamentação um tanto complicada era meramente decorativa, mas para o iniciado era plena de significado esotérico.

Primeiro, esses dois pilares eram uma exemplificação do axioma oculto: "Assim em cima, como embaixo", pois embora fossem absolutamente iguais em todos os detalhes, sempre se entendia que representavam respectivamente os mundos terrestre e celestial.

Em Tat, o pilar à esquerda, cada elo de cada corrente simbolizava o que em nossos estudos orientais chamamos de raça-ramo, e os elos, à medida que desciam, tornavam-se maiores e mais grossos para indicar uma descida mais profunda na matéria, até que o quarto fosse alcançado, quando a força vital começa a se voltar para dentro e para cima, e assim sua corporificação torna-se menos material.

177. Cada laço de sete elos tipificava, portanto, uma sub-raça, e os sete laços que se estendiam ao redor do pilar, formando um festão, correspondem a uma das grandes raças-raízes, como a Lemuriana, a Atlante ou a Ariana.

O conjunto completo de sete festões, pendendo um abaixo do outro, denotava um período mundial, uma ocupação deste nosso planeta.

178. Sob o trabalho de correntes, ver-se-á um sistema de fina rede executado com beleza, e isso era empregado pelos sacerdotes de outrora para elucidar ainda outro lado do maravilhoso mistério da evolução.

Quando o Espírito Santo pairou sobre a face das águas do espaço, e impregnou e vivificou a matéria primordial, a atividade do Segundo Aspecto do Logos começa, e inumeráveis correntes de Sua vida divina jorram para o campo preparado para elas.

De mil maneiras elas se entrelaçam e se combinam, e assim produzem a desconcertante multiplicidade da vida que vemos ao nosso redor. De sua interação resultam os múltiplos frutos da evolução que vemos exemplificados em nossos pilares pelas fileiras de romãs que pendem da franja da rede, sendo as romãs escolhidas para esse simbolismo porque cada fruto contém um número prodigioso de sementes separadas, ilustrando assim a fecundidade surpreendente da natureza e a vasta variedade de seus tipos.

179. Em Tat, os lírios representavam sempre a flor da humanidade.

Dispostos em linha ao redor da borda do disco, indicavam a Grande Fraternidade Branca — as joias na coroa da humanidade, pairando sobre a raça humana e dirigindo sua evolução.

As quatro guirlandas de flores pendentes simbolizavam os Quatro Santos que residem em Shamballa — o Rei Espiritual e Seus três assistentes-discípulos, os únicos representantes na Terra dos Senhores da Chama que desceram há muito tempo de Vênus para acelerar a evolução da humanidade.

As folhas de palmeira cruzadas entre eles tipificavam os quatro Devarajas, os principais agentes por meio dos quais os decretos dos Filhos da Névoa de Fogo são executados.

180. As três faixas de lírios dispostas para ocultar a junção do capitel com o pilar eram consideradas como representando os iniciados dos três estágios dos Mistérios Egípcios.

Os botões da fileira superior, apontando para cima, tipificavam os iniciados dos Mistérios de Ísis, que estavam cheios de aspiração, elevando-se para o alto e, dessa maneira, elevando a média geral do pensamento humano.

As flores da fileira do meio, abertas e voltadas para fora, eram os iniciados de Serápis, manifestando por suas vidas a glória, a dignidade e o poder da humanidade como deveria ser. A terceira fileira de lírios pendentes representava os iniciados dos Mistérios de Osíris, descendo ao mundo a fim de se dedicarem ao auxílio e à iluminação da humanidade.

181. Esses três graus de iniciados parecem corresponder, de modo geral, a três outras divisões ou graus da vida oculta que descrevi detalhadamente em *Os Mestres e o Caminho*. Há primeiro aqueles que estão no caminho probatório, que aspiram entrar no Caminho propriamente dito e fazem tudo ao seu alcance para se purificarem, desenvolverem seu caráter e servirem à humanidade com amor altruísta sob a orientação dos Mestres.

Depois vêm aqueles que foram iniciados na Grande Fraternidade Branca e, assim, entraram no Caminho propriamente dito; suas vidas são dedicadas inteiramente ao serviço da humanidade; neles, o botão da vida humana desabrochou em flor, e sua consciência elevou-se ao princípio búdico, que foi descrito como a expressão verdadeiramente humana do homem.

Em terceiro lugar vêm os Arhats, aqueles que tomaram a quarta grande Iniciação; eles não são obrigados a reencarnar; se o fazem, é de forma inteiramente voluntária; eles descem à vida humana neste plano simplesmente para ajudar.

182. Em Tattu, o pilar da direita, retomamos a história da evolução onde a deixamos no outro.

Um único elo aqui representa um período-mundo e, portanto, inclui todo o conjunto de sete festões em Tat.

Para usar mais uma vez os termos técnicos do ensinamento teosófico, o laço de sete elos em Tattu representa o que chamamos de Ronda, o festão completo de sete laços sugere um período de Cadeia, e o grupo completo de sete festões equivale a um Esquema Planetário.

Os dois pilares tomados em conjunto correspondem exatamente à tabela de evolução e ao diagrama que apresento na sexta seção de *A Vida Interior*, e quase toda a informação contida nessa seção foi ensinada pelos sacerdotes egípcios aos seus neófitos e ilustrada por meio desse elaborado sistema de decoração de capitéis.

Seria inadequado repetir aqui toda a explicação incluída naquele livro, mas remeto a ele os estudantes que desejarem aprofundar-se nesse assunto tão interessante.

Como há várias edições do livro, infelizmente não posso dar uma referência exata de página, mas o diagrama será facilmente encontrado.

183. Em Tattu, a coroa de flores ao redor da borda do disco parece ter sido tomada como símbolo das hostes dos Dhyan Chohans, incluindo talvez os Logoi Planetários.

As quatro correntes de lírios que fluíam daquela coroa traziam aos egípcios uma significação ligada à Tetraktys, ou talvez a um reflexo ou expressão daquele Mistério, enquanto a tripla faixa de lírios ao redor da borda inferior do capitel era tomada como significando a ação na matéria dos três Aspectos do Logos — os botões denotando a ação do Espírito Santo, o Braço do Senhor estendido em atividade, sempre empurrando para cima e para frente dentro do espírito do homem, enquanto a fileira do meio era tomada como mostrando a força do Pai sempre brilhando como o sol em sua glória muito além das nuvens e névoas da terra, e a fileira mais baixa significava a ação do Segundo Aspecto, Deus o Filho, curvando-se para baixo na encarnação e elevando a humanidade de dentro.

184. As folhas de palmeira cruzadas aqui indicam os Lipika, os Senhores do Karma, que operam através dos quatro Reis dos elementos simbolizados por folhas semelhantes em Tat.

Eles não estão conectados com o resto do desenho porque representam forças não confinadas ao nosso esquema planetário, ou mesmo ao nosso sistema solar; eles administram uma Lei que governa todo o universo, à qual Anjos e homens igualmente obedecem.

185. O segmento superior do esferoide, além do disco, foi deixado inteiramente sem ornamento, a fim de indicar que além de tudo o que poderia ser simbolizado havia ainda algo mais, fora da manifestação e, portanto, inteiramente inexprimível.

186. Outra razão para a colocação dessas duas colunas na entrada do templo era que o homem que desejasse entrar no mundo superior da Loja a partir do mundo comum da vida cotidiana deveria passar entre elas; e desse ponto de vista elas tipificavam a superação, em sua própria natureza inferior, da turbulência das emoções pessoais e da obstinação da mente pessoal.

Primeiro, sua força para lutar a batalha da vida vinha das emoções, da natureza astral; então aquela coluna de nossa natureza pessoal, a coluna de Set, tinha de ser conquistada pelo poder da mente, a coluna de Hórus, e a ela conjungida, a fim de acrescentar à força a estabilidade necessária para avançar em direção a coisas superiores.

Somente então o homem é estabelecido em força, tendo o poder de executar e a sabedoria de dirigir.

187. Os pilares também representam mais uma vez as duas grandes leis do progresso, karma e dharma, a primeira fornecendo o ambiente ou mundo material, e a última a direção do eu interior; pela união ou trabalho harmonioso dessas duas leis, um homem pode alcançar a estabilidade e a força necessárias para o caminho oculto, e assim atingir o círculo dentro do qual um M.M. não pode errar.

188. Também os pilares eram usados no ensino dos sacerdotes para ilustrar a grande doutrina dos pares de opostos — espírito e matéria, bem e mal, luz e trevas, prazer e dor, etc.

189. É interessante notar que os escritores cabalistas compreenderam esses pilares de alguma forma como representando a involução, a descida da Vida divina aos mundos inferiores, embora possam não ter estado familiarizados com todos os detalhes.

Um tratado chamado As Portas da Luz é citado pelo Ir.

A. E. Waite nessa conexão, da seguinte forma:

190. Aquele que conhece os mistérios dos dois Pilares, que são Jaquim e Boaz, compreenderá de que maneira as Neshamoth, ou Mentes, descem com as Ruachoth, ou Espíritos, e as Nephasoth, ou Almas, através de El-chai e Adonai, pelo influxo dos ditos dois Pilares.

191. E novamente:

192. Por esses dois Pilares e por El-chai (o Deus vivo), as Mentes, os Espíritos e as Almas descem, como por suas passagens ou canais. (Nova Enciclopédia, II, 280.)

193. Eles formam também o portal dos Mistérios pelo qual as almas ascendem à sua Fonte divina; e é somente passando através deles que o santuário da verdadeira Divindade do homem pode ser alcançado, esse esplendor divino que, quando despertado nas profundezas do coração, de fato estabelece sua morada em força e estabilidade.

194. No rito francês, dois grandes pilares são colocados dentro da Loja, em ambos os lados da porta, no Ocidente, e o V.S.V. e o V.J.P. sentam-se em mesas triangulares ao lado desses.

Esse arranjo é derivado do sistema caldeu.

195. Vários escritores têm feito tentativas persistentes de atribuir um significado fálico a esses dois pilares; só posso dizer que, no curso de uma investigação prolongada por meio da visão interior, não encontramos nenhum vestígio da atribuição de qualquer significado desse tipo.

196. CAPÍTULO III

197. AS GUARNIÇÕES DA LOJA

198. OS ORNAMENTOS

199. "As guarnições interiores de uma Loja Maçônica", diz o ritual Co-Maçônico, "compreendem os ornamentos, os móveis e as joias."

Os ornamentos são o pavimento de mosaico, simbolizando espírito e matéria; a estrela flamejante, sempre nos lembrando da presença de Deus em Seu universo, e a borda dentada, a Muralha Guardiã.

200. O PAVIMENTO DE MOSAICO

201. Os três ornamentos pertencem todos ao centro da Loja.

O pavimento de mosaico é o belo piso, composto de quadrados alternadamente pretos e brancos, e é explicado no ritual do Ofício como a diversidade de objetos que decoram e ornamentam a criação, tanto as partes animadas quanto as inanimadas dela.

Seus quadrados alternados, no entanto, simbolizam não apenas a mistura de coisas vivas e materiais no mundo, mas ainda mais a interpenetração de espírito e matéria, ou vida e matéria, em toda parte.

Os triângulos duplos entrelaçados indicam o mesmo grande fato na natureza.

202. Em toda a natureza não há vida sem matéria, nem matéria sem vida.

Até anos recentes, muitos cientistas pensavam que o lado vivo da criação se estendia apenas até o reino vegetal, mas hoje em dia está sendo reconhecido que não é possível traçar uma linha em qualquer lugar e dizer: “Acima disto as coisas são vivas e conscientes em vários graus, mas abaixo há apenas matéria morta.”

As pesquisas feitas pelo Professor Sir Jagadish Chandra Bose, de Calcutá (registradas em seu livro *Response in the Living and Non-Living*), que lhe renderam as mais altas honrarias e respeito científicos, mostram que tal linha simplesmente não existe, mas que há algum grau de vida no menor grão de areia.

Algumas de suas conclusões foram apresentadas de forma breve e eficaz na conhecida obra da Dra. Annie Besant, *Um Estudo sobre a Consciência*, nas seguintes palavras:

203. O Professor Bose provou definitivamente que a chamada “matéria inorgânica” é responsiva a estímulos, e que a resposta é idêntica em metais, vegetais, animais e — até onde o experimento pode ser feito — no homem.

204. Ele montou um aparato para medir o estímulo aplicado e para mostrar em curvas, traçadas em um cilindro giratório, a resposta do corpo que recebe o estímulo.

Ele então comparou as curvas obtidas no estanho e em outros metais com as obtidas do músculo, e descobriu que as curvas do estanho eram idênticas às do músculo, e que outros metais davam curvas de natureza semelhante, mas variavam no período de recuperação.

205. Tétano, tanto completo quanto incompleto, devido a choques repetidos, foi causado, e resultados semelhantes ocorreram, no mineral como no músculo.

206. A fadiga foi demonstrada pelos metais, menos de todos pelo estanho.

Reagentes químicos, tais como drogas, produziram nos metais resultados semelhantes aos conhecidos por ocorrerem com animais — excitando, deprimindo e matando.

207. Um veneno matará um metal, induzindo uma condição de imobilidade, de modo que nenhuma resposta é obtida.

Se o metal envenenado for tratado a tempo, um antídoto pode salvar sua vida.

208. Um estimulante aumentará a resposta, e assim como doses grandes e pequenas de uma droga foram consideradas capazes de matar e estimular, respectivamente, também se verificou que agem sobre os metais.

209. “Entre tais fenômenos”, pergunta o Professor Bose, “como podemos traçar uma linha de demarcação e dizer: ‘Aqui termina o processo físico, e ali começa o fisiológico’? Não existem tais barreiras.”

210. A experiência psíquica e a clarividência treinada acrescentam seu testemunho a essa conclusão e afirmam que, sem sombra de dúvida, o mesmo tipo de vida pode ser visto pulsando no corpo de um tigre, de um carvalho ou de um fragmento de substância mineral.

Como A Doutrina Secreta o expressou:

211. A cada dia, a identidade entre o animal e o homem físico, entre a planta e o homem, e até mesmo entre o réptil e seu ninho, a rocha, e o homem — é cada vez mais claramente demonstrada.

Os constituintes físicos e químicos de todos os seres sendo considerados idênticos, a Ciência

212. Química bem pode dizer que não há diferença entre a matéria que compõe o boi e aquela que forma o homem.

Mas a doutrina oculta é muito mais explícita.

Ela diz: Não apenas os compostos químicos são os mesmos, mas as mesmas Vidas invisíveis infinitesimais compõem os átomos dos corpos da montanha e da margarida, do homem e da formiga, do elefante e da árvore que o abriga do sol.

Cada partícula — quer a chame de orgânica ou inorgânica — é uma Vida. (A Doutrina Secreta, I, 281.)

213. Ao olhar, então, para nosso pavimento xadrez, aqueles de nós que compreendem seu pleno significado são constantemente lembrados da onipresença da vida.

214. No antigo Egito, a santidade do pavimento de mosaico era guardada com o mais zeloso cuidado, e nunca era invadido exceto pelo candidato e pelos oficiais nos momentos apropriados, pelo I.P.M. no cumprimento de seus deveres, pelo S.D. ao obter a luz do fogo sagrado, e pelo Turiferário quando incensava o altar.

215. A importância excessiva de esquadrinhar a Loja com precisão é outro aspecto da mesma ideia.

As correntes de força precipitam-se ao longo e através desse pavimento em linhas como a urdidura e a trama de um tecido, e também ao redor de suas bordas, e qualquer pessoa que precise atravessá-lo, ou mesmo aproximar-se dele, deve cuidar para mover-se com a força e não contra ela. Daí a necessidade imperiosa de manter sempre uma única direção.

Nos dias modernos, parece que se tem menos cuidado com o pavimento mosaico; cheguei a ver um caso em que o livro de presença, que todos devem assinar, foi colocado sobre uma mesa no meio dele. Conosco, no Egito, esse pavimento ocupava quase todo o piso da Loja; agora, muitas vezes, é apenas um pequeno recinto no meio dela.

216. A BORDA INDENTADA

217. Ao redor de todo o pavimento mosaico corre a borda tesselada.

Na Maçonaria mais antiga, diz-se que ela era feita de fios que se entrelaçavam, mas agora é uma borda ameada, uma espécie de arranjo em dente de cachorro.

No início do século XVIII, somos informados, os símbolos da Ordem eram marcados com giz no chão, e esse diagrama era então circundado por um cordão ondulado, ornamentado com borlas, sendo por isso chamado de "a borla indentada", posteriormente corrompido para "borda tesselada". Os franceses a chamam de "la houpe dentelée" e a descrevem como "um cordão formando nós de amor verdadeiro, que circunda o quadro de traçar". A borda tesselada nos remete, diz o ritual masculino, à bela borda formada ao redor do sol pelos planetas em suas diversas revoluções.

O ritual da Co-Maçonaria faz dela um emblema do Muro Guardião que protege a humanidade, composto por Adeptos ou homens que atingiram a perfeição da evolução humana em séculos e milênios passados.

Eles permanecem ao redor da humanidade nos mundos espirituais, diz-se em uma escritura budista, para salvar a humanidade de maior e muito mais vasta miséria e tristeza.

218. Há também uma interpretação dupla semelhante para as quatro borlas que aparecem nos cantos da borda.

Na Maçonaria masculina, elas são geralmente consideradas como significando temperança, fortaleza, prudência e justiça; sua significância é sempre interpretada como ética.

Mas eles representam também quatro grandes ordens de devas ligadas aos elementos terra, água, ar e fogo, e seus grandes Regentes, os quatro Devarajas, agentes da lei do karma, que está sempre equilibrando e ajustando os assuntos do homem, e zelando para que não haja injustiça entre as criaturas vivas no universo de Deus, assim como não há desajuste nas relações das substâncias e corpos materiais.

Na iniciação de candidatos nas Lojas Co-Maçônicas, esses quatro Regentes dos elementos são invocados, e as consequências disso são muito reais e benéficas, por pouco que muitos membros da fraternidade estejam cientes do fato.

219. A ESTRELA FLAMEJANTE

220. A Estrela Flamejante é propriamente de seis pontas, e é feita de vidro, fixada no meio do teto e iluminada de dentro por luz artificial.

Abaixo dela deve haver outra estrela, móvel, no piso.

A Estrela Flamejante é o símbolo da Divindade, e para tornar isso mais evidente, no seu centro geralmente se inscreve a letra G, de God (Deus).

Na antiga forma judaica da Maçonaria, em vez dessa letra, eles tinham sua palavra sagrada YHVH, representando Jeová.

Nas Lojas Co-Maçônicas, a forma usual dessa figura é uma serpente enrolada com a cauda na boca, símbolo da eternidade.

Essa era a forma original, mas a cabeça da serpente foi alterada de modo a formar a letra G. O Fogo Sagrado abaixo da estrela é um reflexo dela; em algumas Lojas, como por exemplo em Adyar, na Índia, ele fica suspenso logo abaixo do teto em um sistema de roldanas, e é baixado para que se acenda uma luz a partir dele e seja levada às velas.

A Estrela Flamejante também representa o sol, o dispensador de inúmeras bênçãos à humanidade e ao mundo em geral; mas como o sol é o símbolo de Deus, não há diferença entre essas duas interpretações.

Em muitas Lojas, a Estrela Flamejante é feita com cinco pontas, e antigamente tinha pontas ou raios ondulantes; isso é comum nas Obediências inglesa e americana.

221. A verdade espiritual expressa na Estrela Flamejante e seu reflexo no Fogo Sagrado indica que o reflexo de Deus está sempre em nosso meio.

A afirmação de que o homem foi feito à imagem de Deus é familiar a todos; há um reflexo de Deus no homem mais do que um reflexo.

A imagem de Deus no homem é uma expressão ou continuação do próprio Deus, pois Deus é a luz que carrega a imagem, e na medida em que um homem pode receber essa luz em si mesmo e refleti-la, ele é parte dela, uno com o Divino.

Como Emerson expressou belamente em seu ensaio sobre a Alma Superior: "Não há barreira ou muro na alma onde Deus, a causa, cessa e o homem, o efeito, começa."

222. Vários tipos diferentes de estrelas podem ser vistos na Loja Maçônica, e é bom considerar o significado especial de cada uma delas, pois não há nada na Loja que seja mero ornamento, sem significado – pelo contrário, até a coisa mais simples está ali com um propósito e tem grande significância.

A estrela de seis pontas é, como vimos, um emblema da unidade do espírito e da matéria, de Deus em manifestação em Seu universo.

A estrela de cinco pontas está colocada a leste, na parede, acima da cabeça do V.M. e é chamada de Estrela do Oriente, e também de Estrela da Iniciação.

É o símbolo do homem perfeito, Deus manifestando-se através do homem, não através do universo como um todo.

O homem é um ser quíntuplo – físico, emocional, mental, intuicional e espiritual; e quando todas essas partes de sua natureza estão perfeitamente desenvolvidas, tanto quanto é possível em um estado humano de existência, ele se torna o homem perfeito, o Adepto, mestre de si mesmo e dos cinco mundos ou planos em que tem seu ser.

Tal homem cumpriu a instrução: "Sede perfeitos, assim como vosso Pai no céu é perfeito."

223. Na prancha há a estrela de sete pontas acima da escada que se eleva até os céus.

É um símbolo das sete grandes linhas ao longo das quais toda a vida se move lentamente para cima, em direção à união mais completa com o divino, dos sete modos pelos quais o homem pode realizar a perfeição, e dos sete raios ou emanações de Deus através dos quais Ele encheu todo o universo com a luz de Sua vida.

Esta estrela também tipifica o pensamento cristão dos sete grandes Arcanjos, os Sete Espíritos que estão diante do trono de Deus.

É igualmente outro símbolo do homem aperfeiçoado ou Adepto, porque enquanto ele é mestre dos cinco mundos, ele é também o manipulador de sete poderes; ele desenvolveu sua natureza até a perfeição humana em todos os sete raios, em todas as sete linhas de atividade da vida divina.

224. A MOBÍLIA

225. A mobília da Loja é também tríplice e consiste no V.S.L., no esquadro e no compasso.

Sem eles, a Loja não pode ser legalmente realizada.

A Loja é descrita como justa, perfeita e regular: é justa porque o V. S. L. está aberto nela; é perfeita porque contém sete M.M.s ou mais; é regular porque possui uma patente ou carta constitutiva de um Supremo Conselho, Grande Loja, ou outro corpo supremo que tenha uma linhagem ininterrupta de autoridade maçônica.

Deve-se entender, naturalmente, que os Volumes da Sagrada Doutrina não são apenas a Bíblia dos cristãos, mas também os livros sagrados de outras religiões, pois os membros de uma Loja podem pertencer — e frequentemente pertencem — a diversas religiões.

Em uma reunião de Loja, certa ocasião, em Bombaim, havia entre os Ir. presentes cristãos, hindus, budistas, parses, judeus, sikhs, muçulmanos e jainistas.

É costume ali colocar sobre o altar os livros sagrados de todos os que provavelmente frequentarão aquela Loja.

O Rev. J. T. Lawrence, o conhecido autor de muitos manuais maçônicos, nos conta que ele próprio iniciou judeus, muçulmanos, hindus e parses, e pelo menos um budista.

Ele escreve:

226. Segundo uma declaração da Grande Loja, a Bíblia não precisa estar na Loja de forma alguma.

O Volume da Lei Sagrada, nos foi dito, é aquele que contém a lei sagrada do indivíduo em questão.

Isto é, pode ser o Alcorão, o Zend-Avesta, os Shastras, o Rig-Veda, ou qualquer outro volume. (*Sidelights on Freemasonry*, p. 47.)

227. Na Grande Loja de toda a Maçonaria Escocesa na Índia, um portador do Alcorão, um portador do Zend-Avesta e similares estão entre os oficiais. (*Sidelights on Freemasonry*, p. 50.) A Maçonaria sempre foi liberal em suas opiniões.

A Grande Loja da Inglaterra recusou-se a limitar ou definir a crença em Deus que se espera de todo candidato; na instrução sobre Deus e Religião no Livro das Constituições de 1815, está dito: "Seja qual for a religião ou modo de adoração de um homem, ele não é excluído da Ordem, desde que acredite no glorioso Arquiteto do céu e da terra e pratique os sagrados deveres da moralidade." Ver-se-á, assim, que os ideais da Maçonaria são muito elevados, e suas opiniões extraordinariamente tolerantes, e que seu poder para o bem no mundo é inquestionavelmente enorme.

228. Na Co-Maçonaria, o termo "doutrina" é empregado para descrever todas essas escrituras, pois no uso delas estamos em busca de sabedoria.

O termo "lei" é usado em muitas outras Lojas, mas mesmo assim é explicado no ritual que o objetivo do Volume da Lei Sagrada é iluminar nossas mentes.

Assim, nos três artigos de mobília temos a V.S.L. para iluminar a mente, o esquadro para regular nossas ações e o compasso para nos manter dentro dos devidos limites em nossas relações com todos, e especialmente com nossos Irmãos.

na Maçonaria.

Contudo, ao mesmo tempo, todos esses objetos têm significados muito mais amplos.

229. Entre os egípcios, o compasso era um triângulo e o esquadro era um quadrado geométrico — a figura comum com quatro lados iguais e todos os seus ângulos retos.

Nos dias modernos, usamos a ferramenta que um Maçom trabalhador chama de esquadro, por meio da qual ele testa os dois lados adjacentes de qualquer pedra plana para descobrir se estão em ângulo reto um com o outro.

Na Maçonaria, quando o candidato é agora perguntado: "O que é um esquadro?", ele responde: "É um ângulo de noventa graus ou a quarta parte de um círculo." Isso obviamente não é uma descrição correta de um esquadro, mas apenas de um canto de um esquadro.

230. O esquadro que repousa sobre a V.S.L. tem uma gênese bastante diferente e uma razão diferente para sua existência, do instrumento usado pelo V.M. Originalmente era um esquadro matemático, mas perdeu sua forma completa e agora é representado apenas por um canto do esquadro.

Geralmente é considerado idêntico à ferramenta do carpinteiro ou do pedreiro com esse nome, usada pelo V.M. como símbolo de seu ofício, mas as duas ideias são, na realidade, bastante distintas.

231. No Egito, o triângulo representava a tríade da vontade espiritual, do amor intuitivo e da inteligência superior no homem; enquanto o esquadro tipificava a quaternidade inferior, isto é, seu corpo com suas divisões visíveis e etéricas, sua natureza emocional e sua mente inferior.

Assim, o triângulo representava a individualidade ou alma, e o esquadro, a personalidade, constituindo os dois juntos o homem setenário.

232. Os três artigos de mobília também eram considerados como destinados a ajudar os homens em seu caminho; a V.S.L. chamava a atenção para o valor da tradição, o triângulo falava da importância da inspiração, e o esquadro enfatizava o alto uso dos fatos, com também, ao fundo, a ideia do valor do senso comum.

A tradição era transmitida pelos antepassados, a inspiração vinha do eu superior, e os fatos deveriam ser estudados e usados com senso comum.

233. AS JÓIAS MÓVEIS

234. As três jóias móveis são o esquadro, o nível e a régua de prumo.

Elas são usadas, pendentes de seus colarinhos, pelos três principais oficiais, sendo então chamadas de suas joias de ofício.

São móveis porque são transferidas pelo Mestre e pelos Vigilantes aos seus sucessores no dia da instalação de novos oficiais.

O colar também era usado no antigo Egito, mas era muito mais próximo do circular, como um colar de pescoço, em vez de ser pontiagudo e pender baixo sobre o peito, como é usado atualmente.

235. O esquadro é geralmente considerado como representando a moralidade, o nível a igualdade, e o prumo a retidão ou justiça.

Ver-se-á que, neste caso, o termo "esquadro" é aplicado exclusivamente à ferramenta, e não à figura geométrica.

Em sua Enciclopédia Maçônica, Kenning menciona que o esquadro era frequentemente visto nas igrejas como um emblema dos antigos construtores operativos, e que sobre um antigo esquadro de metal encontrado perto de Limerick, na Irlanda, estão inscritas as seguintes palavras e a data de 1517:

236. Eu me esforço para viver com amor e cuidado

237. Sobre o nível, pelo esquadro.

238. Isso parece mostrar que nossas interpretações especulativas já eram conhecidas na data antiga mencionada.

239. Há também uma tradução de uma antiga inscrição persa, que diz:

"Quadra-te para o uso; uma pedra que possa

240. Ajustar-se na parede não é deixada no caminho.

241. O Mui Respeitável Mestre tem como sua joia o esquadro, que indica o Terceiro Derramamento da força divina, do Primeiro Logos, a Primeira Pessoa da Trindade, e tem, portanto, o mesmo significado que o malho, seu instrumento de governo.

O simbolismo do malho é muito profundo; para explicá-lo, devo chamar a atenção para o que é provavelmente o símbolo mais antigo do mundo.

(Fig. 8a).

242. Figura 8.

243.

244. Esta longa linha com duas barras cruzadas sobre ela tem sido, por inúmeros milhares de anos, o sinal especial do Ser Supremo.

A raça pigmeia é provavelmente a mais primitiva atualmente existente, mas mesmo eles têm esse símbolo para seu chefe.

As pessoas mais velhas lembrarão da excitação que foi causada quando o famoso explorador Stanley viajou para o centro da África para encontrar o Dr. Livingstone, e voltou para nós com a história dos pigmeus que viviam nas florestas de lá.

A sua nova evidência foi uma confirmação daquilo que um explorador francês, Du Chaillu, havia trazido cerca de um quarto de século antes, mas não havia sido geralmente aceito até que a evidência de Stanley chegasse.

245. Essa raça pigmeia é uma relíquia dos antigos lemurianos e os representa mais puramente do que qualquer outro povo.

Os lemurianos foram, em certa época, um povo gigantesco, mas, no processo de extinção, diminuíram de tamanho.

Os bosquímanos africanos também são remanescentes da mesma raça, mas com sangue muito misturado, e o mesmo se aplica àqueles que são geralmente chamados de aborígenes australianos, exceto que, no caso deles, há uma mistura muito leve de sangue ariano.

246. Em certa época, os pigmeus estavam espalhados por uma área muito maior da África do que atualmente, e alguns deles foram os primeiros a entrar no Egito quando os pântanos estavam secando parcialmente após o grande dilúvio que se seguiu ao afundamento da ilha de Poseidônis, cerca de nove mil e quinhentos anos antes de Cristo.

Eles foram expulsos um pouco mais tarde pelos negros nilóticos, mas essa raça mais avançada foi finalmente desapossada (e, penso eu, até certo ponto absorvida) pelos verdadeiros egípcios quando estes retornaram ao seu país.

Como expliquei no Capítulo I, os sábios do Egito haviam previsto que haveria um grande dilúvio, e a porção ariana da população egípcia havia deixado o país e ido para a Arábia, onde era montanhosa.

Quando eles retornaram muito tempo depois do dilúvio, encontraram os negros nilóticos de posse de seu país e, em certa medida, misturaram-se com eles; essa é a explicação dos traços de sangue negro encontrados nos antigos egípcios.

247. Esses negros nilóticos também usavam o mesmo símbolo, mas o alteraram um pouco; em vez de terem os dois bastões cruzados (Fig. a), eles os colocaram sobre a haste vertical, um acima do outro (Fig. b), fazendo assim a cruz dupla que ainda é usada pela Igreja Grega, tendo chegado a ela por meio da Igreja Copta.

Mas, nesse ínterim, outro desenvolvimento desse símbolo havia ocorrido.

Se traçarmos linhas unindo cada uma das duas extremidades (Fig. c e d), obtemos o machado duplo - o machado de batalha de duas lâminas, que apareceu quando o encabamento foi inventado.

Esse era o sinal do chefe ou rei em muitas partes do mundo.

Entre os caldeus, por exemplo, era o símbolo de Ramu, que era o nome deles para o Deus Supremo, e um de Seus títulos era o Deus da Era.

O mesmo símbolo também foi encontrado entre os astecas, o que mostra sua conexão com o Egito. Eles representavam seu chefe por esse símbolo da era, que era seu sinal para Deus, porque o chefe era considerado o representante de Deus.

Ainda existem tribos na África Central entre as quais esse machado duplo possui uma cabana própria, como teria um grande chefe.

248. Recentemente, extensas pesquisas arqueológicas foram realizadas na ilha de Creta, e entre outras coisas descobertas estava esse símbolo do machado duplo, que ali também representava a Divindade. (A Fig. é reproduzida (com permissão) de uma ilustração em *The Palace of Minos in Knossos*, de Sir Arthur Evans.) Nos pátios externos dos templos do grande reino de Cnossos havia muitas estátuas, mas quando se penetrava no Santo dos Santos não havia estátua alguma, mas o machado duplo estava ali erguido como símbolo do Supremo, e era chamado de Labrys.

Essa é a

249. Figura

250.

251. origem da palavra labirinto; pois o primeiro labirinto foi construído para que esse símbolo sagrado fosse colocado em seu centro, e o caminho até ele era confuso para simbolizar a dificuldade da senda que conduz ao Altíssimo.

As histórias do Minotauro e de Teseu e Ariadne surgiram muito depois disso.

Até essas descobertas recentes, a palavra grega "labirinto" era marcada como uma palavra estrangeira de derivação desconhecida.

252. O malhete do Mestre da Loja descende disso, e é empunhado pelo Mestre porque, em sua humilde maneira, no simbolismo da Loja, ele representa a Divindade.

É um sinal de governo, e é por ele empunhado exatamente da mesma forma como o foi outrora pelos primeiros faraós.

Tornou-se agora modificado em sua forma, e frequentemente assume a forma do martelo de pedra do maçom.

O nome malhete veio da palavra "gable", de modo que esse nome pertence a um objeto dessa forma posterior, mais do que ao antigo machado duplo.

253. No Egito, o machado duplo era também o signo de Aroueris, o primeiro nome dado ao Hórus ressurreto, e Hórus era chamado o Chefe do Martelo porque esse signo era às vezes desenhado como um martelo.

Um dos antigos malhetes egípcios ainda existe, e pode haver outros também que não foram identificados como tais.

Esse está em posse do H.O.A.T.F., que o utiliza hoje em Sua própria Loja.

É o malhete que foi usado por Ramsés, o Grande, no Egito — um instrumento belíssimo de jade verde incrustado de ouro.

Com ele, o H.O.A.T.F. também possui um manto que era usado por Ramsés quando atuava como Mestre de sua Loja; eu não

254. Prancha VIII

255.

256. sei o seu material, mas ele se assemelha um tanto aos mantos de penas que costumavam ser usados no Havaí.

257. O quadrado do Mestre Interior é igualmente um instrumento de governo, como se indica no seu uso como assento de Osíris na Sala do Julgamento, mencionado no Capítulo I. (Lâmina II (b)) A partir dele, Osíris governa ou julga as almas dos homens que são trazidos diante dele, e decide se são suficientemente perfeitas para seguir adiante.

Disto temos a nossa ideia moderna de agir na esquadria; isto é, com perfeita justiça para com o nosso próximo.

258. A figura é, neste caso, o esquadro do pedreiro em trabalho, um ângulo de noventa graus, usado para testar os lados de uma pedra, a fim de verificar se estão em ângulos retos entre si e se, portanto, a parede construída com elas permanecerá perpendicular, segura e forte.

A diferença entre os dois tipos de esquadros será agora claramente vista.

O quadrilátero é o que se entende quando falamos do compasso dominando o esquadro, mas este ângulo reto é o que se significa quando nos referimos à ferramenta com a qual o Mestre mede e decide.

Embora o Venerável Mestre tenha este símbolo do esquadro, ele é, de fato, o Filho governando e julgando em nome do Pai, que permanece em segundo plano, uma vez que as nossas Lojas são do tipo Cristo ou Deus-Sol.

259. No Egito, eles tinham um símbolo de muito grande significado, chamado a Flecha de Rá, que inclui tanto o esquadro do Venerável Mestre quanto o seu malhete de ofício.

(Lâmina VIII)

260. Na nossa lâmina, as diferentes partes estão separadas, mas às vezes são unidas, e então se obtém o efeito de uma flecha, de onde é nomeada a Flecha de Rá, o Deus-Sol, que também era chamado Hórus do Duplo Horizonte, o Filho de Osíris e Ísis, e ainda uma reencarnação de Osíris, Deus em evolução.

A porção inferior do desenho refere-se à Sua descida à matéria, o quadrado invertido significando descida, e o ângulo abaixo simbolizando a caverna da matéria na qual Ele desceu.

O quadrado superior indica então que Ele ascendeu ou subiu novamente.

O símbolo no centro — o do machado duplo — é o do Deus Altíssimo; assim, o glifo completo é uma espécie de credo simbólico, que, para aqueles que o desenharam, afirmava a sua fé na descida da Divindade à matéria e na Sua ascensão final triunfante dela: "desceu Ele; ascendeu Ele". Se o interpretássemos segundo linhas da simbologia cristã, poderíamos chamá-lo o emblema do Cristo crucificado e triunfante; mas é também um sinal de todo o método da evolução.

261. Este emblema aparece em muitos lugares.

Pode ser visto no museu do Louvre, em Paris, gravado em um intaglio caldeu feito de jaspe verde.

Também pode ser encontrado nas paredes de algumas igrejas muito antigas em Devonshire e Cornwall, na Inglaterra, onde deve ter sido gravado pelos maçons errantes que construíram essas igrejas, pois os cristãos ortodoxos nada poderiam saber disso.

262. Enquanto consideramos os símbolos do R.W.M., podemos notar também os três níveis que aparecem em seu avental no lugar das três rosetas.

Estes não são níveis verdadeiros, mas figuras formadas por uma linha perpendicular sobre uma horizontal — um T invertido, assim. Isso tem o mesmo significado que a coluna do W.S.W. erguida, enquanto a do W.J.W. está reclinada na Loja aberta; indica que a vida do Segundo Logos, o Cristo, está fluindo.

Não é que a vida do Terceiro Logos, representada pela linha horizontal, ou pela coluna do W.J.W., tenha cessado de fluir (ela flui sempre enquanto existir um mundo externo), mas que o Segundo Aspecto do Divino também está derramando Sua vida e causando a evolução das formas vivas.

Assim, este emblema refere-se às duas emanações e mostra que o Mestre preside todas as três representações.

263. Esta figura, chamada Tau, tem outro significado muito importante, pois a linha vertical significa o elemento masculino, e a linha horizontal o feminino, na Divindade — mostrando assim que Deus se manifesta como Mãe e também como Pai, como nos é dito nas Estrofes de Dzyan. (A Doutrina Secreta, vol. I, p. 59 e passim.) Referir-me-ei a isso novamente mais tarde ao escrever sobre o H.R.A. No antigo Egito, ela ocupou em grande parte o lugar da cruz e, unida ao círculo ou oval, tornou-se o ankh, o símbolo da vida eterna.

264. A joia do I.P.M. assemelha-se à do Mestre por conter o esquadro, mas tem certos acréscimos importantes.

A joia do I.P.M. na Inglaterra era antigamente um esquadro sobre um quadrante, mas agora é a quadragésima sétima proposição do Livro I de Euclides, gravada em uma placa de prata suspensa dentro de um esquadro.

Nos Estados Unidos, é um par de compassos aberto a sessenta graus sobre a quarta parte de um círculo, com um sol no centro.

A proposição é, naturalmente, bem conhecida, e uma aplicação prática dela é amplamente utilizada por construtores, ao traçar paredes em ângulos retos entre si e em outros trabalhos, na forma de um triângulo cujos lados estão na proporção 3 : 4 : 5, cujos dois primeiros lados estão invariavelmente em ângulos retos.

Plutarco diz que um triângulo desse tipo era frequentemente empregado pelos sacerdotes egípcios, que o consideravam um símbolo da Trindade universal, sendo Osíris e Ísis os dois lados em ângulos retos entre si, e Hórus, seu produto, a hipotenusa.

A extensão em que essa medida era usada pelos egípcios pode ser avaliada a partir dos seguintes extratos da *Exposition du Systeme Metrique des Anciens Egyptiens* de M. Jomard, conforme apresentado no Léxico do Dr. Mackey:

265. Se inscrevermos dentro de um círculo um triângulo, cuja perpendicular seja 300 partes, cuja base seja 400 partes e cuja hipotenusa seja 500 partes, que, naturalmente, mantêm entre si a mesma proporção que 3, 4 e 5; então, se deixarmos cair uma perpendicular do ângulo formado pela perpendicular e pela base até a hipotenusa, e a estendermos através da hipotenusa até a circunferência do círculo, essa corda ou linha será igual a 480 partes, e os dois segmentos da hipotenusa, em cada lado dela, serão encontrados iguais, respectivamente, a 180 e 320. Do ponto onde essa corda intersecta a hipotenusa, deixe outra linha cair perpendicularmente ao lado mais curto do triângulo, e essa linha será igual a 144 partes, enquanto o segmento mais curto, formado por sua junção com o lado perpendicular do triângulo, será igual a 108 partes.

Portanto, podemos derivar as seguintes medidas do diagrama: 500, 480, 400, 320, 180, 144 e 108; e todas essas sem a menor fração.

Supondo, então, que as [partes] sejam côvados, temos a medida da base da grande pirâmide de Mênfis. Nos côvados da base do triângulo temos o comprimento exato do estádio egípcio.

O 320 nos dá o número exato de côvados egípcios contidos no estádio hebraico e babilônico.

O estádio de Ptolomeu é representado pelos côvados, ou comprimento da linha que cai do ângulo reto até a circunferência do círculo, através da hipotenusa.

O número 180, que expressa o segmento menor da hipotenusa, sendo duplicado, dará 360 côvados, que será o estádio de Cleomedes.

Ao duplicar o 144, o resultado será em côvados, ou o comprimento do estádio de Arquimedes; e ao duplicar o 108, produzimos 216 côvados, ou o valor exato do estádio egípcio menor.

Dessa maneira, obtemos deste triângulo todas as medidas de comprimento que estavam em uso entre os egípcios.

266.   Figura

267.

268.   Para a demonstração da proposição em geral, de que em um triângulo retângulo a soma dos quadrados dos dois lados menores é igual ao quadrado da hipotenusa, o mundo moderno é devedor a Pitágoras.

É interessante que, assim como o I.P.M. permanece na Loja como um vigilante para ver se tudo está em ordem e testa tudo pelo seu julgamento, também um arquiteto testa a retangularidade de uma estrutura pelo triângulo de proporção 3 : 4 : 5. É ele quem também declara que "Sua luz está sempre em nosso meio", pronunciando sua autoridade final sobre a presença do Divino e abrindo o V.S.L.

269.   A joia do S.V. é o nível, um emblema da igualdade e harmonia que ele deve se esforçar para preservar entre os Ir. na Loja; mas, como vimos, este é também um símbolo do segundo membro da Trindade, o princípio universal do Cristo, a força vital na evolução.

As duas ideias, no entanto, não são inconsistentes, pois em Cristo todos os homens são irmãos, uma vez que todas as vidas são parte da grande Vida única na qual temos nosso ser.

A igualdade mais perfeita deve existir na Loja, assim como aos olhos de Deus, que trata a todos igualmente, com o mesmo julgamento e de acordo com as mesmas leis.

Uma interpretação adicional deste símbolo é que ele indica que somente aqueles edifícios que são erguidos sobre um bom nível podem permanecer firmes e fortes.

270.   O P.V. tem a régua de prumo como sua joia.

É tomada como um emblema da retidão que deve marcar a conduta dos Ir. durante o tempo de recreação, quando estão fora da Loja.

Tal conduta em todos os momentos conduz a uma vida plena de graça e beleza.

271.   Os demais oficiais também usam joias de ofício.

As do Orador, Secretário, Tesoureiro e Diácono são, respectivamente, um livro, penas cruzadas, chaves cruzadas e varinhas cruzadas, cujo significado é óbvio.

Na Co-Maçonaria, o S.D. e o J.D. têm cada um uma pomba como joia, significando sua qualidade de mensageiros; mas em algumas outras Lojas eles têm um esquadro e compassos, com um sol no centro para o S.D. e uma lua para o J.D. O esquadro e os compassos destinam-se a indicar suas qualidades de circunspecção e justiça, pois são seus os deveres de zelar pela segurança da Loja e pela introdução de visitantes.

Uma lira, uma bolsa, espadas cruzadas e uma espada única são, mais uma vez, obviamente as joias do Organista, do Esmoler, do I.G. e do T., respectivamente.

A joia dos Mestres de Cerimônias é a cornucópia.

Eles recebem sua nomeação do V.J.W., providenciam os refrescos necessários, cobram taxas e contribuições e tornam-se geralmente úteis.

Diz-se que a cornucópia deve lembrá-los de que é seu dever zelar para que as mesas estejam devidamente providas e que todo Irmão seja adequadamente atendido.

272. AS JOIAS IMÓVEIS

273. A P.∴ e as pedras bruta e perfeita são chamadas de joias imóveis, porque ficam expostas e sempre presentes na Loja, para que possam refletir a natureza divina e servir em todos os momentos para que os Maçons possam moralizar sobre elas.

Em alguns livros maçônicos, no entanto, especialmente os publicados na América, o esquadro, o nível e o prumo são chamados de joias imóveis, porque estão sempre no mesmo lugar na Loja, e a P.∴ e as pedras bruta e lisa são mencionadas como joias móveis, porque podem ser movidas.

274. Na descrição da P.∴ que é dada em alguns rituais, somos informados de que ela serve para o Mestre traçar seus planos sobre ela.

É, no entanto, óbvio que ela não é precisamente adequada para esse fim, porque já está muito ocupada com o plano ou desenho de uma Loja ideal.

O que se pretende é simplesmente que o V.M., com a assistência dos demais Irmãos reunidos, traga a Loja aqui embaixo o mais próximo possível da harmonia e da relação exata com a Loja ideal.

Significa que, assim como o G.A.D.U. traçou Seus planos lá em cima, também nós, aqui embaixo, devemos fazer os nossos o mais próximo possível em harmonia com os Seus e em imitação deles.

Para colocar em outros termos, a t � b � pretendia significar o plano no pensamento do Logos, que os gregos chamavam de "Mundo Inteligível". Diziam que todas as coisas desciam daquele mundo para o mundo que conhecemos, que tudo é planejado antecipadamente, e que o mundo existia no pensamento divino antes de se materializar.

Nas Lojas de dois séculos atrás, a t � b � era desenhada a giz no chão a cada reunião, em vez de ser impressa; e considerava-se parte do bom conhecimento de um V.M. que ele fosse capaz de desenhá-la rapidamente e com perfeição, sem precisar olhar para uma cópia.

275. No diagrama da t � b � vemos o altar e, sobre ele, o V.S.L. Dele parte uma escada que sobe até a estrela de sete pontas, que representa a Mônada no homem, na qual os sete tipos de vida ou consciência devem ser aperfeiçoados até os limites da possibilidade humana.

Essa estrela representa também o Logos, a consciência suprema do nosso sistema solar, a consciência de Deus, que já está aperfeiçoada em um grau totalmente além da compreensão humana.

276. A escada tem muitos degraus, que indicam as virtudes por meio das quais podemos ascender à perfeição simbolizada pela estrela.

No Egito, esses degraus eram tomados para expressar as iniciações que conduzem para cima; mas, naturalmente, essas são apenas duas maneiras intercambiáveis de expressar a mesma coisa.

Se os tomarmos como iniciações, representam passos definidos dados, mas se os considerarmos como indicando as virtudes, são as qualificações para a iniciação.

Em todos os casos, a ideia de graus que conduzem a uma condição de perfeição é reconhecida de forma bastante definitiva.

Ou pode ser considerada de outra maneira, como o Ir. Wilmshurst a toma em seu maravilhoso livro *Masonic Initiation*, no qual escreve:

277. É um símbolo do Universo e de sua sucessão de planos semelhantes a degraus, que vão das alturas às profundezas.

Está escrito em outro lugar que a casa do Pai tem muitas moradas; muitos níveis e lugares de descanso para Suas criaturas em suas diferentes condições e graus de progresso.

São esses níveis, esses planos e subplanos, que são denotados pelos degraus e travessas da escada.

E desses, há, para nós em nosso estado atual de desdobramento evolutivo, três principais: o plano físico, o plano do desejo e da emoção, e o plano mental, ou o da inteligência abstrata que se conecta aos planos ainda mais elevados do espírito.

Esses três níveis do mundo reproduzem-se no homem.

O primeiro corresponde ao seu físico material, ao seu corpo sensorial; o segundo, à sua natureza de desejo e emocional, que é um elemento misto resultante da interação de seus sentidos físicos e de sua mente ultra-física; o terceiro, à sua mentalidade, que está ainda mais afastada de sua natureza física e forma o elo entre esta e o seu ser espiritual.

278. Assim, o Universo e o próprio homem são construídos em forma de escada, numa sequência ordenada e organizada de degraus; a substância universal única que compõe as partes diferenciadas do Universo "desce" de um estado da mais extrema eterealidade por degraus sucessivos de crescente densificação, até que a materialização grosseira seja alcançada; e daí "sobe" através de uma gradação igualmente ordenada de planos até seu lugar original, mas enriquecida pela experiência adquirida por suas atividades durante o processo.

279. Foi esse processo cósmico que constituiu o tema do sonho ou visão de Jacó.

O que foi "sonhado" ou contemplado por ele com visão suprassensual é igualmente perceptível hoje por qualquer um cujos olhos interiores tenham sido abertos.

Todo Iniciado real é aquele que alcançou uma expansão de consciência e faculdade que lhe permite contemplar os mundos etéreos revelados ao Patriarca hebreu com tanta facilidade quanto o homem não iniciado contempla o mundo fenomênico com seus olhos exteriores.

O Iniciado é capaz de ver os anjos de Deus subindo e descendo; isto é, pode contemplar diretamente a grande escadaria do Universo e observar o intrincado mas ordenado mecanismo de involução, diferenciação, evolução e ressíntese que constitui o Processo da Vida.

Ele pode testemunhar a descida das essências ou almas humanas através de planos de densidade crescente e ritmo vibratório decrescente, reunindo ao seu redor, à medida que descem, véus de matéria de cada um, até que finalmente este nível mais baixo de materialização completa seja alcançado, onde a grande luta pela supremacia entre o homem interior e o exterior, entre o espírito e a carne, entre o eu real e os eus irreais nos véus construídos ao seu redor, tem de ser travada no tabuleiro de xadrez de nossa existência presente, entre os opostos de preto e branco do bem e do mal, da luz e das trevas, da prosperidade e da adversidade; e ele pode observar o retorno ascendente daqueles que vencem na contenda e, alcançando sua regeneração e despojando-se ou transmutando as "posses mundanas" adquiridas durante sua descida, sobem à sua Fonte, puros e imaculados das manchas deste mundo imperfeito. (Op. cit., pp. 64-66.)

280. Na escada aparecem três emblemas: uma cruz, uma âncora e um cálice com uma mão estendida para alcançá-lo. A explicação do t � b � no ritual fala destes como as três virtudes principais: fé, esperança e caridade.

Estritamente falando, o símbolo padrão para a caridade é um coração, e este de fato aparece em alguns t � b � s em vez do cálice; mas o cálice é o símbolo mais antigo e, na realidade, significa muito mais para nós.

281. Outra e muito bela interpretação da cruz sobre a escada é-nos dada pelo Ir. Wilmshurst, que a considera como representando todos os aspirantes que estão empenhados em subir essa escada.

Ele diz:

282. Cada um carrega a sua cruz, o seu próprio corpo cruciforme, enquanto ascende; a vestimenta material cujas tendências estão sempre em oposição ao desejo do espírito e militam contra a ascensão.

Assim carregado, cada um deve subir, e subir sozinho; contudo, estendendo a mão — como ensina a tradição secreta, e os braços da cruz inclinada significam — uma para os ajudantes invisíveis acima, e a outra para auxiliar a ascensão dos irmãos mais fracos abaixo.

Pois, assim como os lados e os degraus separados da escada constituem uma unidade, também toda a vida e todas as vidas são fundamentalmente uma só, e ninguém vive para si apenas. (Op. cit., p. 69.)

283. Estes três símbolos referem-se também, mais uma vez, às três efusões da vida divina, que têm sua correspondência no desenvolvimento do eu no homem.

Primeiro, ele tem de perceber o mundo das coisas materiais; depois, o da consciência ou da vida; e, finalmente, deve elevar-se ao eu real.

Desde os tempos egípcios, tanto a cruz quanto a âncora foram modificadas, mas o cálice não.

A cruz era originalmente o que hoje se chama cruz grega, com braços iguais.

Esse sempre foi o símbolo da primeira efusão da vida divina através do Terceiro Aspecto de Deus, ou o terceiro membro da Trindade, chamado entre os cristãos de Deus o Espírito Santo, e às vezes o Doador da Vida, que pairou sobre as águas do espaço.

284. Um ponto adicional na simbologia é que a cruz contém dentro de si o quadrado, o nível e o prumo combinados; e encontramos na Epístola aos Efésios, escrita por Santo Inácio (que, segundo a tradição, era a criancinha que Cristo certa vez tomou e colocou no meio de Seus discípulos como tipo daqueles que deveriam herdar o reino dos céus), esta notável passagem maçônica:

285. Vós sois pedras de um Templo, que foram preparadas de antemão para um edifício de Deus Pai, sendo elevados às alturas pela ferramenta de trabalho de Jesus Cristo, que é a cruz, e usando como corda o Espírito Santo, sendo vossa fé uma sarilha, e o amor o caminho que conduz a Deus.

286. Às vezes a rosa é impressa sobre essa cruz de braços iguais, e então temos a Rosa Cruz, o grande emblema dos Rosacruzes, que figura amplamente no Décimo Oitavo Grau.

A cruz de Malta é outra forma dela, com os braços alargando-se ou expandindo-se, transmitindo a ideia de que a força que se derrama está constantemente aumentando.

Novamente, a encontramos com chamas jorrando das extremidades da cruz; e quando está em revolução ativa, com as chamas arrastando-se em ângulos retos em relação aos braços da cruz, temos a forma bem conhecida chamada suástica.

287. Nestes dias, a cruz na escada é geralmente desenhada na forma latina, o que a torna um sinal da Segunda Efusão, proveniente da Segunda Pessoa da Trindade, e é geralmente considerada como a cruz de Cristo, embora cruzes de muitas formas tenham sido usadas como símbolos milhares de anos antes de Cristo encarnar na Palestina. A Primeira Efusão, tipificada pela cruz grega, prepara o mundo para a recepção da vida; ela traz à existência os elementos materiais, mas não corpos formados por sua combinação.

Poderíamos ter oxigênio e hidrogênio produzidos por essa efusão, mas não sua combinação, a água; pois a combinação dos elementos em corpos de complexidade cada vez maior de estrutura e função organizadas é o trabalho da Segunda Efusão da vida ou poder divino.

288. O Segundo Derramamento é indicado pela âncora, pois esta foi originalmente no Egito um pequeno pêndulo oscilando sobre uma balança, curvado para coincidir com o arco de seu movimento.

Não é difícil ver como isso poderia ter sido transformado em uma âncora, especialmente entre pessoas que pensavam na cruz e na âncora como representando fé e esperança.

Tal modificação pode facilmente ter ocorrido sem intenção deliberada; e quando foi determinado que a terceira virtude deveria ser a caridade, podemos compreender por que o cálice foi às vezes transformado em um coração.

O cálice também pode sugerir a caridade, como sendo o cálice da vida do qual a transbordância é a caridade; mas muitas pessoas sentiriam que o coração é um símbolo mais fácil para essa virtude.

289. Aqueles que leram a filosofia grega ou os sistemas gnósticos lembrar-se-ão de que o krater ou cálice desempenha um papel proeminente neles.

Era o vaso no qual o vinho da vida divina era derramado.

No pensamento cristão, é o Santo Graal preenchido com o precioso sangue de Cristo; o cálice usado na instituição da Santa Eucaristia, o copo que José de Arimateia supostamente segurou para recolher o sangue sagrado de Jesus enquanto Ele pendia na cruz.

Todas essas coisas são, no entanto, uma alegoria.

O significado real do símbolo é que o cálice é o corpo causal do homem, e o vinho é a vida de Deus que nele irrompe no Terceiro Derramamento do Primeiro Logos, no momento da individualização, que transforma o animal em um ser humano, não aperfeiçoado ainda, é claro, mas capaz de perfeição.

290. Assim, os três símbolos representam os respectivos dons da vida divina, ou as três grandes emanações do Logos.

Nos tempos egípcios, o termo grego Logos ainda não existia, e eles falavam de Osíris e Hórus, mas o ensinamento era o mesmo, pois há apenas uma verdade fundamental sobre essas coisas.

O Tábua, portanto, mostra que o homem que compreende inteligentemente o esquema da evolução da vida no mundo pode cooperar deliberadamente com o plano divino, até tornar-se perfeitamente evoluído como homem e alcançar a estrela de sete pontas; e que então ele está pronto para passar a condições ainda mais elevadas, que são indicadas na Tábua pelas nuvens, o sol, a lua e as estrelas acima.

De fato, a verdadeira filosofia discerne o plano desenhado pelo G.A.D.U. na Prancha de Traçar do Tempo para a construção do Universo.

291. As joias restantes, as pedras brutas e polidas, são vistas no templo perto dos pilares que representam as colunas do W.J.W. e W.S.W., respectivamente.

A pedra polida é geralmente suspensa por uma roldana e presa pelo lewis (Ver fig. 11.), um instrumento

292. Figura

293.

294. composto por peças de aço em forma de cunha que se encaixam em uma cauda de andorinha na pedra a ser içada.

Este instrumento foi assim nomeado pelo arquiteto que o inventou, em homenagem ao rei francês Luís XIV.

Aquele que é filho ou filha de um Maçom é chamado de lewis (porque se supõe que ele sustente seus pais na velhice), e geralmente se considera que pode ser iniciado na Maçonaria com apenas dezoito anos.

Embora alguns afirmem que isso só pode ser feito por dispensa especial, o costume é considerá-lo um direito.

295. A pedra bruta indica a mente não treinada do candidato.

Supõe-se que ele esteja em um estado de trevas e ignorância, mas gradualmente, através do trabalho e do conhecimento maçônico, sua mente será polida, e poderá então ser testada pelo esquadro, pelo prumo e pelo nível, e será encontrada exata.

A pedra polida representa a condição que deve ser alcançada pelo C.M. À luz da evolução e da reencarnação, podemos considerar a pedra bruta como o símbolo da alma jovem.

Através de muita experiência e esforço, vida após vida, ele deve polir sua natureza e desenvolver seus poderes.

Os três graus na Maçonaria representam três estágios nesse processo.

A tarefa do A.A. é tomar a si mesmo em mãos moralmente e conquistar o corpo físico, para que seus impulsos não se interponham em seu rápido progresso ou evolução.

O A.A. do Egito costumava permanecer sete anos no Primeiro Grau, porque tinha que se preparar completamente para a iluminação que só poderia vir àquele que tivesse suas emoções sob controle e suficientemente purificado para refletir e servir ao eu superior.

Isso feito, a pedra polida deveria ser aperfeiçoada até estar pronta para ser usada como pedra viva no templo do G.A.D.U., apta a formar parte do Homem celestial do futuro.

296. CAPÍTULO IV

297. CERIMÔNIAS PRELIMINARES

298. O RITUAL CO-MAÇÔNICO

299. Ao comentar sobre as cerimônias da Maçonaria, tomarei as da Co-Maçonaria como base de minha dissertação, porque foram organizadas em grande parte com vistas ao seu efeito em planos outros que não o físico.

Os trabalhos ali descritos foram preparados com o auxílio de vários dos melhores rituais existentes e em consulta com Irmãos experientes.

Verificar-se-á que eles incorporam alguns dos melhores pontos desses rituais, além de muitas características valiosas peculiares aos nossos próprios trabalhos.

Tem-se mostrado eminentemente desejável dar aos Irmãos nas colunas uma participação maior nos trabalhos da Loja, de modo que certos versículos da V. S. L. e alguns hinos maçônicos bem conhecidos foram inseridos para seu uso.

300. O Supremo Conselho da Co-Maçonaria Universal tem, com a máxima liberalidade e a mais ampla tolerância, permitido àqueles que lhe devem obediência escolher entre várias variantes do Ritual.

Algumas Lojas preferem a forma mais simples, que é praticamente idêntica à usada pelo Ofício masculino; outras consideram um trabalho ligeiramente mais elaborado mais inspirador e útil, porque expressa de modo um pouco mais completo o trabalho nos planos internos, que é para elas o principal objetivo da cerimônia.

É este último trabalho que estou prestes a tentar expor; mas desejo deixar perfeitamente claro que a interpretação que lhe atribuo é apenas minha opinião particular, e que o Supremo Conselho sob o qual tenho a honra de servir não deve, de modo algum, ser considerado como endossando essa opinião pelo fato de permitir o uso do Ritual.

301. Não se deve supor que o ritual maçônico mais curto do Ofício masculino seja ineficaz; tudo o que afirmamos é que os objetivos das várias cerimônias são mais plena e mais rapidamente alcançados quando sua real intenção e significação são completamente compreendidas.

302. A PROCISSÃO

303. Em toda a superfície da Terra há grandes correntes magnéticas que passam em ambos os sentidos entre os polos da Terra e o equador, e outras que vêm em ângulos retos em relação a elas, ao redor da Terra.

A procissão co-maçônica de entrada na Loja faz uso dessas correntes, formando do espaço que circunambulamos um redemoinho distinto ou uma porção de espaço especialmente magnetizada.

304. Como os Irmãos

Marchando pelo recinto, cantando, devem estar pensando nas palavras do hino e cântico de intercessão, e cuidando para que a procissão seja bem executada e em boa ordem; mas, além disso, devem estar deliberadamente direcionando seus pensamentos para a magnetização do pavimento de mosaico e do espaço acima dele. No antigo Egito, considerava-se dever do Venerável Mestre direcionar as correntes e formar o redemoinho nelas, de modo a magnetizar fortemente o piso ao redor do qual ele passava.

É para esse propósito que os oficiais e visitantes distintos percorrem todo o circuito da Loja, e até passam duas vezes sobre parte do terreno; pois não vão diretamente aos seus lugares ao se aproximarem deles pela primeira vez, como fazem os Aprendizes, os Companheiros e os Mestres, mas continuam até completar a circum-ambulação, conforme descrito em *The Ritual of Universal Co-Masonry* (5ª Edição).

305. Também entre nós é o Mestre da Loja o responsável pela magnetização do quadrado duplo, mas os Irmãos devem todos ajudar nesse trabalho.

O objetivo é carregar fortemente aquele espaço com a mais alta influência possível e erguer uma muralha ao redor dele, a fim de que a influência seja mantida no lugar.

O papel desempenhado pela forma-pensamento é muito semelhante ao de um condensador.

Não importa quanto vapor possa ser gerado; ele é inútil para o trabalho a menos que seja encerrado e mantido sob pressão.

Neste esquema, acumulamos e usamos a força que, de outra forma, se espalharia livremente pela vizinhança circundante.

306. Como foi explicado no Capítulo III, quando o piso foi assim separado e preparado, ninguém atravessa por ele, exceto os candidatos que são levados até lá para fins de iniciação e são intencionalmente submetidos à influência de seu magnetismo, o Turífero quando está incensando o altar, e o Passado Mestre quando desce do estrado para cumprir o dever de abrir o Volume da Sagrada Lei ou de alterar a posição do esquadro e do compasso, conforme mudamos de um grau para outro.

Uma outra exceção é feita quando o Diácono Sênior, durante a cerimônia de acender as velas, vem ao altar para receber o fogo sagrado do Passado Mestre. O Passado Mestre acende uma vela no fogo sagrado e, com ela, acende a pequena vela colocada em um vaso ornamental de latão, que o Diácono Sênior, como Lúcifer, carrega até o Venerável Mestre e os Vigilantes.

307. O chão tem agora, precipitando-se através dele, correntes magnéticas ou linhas de força, como a urdidura e a trama de um tecido, e isso forma a fundação sobre a qual construímos a grande forma-pensamento que é um dos objetivos de nossa reunião maçônica.

Em vista do enorme valor da forma-pensamento criada no chão da Loja, podemos ver como é importante que ninguém perturbe ou confunda as correntes, andando na direção errada, ou trazendo para a Loja pensamentos de negócios comuns — as preocupações, as ansiedades e os conflitos do mundo da vida diária.

Vamos à Loja para realizar um trabalho definido em favor da humanidade, e devemos dedicar toda a nossa atenção a ele durante todo o tempo da reunião.

308. O canto dos cânticos de entrada tem por objetivo ajudar-nos a harmonizar nossas mentes.

As palavras dos cânticos nos falam da base sobre a qual todos os edifícios são erguidos, T.G.A.O.T.U., que é Ele mesmo a fundação e a estrutura de todas as coisas, porque não há nada que não seja parte Dele.

Cada membro, ao caminhar na procissão, deve estar dedicando a si mesmo e todo o seu pensamento e força à grande obra que está prestes a ser empreendida.

Essas palavras que cantamos têm uma forte associação maçônica, pois esta versão métrica do salmo centésimo tem sido usada na abertura da Loja Canongate Kilwinning desde sua fundação em 1723. Há uma palavra nessa versão à qual quero fazer referência especial de passagem.

No primeiro versículo, onde cantamos "A Ele servi com alegria", algum hinólogo sem compreensão trocou a palavra "alegria" por "temor", o que é totalmente impreciso e absolutamente indefensável.

Na Bíblia, somos convidados a louvar ao Senhor com alegria e a comparecer diante de Sua presença com cânticos, e devemos ter o cuidado de preservar o espírito e a interpretação corretos.

O outro cântico: "Alegrei-me quando me disseram: iremos à casa do Senhor", consiste em textos extraídos do V.S.L., reunidos de modo a formar uma invocação bela e apropriada.

309. Todo esse pensamento dedicado forma a base do esplêndido edifício que a Loja está prestes a construir, o verdadeiro templo do qual o terreno é um símbolo externo, um templo de matéria mais sutil através do qual um trabalho perfeitamente real pode ser realizado e enormes volumes de influência espiritual podem ser distribuídos.

Esse templo é também uma imagem do vórtice que T.G.A.O.T.U. criou quando estava prestes a formar seu sistema solar.

Ele começou por limitar a Si mesmo, demarcando as limitações do Seu sistema, dentro do qual estabeleceu um vasto vórtice etérico, cujos restos encontramos hoje no sistema de planetas em revolução, condensados a partir da nebulosa original, à medida que esfriava e descia para a matéria física mais densa.

310. Nas Lojas Co-Maçônicas, a procissão tem à sua frente um Turífero balançando um incensário, exalando a fumaça de gomas aromáticas especialmente compostas com outras substâncias para esse fim.

Após ele vem o T. com sua espada, e atrás dele o D.C. Esse pequeno grupo é especialmente encarregado do trabalho de purificar a Loja.

O D.C. é considerado o cérebro diretor nesse trabalho, e o T. com sua espada é a mão usada para expulsar da atmosfera mental e emocional todo pensamento que ali não é desejado.

311. Atrás dessa cunha purificadora vêm todos os membros comuns, dispostos em ordem inversa de precedência.

No final da procissão vêm os oficiais e aqueles de grau mais elevado, e finalmente o V.M., que deve completar o trabalho de todos aqueles que o precederam, usando a devoção que as outras pessoas forneceram, e construindo as paredes da cella tanto quanto possível com o material disponível.

A forma que estamos construindo é a do antigo templo grego com as colunas do lado de fora, e dentro o santuário interno chamado cella, que era fechado e escuro, sendo a única abertura a sua entrada.

Na Loja, os membros ficam do lado de fora ao redor dela, como as colunas de um antigo templo, tal como o mostrado em nossa ilustração (Estampa V).

312. O AVENTAL

313. Todo Maçom em uma reunião de Loja deve usar o distintivo característico chamado avental, e é somente ao fazê-lo que ele está, na linguagem maçônica, "devidamente vestido". Ele pode usar decorações adicionais, como colares ou joias, indicando o cargo especial que ocupa, ou o grau que alcançou, mas a menos que use pelo menos o avental, ele não pode ser admitido na Loja — a única exceção sendo no caso de um candidato à iniciação, que, não sendo ainda um Irmão, não tem direito a usar esse distintivo característico.

Há certos graus superiores nos quais o avental não é usado, mas seu lugar é tomado por outras insígnias.

Isso se deve apenas ao fato de que a necessidade dele já passou.

Há algumas Lojas nas quais as pessoas colocam e retiram seus aventais no templo, mas isso nunca deveria ser tolerado.

314. A necessidade de que os Maçons estejam devidamente vestidos traz consigo uma sugestão interessante dos Mistérios antigos, e também explica por que a parte essencial da vestimenta maçônica, a ser usada por todos, com as exceções acima mencionadas, é o avental.

Nosso avental moderno afastou-se um tanto da forma usada no antigo Egito; sem dúvida, foi modificado na época em que se considerou necessário fundir os Maçons especulativos e operativos, nos dias de perseguição pela Igreja.

O avental egípcio antigo (Ver Estampa I, e Fig. 12.) era triangular, com o ápice para cima, e sua ornamentação diferia em vários aspectos daquela usada no tempo presente.

Mas a mudança mais importante está no pensamento que agora prevalece, de que o próprio avental é tudo,

315.   Figura

316.

317.   e que a faixa que passa ao redor do corpo existe meramente para segurá-lo e mantê-lo no lugar.

Nos tempos antigos, o cinto do avental era a característica prática mais importante, e era muito mais do que um mero símbolo.

Esse cinto era um círculo altamente magnetizado, destinado a encerrar dentro de si um disco de matéria etérica, separando a parte superior do corpo da inferior, de modo que as forças tremendas que era o objetivo do cerimonial maçônico colocar em movimento pudessem ser inteiramente isoladas da parte inferior do corpo do homem.

318.   Em O Significado da Maçonaria, o Ir. Wilmshurst escreve:

319.   A Maçonaria é um sistema sacramental, possuindo, como todos os sacramentos, um lado externo e visível que consiste em seu cerimonial, sua doutrina e seus símbolos, que podemos ver e ouvir, e um lado interno, intelectual e espiritual, que está oculto por trás: do cerimonial, da doutrina e dos símbolos, e que está disponível apenas ao Maçom que aprendeu a usar sua imaginação espiritual e que pode apreciar a realidade que se encontra atrás do véu do símbolo externo. (O Significado da Maçonaria, p. 21.)

320.   Ele nos lembra como, no caso do A.A., a ponta do avental é virada para cima, tornando-o, portanto, uma figura de cinco pontas, simbólica do homem quíntuplo.

O triângulo formado pela aba levantada, explica ele, fica então acima do quadrado, e simboliza o fato de que a alma está pairando sobre o corpo inferior naquele estágio, mas ainda dificilmente se pode dizer que esteja atuando através dele. Mais tarde, essa aba é virada para baixo, mostrando que a alma está dentro do corpo e agindo através dele. Ele nos conta também como a pele de cordeiro é, antes de tudo, um símbolo de pureza, mas também tipifica o vazio da alma não desenvolvida, ou daquilo que na Teosofia é chamado de corpo causal.

Nisso, como alguns de nós sabem, no curso do desenvolvimento uma grande quantidade de cor gloriosa aparece à medida que novas vibrações são despertadas nele. Algum relato disso será encontrado, ilustrado com pranchas coloridas, em *Man, Visible and Invisible*.

321.  Ir.

Wilmshurst explica ainda que a cor azul-celeste das rosetas no avental de C.'. e o forro e debrum azuis e os cordões prateados do avental de M.'.M.'. indicam que naquele estágio o azul do céu começa a romper a brancura; que a inocência, por mais bela que seja, está sendo substituída pelo conhecimento em certa medida, e à medida que os graus superiores são alcançados, mais cor e beleza aparecem.

Ele menciona especialmente que há duas linhas de influência, ou força espiritual, que descem do alto, cada uma terminando em sete linhas prateadas — uma espécie de cordão — indicando as sete cores do espectro.

Estas são realmente simbólicas das sete grandes divisões ou variedades ou temperamentos da vida.

Na Maçonaria Americana, segundo a *Enciclopédia de Mackey* (Art.

Avental.) o avental é o mesmo em todos os três graus da Maçonaria Azul, sendo feito de pele de cordeiro branca com um debrum estreito de fita azul.

A Co-Maçonaria segue o uso prevalecente na Grande Loja da Inglaterra, exceto que, em vez de azul-celeste para o debrum e as rosetas, prescreve-se um debrum de azul mais escuro com uma borda estreita de carmesim, e as rosetas são feitas de material semelhante.

Os cordões são dourados em vez de prateados, e suas sete linhas simbolizam os sete raios da vida e os sete graus da matéria.

Nossas ilustrações dão uma ideia dos aventais de M.'.M.'. como usados no Egito e nos dias atuais.

(Fig.

12.)

322.  A CERIMÔNIA DA INCENSAÇÃO

323.  Quando todos tomaram seus lugares, a cerimônia da incensação começa.

O Turiferário avança até o pedestal do Venerável Mestre, que coloca sobre o carvão no incensário um pouco de incenso que ele previamente magnetizou, ou melhor ainda, ele magnetiza o incenso enquanto este derrete no incensário, pois essa é a condição em que ele é mais responsivo ao seu poder.

Como a cerimônia não é conhecida em algumas Lojas, eu a reimprimo aqui do ritual da Co-Maçonaria:

324. Durante a cerimônia, toca-se música apropriada, permanecendo os Irmãos de pé.

Quando todos estão em seus lugares, o Turiferário avança até o pedestal do Venerável Mestre, que coloca sobre o carvão no incensário um pouco de incenso que ele previamente consagrou.

O Turiferário recua e faz uma reverência ao Venerável Mestre, que retribui a reverência.

Ele então incensa o Venerável Mestre, com três balanços triplos — as correntes sendo mantidas curtas e o incensário estendido na altura dos olhos, mas ligeiramente abaixado após o primeiro e o segundo conjuntos de balanços triplos.

O incensário é então segurado firmemente pelas correntes na mão direita e balançado com a corrente inteira (se o espaço permitir) na forma de um V, três longas e dignas passadas à direita do pedestal, depois três à esquerda.

Então, com o braço estendido à frente, o incensário é balançado em sete círculos graduados, cada círculo acima do outro, de modo que, quando o sétimo e menor círculo é feito, o braço é elevado à sua altura total.

O Turiferário faz novamente uma reverência ao Venerável Mestre e então passa diretamente ao altar, que ele circunda, começando pelo Oriente, balançando o incensário com corrente curta em um movimento circular.

Ele então retorna ao pedestal do Venerável Mestre, faz uma reverência e atravessa a Loja até o pedestal do Vigilante Junior, onde a cerimônia que ocorreu no pedestal anterior é repetida, exceto que o Vigilante Junior recebe cinco balanços do incensário, um triplo e dois simples. Uma pausa é observada entre os balanços simples, assim como entre os balanços triplos.

Ele então passa ao pedestal do V.M. (W.S.W.), incensando-o da mesma forma, exceto que recebe sete balanços, dois triplos e um simples. O Turífero agora se volta para o Diácono Júnior (J.D.), faz-lhe uma reverência e, após a reverência ser retribuída, incensa-o com três balanços simples, após o que eles se curvam como antes, e o Turífero quadra a Loja em direção ao Diácono Sênior (S.D.), que é incensado de maneira semelhante, mas com quatro balanços, um triplo e um simples. O Turífero agora incensa os visitantes distintos de acordo com sua hierarquia, começando pelos de mais alta dignidade (nove balanços para 33°, sete para 30°, cinco para 18° e Mestres Instalados visitantes — os balanços a serem divididos como acima), curvando-se ao passar pelo pedestal do Venerável Mestre (R.W.M.) e incensando os Mestres Passados (P.M.s) (o Imediato Passado Mestre (I.P.M.) recebe sete balanços). Ele então toma sua posição diante do pedestal do Mestre, tendo retornado diretamente a ele; então, após curvar-se a ele, volta-se e enfrenta os Irmãos, curvando-se a eles coletivamente, e (permanecendo ele próprio imóvel) incensa-os sucessivamente, começando pelos que estão à sua esquerda e terminando pelos que estão à sua direita.

Isso é realizado por uma série de balanços curtos, dirigidos para baixo na coluna do Sul e para cima na do Norte, em rápida sucessão.

Os Irmãos permanecem com as mãos unidas diante do peito e as palmas juntas, e curvam-se sucessivamente à medida que o olhar do Turífero encontra o deles.

Esta cerimônia deve ser cuidadosamente executada, curvando-se cada Irmão um momento depois do seu predecessor.

A posição das mãos acima mencionada deve ser adotada por todos os oficiais enquanto estão sendo incensados.

O Turífero quadra a Loja e passa à posição do Guarda Interno (I.G.), a quem incensa com dois balanços simples; então lhe entrega o incensário.

O Guarda Interno incensa o Turífero com um balanço simples e então lhe devolve o incensário.

Toda a cerimônia deve ser executada com a rapidez compatível com a dignidade; não deve haver atraso desnecessário.

Enquanto o Turífero incensa os diferentes pedestais, os Irmãos devem unir-se em pensamento sobre os três princípios que eles representam: Venerável Mestre — Sabedoria; Primeiro Vigilante — Força; Segundo Vigilante — Beleza.

Isso também deve ser feito enquanto as velas são acesas em cada pedestal.

Quando o altar é alcançado, o pensamento deve ser sobre a Unidade da Fraternidade.

325. A incensação dos pedestais desta maneira produz diante de cada um deles um cone altamente magnetizado, ou em forma de colmeia, no qual o candidato permanece quando se apresenta diante de qualquer um dos pedestais.

É erguido para esse propósito, e pode ser estendido quando vários candidatos se reúnem, mas torna-se um pouco tênue se o número for grande.

A incensação dos oficiais destina-se a prepará-los para o trabalho que têm a realizar. O número variado de balanços é dado não apenas para honrar a pessoa, mas para fortalecê-la para o seu trabalho, e isso se faz estabelecendo uma linha de comunicação com as forças dos planos internos.

Quanto mais elevado é o homem em grau, mais ele próprio dá em proporção ao que recebe.

O Mestre dá mais do que todos, mas as colunas recebem mais do que dão; contudo, cada um deve procurar, quando o turífero se volta para ele, dar tanto quanto puder.

326. Este uso do incenso é perfeitamente científico.

Todos os estudantes de ocultismo sabem que, como foi dito no último capítulo, não existe matéria realmente morta, mas que tudo na natureza possui e irradia a sua própria vibração ou combinação de vibrações.

Cada elemento químico tem assim o seu próprio conjunto de influências, que são úteis em certas direções e inúteis ou mesmo hostis em outras.

Dessa forma, é perfeitamente possível, por exemplo, misturar certas gomas que, quando queimadas como incenso, estimularão fortemente as emoções mais puras e elevadas; mas poder-se-ia igualmente fazer outra mistura cujas vibrações promoveriam os sentimentos mais indesejáveis.

Este é um assunto sobre o qual algumas pessoas são céticas, porque a humanidade está presentemente passando por uma etapa da sua evolução durante a qual o seu desenvolvimento é quase exclusivamente o da mente inferior, que é ferozmente intolerante a qualquer coisa que não tenha estudado especialmente.

Todos sabemos como tem sido difícil, até bem recentemente, obter qualquer reconhecimento para fenômenos não físicos, tais como os da telepatia ou da clarividência, ou de fato qualquer coisa fora da ciência mais materialista.

327. Agora chegou o tempo em que os homens começam a ver que a vida está cheia de influências invisíveis, cujo valor pode ser reconhecido por pessoas sensíveis.

O efeito do incenso é um exemplo dessa classe de fenômenos, como também o é o resultado do uso de talismãs e de certas pedras preciosas, cada uma das quais vibra à sua própria taxa e tem o seu próprio valor.

Tais coisas não são geralmente de importância tão grande que precisemos dedicar muito tempo à sua consideração, mas todas têm os seus efeitos e, portanto, não devem ser inteiramente negligenciadas pelas pessoas sábias.

328. O incenso utilizado na Loja tende a purificar aquela parte da natureza do homem que às vezes é chamada de corpo astral, pois é feito de gomas que emitem uma vibração de limpeza intensamente purificadora.

Nesse aspecto, seu efeito é análogo ao de borrifar um desinfetante, que se espalha pelo ar e destrói germes indesejáveis, embora neste caso a operação ocorra em níveis mais elevados e em matéria mais sutil.

Tem também o efeito de atrair habitantes dos mundos interiores cuja presença é útil ao nosso trabalho, e de afastar aqueles que são inadequados.

329. Dois dos constituintes mais importantes de tal incenso, útil para o nosso trabalho, são o benjoim e o olíbano.

O benjoim é um purificador vigoroso e tende a afastar todos os sentimentos e pensamentos grosseiros ou sensuais.

O olíbano não tem nada a ver com isso, mas cria uma atmosfera devocional e repousante, e tende a estimular aquelas vibrações no corpo astral que tornam as pessoas receptivas às coisas superiores.

O attar de rosas também é útil e aumenta grandemente o efeito produzido.

330. Se o incenso for inteligentemente magnetizado, sua força aumenta enormemente; por exemplo, ao colocar no olíbano a força definida da vontade na direção da calma e da devoção, sua influência pode ser aumentada talvez cem vezes.

É por isso que o incenso na igreja é sempre levado ao celebrante para ser abençoado, e por que na Loja ele é trazido ao Venerável Mestre para que este o magnetize com qualquer qualidade especial que julgue útil para o trabalho do dia.

A aspersão de água benta numa igreja é outra maneira de produzir um efeito semelhante, mas o incenso tem a vantagem de se elevar no ar, e onde quer que uma única partícula vá, a purificação e a bênção são levadas com ela.

331. É desejável em todas as ocasiões, e especialmente em Loja, no interesse do trabalho, que os IIr.

tenham em suas mentes apenas algumas poucas vibrações definidas e fortes de emoção e pensamento; mas, em vez disso, às vezes têm quarenta ou cinquenta pequenos vórtices de atividade emocional e mental girando ao mesmo tempo, cada um representando alguma pequena preocupação, cuidado ou desejo.

É difícil para uma pessoa fazer um bom trabalho enquanto estes estão presentes, e quase impossível para ela fazer um progresso real na evolução da consciência.

Se ele está tentando alcançar uma condição emocional e mental melhor, o incenso lhe oferecerá uma corrente fortalecedora de vibração que ajudará muito a desembaraçar o emaranhado e a produzir calma e estabilidade.

332. Às vezes encontramos muito preconceito contra o uso de incenso, porque se supõe que ele esteja ligado exclusivamente às cerimônias da Igreja Romana, pois é somente ali e em algumas das igrejas anglicanas mais altas que os ocidentais o veem. Aqueles que viajaram pelo Oriente, ou que se interessam pelo estudo de outras fés, sabem que praticamente todas as religiões do mundo usam incenso de uma forma ou de outra.

Ele aparece nos templos dos hindus, dos zoroastrianos, dos jainistas, e no xintoísmo da China e do Japão. Era usado na Grécia, em Roma, na Pérsia, e nas cerimônias de Mitra.

Todos esses povos, incluindo os católicos romanos, valem-se dele porque sabem que é uma coisa útil; por que então não haveríamos nós de usá-lo?

333. Por um tempo na Inglaterra houve uma onda puritana muito forte, logo após a Reforma, que levou ao assassinato do Rei Carlos, à Comunidade e ao governo de Cromwell.

É verdade que houve uma reação na época da Restauração, mas o sentimento puritano parece ter sido do tipo mais intenso, e traços dele ainda permanecem na Inglaterra, alguns se manifestando nos mais surpreendentes e irracionais preconceitos.

334. Esse sentimento às vezes penetrou nos círculos maçônicos, e esforços foram feitos para induzir a Grande Loja a limitar a definição do Grande Arquiteto, de modo a excluir a possível associação da Maçonaria com crenças não protestantes.

Mas a Grande Loja recusou liberalmente criar tais limitações.

Sob a Grande Loja da Inglaterra, o incenso é prescrito para a cerimônia de consagração de uma Loja (Ver *O Trabalho do Capelão e do Organista*, pelo Rev. J. T. Lawrence), e o Oficial Consagrador e os Vigilantes são incensados, embora nenhum número definido de balanços pareça ser estabelecido.

O incenso também é usado na Consagração de um Capítulo do Sagrado Arco Real, sob o Supremo Grande Capítulo da Inglaterra, e no cerimonial de muitos dos graus superiores.

Assim, sua introdução nas Lojas Co-Maçônicas não é de modo algum uma inovação, mas está em plena conformidade com o uso maçônico.

335. O número de balanços dados a cada um dos Irmãos não oficiais.

indica seu grau particular na Ordem, pois os graus do Rito Escocês Antigo e Aceito são levados em consideração na Co-Maçonaria.

Cada um recebe assim a influência de que necessita, para que seja fortalecido para o trabalho que seu grau o qualifica a realizar. Cada Ir., ao ser incensado, faz uma reverência em sinal de respeito e como testemunho de que dedica toda a força que possui ao G.A.D.U.

336.   ACENDIMENTO DAS VELAS

337.   O S.D. é o Lúcifer, que leva a luz aos seus semelhantes.

Tendo-lhe sido dada a luz do Fogo Sagrado pelo V.I.P., ele a leva ao V.M., que, por meio de uma pequena vela, acende a partir dela a vela alta colocada à sua direita, e então apaga sua vela com um apagador.

Ele não deve soprá-la, pois isso sugeriria a poluição do fogo sagrado pelo hálito, que é impuro.

É pela mesma razão que os parsis, às vezes chamados de adoradores do fogo, por considerarem esse elemento o maior símbolo e expressão do divino, de modo algum o poluem com refugos.

O V.M. diz: "Que a luz da sabedoria ilumine nosso trabalho" (aqui ele acende sua vela); "Sua sabedoria é infinita." O S.D. então leva a luz aos V.S. e V.J.s, que acendem suas velas e falam apropriadamente sobre a força e a beleza do G.A.D.U.

338.   Nesta cerimônia, somos lembrados mais uma vez dos três Aspectos do G.A.D.U., e aqui eles são simbolizados como emergindo do incondicionado para a forma condicionada na ordem de sabedoria, força e beleza, em preparação para a abertura da Loja, o início do trabalho de construção do templo.

Quando o trabalho começa, como veremos no próximo capítulo, o processo se inverte, mas aqui temos apenas a preparação, o surgimento da sabedoria para planejar, da força para executar e, então, da beleza para adornar.

339.   O uso do fogo nas cerimônias eclesiásticas ou maçônicas é pouco compreendido.

O acendimento de uma vela com intenção religiosa é análogo a uma prece e sempre invoca um derramamento de força do alto.

Assim, os três principais oficiais, ao proferirem essas frases enquanto acendem suas velas, não estão apenas anunciando em símbolo que representam certos Aspectos do divino, mas estão de fato abrindo o caminho para uma ligação definida com esses Aspectos, que se realiza em resposta ao seu pedido.

As luzes elétricas, que são usadas em vez de velas em algumas Lojas, não produzem o mesmo efeito; elas dão luz, mas não fogo, e portanto não alcançam seu resultado pleno.

A luz elétrica é, no entanto, permitida para a Estrela Flamejante e a Estrela da Iniciação, onde a ação e o simbolismo são exclusivamente os da luz.

340. O que eu disse antes sobre a assistência que deve ser dada aos oficiais pelos Irmãos aplica-se aqui enfaticamente.

Quando o Venerável Mestre diz: "Que Sua sabedoria ilumine nosso trabalho", todos devem unir-se a ele em um forte esforço para invocar a sabedoria divina, para que através dele ela se derrame sobre os Irmãos.

Assim também, quando o Primeiro Vigilante diz: "Que a luz da força sustente nosso trabalho", todos devem pensar seriamente na força divina e elevar uma aspiração para que ela flua através dele; e mais uma vez um esforço semelhante deve ser feito quando o Segundo Vigilante diz: "Que a luz da beleza manifeste nosso trabalho", e o Imediato Passado Mestre declara: "Sua luz habita sempre em nosso meio".

341. Não devemos atribuir a esses pensamentos a antiga e, creio eu, falsa ideia de oração - de que precisamos suplicar a atenção do G.A.D.U. Sabemos que Ele está sempre enviando Sua força; cabe a nós abrir o canal.

Seu símbolo aqui embaixo é o sol, que está sempre derramando luz, vida e glória sem que lhe peçam para brilhar.

Na pronúncia dessas palavras, portanto, estamos apenas procurando tornar a nós mesmos e à Loja canais para o Seu serviço.

342. Durante todos esses processos, o pensamento dos Irmãos é importante, mas principalmente quando o altar é incensado, eles devem pensar no amor divino.

Cabe ao Venerável Mestre dirigir todo o trabalho e a cada um dos oficiais desempenhar sua parte, mas o pleno sucesso do esquema depende do recolhimento e da abnegação de cada Irmão na Loja.

Sem isso, não há vida real no trabalho.

Teme-se que em muitas Lojas Maçônicas, embora seu trabalho seja profundamente colorido pelo grande ideal de caridade, haja uma total falha em irradiar a influência espiritual.

Eles executam o ritual com precisão e beleza, mas não perceberam o quanto depende do pensamento dedicado a ele e da compreensão de tudo o que ele significa e implica.

A bênção do Grande Arquiteto é invocada não tanto pela mera fórmula de palavras e atos, mas pelo espírito que subjaz ao trabalho da Loja.

343. CAPÍTULO V

344. A ABERTURA DA LOJA

345. OS IRMÃOS AUXILIAM

346. QUANDO a cerimônia de acender as velas é concluída, os Irmãos tomam seus assentos, e o Venerável Mestre pede que passem alguns momentos em aspiração ao Grande Arquiteteto do Universo, resolvendo seriamente que o trabalho a ser realizado naquela noite seja bem e completamente feito, e que cada membro nunca se esqueça de que o está fazendo em Seu nome e para Sua glória.

347. O Venerável Mestre então dá uma única batida e convoca os Irmãos para auxiliá-lo na abertura da Loja. Alguns podem perguntar por que ele precisa da assistência deles em um ato tão simples como declarar a Loja aberta; mas o fato é que isso não é de modo algum tão simples. A abertura de uma Loja Maçônica é em si uma cerimônia extremamente bela e interessante, e o sucesso do trabalho da noite depende de que seja feita de maneira adequada e completa. O trabalho diante de nós não é questão leve, pois não é nada menos que um esforço conjunto para cumprir o dever que nos é imposto, como aqueles que possuem a Luz, de espalhar essa Luz pelo mundo, e de fato nos tornarmos colaboradores com o Grande Arquiteteto do Universo em Seu grande plano para a evolução de nossos Irmãos.

348. Ele derrama força espiritual no mundo assim como o sol derrama sua luz; mas assim como há muitos lugares escuros no mundo que a luz solar não pode alcançar diretamente, há também muitas almas no mundo que são incapazes de receber e assimilar essa força divina. Assim como o homem, por meio de espelhos, pode refletir a luz solar em uma caverna ou porão, também pode refletir a luz espiritual sobre essas almas obscurecidas, e talvez apresentá-la a elas para que possam recebê-la e aproveitá-la. Toda luz no mundo é apenas luz solar transmutada; se queimamos carvão e produzimos gás, ou se queimamos óleo em uma lâmpada, a energia não deixa de ser energia solar convertida.

349. O Grande Arquiteteto envia Seu poder em todos os níveis, mas principalmente nos planos superiores. Mas a maioria dos homens ainda não está suficientemente desenvolvida nesses planos superiores para ser diretamente afetada por essa força. Se, no entanto, aqueles homens que já estão um tanto desenvolvidos nesses níveis se dispuserem a receber essa força e diminuírem suas vibrações, passando-as através de seus próprios corpos sutis, ela poderá então ser derramada sobre o mundo em geral de forma assimilável. E esta é uma grande parte do trabalho que está sendo realizado por todos aqueles que desejam cooperar com Ele.

350. Expliquei em *The Masters and the Path* como alguém que se aproxima de um Mestre da Sabedoria com o intuito de tornar-se Seu pupilo e trabalhar sob Sua direção para o bem da humanidade é, primeiramente, atraído a uma associação maravilhosamente íntima com esse Mestre, a fim de que possa tornar-se um canal perfeito para a distribuição de forças espirituais.

Exatamente a mesma coisa, em escala muito menor, está sendo feita por todo ser humano que deseja o bem ao seu próximo.

Estando um tanto desenvolvido acima da média, ele é capaz de receber e de beneficiar-se de pelo menos algumas dessas forças, e certamente as derrama novamente em níveis inferiores sob a forma de boa vontade e sentimento afetuoso.

As cerimônias de todas as grandes religiões visam a produzir tais resultados em escala mais ampla por meio de alguma espécie de ação comum.

Em *The Science of the Sacraments*, expliquei o mecanismo dessa ação comum no que concerne aos grandes serviços cristãos; e as cerimônias da Maçonaria alcançam um objetivo semelhante, embora de maneira diferente.

351. O serviço cristão começa por construir uma grande forma-pensamento para atuar como uma espécie de bateria de armazenamento ou condensador dessa força, a fim de que, à medida que seja gradualmente gerada, possa ser acumulada para uso, em vez de ser permitido que se dissipe inutilmente no ar ambiente; e nós, na Maçonaria, temos de tomar a mesma precaução.

Em ambos os casos, invocamos o auxílio de entidades não humanas — os habitantes desses planos mais sutis, que estão completamente acostumados a lidar com e controlar as forças pertencentes aos seus respectivos níveis; mas há uma certa diferença entre os métodos adotados na religião cristã e na antiga fé de mistérios egípcia, da qual a Maçonaria é derivada.

352. No Cristianismo, invocamos grandes Anjos que estão muito acima de nós em desdobramento espiritual, e nos colocamos, em considerável medida, em suas mãos, fornecendo-lhes o material de amor, devoção e aspiração que o serviço suscita em nós, e deixando-os em grande parte encarregados da construção da forma e da distribuição.

353. Na Maçonaria, também invocamos o auxílio angélico, mas aqueles a quem apelamos estão mais próximos do nosso próprio nível em desenvolvimento e inteligência, e cada um deles traz consigo um número de subordinados que executam as suas direções.

Ao nosso redor, há uma vasta evolução invisível, que pode ser pensada como paralela à nossa. (Ver prancha, "A Evolução da Vida" em *The Hidden Side of Things*, vol.

i, p. 116 (1ª edição) E assim como nossa linha de progresso atravessa o reino vegetal, o reino animal e o reino humano, e então nos conduz aos desenvolvimentos super-humanos do Adeptado, do mesmo modo essa evolução paralela percorre os vários reinos elementais, o reino dos espíritos da natureza, e então o reino dos Devas ou Anjos.

Há muitos níveis de inteligência e santidade neste grande reino angélico; e enquanto ele se estende para cima, a alturas muito acima daquelas atualmente alcançáveis pelos seres humanos, também possui membros que estão dificilmente em um nível mais elevado que o nosso. (No curso da involução, a segunda grande Emanação da Vida divina desce do Segundo Logos para a matéria já vivificada pelo Terceiro Logos.

Muito lenta e gradualmente essa vida irresistível flui através dos vários planos, gastando em cada um deles um período igual em duração a uma inteira encarnação de uma cadeia planetária — um período que, se medido como medimos o tempo, cobriria muitos milhões de anos.

Como um todo, essa onda de vida é referida como essência monádica quando vestida apenas na matéria atômica dos vários planos em diferentes estágios de sua descida.

Quando energiza a matéria do plano mental superior, é conhecida como o Primeiro Reino Elemental. Quando desce aos níveis inferiores ou rupa do mesmo plano, é o Segundo Reino Elemental, e no plano astral é o Terceiro Reino Elemental. Mesmo quando essa essência monádica surge diante de nós pela primeira vez, no mais antigo dos Reinos Elementais, ela já não é uma mônada, mas muitas — não um grande fluxo de vida, mas muitos fluxos paralelos, cada um possuindo características próprias.

A essência monádica anima a matéria dos sub-planos abaixo dela em cada plano ou divisão de um plano, e assim forma os Reinos Elementais.

É a mesma vida que prossegue para o reino mineral, e então começa a ascender, e avança através dos reinos vegetal e animal até que, ao se unir com raios da vida do Primeiro Logos, os seres humanos são formados.

Ver *Man, Visible and Invisible*, Capítulo vi.)

354. Esses, no entanto, são apenas os membros mais inferiores do reino angélico; logo abaixo deles em desenvolvimento vêm os mais elevados dos espíritos da natureza, da mesma forma que os membros mais elevados do reino animal vêm apenas logo abaixo dos seres humanos mais inferiores; e, de fato, em muitos casos os reinos se sobrepõem, pois os mais inteligentes do reino animal são frequentemente superiores em muitos aspectos aos mais degradados dos seres humanos.

No serviço da Igreja, invocamos os grandes Arcanjos — seres muito acima de nós — embora eles também tenham suas coortes de assistentes em um nível muito abaixo do seu; na Maçonaria, invocamos antes seres em nosso próprio estágio ou ligeiramente acima dele, e eles trazem consigo assistentes do reino dos espíritos da natureza e até mesmo dos elementais.

355. Em ambos os casos, o trabalho é iniciado por alguém que é especialmente qualificado e designado para fazê-lo; na Igreja, o sacerdote; na Maçonaria, o R.W.M. Ainda assim, a assistência dos irmãos presentes é sempre uma questão de importância e significado.

Em círculos eclesiásticos, fala-se frequentemente do sacerdócio dos leigos.

Certas coisas são comissionadas ao sacerdote, e somente ele pode fazê-las.

Mas ele requer a ajuda e a cooperação dos leigos para que possa trabalhar com o mais alto grau de eficácia.

É exatamente o mesmo com o Mestre de uma Loja Maçônica; ele também tem certo trabalho a fazer e, a menos que outros P.M.s estejam presentes, ele é o único homem que pode fazê-lo; mas será feito melhor e mais facilmente se os Ir.m.s compreenderem e cooperarem.

356. Lembro-me bem de que, quando fui eleito R.W.M. da minha Loja-Mãe, tive que fazer toda a magnetização na procissão de abertura eu mesmo; tive que marchar ao redor da Loja, criando um redemoinho nas forças fluentes, construindo a forma-pensamento preliminar e preenchendo-a com uma forte corrente de magnetismo.

Logo expliquei o assunto a alguns dos membros mais antigos da Loja e disse-lhes como poderiam ajudar nesse trabalho, e quando adquiriram o hábito de fazê-lo, descobri que isso tornava meus próprios labores muito menores.

357. Mas lembre-se de que o que o H.O.A.T.F. deseja não é uma espécie de aquiescência entediada, mas cooperação cordial.

Ele quer que os membros realmente estejam pensando vividamente o tempo todo e mantendo suas mentes no que estão fazendo.

Se ouvimos a mesma coisa repetidamente, há uma certa tendência de que ela se torne algo natural, de modo que as pessoas lhe deem apenas metade de sua atenção. Esse não é o caminho para obter os melhores resultados; devemos fixar fortemente nossas mentes no que estamos dizendo e no que estamos fazendo.

Somente os oficiais têm de dar as respostas na abertura da Loja, mas todo membro deveria saber essas respostas de cor.

Quando viemos ao templo, viemos com um propósito definido — não para receber, mas para dar; e a quantidade que somos capazes de dar em termos de força espiritual e ajuda depende em grande parte da intensidade com que fixamos nosso pensamento no que estamos fazendo, e da quantidade de compreensão definida que trazemos a isso. Significa um considerável esforço mental, sem dúvida; mas vale muito a pena fazê-lo.

358. Quando o Ven.·. M.·. pede a assistência dos Ir.·.

ele também quer dizer que eles devem preparar-se especialmente para cooperar no trabalho da noite, e esse importante preliminar é alcançado por suas próximas perguntas.

359. COBRINDO A LOJA

360. Estando os Ir.·. de pé, o Ven.·. M.·. inicia os trabalhos perguntando ao Vig.·. Jr.·. (dirigindo-se cuidadosamente a ele pelo nome, e não usando o título de seu cargo) a pergunta característica que é a nota-chave de toda reunião maçônica: "Qual é o primeiro cuidado de todo Maçom?" e recebe a resposta tradicional: "Ver a Loja devidamente coberta." Ele continua: "Determinai que esse dever seja cumprido." O Vig.·. Jr.·. transmite a ordem ao Guarda Interno, que vai verificar se o Cobridor está em seu posto, e relata que ele está, sendo esse relato imediatamente transmitido ao Ven.·. M.·.

361. Qual é o simbolismo aqui? O primeiro requisito quando estamos prestes a fazer um grande trabalho é concentrar-nos nele, e para isso devemos estar livres de interrupções; assim, a fortaleza de Mansoul (para adotar a pitoresca terminologia de John Bunyan) precisa de uma forte muralha ao redor, e nossa entrada deve ser bem guardada.

Portanto, o Espírito chama a inteligência, que é seu elo com os mundos inferiores; a inteligência pergunta ao duplo etérico, que por sua vez sinaliza ao corpo físico denso para saber como as coisas se apresentam do exterior, e recebe a resposta satisfatória de que todas as defesas estão em ordem, de modo que o Espírito é tranquilizado quanto ao ponto importante de que a Loja pode trabalhar em segurança.

362. Cada um de nós tem de cobrir sua própria Loja em vários níveis, e isso deve ser feito com grande cuidado e sabedoria.

Através de milhares de anos de evolução passada, cada homem tem aprendido a construir uma forte casca para si mesmo, de modo que dentro dela possa crescer até se tornar um centro poderoso, capaz de irradiar força espiritual sobre seus semelhantes.

Inevitavelmente, nos estágios iniciais desse crescimento, ele se torna um ser egocêntrico, pensando e se importando apenas com seus próprios interesses – resguardando sua Loja, de fato, mas excluindo dela muito do que é nobre e belo.

Apenas gradualmente ele aprende que o poder lhe é dado para uso no serviço aos outros, e que, embora deva resguardar sua Loja de modo a sempre manter o forte centro de consciência que ele se esforçou tanto para criar (porque sem esse centro ele seria inútil no trabalho do mundo), ele deve ao mesmo tempo vigiar incessantemente para que a força gerada nesse centro seja empregada apenas na ajuda à humanidade e no avanço dos desígnios de T.G.A.U.T.U. O homem não perde sua individualidade e iniciativa, mas aprende a usá-las corretamente.

363. O homem deve aprender a resguardar a Loja de seu corpo mental; mas isso deve ser feito com discrição e, na verdade, com extremo cuidado.

Frequentemente achamos o mundo físico desconfortavelmente lotado, especialmente se nossa sorte nos impõe a necessidade de viver ou trabalhar em uma das grandes cidades.

Mas devemos lembrar que os mundos astral e mental também são lotados – muito mais do que o físico, embora não exatamente da mesma maneira.

Esses mundos mais sutis têm extensão muito maior do que o físico, e também neles os corpos se interpenetram livremente uns aos outros.

Portanto, a lotação não é da mesma natureza; mas, no entanto, precisamos nos proteger ainda mais estritamente nesses níveis superiores do que aqui embaixo.

364. Não é apenas que no plano mental existam muitos milhões de pessoas.

Ele também está cheio de centros de pensamento sobre todos os tipos de assuntos, que foram estabelecidos principalmente por homens como nós.

Nós, que somos estudantes, estamos seriamente tentando nos elevar um pouco acima do pensamento do homem comum; portanto, uma grande proporção de todo esse pensamento insurgente que está constantemente pressionando sobre nós está em um nível mais baixo do que o nosso, e precisamos constantemente nos guardar contra sua influência.

Há um vasto oceano de pensamento sobre todos os tipos de assuntos totalmente sem importância que, a menos que o excluamos rigidamente, nos encontraremos incapazes de nos concentrar nos assuntos superiores sobre os quais realmente desejamos pensar.

Portanto, nesse aspecto, devemos fechar a Loja do corpo mental e exercer grande cuidado quanto a quem e ao que abrimos suas portas.

365. Há também outros aspectos em que o cuidado é necessário no plano mental.

Por exemplo, há muitos que são amaldiçoados com uma natureza argumentativa.

Tais homens abrem as portas de sua fortaleza mental e se lançam avidamente à batalha ao menor pretexto, ou sem pretexto algum — esquecendo completamente que, ao fazê-lo, deixam a fortaleza indefesa, de modo que quaisquer forças-pensamento que porventura estejam em sua vizinhança podem entrar e dela se apossar. Enquanto desperdiçam suas forças em disputas sobre pontos de nenhuma importância, o tom geral de seus corpos mentais está sendo continuamente deteriorado pelas influências que nele fluem. Tal homem deveria aprender a fechar seu corpo mental, para que somente aqueles pensamentos possam nele entrar que ele, como ego, realmente aprove.

366. A Loja do corpo astral também deve ser fechada, pois é ainda mais difícil resistir à onda das emoções do que à pressão dos pensamentos.

A maioria das emoções no mundo é mal direcionada, sendo motivada pelo egoísmo em alguma de suas muitas formas proteanas — ciúme, inveja, orgulho, raiva ou intolerância.

Para manter nossos próprios sentimentos puros e elevados, para reter a calma filosófica que é tão necessária para o sentir correto quanto para o pensar correto, devemos fechar severamente a Loja contra todo esse vasto oceano de excitação desnecessária.

Por outro lado, devemos ter grande cuidado para nunca falharmos na verdadeira simpatia.

Nossos ouvidos devem estar sempre abertos aos apelos do sofrimento, ainda que os fechemos resolutamente contra o balbucio sem sentido daqueles que buscam apenas seus próprios fins.

Nisto, como em tantos outros aspectos, o caminho do meio do ocultismo é estreito como o fio de uma navalha, como nos é dito nos antigos livros indianos; e devemos vigiar incessantemente para que, por um lado, não sejamos naufragados no Cila da indiferença ou, por outro, submergidos na confusão de Caríbdis.

367. Mesmo no que diz respeito aos nossos corpos físicos, há a mesma razão para o estrito fechamento da Loja.

Não desprezamos nem evitamos nossos semelhantes, embora evitemos alguns de seus antros indesejáveis.

Ninguém que conheça algo do lado interior das coisas se aproximará voluntariamente de um centro de influência tão horripilante como um ringue de luta, um açougue ou um salão de bebidas; qualquer um que, mesmo em suas ocupações diárias, tenha de passar por tais lugares deve formar uma forte casca ao redor de si, para não absorver para dentro de si nem o menor traço de sua infecção psíquica.

368. Novamente, há muitas pessoas que são vampiros inconscientes; sem terem a menor consciência disso, extraem vitalidade daqueles que estão próximos, de modo que, se alguém se senta e conversa com tal pessoa por um pouco de tempo, sente-se completamente exausto e incapaz de um trabalho útil.

Se tal pessoa fosse ajudada pela força que extrai de seus amigos mais saudáveis, poder-se-ia, no fim, considerar um ato de caridade permitir que ela nos esgotasse; mas o fato é que esses infelizes são, eles próprios, incapazes de reter o que tomam, de modo que nada ganham com a transação, enquanto suas desventuradas vítimas perdem saúde e força.

Ao abordar tais casos, faremos bem em fechar a Loja de nossos corpos físicos, formando uma forte casca etérica ao redor deles, mesmo enquanto irradiamos todo amor e sentimento bondoso para o infeliz vampiro.

369. A ordem repetida constantemente para verificar se a Loja está bem fechada deve trazer à nossa mente uma sucessão de avisos úteis; e sempre que a ouvirmos, devemos lembrar de nos perguntar: "Está meu coração cheio do amor divino, e o mantive bem fechado contra todo pensamento mau e tolo desde a última vez que ouvi estas palavras místicas?"

370. Assim, quando esta pergunta vem agora, pouco antes da abertura da Loja, serve para nos lembrar da necessidade imediata de nos colocarmos no estado de espírito correto para a maravilhosa obra que vamos realizar.

371. Os egípcios ensinavam que esta frase tinha ainda outro significado, embora um que pouco nos concerne. Eles compreendiam a necessidade de fechar o mundo como um todo.

Nossa Terra é cercada por uma atmosfera gasosa na qual a matéria mais leve tende a encontrar seu caminho para o topo.

O hidrogênio é o mais leve, e o pouco que existe em estado livre gradualmente sobe ao topo da atmosfera, e parte dele escapa e se perde no espaço.

Essa é uma das razões pelas quais os planetas mais antigos sempre têm menos hidrogênio que os mais jovens — ele vaza, até certo ponto, à medida que o planeta avança pelo espaço.

Isso reduz a quantidade de água no globo.

Assim, descobrimos que Marte, que é mais velho que a Terra em proporção ao seu tamanho e se encontra em um período mais avançado de sua vida, tem ligeiramente mais terra do que água em sua superfície, enquanto Júpiter e Saturno, que são mais jovens — não em idade real, mas em proporção ao seu tamanho — são quase inteiramente líquidos.

Existe um grande ser chamado o Espírito da Terra, que usa a Terra como seu corpo físico; ele fez seus próprios arranjos para impedir a fuga demasiado rápida de seu hidrogênio e cuida constantemente de "telhar" sua Loja; mas nós, naturalmente, não temos nada a ver com isso.

372. Ao pensar em todos esses significados simbólicos, não devemos esquecer o telhamento real da Loja em que nos sentamos.

Há várias razões para nosso extremo cuidado nesse assunto.

Queremos manter a Loja fechada não meramente para preservar nossos mistérios do olhar externo, mas porque somente assim podemos manter sua influência pura e imperturbada.

A forma-pensamento que está prestes a ser construída é algo muito delicadamente equilibrado e cuidadosamente graduado, e é composta não apenas das substâncias etéricas de nosso plano material, mas também da matéria ainda mais sutil dos mundos emocional e mental.

Essa forma-pensamento é construída para um propósito definido, e se pessoas de fora, cujas mentes trabalham em linhas diferentes, estivessem presentes, elas causariam, sem intenção, um bom tanto de atrito e destruiriam o equilíbrio e a eficácia da forma.

Não é que nos consideremos superiores a essas outras pessoas, mas que estamos nos treinando para pensar ao longo de certas linhas definidas, e elas, em regra, não estão.

373. Devemos também manter proeminentemente em nossas mentes a obrigação de preservar absoluto sigilo no mundo exterior sobre nossas reuniões maçônicas e tudo o que nelas ocorre.

Inquestionavelmente, há certo perigo de inadvertência nesses assuntos.

Ninguém provavelmente contemplaria, nem por um momento, a traição de qualquer segredo maçônico, nem exibiria qualquer falta de cautela com relação às p � s e s � s que solenemente juramos nunca revelar, mas em outros assuntos às vezes há incautela; por exemplo, em certa ocasião ouvi alguns Irms.

discutindo em um bonde a excelente maneira pela qual um certo D.J. desempenhava seu trabalho na Loja.

Isto é, naturalmente, nenhuma traição dos segredos, mas contém um elemento de perigo distinto, pois é muito fácil, ao falar da cerimônia, fazer alguma referência da qual um observador inteligente e curioso possa deduzir mais do que deveria saber.

374.   O A � M � S � N

375.   Depois de se verificar que a Loja está devidamente fechada, a próxima coisa a fazer é ver se tudo está certo no interior — que todos os presentes são Maçons.

Na verdade, já estamos certos disso, pois os membros de uma Loja são bem conhecidos uns dos outros, e qualquer estranho que se apresente é sempre cuidadosamente provado antes de ser admitido.

Mas esta é a prova formal prescrita no ritual, para tornar a certeza duplamente segura; assim, o Venerável Mestre chama sua Loja à ordem, e todos adotam uma certa atitude de atenção com um s � p e um s � n, ambos altamente simbólicos, e que permaneceram inalterados por um longo período.

Deve-se compreender distintamente que um homem que se une à Maçonaria dá, com isso, um passo adiante na evolução, e o fato de sua identificação como Maçom começar com esse s � p é uma lembrança e um reconhecimento constantes disso.

376.   O p � e, por estar mais próximo do coração, simboliza a intuição, enquanto o p � d � supõe-se representar a faculdade intelectual.

O significado do s � p é, portanto, obviamente que, em questões ocultas, a intuição sempre tem precedência sobre meros processos de raciocínio.

A posição adotada tem a intenção de mostrar que a razão deve sempre brotar do centro do sentimento correto.

377.   Tendo assim indicado o método de nosso avanço, procedemos na Co-Maçonaria a dar a Dieu-garde, uma contração do francês "Dieu vous garde", que significa "Deus vos guarde", embora em inglês tenha sido corrompido para due-guard.

Além dos pensamentos sugeridos pelo s � p, isso nos mostra que aprendemos apenas para abençoar, pois esta posição é aquela que o candidato adotou no momento em que fez seu J. Indica que o A �, sendo ele próprio apenas um iniciante, ainda não tem nem o direito nem o poder de dar qualquer bênção além daquela prescrita no V.S.L.; ele pode usar apenas as palavras que lhe são ensinadas, pois ainda não está em posição de ser um canal direto ou um reservatório da força superior.

378.   Segue-se então um gesto que é ao mesmo tempo uma saudação a Deus e uma declaração de poder.

O restante do sinal é comumente interpretado como um lembrete da penalidade associada a qualquer violação da E.A.O.; e é certo que a ideia dessa penalidade tem sido associada a ele desde um período remoto da história, como pode ser visto por referência às obras do Dr. Albert Churchward.

Há, no entanto, ainda outro significado mais oculto para esse sinal do que a explicação geralmente dada.

Estudantes do lado interior da constituição do homem e do ocultismo oriental estão cientes de que existem sete grandes centros de força (chamados em sânscrito de chakras) no corpo humano, e que, no curso do progresso oculto, todos eles devem ser abertos, desenvolvidos e tornados efetivos.

379. Existem muitos métodos de desenvolvimento psíquico, alguns dos quais começam com a abertura de um centro e outros com a de outro; mas no esquema defendido no antigo Egito e continuado na Maçonaria, o centro indicado por esse sinal é tomado primeiro.

Assim, quando o maçom faz esse movimento, ele não apenas designa a abertura desse centro como o trabalho especial, do ponto de vista oculto, deste grau, mas também comanda o auxílio dos poderes na natureza conectados e controlados através desse centro em qualquer trabalho que esteja prestes a empreender.

Os gestos e palavras ensinados na Maçonaria não são escolhidos ao acaso; cada um tem um significado definido e um poder definido no mundo do invisível, bastante à parte de sua significação no plano físico.

Lojas na Europa geralmente não sabem nada de tudo isso; talvez possa haver algumas em países orientais que sejam melhor instruídas.

380. Os centros de força existem como pontos de conexão nos quais a energia flui de um veículo ou corpo de um homem para outro.

Qualquer pessoa que possua um ligeiro grau de clarividência pode facilmente vê-los no duplo etérico, onde se mostram como depressões em forma de pires ou vórtices em sua superfície.

Quando bastante subdesenvolvidos, aparecem como pequenos círculos de cerca de cinco centímetros de diâmetro, brilhando fracamente no homem comum; mas quando despertados e vivificados, aparecem como pires flamejantes e cintilantes, muito aumentados em tamanho.

Às vezes falamos deles como correspondendo aproximadamente a certos órgãos físicos; na realidade, eles se mostram na superfície do duplo etérico, que se projeta ligeiramente além do contorno do corpo denso.

Se imaginarmos que estamos olhando diretamente para dentro do sino de uma flor do tipo campainha, teremos alguma ideia da aparência geral de um chakra.

A haste da flor, em cada caso, brota de um ponto na espinha, de modo que outra visão poderia mostrar a espinha como um caule central, do qual flores brotam em intervalos, exibindo a abertura de seus sinos na superfície do corpo etérico.

381. Os sete centros com os quais nos ocupamos atualmente estão indicados na ilustração que acompanha este texto.

(Prancha IX.) Ver-se-á que estão situados em: (1) a base da espinha; (2) o baço; (3) o umbigo ou plexo solar; (4) o coração; (5) a garganta; (6) o espaço entre as sobrancelhas; e (7) o topo da cabeça.

Descrevi-os minuciosamente em *A Vida Interior*; e também publiquei uma monografia sobre eles, chamada *Os Chakras*, com ilustrações coloridas únicas.

382. Há vários outros centros de força além desses, e existem escolas de magia que os utilizam; mas os perigos a eles associados são tão sérios que deveríamos considerar o seu despertar como a maior das infelicidades.

É precisamente para evitar o despertar desses centros inferiores que se atribuía tanta importância, no Egito, ao cinto ou faixa do avental, e à teia etérica que se estendia através dele.

383. Quando estão em atividade, esses centros mostram sinais de rápida rotação, e em cada uma de suas bocas abertas, em ângulo reto com a superfície do corpo, irrompe uma força do mundo superior — uma daquelas que

384. Prancha IX

385.

386. T.G.A.O.T.U. está constantemente derramando através de Seu sistema.

Essa força é séptupla em sua natureza, e todas as suas formas operam em cada um desses centros, embora uma delas, em cada caso, predomine grandemente sobre as outras.

Sem esse influxo de energia, o corpo físico não poderia existir.

Portanto, os centros estão em operação em todos, embora na pessoa não desenvolvida eles geralmente estejam em movimento relativamente lento, formando apenas o vórtice necessário para a força, e nada mais.

Por outro lado, podem estar brilhando e pulsando com luz viva, de modo que uma quantidade enormemente maior de força passa através deles, com o resultado de que faculdades e possibilidades adicionais se abrem para o homem.

387. Essa energia divina que se precipita em cada centro, vinda de fora, estabelece em ângulo reto consigo mesma, isto é, na superfície do duplo etérico, forças secundárias em movimento circular ondulatório, assim como uma barra magnética introduzida numa bobina de indução produz uma corrente elétrica que flui ao redor da bobina em ângulo reto ao eixo ou direção do ímã.

A força primária em si, tendo entrado no vórtice, irradia-se dele novamente em ângulo reto, mas em linhas retas, como se o centro do vórtice fosse o cubo de uma roda, e as radiações da força primária fossem seus raios.

O número desses raios difere nos diferentes centros de força e determina o número de ondas ou pétalas que cada um deles exibe.

Por causa disso, esses centros de força têm sido frequentemente descritos poeticamente nos livros orientais como semelhantes a flores.

388. Cada uma das forças secundárias que varrem a depressão em forma de pires tem seu próprio comprimento de onda característico, assim como a luz de uma certa cor; mas, em vez de se mover em linha reta como a luz, ela se move ao longo de ondulações relativamente grandes de vários tamanhos, cada uma das quais é um múltiplo dos comprimentos de onda menores contidos nela. O número de ondulações é determinado pelo número de raios na roda, e a força secundária se tece por cima e por baixo das correntes radiantes da força primária, assim como um trabalho de cestaria poderia ser tecido ao redor dos raios de uma roda de carruagem.

Os comprimentos de onda são infinitesimais, e provavelmente milhares deles estão incluídos dentro de uma das ondulações.

À medida que as forças se precipitam ao redor no vórtice, essas oscilações de diferentes tamanhos, cruzando-se umas às outras nesse estilo de cestaria, produzem a forma semelhante a uma flor à qual me referi.

É, talvez, ainda mais semelhante à aparência de certos pires ou vasos rasos de vidro ondulado e iridescente, como os que são feitos em Veneza. Todas essas ondulações ou pétalas têm aquele efeito cintilante e iridescente, como o madrepérola, embora cada uma delas geralmente tenha sua própria cor predominante.

389. Na vivificação do centro particular com o qual este grau de E.A. está principalmente concernido, três fatores são importantes.

Quando o centro no corpo emocional que corresponde a este é despertado, ele confere ao homem o poder de ouvir no mundo sutil nesse nível — isto é, causa um desenvolvimento daquele sentido que, no que normalmente chamamos de mundo astral, produz em nossa consciência o efeito que no plano físico chamamos de audição.

Assim, se o centro etérico estivesse plenamente ativo, o E.A. seria clariaudiente no que diz respeito aos planos etérico e astral.

Seu lento e parcial desdobramento tende gradualmente a dissipar o preconceito no homem, a abrir sua mente para sugestões e, de modo geral, a ampliar e liberalizar seu pensamento.

390. Em segundo lugar, o desenvolvimento do cérebro depende em grande parte da abertura deste centro, porque ele desempenha um papel importante na divisão e distribuição de uma das principais correntes de vitalidade que percorrem o corpo humano.

Já expliquei em detalhe essa ação em *The Chakras* e em *The Hidden Side of Things*, aos quais devo remeter qualquer leitor que deseje mais informações sobre o assunto da circulação vital.

391. Em terceiro lugar, outra ação importante deste centro merece nossa atenção, pois o objetivo especial do Primeiro Grau é a conquista das paixões do corpo físico e o desenvolvimento da moralidade.

Entre os vários tipos de vitalidade, há um raio laranja-vermelho, que contém também certa quantidade de púrpura escura.

No homem normal, esse raio energiza os desejos da carne e também parece penetrar no sangue e manter o calor do corpo; mas, se um homem persistentemente se recusa a ceder à sua natureza inferior, esse raio pode, por longo e determinado esforço, ser desviado para cima, em direção ao cérebro, onde todos os seus três componentes sofrem uma notável modificação.

O laranja é elevado a amarelo puro e produz uma decidida intensificação dos poderes do intelecto; o vermelho escuro torna-se carmesim e gradualmente aumenta o poder do afeto altruísta; enquanto o púrpura escuro é transmutado em um adorável violeta pálido e aviva a parte espiritual da natureza do homem.

O homem que alcança essa transmutação descobrirá que os desejos inferiores não mais o perturbam; e é com essa consumação em vista que o desenvolvimento do centro no qual essas modificações e transmutações são realizadas é tão fortemente enfatizado nos estágios preliminares da Maçonaria.

392. O desenvolvimento deste centro está intimamente associado ao poder de prestar atenção, bem como à abertura de formas superiores de audição.

Em todos os sistemas ocultos de treinamento, grande importância era atribuída a isso no caso do neófito.

Na escola de Pitágoras, os discípulos eram mantidos por vários anos na ordem chamada Akoustikoi, ou Ouvintes; nos mistérios de Mitra, a ordem mais baixa era a dos Corvos — um nome que significa que eles só podiam repetir o que tinham ouvido, exatamente como um corvo ou um papagaio faz; pois em todos esses sistemas antigos, os estudantes eram estritamente proibidos de se lançarem nas perigosas águas da originalidade até estarem completamente fundamentados nos princípios estabelecidos da filosofia.

O sinal também evoca ou chama em auxílio do homem que o utiliza uma classe particular de inteligências não humanas do mundo sutil.

393. Em vista da grande influência deste sinal de poder, todos verão a necessidade de que ele seja preservado com o maior cuidado e segredo.

Se for feito incorretamente, não na forma exata e no lugar apropriado, o efeito será perdido.

Nestas questões, estamos trabalhando com o que comumente se chama magia; e isso é uma coisa perigosa com a qual se brincar, e deve ser assumida apenas com a maior seriedade de propósito e precisão no trabalho.

394. Se um membro fizer este sinal descuidadamente e sem pensar no que está fazendo, ele se abre a influências das quais não tem consciência, para as quais não está preparado; e coisas podem acontecer que não deveriam acontecer.

É esta ideia que está na base da afirmação grosseiramente exagerada e enganosa de que um homem que recebe o Santo Sacramento na Igreja, enquanto permite que sua mente esteja cheia de mal, realmente come e bebe a própria condenação.

O homem que recebe a Santa Comunhão torna-se um centro muito elevado de força radiante e também se torna receptivo ao mais alto grau; que ele tenha, portanto, certeza de eliminar pensamentos malignos, para que tais pensamentos não atraiam para ele outras influências semelhantes a eles.

O mesmo ocorre com o sinal maçônico. Aquele que o executa como saudação a outro abre seu coração para essa pessoa, e isso é bom; mas todos devem estar em guarda para que não se abram descuidadamente a influências desagradáveis que, de outra forma, poderiam tê-los ignorado.

395. Quando assim feito na abertura de nossa Loja, este s � nos lembra que devemos nos colocar em uma atitude receptiva, para que possamos obter o maior benefício possível do influxo de força espiritual que estamos prestes a invocar.

396. OS OFICIAIS

397. Tendo assim feito o nosso melhor para nos prepararmos para o trabalho da noite (a) pela purificação da sala da Loja por meio da incensação, (b) fechando nossos corações e mentes contra todos os pensamentos e sentimentos perturbadores, e (c) colocando-nos em uma atitude receptiva, procedemos agora a pôr em movimento a maravilhosamente arranjada maquinaria maçônica pela qual podemos invocar a assistência de seres não humanos em nossos trabalhos altruístas.

O método pelo qual isso é feito é extremamente engenhoso e mais habilmente oculto.

O homem é um ser complexo, e a divisão grosseira em corpo e alma não é suficiente para o trabalho científico.

Para os propósitos de sua evolução, ele existe em cinco dos sete planos da natureza, e tem envoltórios ou corpos construídos da matéria dos planos inferiores, e princípios ou constituintes dentro de si mesmo que correspondem aos superiores.

Isso será esclarecido pela Fig. 13 e seu diagrama acompanhante.

398. Portanto, para nosso trabalho, precisamos de forças de todos esses diferentes níveis, e cada oficial de uma Loja Maçônica tem, além de seus deveres no plano físico, a função de representar um desses níveis e atuar como foco para suas energias especiais.

O arranjo feito pelos Fundadores da Maçonaria é que a enumeração dos oficiais e a recitação de suas posições e deveres atuem como uma evocação dos devas ou Anjos pertencentes e trabalhando nesses respectivos níveis.

O fato de que milhares de R.W.M.s terem feito as perguntas designadas sem a menor ideia de produzir um efeito em mundos invisíveis não os privou da assistência angélica que, se tivessem conhecido, os teria espantado além da expressão, e provavelmente até aterrorizado.

399. Assim, o espírito volta-se novamente para a inteligência e a chama para formular as grandes divisões; a inteligência responde e nomeia as três linhas através das quais a força flui, atraindo assim a atenção dos Anjos dessas linhas.

Para simbolizar isso, o R.W.M. pergunta quantos oficiais principais há na Loja, e recebe a resposta de que há três.

Estes são o M.R.M., o M.S.S. e o M.J.S., que representam a trindade divina ou espiritual que aparece na Divindade, e também no homem, que é feito à imagem dessa Divindade.

Esses três princípios no homem são familiares a muitos estudantes de psicologia teosófica sob os nomes de atma, buddhi e manas, que podem ser traduzidos para o português como a vontade espiritual, o amor intuitivo e a inteligência superior.

400.   Então o M.R.M. pergunta quantos oficiais assistentes há, e é informado de que estes são igualmente três, não incluindo o O.G. ou T. Estes representam a constituição pessoal do homem ou seu eu inferior — composto pela mente inferior, que o S.D. representa, a natureza emocional, personificada pelo J.D., e o duplo etérico do corpo físico, pelo qual o I.G. responde.

O T. representa a parte densa do corpo físico.

401.   O pórtico da Loja é a entrada para o mundo interior, que é invisível à visão comum.

Portanto, o T., que tipifica a parte mais densa do corpo físico, é o único oficial da Loja que permanece do lado de fora dela, visível aos olhos dos profanos.

Todos os outros seis princípios da constituição humana estão além da visão física, que lida apenas com um grau da matéria do mundo, e esse é o mais baixo e denso.

Esses princípios existem em planos distintos da natureza, de graus ascendentes de sutileza ou fineza da matéria.

402.   Fig.

e o diagrama a ela associado mostram os sete princípios no homem, os planos da natureza em que existem e os oficiais correspondentes na Loja Maçônica.

403.   O triângulo superior, contendo o primeiro, o segundo e o terceiro princípios, representa o ego ou eu superior no homem, comumente chamado de alma, que no curso de sua longa peregrinação ou evolução rumo à perfeição humana, assume muitas encarnações, cada uma das quais é chamada de personalidade.

O triângulo inferior é um reflexo daquele superior na matéria dos planos inferiores, e forma com o corpo físico denso o quaternário inferior, que constitui a personalidade e dura por uma encarnação.

A evolução do homem é realmente o desenvolvimento do ego ou eu superior, mas na maioria das pessoas, no estágio atual do progresso humano, esse ego pode ser descrito como ainda em sua infância; ele ainda não despertou plenamente para a vida positiva e proposital de um homem em seus próprios planos, nem

404.   Figura

405.

406.   ele realizou o que pode ser aprendido através da encarnação nos planos inferiores.

Com o tempo e muitas encarnações, os três princípios superiores gradualmente se desdobram, e o homem realiza cada vez mais a divindade que verdadeiramente lhe pertence.

Embora o principal objetivo da Maçonaria seja a coleta e distribuição de força espiritual para outros, ela também está profundamente preocupada com o bem-estar e o progresso dos Irm., então seu ritual e seu ensinamento indicam claramente o caminho que o homem deve trilhar, e oferecem-lhe a mais valiosa ajuda enquanto ele percorre esse caminho.

407. OS DEVERES

408. A lista de situações e deveres é então recitada. Comumente se supõe que o objetivo dessa enumeração é garantir que os fatos sejam bem conhecidos por todos os Irm., e que todos os oficiais estejam devidamente presentes.

Na realidade, ela tem outra função, muito mais importante, como já expliquei.

409. Vários pontos interessantes de simbolismo são trazidos à tona nas respostas aparentemente curiosas que são dadas com respeito aos deveres ligados aos vários ofícios.

O corpo físico deve proteger a loja da alma do homem dos perigos do mundo exterior, das tentações ou influências malignas.

O Diác. tem ordem de manter fora todos os cowans e intrusos da Maçonaria, e quando nos lembramos de que a palavra "cowan" é simplesmente o grego kuon, um cão, e que desde tempos imemoriais o cão tem sido usado como símbolo das paixões animais violentas, compreenderemos prontamente o que o trabalho e o ofício do Diác. pretendem tipificar.

410. O duplo etérico, na pessoa do Guarda Interno, também se une para defender a Loja, e está especialmente sob o comando da mente superior ou inteligência, o Vig. do Oeste, que se ocupa em testar todos os que buscam entrar; o que mostra que é dever da inteligência discernir e decidir que pensamento ou emoção deverá receber alojamento dentro do templo do homem.

O Ven. Mast. se comunica com o Diác. somente através do Vig. do Oeste e do Guarda Interno, o que significa que o espírito não age diretamente sobre a matéria densa, mas através de sua inteligência se imprime sobre a matéria etérica; embora, uma vez que tenha enviado sua indagação, a mente possa instruir o duplo etérico a reportar diretamente ao Ven. Mast. sobre o assunto em particular.

Para tipificar isso, em muitas Lojas é costume que o Vig. do Oeste, ao transmitir sua ordem, diga: "Irm. Guarda Interno, vereis quem busca admissão e reportareis ao Ven. Mast."

411. O reflexo do triângulo superior no inferior ocorre ponto por ponto, e há portanto uma relação simpática entre os princípios 2 e 5, bem como entre 3 e 4, e entre 1 e 6. É com o auxílio das emoções, por sua purificação e desenvolvimento, que o homem desdobra o princípio 2, o amor intuicional, de modo que ele é trazido à atividade em sua vida.

E é com o auxílio da mente que ele lança fora os cinco grilhões para o progresso posterior (a saber, a ilusão de que seu eu pessoal é o eu real, a dúvida sobre a realidade das coisas espirituais, a superstição e os gostos e desgostos irracionais) e assim capacita a vontade espiritual a expressar-se em sua vida.

Sobre esses estágios, e as grandes Iniciações que os acompanham, escrevi detalhadamente em Os Mestres e o Caminho.

Eles são mencionados aqui para mostrar por que o J.D. atua entre o W.S.W. e o W.J.W., e o S.D. atua entre o R.W.M. e o W.S.W. Eles explicam também por que o W.J.W. assume o encargo dos E.A.s, e o W.S.W. dos F.C.s, enquanto os M.M.s podem ser considerados sob o encargo imediato do R.W.M. Como a Loja aberta é um lugar onde os Brn. estão simbolicamente passando pelo curso avançado de evolução antes mencionado, os oficiais que representam os princípios no homem devem mostrar esses princípios atuando em relação uns aos outros como o fazem no homem no curso dessa evolução.

412. O Terceiro Aspecto do Ser Divino é tipificado pelo W.J.W. quando ele dirige a passagem do labor da evolução para o refrigério do descanso periódico; enquanto é o Segundo Aspecto que é simbolizado pelo W.S.W. quando ele fecha a Loja por ordem do R.W.M., porque quando o Segundo Aspecto da Divindade se retira das formas que Ele fez, tudo é resolvido em seus elementos primordiais e o universo como tal cessa de existir, e assim a Loja do sistema solar está por enquanto fechada.

Isto é o que é chamado entre os hindus de fim do manvantara e começo do pralaya.

413. Não se quer dizer que os oficiais que porventura ocupem os cargos que representam os princípios no homem em qualquer Loja determinada sejam necessariamente capazes de funcionar nos planos aos quais correspondem; mas deve-se entender que não apenas os espíritos da natureza, mas também as estranhas criaturas semiconscientes que chamamos de elementais, existentes no arco descendente da evolução em cada um desses níveis, responderão e respondem à invocação que é empregada nesta fórmula de abertura estreitamente condensada.

A enumeração dos oficiais em resposta às primeiras perguntas do V.M. é, por natureza, um chamado à atenção — um chamado que reverbera através desses diferentes reinos da natureza — e permite que devas, espíritos da natureza e elementais saibam que uma oportunidade está prestes a lhes ser oferecida.

Pois, lembre-se, é assim que essas criaturas em todos os níveis encaram tal chamado.

É um dos principais métodos de sua evolução serem utilizados em trabalhos como este, e por isso eles se regozijam grandemente em responder.

414. Essa enumeração geral pelos Vigilantes é rapidamente seguida pelas perguntas específicas dirigidas a cada um dos oficiais; e destas, a primeira indagação sobre sua situação na Loja põe a maquinaria em movimento, atua como um chamado a um deva do tipo particular requerido, que imediatamente se apresenta e atua como capitão dos espíritos da natureza e elementais que em seguida se reúnem ao redor.

A segunda pergunta e resposta em cada caso, quanto ao dever especial dos oficiais em questão, traz para perto dele esses seus subordinados, e ele os influencia a se organizarem conforme o necessário.

Por exemplo, quando o D.J. é mencionado, uma vibração se propaga através dos níveis astrais, e quando lhe perguntam qual é sua situação na Loja, um deva, tendo como seu veículo mais inferior um corpo de matéria astral (o que é chamado no budismo de *kamadeva*), imediatamente se adianta e assume sua posição acima da cabeça do D.J. Ao mesmo tempo, a atenção de vários espíritos da natureza que vestem corpos de matéria astral é despertada, e também uma grande massa da essência elemental pertencente ao terceiro dos grandes reinos elementais é despertada para a atividade.

Então, quando a pergunta sobre os deveres é feita, o capitão deva reúne ao seu redor aqueles subordinados astrais e os organiza conforme necessita, e ao mesmo tempo se apodera da massa flutuante de essência elemental e a molda em formas-pensamento tais como ele requer para realizar o trabalho que precisa ser feito.

415. Exatamente da mesma forma, a D.S. é representada por um capitão deva cujo veículo mais inferior é construído com a matéria dos subplanos inferiores do plano mental (um rupadeva), e ele emprega espíritos da natureza e essência elemental em seu próprio nível.

Notar-se-á que, em cada caso, não apenas a situação e o dever reais do oficial são definidos, mas também sua relação com outros oficiais, sua parte no trabalho como um todo.

Os capitães devas correspondentes aos três principais oficiais são todos o que no Oriente se chama arupadevas, e possuem a consciência e manejam as forças dos planos que respectivamente representam.

Não nos é fácil compreender o funcionamento das forças em tais níveis, pois elas atuam sobre os princípios correspondentes no homem, e esses princípios ainda estão apenas ligeiramente desenvolvidos na maioria dos seres humanos.

416. Quando, portanto, a última da lista de perguntas e respostas tiver sido trocada, toda a Loja pulsa com vida elemental, toda ela preenchida com o mais intenso anseio de se lançar sobre o trabalho em questão, seja ele qual for. Os elementais e espíritos da natureza dos diferentes níveis variam muito em desenvolvimento e inteligência, alguns sendo plenamente definidos e extremamente ativos, enquanto outros são comparativamente vagos e nublados.

Mas uma aparência bastante impressionante é apresentada pela Loja quando esses vários grupos de seres se reúnem, cada grupo mostrando sua cor distintiva e flutuando sobre a cabeça do oficial que é seu representante no plano físico — tudo isso ocorrendo enquanto a Loja ainda está em semiescuridão, iluminada apenas pelas três velas e pelo fogo sagrado.

É a essa condição que o V.M.S. se refere (saiba ele ou não) quando diz: "Nossa Loja estando assim devidamente formada."

417. No caso dos oficiais inferiores, pelo menos, requer apenas um ligeiro desenvolvimento de clarividência para ver essas criaturas flutuando em seus lugares designados, cada grupo formando uma espécie de esfera ou nuvem luminosa.

(Veja a Estampa X.) Esta nuvem é violeta-acinzentada no caso do I.G., carmesim para o J.D. e amarela para o S.D. Não é tão fácil definir os matizes dos três principais oficiais, pois cada um deles parece carregar algo de todas as cores possíveis; mas talvez se possa dizer que um matiz dourado predomina na esfera do W.J.W., e um azul elétrico intenso na do W.S.W. O globo de luz do R.W.M. é o mais brilhante de todos, resplandecendo igualmente com rosa, ouro, azul e verde, cada um dos quais irrompe em proeminência em certos pontos da cerimônia.

É através desses representantes devas dos vários oficiais que a construção da forma-pensamento e a efusão da força são realmente realizadas; mas no plano físico, o oficial da Loja também deve participar do trabalho na medida de seu poder.

Se ele se eleva até seu representante deva e permite que a força flua livremente através dele, mesclando sua vontade com ela enquanto flui, seus princípios superiores tornar-se-ão um com esse deva; e ele não apenas será um excelente canal para a força divina, mas também será grandemente auxiliado e fortalecido na realização do trabalho.

418. A ABERTURA

419. O representante deva do R.W.M. é um Anjo de sétimo raio altamente desenvolvido e muito capaz, e no momento em que chega com sua coorte de anjos assistentes e elementais, assume total controle de todo o procedimento.

Os capitães de todos os outros pequenos grupos se colocam em posição de sentido, e tudo é imediatamente preparado para o momento supremo da abertura da Loja.

O R.W.M., tendo declarado que sua Loja está devidamente formada e que ele ali se encontra como sua cabeça e representante, volta-se para expressar sua gratidão ao T.G.A.O.T.U. por isso, e então oferece um sincero desejo de que o trabalho da noite, tendo assim começado em ordem, possa ser continuado em harmonia e encerrado em paz.

A isso toda a sua Loja responde com uma vibrante resposta, como o brado de um exército: "So mote it be." "Mote" é uma antiga forma anglo-saxônica de "may" (que assim seja), e esta expressão é o "Amém" maçônico. Mas assim como "Amém" é frequentemente interpretado como "que assim seja", também esta esplêndida expressão maçônica é muitas vezes degradada ao nível de mero assentimento ou piedoso desejo.

E novamente, assim como "Amém" não é um desejo, mas uma afirmação — o mais sagrado juramento do antigo Egito, que ninguém jamais ousaria quebrar — "Por Amém, assim será" — assim também esta exclamação maçônica deve ser tomada como a mais forte afirmação — "assim será". Não: "Oramos ou esperamos que assim seja", mas "Nós o faremos assim". Isso é demonstrado pelo enérgico estender da mão direita na altura do ombro, sendo este um sinal bem conhecido de poder e comando.

420. Imediatamente após isso, o R.W.M., agindo em nome do T.G.A.O.T.U., declara a Loja devidamente aberta, e todas as luzes são totalmente acesas. Não é apenas a luz física que irrompe neste momento, pois enquanto o R.W.M. profere as palavras de abertura, seu representante deva também ergue seu cajado, e todos os sete grupos de espíritos auxiliares, que até agora eram vistos mesmo pela visão clarividente apenas como nuvens luminosas, irrompem em todo o seu esplendor e sua beleza natural de cor.

Imediatamente também, cada grupo é conectado por uma linha de luz viva ao oficial físico sobre o qual paira, e através dessa linha sua força é derramada sobre ele sempre que ele é chamado a participar da cerimônia.

O representante deva geralmente permanece flutuando acima da posição habitual do oficial, mas à medida que este se move pela Loja no curso de seu trabalho, a linha de luz nunca o abandona por um momento, embora se torne mais vívida durante sua atividade.

421. Pouco antes de a Loja ser aberta, o I.P.M. é escoltado pelos dois D.s com varinhas cruzadas até o altar, onde se ajoelha e aguarda o momento exato da abertura.

Enquanto o R.W.M. profere a palavra "abrir", o I.P.M. abre o V.S.L. e dispõe sobre suas páginas o esquadro e o compasso, exibindo assim, simultaneamente com a iluminação física, o que consideramos as três grandes luzes emblemáticas da Maçonaria.

É o I.P.M. quem assim traz a luz simbólica à Loja, assim como foi ele quem deu a luz física do fogo sagrado ao S.D., porque ele representa o Vigia Silencioso, a influência que zela para que tudo seja feito corretamente e permanece sempre pronto a suprir tudo o que for necessário.

Ele alcançou a Luz em seu sentido mais pleno; ele concluiu seu trabalho e está, portanto, em posição de ajudar os outros.

Deve-se notar especialmente que ele deve abrir o volume sagrado ao acaso, não procurando por nenhuma passagem particular; é o livro inteiro que nos é dado para iluminar nossas mentes, não apenas este versículo ou aquele.

Será mais conveniente abri-lo aproximadamente pelo meio.

422. Para mostrar que o volume sagrado está sendo aqui usado como símbolo, o I.P.M. recita solenemente a fórmula antiga citada por São João Evangelista no início de seu Evangelho: "No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus." Todos sabemos que o grego traduzido neste texto como "verbo" é no original "Logos"; e assim a abertura do V.S.L. tipifica a manifestação do Logos no início de um sistema solar, enquanto os c � s e os s � mostram ainda que Ele Se manifesta como espírito e matéria; pois não há nada que não seja Deus.

Para indicar que a Segunda Pessoa ou Aspecto do Logos está prestes a descer ao Seu universo, a coluna do W.S.W. é agora erguida, e a do W.J.W. é deitada.

A incubação do Espírito Santo sobre as águas do caos já não é mais a única atividade divina; o alicerce está lançado, e a vida ativa do sistema deve começar.

O quadro de traçar que indica o plano de sua atividade é agora exposto, e a natureza dessa atividade é indicada pelo fato de que a iniciamos com um hino de louvor ao T.G.A.O.T.U., durante o canto do qual os Irms.

devem derramar todo o amor e devoção de que são capazes.

423. Naquelas Lojas que usam um retrato do H.O.A.T.F., é justamente antes do canto desse hino que esse retrato é desvelado, voltando-se todos os Irms.

para ele e saudando-o.

Em resposta instantânea a essa saudação, o grande Adepto projeta uma forma-pensamento que é uma imagem exata de Si mesmo; assim como, em um nível mais elevado, o Senhor Cristo projeta aquela forma-pensamento chamada o Anjo da Presença em cada celebração da Santa Eucaristia.

Tão plenamente essa forma-pensamento é uma parte do H.O.A.T.F. que a Loja se beneficia de Sua presença e de Sua bênção exatamente como se Ele ali estivesse em forma física.

O representante Deva do R.W.M. curva-se profundamente diante do Chefe de seu Raio e deixa a direção dos assuntos em Suas mãos.

Pode-se ver que aqueles de nós que conhecem a existência deste grande Adepto, e o Seu profundo interesse em nosso trabalho, têm uma grande vantagem; mas não se deve esquecer que toda Loja Maçônica regularmente constituída está sob a direção de um Anjo do Sétimo Raio, por pouco que os Irmãos saibam a respeito do assunto.

424. Expliquei como, no momento da abertura da Loja, todos os anjos auxiliares, espíritos da natureza e criaturas elementais, com seus capitães devas, irrompem em brilho e se posicionam ao redor, prontos para avançar ao comando.

Dizer que estão prontos está longe de expressar o fato; eles transbordam de entusiasmo, como cães puxando a coleira.

E agora chega o momento pelo qual esperavam, pois imediatamente após o retorno do I.P.M. ao seu assento e a exibição da prancha de traçar pelo S.D., vem o hino de abertura, com a primeira nota do qual as entidades superfísicas irrompem em atividade tumultuosa, porém ordenada.

O hino em si, ou melhor, a devoção e o entusiasmo com que o cantamos, fornece-lhes o material para sua construção, e imediatamente todos se põem a trabalhar na sua ereção, cada um no seu próprio nível, e com os materiais pertencentes a esse nível, com os quais os Irmãos os suprem.

425. Na procissão de abertura, o Venerável Mestre e seus oficiais já construíram a parte inferior da cella, ou câmara interior do templo, fechando todo o pavimento de mosaico e carregando-o fortemente com magnetismo.

Essas criaturas lançam-se sobre isso antes de tudo e rapidamente tornam suas paredes mais espessas e mais altas, enquanto as maiores reforçam seu magnetismo enchendo-o com o esplêndido poder de seus respectivos níveis.

Novamente com rapidez fulminante estendem um teto sobre toda a Loja, e desse teto, começando pelas bordas, logo dentro das paredes da Loja física, fazem descer colunas de sustentação de cima para baixo, como as raízes de uma figueira-baniana, uma delas envolvendo cada um dos Irmãos não oficiais.

Ver-se-á, assim, que nossa forma-pensamento é quase uma reprodução de um templo grego — as fileiras de colunas que sustentam seu teto extremamente pesado ficam do lado de fora da câmara central, que é a única parte do templo totalmente fechada.

A figura anexa pode ajudar a tornar isso claro, e apresentamos ao mesmo tempo na Estampa V um desenho de um templo grego existente, para efeito de comparação.

O simples contorno do templo é sempre concluído durante o canto do hino de abertura, mas em certas circunstâncias, frisos e outras decorações podem ser acrescentados posteriormente, sob a direção do Anjo controlador.

426. Ver-se-á assim por que os Ir. não oficiais que se sentam aos lados da Loja são às vezes chamados de colunas; e alguma luz também é lançada sobre um texto antigo que diz: “Ao que vencer, eu o farei coluna no templo do meu Deus, e ele não sairá mais.” Incidentemente, vemos quão necessário é que os Ir. não coloquem seus corações e almas nas palavras que cantam ou dizem, pois de seus esforços nessa direção depende a quantidade de material fornecido aos nossos colaboradores superfísicos e, consequentemente, a massividade e riqueza da forma-pensamento que eles constroem.

Durante toda a cerimônia que se segue, seja ela qual for, os representantes devas dos três principais oficiais continuam a derramar sua influência benéfica na cella; e embora sua força mais intensa seja reservada para aqueles que entram no pavimento mosaico como candidatos, ela também, de algum modo, se filtra através do teto e desce pelas colunas sobre todos os presentes.

427. OS S. S. DO A. A.

428. No momento de abrir a Loja, o V. M. também dá os S. S. do A. A.

429. Os S. S. na Maçonaria têm um duplo significado e um uso muito definido. Este último baseia-se no fato de serem um método reconhecido de comunicação com certas ordens de espíritos da terra, cuja atenção é atraída por eles, cujo serviço ansioso está imediatamente à disposição daqueles que estão devidamente qualificados para convocá-los, embora não deem atenção a um chamado de alguém que não tenha sido devidamente apresentado a eles por iniciação no grau de A. A.

Seu principal uso na cerimônia é criar uma atmosfera — a atmosfera apropriada ao grau que está sendo trabalhado; e nesse trabalho especial eles se tornam extraordinariamente proficientes, respondendo instantaneamente ao chamado dos S. S. com prontidão e precisão militares, de modo que, mesmo quando a Loja está sendo elevada ou reduzida pelo método curto, eles conseguem produzir as mudanças necessárias tão rapidamente quanto os comandos podem ser emitidos.

430. Essa geração da atmosfera adequada é uma das características especiais mais importantes da Maçonaria, indispensável para um trabalho verdadeiramente eficiente.

Qualquer pessoa que seja minimamente sensível a tais influências pode sentir a mudança que ocorre quando passamos de um grau para outro, mas somente aqueles que abriram a visão da alma podem ver as variações de cor, ou observar os trabalhadores diligentes que tão energicamente as produzem.

Os capitães Devas dos três principais oficiais assumem a responsabilidade por esta importante parte do trabalho — o W.J.W. dos servos do Primeiro Grau, o W.S.W. dos do Segundo, e o R.W.M. dos do Terceiro; mas os espíritos da terra obedecem ao chamado das batidas, aparecendo à primeira rodada e retornando discretamente aos seus habitats normais quando outra bateria anuncia que seu trabalho está concluído.

As batidas do encerramento correspondem ao "Ite, missa est" da Igreja Católica.

Pode-se notar que criaturas semelhantes gostam de anunciar sua presença por meio de batidas em uma sessão espírita.

431. As batidas do Primeiro Grau têm também um significado moral, indicando que o A.A. tem três planos diante de si para conquistar: o corpo físico com seus impulsos vindos do passado, o astral com seus fortes desejos e emoções, e o mental com sua curiosidade e inconstância.

Com cada um desses, todo homem, no curso de sua evolução, tem um trabalho duplo a realizar: primeiro, deve conquistá-lo, governar seus impulsos e trazê-los a um estado de obediência à alma interior; e, segundo, deve desenvolvê-lo como um instrumento positivo, bem treinado e útil para o seu serviço.

432. Supõe-se que o A.A. tenha conquistado o corpo físico antes de entrar na Maçonaria — sem isso, ele não poderia ser bem e dignamente recomendado para admissão — mas ainda precisa desenvolvê-lo; e enquanto faz isso, supõe-se que esteja obtendo controle completo de sua natureza astral; esse é o trabalho especial deste grau no que diz respeito ao autodesenvolvimento, embora, é claro, o Maçom esteja tentando aperfeiçoar-se de todas as maneiras o tempo todo.

As batidas do Segundo Grau indicam que o trabalho físico está completo e que o C.C. ainda tem dois planos a conquistar.

Ele está empenhado em transformar seu corpo astral em um instrumento perfeito para a expressão de emoções elevadas e, ao mesmo tempo, aprendendo a obter controle sobre sua mente.

Nesta fase, um Maçom deve estar fazendo todos os dias alguns avanços no conhecimento maçônico, até que, em breve, a mente não seja mais inconstante e volúvel, mas controlada.

Neste ponto, ele passará ao Terceiro Grau, e então os k � s indicam que ele tem apenas um plano a conquistar, tem apenas que aperfeiçoar a mente como instrumento a serviço do eu superior.

Este trabalho continuará por quantos anos forem necessários antes que ele passe pela Cadeira.

433. Pelo que foi dito acima, ver-se-á que há quatro estágios na Maçonaria de Ofício — três graus e, em seguida, uma conquista adicional quando o M.M. se torna um I.M. Há uma semelhança entre esses estágios e aqueles que foram prescritos na Igreja Cristã, embora um esteja em um nível muito mais elevado do que o outro.

Isso é mostrado no diagrama a seguir:

434. Diagrama X

435.

436. Na Igreja, certas pessoas são separadas como sacerdotes — mas elas têm que passar pelos estágios anteriores antes de alcançar essa posição.

Primeiro, o homem deve ser subdiácono; sua função então é preparar-se para a grande operação cirúrgica que ocorre no diaconato, quando ele é definitivamente unido ao Instrutor do Mundo, de uma maneira que foi plenamente explicada em A Ciência dos Sacramentos.

437. No estágio do subdiaconato, que corresponde de certo modo ao A.A., supõe-se que o homem aprenda a controlar-se perfeitamente.

No grau seguinte, durante o tempo do diaconato, ele tem que aprender; ele está se preparando para o trabalho do sacerdócio, assim como o C.F. está se preparando para o trabalho do M.M.

438. Como eu disse ao falar do devido guarda, o poder de bênção do A.A. está contido no livro do qual ele aprende.

Ele pode usar apenas as palavras do livro e não deve ir além delas.

Ele ainda não é, ele mesmo, um canal direto para o poder divino, então ele coloca o livro entre as mãos.

Mas o C.F. coloca uma m � s sobre o b � e eleva a outra na f � de um s � Ele corresponde ao diácono, porque é um canal ligado ao Cristo, mas somente aquilo que desce e flui através dele pode ele dar.

Ele ainda não está, ele mesmo, preenchido de graça e poder, mas é capaz de atuar como um canal.

Sua posição da m � e � dessa maneira corresponde, embora em um estágio inferior, à do bispo segurando seu báculo na mão esquerda.

Ele está atraindo o poder divino através daquele cajado altamente magnetizado, enquanto o derrama sobre o povo com a outra mão.

É o mesmo gesto, embora, é claro, no caso do bispo seja muito mais altamente especializado.

439. Então o M.M. coloca ambas as suas mãos sobre o peito. Supõe-se que, ao atingir esse alto grau, ele esteja em uma posição de poder, preenchido com a energia que foi derramada sobre ele na morte simbólica e no renascimento.

Portanto, ele pode transmitir essa energia; ele pode dar uma bênção a outras pessoas assim como um sacerdote faz, e assim como o sacerdote tem autoridade para administrar certos sacramentos, o M.M. está qualificado para aceitar cargo na Loja.

440. Ainda assim, nem o M.M. nem o sacerdote podem transmitir seu poder ou autoridade a qualquer outra pessoa.

Somente o bispo tem poder para ordenar sacerdotes ou consagrar outros bispos, e somente o I.M. é capaz de iniciar, passar e elevar Maçons, e de criar outros I.M.s. Tanto o bispo quanto o I.M. têm também o poder de dar uma bênção mais plena do que o sacerdote ou o M.M. podem conceder.

Assim, há uma sucessão de I.M.s na Maçonaria, assim como há uma sucessão de bispos na Igreja.

441. Em A Ciência dos Sacramentos, expliquei algo do significado interno da sucessão apostólica, o método designado pelo Cristo para transmitir os poderes espirituais da Igreja Católica.

Ver-se-á que temos uma sucessão similar na Maçonaria, que remonta aos sacerdotes dos Mistérios do antigo Egito, e além.

442. Há uma analogia adicional entre os graus da Maçonaria e as ordens da Igreja, pois assim como o clero da Igreja está ligado em vários graus de conexão com o Cabeça da Igreja, o Senhor Cristo Ele mesmo, e com o reservatório de poder que Ele separou para a celebração dos sacramentos, assim os iniciados dos vários graus na Maçonaria estão ligados de acordo com sua posição ao H.O.A.T.F., e ao reservatório de poder separado para o trabalho do Ofício.

Todo Maçom tem um certo contato com Ele; mas o primeiro grande elo diretamente com Ele é dado no grau de I.M. (pois é praticamente um grau separado, embora não seja chamado assim), e elos mais próximos ainda são conferidos nos graus superiores do Rito Escocês Antigo e Aceito; de modo que o Maçom sincero se torna um verdadeiro posto avançado de Sua consciência, um canal de Seu poder e um ministro de Sua vontade.

Tais Irmãos.

atuam como Seus representantes em suas Lojas e Capítulos, e têm o direito de dar Sua bênção de acordo com seu grau maçônico.

É motivo de profundo pesar que tão poucos de nossos Irmãos modernos...

percebam ao menos a sacralidade do seu ofício e a pesada responsabilidade que lhes é imposta de usar seu poder sem pensar em si mesmos, a serviço do mundo.

443. Há, contudo, diferenças consideráveis entre os métodos de transmissão nesses dois grandes sistemas sacramentais.

Reconhece-se na teologia católica, e confirma-se pela investigação oculta, que os poderes espirituais conferidos na ordenação são invariavelmente outorgados, desde que o bispo esteja na linha da sucessão apostólica, que tenha a intenção de conferir as Ordens Sagradas e que o recipiente tenha a intenção de recebê-las, e que a imposição das mãos ocorra segundo a tradição antiga.

As crenças particulares do bispo e do candidato não afetam a validade do sacramento em grau algum, nem ele será retido se estiverem fora de comunhão com qualquer ramo particular da Igreja, ou mesmo se forem pessoas de valor moral questionável. (Ver notas à página 25.) O Senhor Cristo, por Seu grande amor pela Sua Igreja, está disposto a ignorar as fraquezas humanas do ministro, para que o Seu rebanho possa ser alimentado.

444. Mas a transmissão de poder na Maçonaria parece não ser de modo algum tão imutavelmente fixada, provavelmente pelo fato de a Maçonaria ser uma Ordem secreta e não estar, portanto, em relação direta com o mundo exterior; todo o esquema de transmissão é muito mais elástico do que o da Igreja.

Embora pareça que a sucessão tanto dos I.M.s quanto dos Soberanos Grandes Inspetores-Gerais tenha sido, em grande medida, transmitida no plano físico, de modo algum é necessário que assim seja transmitida, e os poderes sacramentais podem ser introduzidos ou retidos conforme o H.O.A.T.F. julgar conveniente.

Quando uma reunião clandestina é realizada, ainda que um I.M. devidamente qualificado esteja presente, o reconhecimento interno não é concedido, e os poderes não são transmitidos.

Dois desses casos de retenção do reconhecimento interno estão dentro da minha experiência pessoal.

Na Igreja, um sacerdote pode, em qualquer lugar e por si mesmo, realizar um sacramento, e um bispo também pode transmitir seu poder a seu próprio critério, mas na Maçonaria de Ofício a unidade é a Loja, e a presença de um número de Irm.

é essencial para a validade dos ritos, exceto quando graus são conferidos por comunicação por alguém que tenha a devida autoridade.

Diz-se que "três governam uma Loja, cinco a mantêm, e sete ou mais a tornam perfeita".

445. Ao fazer esta comparação entre os graus maçônicos e as Ordens da Igreja, não estou de modo algum afirmando que os poderes conferidos a muitos nos graus da maçonaria sejam, em qualquer sentido, iguais aos outorgados a poucos candidatos cuidadosamente selecionados e preparados nas Ordens Maiores da Igreja; desejo apenas chamar a atenção para uma série de correspondências curiosas entre os dois sistemas, numerosas e notáveis demais para serem devidas a mera coincidência.

A Maçonaria confere poderes proporcionais aos que pertencem à Igreja, mas apenas em seus graus mais elevados, e a muito poucos.

446. CAPÍTULO VI

447. INICIAÇÃO

448. O CANDIDATO

449. Quando qualquer membro do público em geral deseja tornar-se Maçom, geralmente se dirige a algum amigo que sabe ser membro da Ordem.

Esse amigo provavelmente o apresentará ao Secretário da Loja, que então fornece ao candidato certos documentos.

O candidato descobrirá então que se espera que ele forneça alguns detalhes a respeito de si mesmo — sua idade, sua ocupação na vida, sua razão para desejar ingressar na Ordem, etc.

Além disso, na Co-Maçonaria, o seguinte aviso lhe será entregue:

450. O Candidato deve compreender claramente as obrigações que assume ao ingressar na Ordem.

Estas obrigações são de caráter dos mais sérios e solenes, e espera-se que ele as cumpra com honra.

A. O candidato compromete-se a tentar levar uma vida nobre e reta, e a trabalhar no aperfeiçoamento de seu caráter.

B. Ele se compromete a comparecer às reuniões regulares da Loja, a menos que seja impedido por causa suficientemente grave.

Estas geralmente são realizadas uma ou duas vezes por mês, exceto nas épocas de feriados.

Às vezes, Reuniões Extraordinárias são convocadas para trabalhos especiais, mas a presença nestas não é obrigatória.

O verdadeiro Maçom, no entanto, considera não apenas um dever solene, mas também um grande privilégio comparecer à sua Loja, percebendo que, embora a Loja exista para ajudar seus membros, ela tem uma função muito maior e mais ampla de derramar a influência espiritual da Maçonaria sobre o mundo.

Por sua presença regular às reuniões, ele está definitivamente participando dessa grande obra.

Seu progresso na Ordem dependerá do zelo e da assiduidade que demonstrar nesse serviço.

C. Ele se compromete a permanecer na Ordem e em sua Loja-Mãe por pelo menos três anos.

Após a Iniciação, ele tem permissão de visitar outras Lojas e, depois de ser Mestre Maçom, de ingressar em outras Lojas, se assim o desejar; mas não deve deixar a Loja-Mãe antes do período estipulado.

É à Loja-Mãe que ele deve lealdade e o dever de cooperação leal.

Quando houver mais de uma Loja próxima ao seu local de residência, o Candidato deve pedir a seu apresentador informações sobre o trabalho das diversas Lojas, para que possa ter certeza de ingressar na Loja cujo trabalho e membros sejam provavelmente os mais adequados a ele.

D. O Candidato está obrigado ao verdadeiro sigilo maçônico e à cautela concernentes à Maçonaria e aos assuntos da Ordem, e essa promessa deve ser considerada como vinculante por todo o sempre, mesmo que ele deixe a Ordem.

451. DIVISÕES DA CERIMÔNIA

452. Chegamos agora à consideração da cerimônia pela qual o candidato é admitido à Maçonaria, cerimônia comumente chamada de sua iniciação.

Devemos reconhecer desde o início que essa cerimônia não é mera formalidade; primeiro, porque produz efeitos internos definidos e, segundo, porque contém uma grande quantidade de simbolismo valiosíssimo, cuja compreensão e aplicação serão de grande importância na vida futura do candidato.

453. Como afirmei anteriormente neste livro, um dos principais objetivos da maçonaria é treinar seus membros para o trabalho que devem realizar no mundo e, portanto, cultivar dentro deles as qualidades necessárias para esse trabalho.

Os vários graus na Maçonaria são todas etapas desse treinamento; e em cada etapa, não apenas é dada certa educação definida, mas também são conferidos poderes definidos.

Teme-se que, por ignorância desses fatos, muitos Maçons façam pouco progresso real; pois, a menos que os desenvolvimentos iniciados em cada grau pela cerimônia de admissão sejam devidamente compreendidos e postos em prática pelo candidato, ele não está, em verdadeiro sentido, preparado para passar a um estágio superior ou para aproveitar as oportunidades que esse estágio, por sua vez, lhe apresenta.

454. A cerimônia externa confere certos poderes e abre certas possibilidades; mas cabe ao neófito desenvolvê-los e utilizá-los.

Alguns neófitos aproveitam as indicações que lhes são oferecidas e, assim, progridem; outros compreendem pouco das exigências internas e, portanto, são apenas temporariamente afetados.

A própria palavra iniciação deriva de *initium*, um começo; e é precisamente isso que ela pretende ser — o começo de uma vida nova e superior.

Mas não basta começar; é preciso também continuar.

455. No ensinamento budista, diz-se que em cada um dos grandes passos que são as verdadeiras Iniciações há quatro estágios:

(1) O Caminho, no qual o neófito está dominando as lições de seu novo passo, desfazendo-se (como eles dizem) dos grilhões que anteriormente o prendiam, encontrando-se em seu novo nível e aprendendo a usar os poderes que lhe foram conferidos.

(2) O Fruto, quando ele percebe que os resultados de sua ação nesse sentido se manifestam cada vez mais.

(3) A Consumação — o período em que, tendo os resultados culminado, ele é capaz de cumprir satisfatoriamente o trabalho pertencente ao passo, sobre o qual agora se firma com segurança.

(4) A Prontidão, significando o momento em que se vê que ele está em condições adequadas para receber a próxima Iniciação.

456. Vemos, portanto, que a iniciação envolve algo mais do que a mera cerimônia exterior — mais até do que a elevação da natureza interior que acompanha essa cerimônia; tudo isso é apenas o portal na entrada de um caminho pelo qual podemos prosseguir tão rápida ou tão lentamente quanto quisermos.

457. Ao considerar essa cerimônia de iniciação ao estágio de A.A., será útil encará-la sob três aspectos ou pontos de vista:

(1) Como uma cerimônia impressionante de admissão.

(2) Como uma preparação para a vida que o homem deve levar e uma indicação do trabalho que ele deve realizar enquanto estiver no grau ao qual ela o admite.

(3) Como apresentando, de forma simbólica poderosa e eficaz, o ensinamento que é um dos propósitos deste grau imprimir-lhe.

Quando examinamos a cerimônia em detalhe, creio que descobriremos que cada incidente nela se enquadra em uma ou outra dessas três categorias.

458. Pensando no ritual do ponto de vista de uma cerimônia de admissão na Ordem, ele parece naturalmente dividir-se em três partes.

O ponto central da cerimônia, o clímax de nosso esforço, é a admissão definitiva na Ordem — o ponto em que um determinado centro ou chakra é aberto, uma determinada potencialidade de poder é concedida.

Tudo o que precede esse ponto na cerimônia é de natureza preparatória para ele; tudo o que o segue é de natureza explicativa do que foi feito, ou exortativa quanto à melhor maneira de desenvolver e usar o poder.

Durante toda a cerimônia, tudo é arranjado para que o candidato possa receber o maior benefício possível das forças que estão sendo derramadas; e esse é o principal objetivo da preparação bastante curiosa sobre a qual a Maçonaria sempre insistiu, mesmo antes de o candidato ser admitido a entrar na Loja.

459. PREPARAÇÃO DO CANDIDATO

460. Antes de sua admissão, ele é despojado de todos os m � s e v � s, é h � d, e tem seu r � a �, l � b � e l � k � b �, e seu r � h � s � d. Todos os corpos maçônicos concordam em considerar a continuidade dessa forma convencional de preparação como uma questão da maior importância, e dão como razão para isso a prática dos tempos antigos.

Era uma regra entre os judeus, diz um tratado relacionado ao Talmude, que "nenhum homem entrará no Templo com seu cajado, nem com sandálias nos pés, nem com sua vestimenta exterior, nem com dinheiro amarrado em sua bolsa".

461. O caráter muito específico da preparação, que é diferente em cada grau, aponta, no entanto, não para uma regra geral desse tipo, mas para o conhecimento real da fisiologia oculta do processo de iniciação por parte daqueles que originaram o método que foi tão fielmente preservado.

Certas forças são enviadas através do corpo do candidato de maneira definida durante a cerimônia, e especialmente no momento em que ele é criado, recebido e constituído um E.A.F.

462. Certas partes da Loja foram muito fortemente carregadas com força magnética, especialmente para que o candidato possa absorver o máximo possível dessa força.

Lembrar-se-á que, no processo de incensar a Loja, uma estrutura em forma de colmeia foi erguida diante do pedestal de cada um dos principais oficiais; e a cella, ou espaço central fechado, fundada sobre o pavimento de mosaico e incluindo o altar, é a mais altamente magnetizada de todas.

O primeiro objetivo desse curioso método de preparação é expor a essa influência as várias partes do corpo que são especialmente utilizadas na cerimônia.

Assim, o r � a � é feito b � porque o candidato deve usá-lo, assim que for ensinado a estendê-lo no sinal de poder que acompanha a asseveração: "S � m � i � b �". Diz-se também que é um sinal de sinceridade, para mostrar que o candidato não traz nenhuma arma consigo.

463. O l � b � é feito b � porque sobre ele é recebido o toque da ponta do s � ao entrar na Loja.

O Ofício Masculino acrescenta como outra razão que assim se asseguram de que seu candidato não é uma mulher disfarçada.

O l � k � é aquilo sobre o qual ele se ajoelha quando é recebido, por isso também é feito b �, e o r �, h � é s � d porque deve tocar o chão quando ele segura o r � k � na forma de um s �. O 1 � k � e o r � h � são seus apoios ou pontos de contato com o chão no momento de sua admissão.

Outra razão às vezes dada para o r � h � ser s � d é que isso está de acordo com o antigo costume judaico quando um homem assumia uma obrigação ou fazia um acordo. (Ver Rute, iv, 7, 8.)

464. No antigo Egito havia ainda outra razão para esses preparativos, pois uma fraca corrente de eletricidade física era enviada através do candidato por meio de uma vara ou espada com a qual ele era tocado em certos pontos.

Não é prático aqui dizer mais sobre esta parte da cerimônia, exceto que ela está relacionada com a estimulação de uma corrente etérica na coluna vertebral que é conhecida pelos ocultistas hindus sob o nome de ida nadi; será descrita mais plenamente ao explicar a cerimônia de elevação.

465. É em parte pela mesma razão que nesta primeira iniciação o candidato é privado de todos os m � s, pois eles podem facilmente interferir no fluxo das correntes.

Grande importância sempre foi atribuída a esta parte da preparação, e a mais estrita adesão à regra é necessária.

A vigilância dos oficiais Co-Maçônicos a este respeito deveria ser ainda maior do que a necessária no Ofício Masculino, porque nas complexidades do traje de uma senhora é mais facilmente possível negligenciar alguma violação do regulamento.

A maioria dos tipos de grampos de cabelo deve, naturalmente, ser rigorosamente excluída; a mesma cautela se aplica a colchetes e olhais e a muitos tipos de botões e ligas.

Nossos Ir. indianos

precisam ter cuidado com relação ao bordado em dhotis e saris.

Às vezes encontramos objeções sentimentais por parte das senhoras à remoção da aliança de casamento, e penso que dificuldades semelhantes às vezes existem na Índia com relação a braceletes e outros ornamentos.

466. Orientação sobre este ponto foi solicitada ao H.O.A.T.F., e ele afirmou de forma muito categórica que a modificação dessa regra não deveria ser permitida, embora também tenha dito que, em vários casos no passado, quando um oficial ignorava a rigidez da regra, Ele próprio realizara um ato de cura que validava a iniciação.

Caso contrário, Ele exige seu cumprimento estrito e dá a entender que aqueles que se sentirem incapazes de atender a esse requisito não deveriam ingressar na Ordem Co-Maçônica.

Tivemos um caso em que um homem inadvertidamente passou pela cerimônia com um amuleto ou medalha de ouro costurado no forro de uma de suas vestes.

Isso não foi lembrado até a conclusão da cerimônia, que, naturalmente, teve de ser repetida desde o início.

467. Houve outro caso em que, por meio de um subterfúgio indigno, uma candidata conseguiu reter uma aliança de casamento até a conclusão da cerimônia e, quando isso foi descoberto, recusou-se terminantemente a removê-la para que a iniciação pudesse ser repetida.

Surgiu então a questão sobre o status dessa candidata, que irregularmente recebera certos segredos.

A decisão do H.O.A.T.F. foi clara e intransigente: apesar da cerimônia de iniciação, ela não era Maçom e não poderia, de forma alguma, ser reconhecida como tal.

Houve casos em minha Loja-Mãe em que se considerou necessário limar um anel muito apertado; mas isso pode ser facilmente feito por um operador habilidoso, que também é capaz de restaurar o anel perfeitamente à sua aparência anterior.

Obviamente, também se deve ter cuidado com óculos e lunetas.

Somos informados de que ouro e prata nos dentes não são objetáveis, pois são parte permanente da pessoa.

468. Outra sugestão que foi feita quanto ao significado dessa proibição rigorosa é que o uso de metais tornaria o candidato cerimonialmente impuro; portanto, sua iniciação seria nula e sem efeito, sendo necessário remover o metal e repetir a cerimônia.

Alguns escritores supuseram que esse sentimento de que os metais são, até certo ponto, impuros provavelmente data do fim da Idade da Pedra.

A mesma ideia de conservadorismo ditava que apenas uma faca de pedra poderia ser usada na oferta de sacrifícios ou no rito da circuncisão.

469. Esta parte da preparação também se refere supostamente ao fato de que, na construção do Templo do Rei Salomão, não se ouviu dentro de seus recintos o som de qualquer machado, martelo ou ferramenta de ferro, pois as pedras eram totalmente preparadas nas pedreiras e assentadas em seus lugares por meio de maços de madeira.

470. Que o candidato entre sem quaisquer m � tais sobre sua pessoa é simbólico do fato de que ele está ingressando numa fraternidade em que dinheiro, títulos e outras distinções do mundo exterior não contam.

471. O rico deixa seu posto e estado
472. Fora da porta do Maçom;
473. O pobre encontra seu verdadeiro respeito
474. Sobre o pavimento quadriculado.

475. O Franco-Maçom é igual a um príncipe, mas irmão de um mendigo, se for digno.

Na Loja, essa fraternidade se vê na total ausência de qualquer favoritismo; todo aquele que se torna M.M. pode, no devido tempo, ascender à posição de Mestre da Loja.

476. Há também um lado pessoal na questão.

Ele deve ser "pobre"; isto é, não deve depender de riquezas e posses externas, pois elas não lhe servirão no progresso da evolução que ele agora empreende.

Pelo contrário, grandes posses podem ser um obstáculo para ele, a menos que seja um homem de caráter tão forte que seja inteiramente seu senhor, e possa tomá-las e deixá-las à vontade, e vê-las ir e vir sem euforia ou tristeza.

Estritamente falando, aquele que entra no caminho oculto não possui nada; embora possa ter de lidar com grandes riquezas e vastos interesses, não pode senti-los como suas posses pessoais, a serem mantidas para o deleite ou benefício de seu eu separado.

Ele lida com elas apenas como um mordomo em nome de Deus a serviço do homem.

Nesse sentido, ele deu tudo o que tinha aos pobres e, assim, ao mesmo tempo, tornou-se ele próprio um dos pobres.

477. O candidato é vendado pela razão óbvia de que não deve ver a Loja nem qualquer de suas decorações ou arranjos até que tenha feito o solene J. de não revelá-los, por nenhum motivo, a qualquer pessoa de fora.

Até que o J. seja feito, o candidato está livre para se retirar.

Houve casos em que o candidato objetou à forma do J. que lhe foi oferecido e recusou-se a prosseguir.

Em tais raras instâncias, ele pode ser honrosamente autorizado a se retirar, e será conduzido para fora da Loja ainda vendado, para que não possa surgir qualquer questão de ele divulgar algo que deva permanecer secreto.

Assim que esse solene O. tiver sido feito, o primeiro passo é remover o lenço de seus olhos.

Se em qualquer momento posterior o candidato desejar se retirar, ele está, naturalmente, ainda assim, obrigado pelo juramento de sigilo que fez.

478. O h � g tipifica o estado de escuridão mental do candidato.

O homem comum pensa que vê e sabe, mas o candidato deve agora perceber que não é assim. Ele começa a compreender as palavras de um antigo sábio, que disse que quando é dia para os homens comuns, é noite para os sábios, mas quando é noite para os homens comuns, é dia para os sábios.

O que parece aos homens no mundo como luz e conhecimento, ele vê como ignorância e escuridão; e onde tudo é escuro para eles, ele vê.

Parece triste que tão pouco do verdadeiro conhecimento vital para o bem-estar e o progresso da alma humana seja ensinado em nossas escolas nos dias de hoje.

Muito tempo e energia são gastos tentando fazer de um menino um bom erudito clássico ou matemático; muito menos atenção parece ser dedicada a torná-lo um homem de vida nobre, um cidadão honrado, altruísta, leal e íntegro.

Portanto, sobre muitos dos pontos mais importantes da vida, somos verdadeiramente deixados a caminhar na escuridão; e é precisamente desse tipo particular de escuridão que a Maçonaria liberta seus candidatos.

Portanto, eles reconhecem simbolicamente a existência da escuridão e estão dispostos a avançar através dela em busca da Luz.

479. Além disso, como é dito na Carga Mística, ela também simboliza a inconsciência vazia que se segue à passagem pelo portal da morte, antes que a parte mais sutil do corpo físico tenha se desprendido.

480. O candidato usa um c � t � ao redor do pescoço, com a ponta solta pendendo à frente, e ele é admitido na Loja sobre a p � de uma s � nua pressionada contra seu b � esquerdo. Essas duas coisas tipificam o fato de que na vida os homens têm responsabilidades e limitações, ambas as quais devem ser levadas em consideração por todo homem sábio; não pode haver retorno da primeira, nem avanço impetuoso sem considerar a segunda.

Aqui, novamente, temos um símbolo das duas grandes leis do dharma e do karma.

Através do dharma — o uso dos poderes que temos, nos deveres da vida que esses poderes nos tornam aptos a realizar — há crescimento ou evolução a partir de dentro.

Através do carma – o ambiente externo que nos chega como resultado das ações que praticamos em vidas passadas – surgem oportunidades de progresso e, às vezes, obstáculos, que, no entanto, quando enfrentados corretamente, aumentam nossa força interior.

Como Emerson disse, o homem aprende neste mundo por meio da tutoria e da intuição – tanto externa quanto internamente ele está sendo ensinado.

No caminho oculto é ainda mais importante que o aspirante prossiga sem impetuosidade ou relutância, sem precipitação ou medo.

Assim como aquele que deseja caminhar sobre uma linha não deve ir nem devagar demais nem rápido demais, assim o candidato deve prosseguir no caminho que é estreito como o fio de uma navalha.

"Festina lente" – apressa-te lentamente – poderia muito bem ser tomado como seu lema.

481. Deve-se notar que o simbolismo do c � t � exige que quem conduz o candidato nestes estágios iniciais da cerimônia deve, em todos os casos, guiá-lo por ele, bem como segurá-lo pela mão ou pelo cotovelo.

Ele também, assim como o h � k, tem sido descrito como simbólico da escravidão da ignorância sob a qual o candidato permanece até que a luz da Maçonaria brilhe sobre ele.

482. Este emblema do c � t � também tem sido considerado como tipificando o cordão umbilical psíquico – o fio de matéria que liga o duplo etérico ao corpo físico denso quando o primeiro é temporariamente parcialmente retirado do último – o "cordão de prata" mencionado em uma conhecida passagem bíblica como sendo definitivamente solto na morte. (Eclesiastes, xii, 6.) O Ir. Wilmshurst nos diz que "prata é o termo esotérico técnico para substância psíquica, assim como ouro é para a espiritual, e ferro ou latão para a física". (The Masonic Initiation, p. 85.) Ele sugere também que o c � t � tem a intenção de nos insinuar que todas as verdadeiras e superiores Iniciações ocorrem fora do corpo físico.

483. A PREPARAÇÃO INTERIOR

484. Mas pouco é dito no ritual sobre o outro aspecto, e ainda mais importante, da preparação necessária de um candidato à iniciação na Maçonaria — a parte interior e espiritual dela. Em uma fase posterior, quando o neófito está prestes a passar para um grau mais elevado, é-lhe perguntado: “Onde foste primeiro preparado para ser feito Maçom?” e a bela e sugestiva resposta que é posta em sua boca é: “No meu coração.” Em um dos rituais masculinos, o Venerável Mestre lembra ao candidato que internamente ele foi preparado para ser feito Maçom em seu coração por ter uma preconcebida boa opinião da Ordem, um desejo de ser classificado entre seus membros, e um desejo de conhecimento.

Além disso, na primeira palestra, o questionador pergunta: “O que viestes aqui fazer?” e a resposta é: “Aprender a governar e subjugar minhas paixões, e a fazer mais progresso na Maçonaria.”

485. Antes que a porta seja aberta à sua batida, o candidato tem que convencer o Guarda Interno de que ele está devidamente preparado em sua mente e coração, bem como na forma externa.

Ele vem, anuncia ao Cobridor, de sua própria livre vontade e acordo, humildemente solicitando ser admitido aos mistérios e privilégios da antiga Maçonaria, e espera obtê-los pela ajuda de Deus, e a t � de g � r �, sendo livre.

Nenhum homem pode trilhar o caminho oculto por inspiração de outro; ele deve sentir dentro de si o impulso, uma falta de satisfação com as coisas que o mundo da vida comum pode dar, uma fome interior pelas coisas do espírito, que entre os hindus é chamada de *mumukshatva*. É um caminho no qual as coisas externas não estão presentes para apoiar o viajante, que não tem nada além de sua própria força interior para sustentá-lo e impulsioná-lo.

486. Embora seja assim, também é felizmente verdade que quando o homem faz esse esforço por si mesmo, ele encontra uma resposta de dentro, e assim ele é justificado em dizer que espera obter a iniciação pela ajuda de Deus, bem como pela t � de g � r �.

487. Ele solicita humildemente porque está olhando para cima, para a luz; sua atitude é exatamente o oposto da do homem orgulhoso, que está contente em olhar para baixo, desfrutando da comparação de sua própria grandeza com a pequenez de pessoas e coisas inferiores que vêm dentro de sua visão arrogante.

A humildade é a posse do homem de ideais, que nunca está satisfeito consigo mesmo, porque ele considera sempre aquilo que está acima.

É assim a chave para o portal do caminho ascendente.

O homem humilde não pensará que alcança seu triunfo apenas por sua própria proeza orgulhosa, mas, reconhecendo que toda força é a força divina, compreenderá que, como os heróis de outrora, ele apenas emprega os poderes com os quais foi dotado do alto – assim como Arjuna na batalha de Kurukshetra usou as armas celestiais apresentadas a ele por Shiva durante sua peregrinação no Himalaia – assim como Perseu, na terrível aventura que empreendeu contra a Górgona, usou o elmo emprestado por Plutão, o escudo ou espelho de Palas Atena e as asas de Mercúrio – assim como o Rei Arthur recebeu a espada mística Excalibur da Dama do Lago.

E até Cristo disse: "Não faço nada de mim mesmo, mas como meu Pai me ensinou, e aquele que me enviou está comigo."

488. O testemunho de boa reputação, diz-se, já foi ouvido a seu favor na Loja.

Esta frase tem um duplo sentido.

Pode, sem dúvida, ser interpretada como referindo-se ao testemunho a favor do candidato que já foi dado por seu proponente e segundo.

Mas também tem outro significado, mais esotérico, que foi belamente expresso pelo Ir. Wilmshurst em *Iniciação Maçônica*, da seguinte forma:

489. Isso não significa ter boa reputação.

Significa que, ao ser testado pelas autoridades iniciáticas, ele deve ser encontrado espiritualmente responsivo aos ideais almejados e "soar verdadeiro", emitindo um bom som ou relato, como uma moeda que é tocada para determinar sua autenticidade.

Nos maravilhosos rituais egípcios do *Livro dos Mortos*, um dos títulos sempre atribuídos ao Iniciado era "verdadeiro de voz". Isso é o mesmo que nossa referência a possuir a "língua de boa reputação". Não significa que ele fosse incapaz de falsidade e hipocrisia, o que é óbvio, mas que sua própria voz revelava sua espiritualidade inerente, e sua fala refletia e era colorida pela Palavra divina por trás dela. Os centros nervosos vocais e cardíacos – o gutural e o peitoral, como dizemos – estão intimamente relacionados fisiologicamente.

A pureza ou impureza do coração modifica a qualidade tonal e o poder moral da fala de alguém.

A voz do verdadeiro Iniciado ou santo é sempre marcada por um encanto, uma música, uma impressividade e uma sinceridade ausentes em outros homens; pois ele é "verdadeiro de voz"; ele possui a "língua de boa reputação". (Op. cit., p. 31).

490. Todo homem pronuncia seu próprio nome verdadeiro.

Assim como ele tem seu próprio odor material, pelo qual um bloodhound pode rastreá-lo, também tem seu som espiritual; e aqueles que podem ouvir esse som dele nos mundos interiores sabem onde ele se encontra na escada da evolução, e o que ele pode e não pode fazer. O som distintivo que todo homem possui é frequentemente chamado de seu acorde.

Cada um de seus veículos contém vibrações de todos os tipos de diferentes ritmos, e estas se misturam de modo a formar, para cada veículo, um certo som complexo — o som médio de todo o veículo, algo análogo às fotografias compostas que às vezes vemos, nas quais vários rostos são sobrepostos na mesma chapa.

Tais notas compostas são produzidas por cada um dos veículos — etérico, astral e mental — e estas, tomadas em conjunto, compõem o acorde distintivo do homem, pelo qual aqueles que podem ouvi-lo sempre o identificam.

Isso é às vezes chamado de nome oculto da personalidade; o verdadeiro nome, que é ouvido pela primeira vez em sua Iniciação como Adepto, pertence a outros veículos muito mais elevados.

Muita magia antiga extraía seu poder do conhecimento de tais nomes.

Assim, é sua própria batida, seu próprio som, feito com o toque do eu interior, que abre para o homem o caminho para a Verdadeira Loja.

491. A estipulação de que o candidato deve ser um homem livre nos remete, em pensamento, àqueles dias antigos em que a grande maioria dos homens não era livre, em que vastas multidões viviam na condição de servos ou escravos.

Não precisamos pensar nessa grande classe como sendo necessariamente maltratada ou degradada.

Muitos deles eram homens de outras raças, cujo destino fora serem capturados em batalha; consequentemente, muitas vezes eram de nascimento tão bom quanto o de seus captores.

No antigo Egito, pelo menos, esse fato era plenamente reconhecido, e não era de modo algum raro um escravo casar-se com a família de seu senhor, quando, é claro, tornava-se imediatamente um homem livre.

Era, no entanto, a tradição imemorial dos tempos antigos que somente aquele que detinha o status de homem livre pudesse ser admitido em uma Loja Maçônica.

A definição agora dada do homem que é uma pessoa apta e adequada para ser feito Maçom é que ele deve ser justo, íntegro e livre, de idade madura, julgamento sólido e moral estrita; e essa enumeração de qualidades nos dá uma ideia da preparação interior necessária antes da iniciação maçônica.

492. A esta qualificação também há um significado simbólico, pois o homem que aspira à luz já deveria, ao menos, ter começado a libertar-se do domínio das circunstâncias, que tão desesperadamente escravizam o homem comum do mundo.

Ele deveria ao menos ter um vislumbre da verdade de que essas mesmas circunstâncias que tanto o limitam e o oprimem podem ser usadas pela alma forte como degraus para uma vida mais ampla e mais gloriosa.

493. Terminados todos esses preliminares, o V.M. emite a ordem de que o candidato seja admitido no devido curso.

O G.I. o recebe entre as duas p � s e toca seu l � b � com a p �, da p �, perguntando-lhe se sente algo.

Recebendo resposta afirmativa, ele então dá ao candidato a solene advertência de que a lembrança dessa ação deveria sempre operar como um lembrete se ele algum dia estivesse em perigo de esquecer seu O. de guardar os s � s da Maçonaria.

494. Bem dentro da porta da Loja ficam os D.S. e J. com v � s cruzadas, representando assim a porta triangular da antiga Loja egípcia, e também o primeiro dos portais simbólicos pelos quais o candidato tem de passar.

Ao permanecer dentro desse portal, o candidato é instruído a inclinar a cabeça como mais um sinal da humildade que deve marcar o aspirante.

Do ponto de vista emblemático, a Loja tipifica o mundo superior no qual o homem entra quando deixa este plano físico, de modo que este primeiro portal representa o portão da morte, e em relação a isso, a inclinação da cabeça significa aquela submissão à vontade divina com a qual o homem deve adentrar este novo campo de vida, calmo e pronto para receber sem agitação o que quer que venha.

495. O G.I., tendo cumprido seu ofício, nada mais tem a ver com o candidato.

Isso podemos tomar como indicativo do fato de que o homem deve se retirar inteiramente de seu duplo etérico tão logo quanto possível após entrar no portal da morte.

Ele agora é assumido pelo D.J., que significa o corpo astral no qual o recém-falecido tem de viver por um tempo.

496. O candidato agora se ajoelha à esquerda do V.S. enquanto o V.M. invoca a bênção dos Ministros do G.A.D.U. e a do Muito Digno e Venerável Mestre da Sabedoria, que é o C.D.T.M. em todo o mundo.

Mais uma vez, um verdadeiro nome é soado, e o grande Mestre e outros estão prontos para ajudar o candidato a alcançar a sabedoria em si mesmo, a manifestar a beleza da divina humanidade em sua forma e ações exteriores, e a cooperar com a Vontade Suprema na evolução, preservando assim perfeita harmonia entre a vida interior e a forma exterior.

497. Por esta invocação, o V.M. reconhece que nosso templo é apenas uma loja à porta, uma entrada para a alameda de um Templo maior, a Loja oculta da qual o M.O.T.W. tem a seu cargo.

No progresso cíclico da civilização, os sete raios ou tipos de vida assumem preeminência por sua vez.

Durante a Idade Média, a devoção, o sexto tipo, predominava, mas agora o sétimo tipo, que inclui muitas formas de cerimonial, está entrando em vigor, de modo que em toda parte o interesse por ele está em aumento, e o tempo está maduro para uma grande extensão da Maçonaria, e para o funcionamento mais perfeito e a compreensão de seu ritual.

498. Prancha X

499.

500. AS TRÊS JORNADAS SIMBÓLICAS

501. Quando um homem se unia aos Mistérios Menores na Grécia ou no Egito, considerava-se que o primeiro e mais importante ensinamento a ser-lhe dado era a verdade sobre as condições após a morte, pois sentiam que um homem poderia morrer a qualquer momento e, portanto, deveria estar de posse desse conhecimento.

Continuamos essa prática até os dias de hoje, e como parte proeminente desse ensinamento, conduzimos o candidato pelas três jornadas simbólicas.

502. Há três portais, ou portas, pelos quais o candidato deve passar.

Eles são invisíveis aos olhos físicos, mas são, no entanto, perfeitamente reais, porque são feitos pelo pensamento.

O primeiro, como já foi explicado, é um emblema da morte, a passagem do mundo físico para o próximo estágio da vida na parte mais baixa do plano astral.

O candidato entra sem visão nesse mundo, mas sente o toque de um amigo, que segura sua mão ou braço e o guia em sua jornada.

Esse amigo é o D.J. que, como se recordará, representa o princípio astral ou emocional na constituição humana.

O G.I. preside o primeiro portal em nome do V.M., de quem é uma expressão no plano físico.

503. No primeiro circuito da Loja, ou na primeira jornada simbólica, o candidato se vê cercado por ruídos horríveis, incluindo o retinir de correntes e o choque de espadas, que se destinam a lhe informar sobre o clamor e a confusão do sub-plano mais baixo do mundo astral, onde se reúnem após a morte aqueles que estão em escravidão aos prazeres sensuais, ou cheios de medo, ódio, malícia ou vingança.

Em seguida, o V.J.V. explica que essa jornada é uma cópia tênue das provações pelas quais o candidato tinha que passar nos antigos Mistérios, quando era conduzido através de cavernas sombrias, simbolizando o submundo, em meio a sons tumultuosos, na escuridão, cercado por perigos que ele não podia compreender.

Não é provável que a pessoa comum e decente que se apresenta para admissão na fraternidade maçônica tenha, após a morte, qualquer consciência de passar por essa região mais baixa, mas se isso acontecer, ele estará preparado para atravessar a experiência com calma e sem medo.

504. Quando o candidato se aproxima do pedestal do V.J.V., ele chega ao segundo portal, e ali é apresentado aos elementais da terra e da água, que estão relacionados à região pela qual ele acabou de passar simbolicamente, a qual pode ser considerada como consistindo nos sub-planos sólido e líquido do mundo astral.

Primeiro ele se volta para o norte e faz uma oferenda adequada aos elementais da terra, e depois para o sul para fazer sua oferenda aos elementais da água.

Eles não são as mesmas criaturas que estavam envolvidas na construção do templo, mas se colocam claramente sob seu capitão, que por sua vez obedece ao V.J.V. como guardião do segundo portal.

Esses elementais, que são do tipo às vezes chamado de espíritos da natureza, reúnem-se ao redor e reconhecem, de então em diante, o homem que lhes foi apresentado.

Após essa cerimônia, caso o homem se encontre em qualquer tipo de perigo não físico, ou na presença de uma influência maligna, ele pode reunir ao seu redor uma guarda de corpo desses seres, devido à fraternidade com eles que agora foi estabelecida.

505. A Lâmina X é uma tentativa de mostrar a aparência desse portal.

O V.J.V. é visto sentado em seu pedestal, que está como que dentro da espessura da parede do segundo portal.

Sobre sua cabeça flutua a esfera de seu representante Deva, que está cercado por sua banda de assistentes.

À direita do portal, os elementais da terra estão agrupados, e à esquerda, os da água — espíritos travessos, prontos a desempenhar com grande entusiasmo seu papel de resistir à intrusão em seu domínio até que o candidato seja devidamente apresentado a eles e demonstre suas intenções amistosas por meio de uma oferenda formal.

Para fins de clareza, omitimos desta ilustração tudo o que não é necessário ao nosso objetivo; o candidato e o J.D. que o conduz não são mostrados, tampouco os Brn.

nas colunas.

Apenas o W.S.W. aparece ao fundo, visto vagamente através do segundo portal.

O terceiro portal está, naturalmente, próximo ao seu pedestal; mas, como tem exatamente a mesma forma do segundo, embora difira na cor, nenhuma tentativa é feita para representá-lo.

506. É a qualidade do discernimento entre o superior e o inferior, entre o real e o irreal, que permitiu ao candidato atravessar incólume essas regiões do mundo astral.

O J.D., buscando passagem para o seu protegido, diz aos elementais que ele é um filho cego da mortalidade, em busca da imortalidade.

Ao atravessar suas regiões no curso de sua peregrinação aos planos superiores, o candidato está preparado para renunciar a tudo o que lhes pertence — toda aquela matéria que concerne a esses níveis, terra à terra e água à água.

Nesta região, após a morte, devem permanecer todos aqueles que se apegam ao baixo grau de existência emocional que se corporifica nessa ordem de matéria; somente quando se tiverem purificado pelo sofrimento e estiverem prontos a abandonar suas emoções inferiores é que poderão desprender essa matéria de seus corpos astrais e passar às partes mais elevadas do plano astral.

O candidato não permanecerá aqui, pois o discernimento lhe ensinou que há coisas melhores.

Doravante, ele deve ser reconhecido como um dos irmãos da luz e da imortalidade, não em estado de trevas no que concerne a este nível.

507. A segunda jornada simbólica é semelhante à primeira, exceto que o ruído é suave em vez de áspero.

O candidato ainda está no mundo astral, mas na parte mediana dele, que é muito mais sutil e refinada do que aquela por onde passou.

Este é o lugar das emoções humanas comuns; o anterior era antes o da paixão cega.

Os desejos que prendem os homens comuns à matéria dessas regiões medias não são de modo algum repreensíveis, mas, por outro lado, tampouco são edificantes.

Todos os prazeres do corpo que não são grosseiros ou brutos constroem suas moradas aqui, para a permanência das almas dos mortos até que se cansem dessas coisas e estejam prontos para seguir adiante.

Eu relatei essas regiões e as pessoas que nelas vivem em *O Plano Astral* e *O Outro Lado da Morte*, e o Primeiro Tenente Soberano Grande Comandante da Ordem Co-Maçônica, o Mui Ilustre Irmão.

Annie Besant também os abordou extensamente em *A Sabedoria Antiga*.

508. O candidato chega ao terceiro portal, próximo ao pedestal do O.S.S., que é seu guardião.

Ali, voltado para o leste, ele é apresentado aos elementais do ar, que guardam o lado direito do portal, e, voltado para o oeste, aos elementais do fogo, que guardam seu lado esquerdo.

509. O desapego é a qualidade que pode conduzi-lo através dos atrativos desta região, de modo que mais uma vez ele devolve aos elementais o que carrega e que lhes pertence, e segue adiante, amigo deles, a quem estarão sempre prontos a emprestar seus tesouros, pois o reconhecem como um Irmão de Luz que não os reterá para si, mas os usará bem e os devolverá na estação devida.

510. Dessa jornada, é explicado pelo O.S.S. que, nos antigos Mistérios, quando o candidato deixava para trás as cavernas sombrias, ele adentrava uma região tranquila, simbolizando os subplanos superiores do submundo, onde os sons mais ásperos e duros não penetravam, embora ainda houvesse alguma desarmonia entre as almas.

511. Não é inadequado que a vida no plano astral após a morte seja considerada uma jornada, ou uma série de jornadas.

A pessoa "morta" de fato passa por uma série de mudanças bem marcadas, à medida que seu corpo astral se torna cada vez mais purificado pela eliminação de seus graus mais densos de matéria.

Durante a vida, as emoções do homem atuam como ímãs, atraindo para o corpo astral matéria astral grosseira das regiões inferiores, quando foram baixas, e matéria sutil dos níveis superiores, quando foram elevadas.

Após a morte, o homem deve permanecer em cada um desses níveis, por sua vez, até eliminar seu grau de matéria de seu corpo astral.

O Maçom que conhece esse significado das jornadas simbólicas estará preparado, após a morte, para usar sua vontade de modo a vencer suas emoções inferiores, libertar-se rapidamente da matéria mais pesada e avançar com presteza para o mundo celestial.

512. A terceira jornada simbólica é percorrida no silêncio perfeito que tipifica a parte mais elevada do plano astral, bem nas fronteiras do mundo celestial.

Ao final dela, o Venerável Mestre diz ao candidato que o homem morto cuja experiência ele vem repetindo havia, nesse estágio, alcançado o limiar do mundo celestial, onde o silêncio perfeito acalmava os sentidos cansados e a calma paz o envolvia.

O mundo inferior jazia abaixo dele; diante dele, as alegrias do céu; e no espaço intermediário havia silêncio.

Essa foi, e é, sua experiência nos verdadeiros Mistérios; foi simbolizada pelo silêncio absoluto nos mistérios do Egito e da Grécia; na Maçonaria, é mantida em memória no silêncio da terceira jornada simbólica.

513. Neste ponto, as jornadas terminam.

Nenhum outro elemental ou portal é mencionado na cerimônia, embora haja sete ordens no total, e muitos povos antigos as reconheceram em seu culto, curvando-se aos devas do N., S., L. e O., do zênite, do nadir e do centro de tudo.

O candidato não vai além dessa região específica do plano astral nesta ocasião; ele está apenas sendo introduzido a um mundo que terá de visitar muitas vezes antes de poder atravessá-lo prontamente, e viver e trabalhar nele com perfeita facilidade.

Nesse estágio de sua carreira, ele simboliza o pupilo no caminho probatório, e deve praticar as três qualidades de discernimento, ausência de desejo e boa conduta ou autocontrole, que o tornarão livre do plano emocional, assim como foi livre do plano físico antes de entrar na Loja.

Mais informações sobre esses requisitos serão encontradas em *Aos Pés do Mestre*, de J. Krishnamurti, *O Caminho do Discipulado*, do Ir.'. Annie Besant, e em meu próprio livro *Os Mestres e o Caminho*.

514. Três tipos de perigos essas qualidades o ajudarão a superar – perigos do mundo exterior, perigos de sua própria natureza inferior e perigos de dentro de si mesmo, isto é, de suas próprias virtudes, se elas forem desequilibradas.

A espada no peito tipificou o primeiro deles; mais tarde ele encontrará a espada de sua própria natureza inferior em seu lugar, e ainda mais tarde as cruzes que tipificam o triângulo de seu eu superior, cujas próprias virtudes podem ser exageradas para se tornarem sua ruína, a menos que ele esteja sempre vigilante para manter o equilíbrio e a calma, e para trilhar esse Caminho do Meio que o Senhor Buda descreveu como o caminho da segurança.

515. Com o tempo, o candidato, mediante a prática dessas três qualificações, será capaz de percorrer todo o plano à vontade.

Para essa atividade, o discernimento lhe dará o poder mental, a ausência de desejos o poder emocional, e a boa conduta a força de vontade; e na parte mais elevada da região nenhuma cerimônia será jamais necessária para que ele passe sem obstáculos, pois tudo ali responde instantaneamente e obedece à vontade humana iluminada.

Os Irmãos da Luz são facilmente reconhecidos ali.

516. Esta porção do ritual deriva principalmente dos graus simbólicos ou azuis do Rito Escocês Antigo e Aceito, mas não aparece nos trabalhos da Grande Loja da Inglaterra.

No ritual do Rito Escocês trabalhado nas Lojas sob os auspícios do Supremo Conselho da França, existem as três viagens simbólicas, com ruído e choque de espadas na primeira, com um "cliquetis d'armes blanches" na segunda, e perfeito silêncio na terceira, mas não há invocação dos elementais, embora as viagens sejam comparadas às antigas provas por terra, ar, fogo e água.

517. Uma confirmação interessante do uso dessas provas ou viagens é dada nas transações da A.Q.C., em um relato de sua própria iniciação por Robert Guillemand, o homem que matou Lord Nelson em Trafalgar, atirando nele de um navio francês.

Ele foi iniciado durante o cerco de Estrasburgo, e o relato, datado de 1807, diz:

518. Ocorreu, portanto, com todo o esplendor que as circunstâncias permitiam, em uma cabana de cerca de 15 pés de comprimento e 6 de largura, onde não havia espaço para ficar de pé, mas que serviu como Templo, não obstante.

Depois de ter feito minhas viagens, que não foram muito longas, passado pelas provas do fogo e da água, e pelos truques habituais, recebido os sinais, palavras, toques e outras formas, o ajudante, que era nosso orador, dirigiu-me um discurso muito belo, no qual me explicou a sublimidade do caráter que eu acabara de obter, criando-me um filho da Luz.

519. Na Maçonaria masculina na Inglaterra, espadas não são levadas para dentro da Loja, e nos dias em que os cavalheiros costumavam usar espadas, eles as deixavam do lado de fora; mas com os Co-Maçons elas são usadas na Loja como poderosos instrumentos de amor na magia prática do ritual.

520. O

521. O candidato encontra-se agora no canto noroeste, voltado para o leste, e o S.V.S. o apresenta ao V.M.R. como alguém devidamente preparado para ser feito Maçom.

Neste ponto, é-lhe dada a oportunidade de se retirar, se assim o desejar, mas, tendo declarado sua determinação de seguir em frente sem medo ou precipitação, ele é conduzido ao altar, o lugar da Luz, pelos p � s � s. O primeiro p � é dado com o p � e � apontando para a frente, e o p � d � é trazido até ele em ângulo reto, c � a c � - um p � de cerca de n � i � de comprimento.

O 1 � p � é movido primeiro porque está mais próximo do coração, e deve lembrar ao candidato que o amor deve ter a autoridade primária em todas as suas decisões.

O segundo e o terceiro p � são semelhantes, mas de t � e f � i �, respectivamente.

Três p � s devem existir, porque as qualificações são três; a qualidade do amor às vezes é contada como uma quarta, mas, na realidade, deve permear todas elas, e quando é forte, carregará o discípulo para o caminho superior do próximo grau.

522. Há duas razões para o comprimento desses três p � s. Cada um leva o homem mais adiante do que o anterior.

Esse é o caminho da evolução.

Cada passo dado acrescenta força ao homem, de modo que seu próximo passo será mais forte e mais longo.

Sempre algo é ganho, mas nada é perdido, de modo que sua velocidade aumenta nesse caminho por progressão aritmética, e mais tarde ele pode esperar progressão geométrica e até mesmo progressão por quadrados, em seu avanço.

523. Novamente, nove, doze e quinze estão nas proporções três, quatro e cinco, o que nos lembra o teorema de Pitágoras, que é de uso constante para o arquiteto humano, e presumivelmente de alguma forma maior nos planos do G.A. Ele mesmo.

Ao M.P. pertence especialmente o uso dessa grande ferramenta, mas mesmo agora o A.A. deve aprender a reverenciá-la e aspirar a usá-la mais tarde.

524. Enquanto o candidato se a � l � a no a � para prestar seu J., alguns Ir.

dos assentos no oeste da Loja geralmente se levantam e ficam atrás do candidato, formando um quadrado oco que toca os cantos do altar, com seus p � apontando para o candidato, enquanto o Mestre recebe dele seu J. Enquanto permanecem nessa atitude, cada Ir.

deve fixar sua atenção no candidato e deve se esforçar para derramar sobre ele, com toda a sua força, a bênção que, como M.M., está em seu direito e poder conceder.

525. Muitos candidatos se surpreendem com a terrível solenidade do J., que nos chegou desde a Idade Média.

Naqueles tempos, os Maçons ensinavam fatos sobre a vida interior e a natureza do homem, pelos quais a Igreja os teria queimado vivos, e havia, portanto, grande necessidade de sigilo, a ponto de justificar a linguagem forte usada no J., especialmente quando se lembra que, se uma pessoa revelasse qualquer coisa, isso colocaria todos os demais da Loja em perigo de serem assassinados judicialmente.

526.   Terminada a recitação do J., os IIr.

presentes ao redor trazem suas espadas à posição de descanso, isto é, eretas na mão, com o cotovelo em forma de esquadria, e os IIr.

em seus assentos no oriente estendem seus braços direitos horizontalmente em bênção, e espadas e braços são ambos erguidos enquanto todos cantam: "Que o voto seja mantido". Quando essas palavras são proferidas, cada Ir.

deve desejar com toda a sua força que o candidato tenha a força para manter o voto que acaba de fazer.

527.   O V.M. agora cria, recebe e constitui o candidato um A.M.L., com toques de esquadria sobre os seus ombros e mãos, alternadamente.

Embora o V.M. confira o grau, ele está, naturalmente, agindo em nome do S.A.O.T.U., e é um canal para o seu poder.

Obviamente, também, os três toques do esquadria transmitem diferentes aspectos desse poder, correspondendo aos três Aspectos da bendita Trindade: o primeiro transmitindo força ao cérebro, o segundo amor ao coração, e o terceiro capacidade executiva ao braço direito.

O efeito geral dessa descida de força é alargar um tanto o canal de comunicação entre o ego e a personalidade do candidato — outro exemplo da curiosa correspondência entre a admissão a este grau e a ordenação do subdiácono. (Ver *The Science of the Sacraments*, p. 315.)

528.   Agora que o solene J. de sigilo foi tomado, a venda é removida e a bênção da luz é restaurada ao candidato.

Ao comentar sobre isso, o Ir.

J. S. M. Ward diz:

529.   Observe a palavra *restaurada*. O renascimento místico marca o início de nossa jornada em direção à luz, de nossa ascensão para Deus, mas é uma restauração — uma jornada de volta Àquele de quem viemos.

Exatamente o mesmo procedimento é seguido nos ritos iniciáticos dos dervixes turcos.

Entre eles, o incidente é seguido por uma bela exposição do significado místico da Luz.

É a luz divina, emblema do próprio Deus e da inspiração divina.

Ela está presente não apenas nos escritos sagrados, mas no coração de todo verdadeiro crente.

A própria luz do sol é apenas uma tênue similitude da luz divina do amor de Deus, através da qual e na qual temos nosso ser.

530.   OS E �1 I � s

531.   Ao ser restaurado à bênção da luz, o olho do novo A. recai sobre os t � g � e � l � s na Maçonaria.

O mobiliário da Loja reaparece aqui sob este novo nome, mas como já discutimos o assunto no Capítulo III, não precisamos repetir aqui a explicação do simbolismo envolvido.

532.   No ritual co-maçônico, o R.W.M. agora ergue o irmão recém-iniciado e o faz girar, de modo que ele veja pela primeira vez os Irm.

com suas s � s em posição de descanso.

Ele lhe explica que não deve considerar essa exibição marcial como uma ameaça, mas como um símbolo da proteção com a qual a Maçonaria doravante o cerca.

Os Irm.

então retornam aos seus assentos.

533.   O neófito é conduzido ao norte, voltado para o W.J.W., e ali permanece, dentro da cella, sujeito à força especial que atua naquela região, enquanto o R.W.M. se coloca diante dele e o instrui.

Primeiro, o Mestre chama a atenção do candidato para as três grandes colunas sobre as quais uma Loja de Maçonaria simbolicamente se apoia — aquelas do R.W.M. e de seus dois Vigilantes, simbolizando respectivamente sabedoria, força e beleza ou harmonia.

Estas já foram explicadas no Capítulo II. No ritual masculino, essa explicação das três colunas é apresentada de maneira um pouco diferente, pois ali elas são descritas como as três luzes menores, que são explicadas como sendo o sol, a lua e o Mestre da Loja.

Isso conecta a Maçonaria moderna com muito do antigo simbolismo no qual a lua e o sol figuram amplamente.

534.   OS S � E P �

535.   Nessa situação, o R.W.M. também instrui o N. nos s � s deste grau, um s �, um g � e um w �. O s � neste grau é frequentemente suposto estar relacionado ao p � mencionado no O., mas o s � existia muito antes do p �, que foi inventado para se ajustar a ele. Entre os egípcios, o mesmo p � existia, e mesmo antes deles entre os negros nilóticos no Egito, e provavelmente em outros lugares também.

Era de extrema importância para um antigo egípcio que seu corpo fosse lançado às ondas, e que ele não fosse devidamente sepultado com os ritos apropriados, os quais ele acreditava que o libertariam do corpo físico, ao qual, caso contrário, poderia permanecer ligado.

Nas histórias de fantasmas de Homero, na Ilíada e na Odisseia, em quase todos os casos em que fantasmas infelizes retornavam, o faziam porque queriam que seus corpos fossem sepultados com os ritos adequados, a fim de que pudessem ser libertados.

A mesma ideia aparece no pensamento hindu, como, por exemplo, no Garuda Purana, na história do fantasma de Sudeva, que foi libertado pelo Rei Babhruvahana.

Essa negligência cerimonial não teria importância para nós nos tempos modernos, porque não temos essas ideias; mas é um fato literal que, após a morte, o próprio pensamento de um homem poderia mantê-lo ligado dessa maneira até que ele soubesse ou acreditasse que seu corpo havia sido devidamente sepultado.

Portanto, este era um p � muito antigo — Na realidade, o s � refere-se a um certo chakra e seu funcionamento, como já expliquei.

Não é, naturalmente, permitido descrever o g �, mas não será difícil para um Maçom compreender que isso implica a repressão do corpo astral, que é o primeiro dos princípios superfísicos do homem.

536. EXAME E INVESTIDURA

537. O J.D. em seguida leva o N. aos pedestais do W.J.W. e do W.S.W. para exame de seu conhecimento do s � g � e w �, e ele permanece diante de cada um por algum tempo, durante a série de perguntas e respostas, dentro da forma de colmeia que foi descrita no Capítulo IV. Enquanto permanece nesse lugar, a força dos planos internos atua sobre ele com intensidade concentrada e o fortalece nas qualificações que ele deve desenvolver.

538. Por ordem do R.W.M., o W.S.W. agora investe o novo Ir. com o distintivo de um Maçom, o a �, que já foi descrito no Capítulo IV. Tendo assim investido o neófito, o W.S.W. profere uma pequena homilia, na qual se refere à grande antiguidade e dignidade deste símbolo, e o R.W.M. acrescenta a isso uma observação sobre a importância de não entrar na Loja se um Ir. estiver em desavença com outro.

Sobre este ponto, o Ir. J.S.M. Ward faz as seguintes observações muito sugestivas:

539. À primeira vista, isso pode parecer uma recomendação um tanto desnecessária.

Normalmente, cavalheiros bem-educados não costumam iniciar uma disputa indecorosa na Loja, mesmo que estejam em desavença; e se dois homens chegassem a tal ponto de esquecer a decência comum da vida a ponto de fazê-lo, o V.M. tem amplo poder para lidar com a situação.

O verdadeiro significado da injunção é que ela implica que a mera presença de dois irmãos em desacordo perturbará a atmosfera harmoniosa da reunião.

Esta é uma atmosfera puramente espiritual, e a crença de que tal perturbação ocorreria sem qualquer desacordo aberto é correta.

Em suma, tais diferenças perturbam a atmosfera espiritual, impedindo a concentração, e podem ser detectadas por indivíduos sensíveis.

Toda Loja tem uma atmosfera própria, e qualquer homem sensível que a ela venha pode detectá-la. Eu mesmo notei as diferentes atmosferas de várias Lojas, e também variações na da minha própria.

Portanto, não se pode dar demasiada importância a esta regra, e se ela for ignorada, a Loja certamente sofrerá. (The E. A. Handbook, pp. 78, 79.)

540. Após este conselho ter sido dado, o novo A. é dirigido ao seu lugar na parte nordeste da Loja, sendo esse o ponto da bússola onde os egípcios acreditavam que o sol começava sua jornada quando foi criado pela primeira vez.

541. OS INSTRUMENTOS DE TRABALHO

542. A interpretação dada aos instrumentos de trabalho do A. na Maçonaria Simbólica comum é explicada ao novo Ir. pelo V.J. em sua iniciação.

Este oficial o faz porque está encarregado da câmara onde os A.s trabalham.

543. Na Maçonaria Simbólica masculina, a t � r � o � l � h � a é descrita como indicando uma medida de tempo, para lembrá-lo de que as horas de seu dia devem ser gastas não em mera negligência ou egoísmo, mas em parte em meditação e estudo, e em parte em trabalho, refrigério e sono; na Co-Maçonaria acrescentamos "mas tudo a serviço da humanidade". Também é explicado que este símbolo indica que exatidão e precisão são essenciais para a conduta adequada de nossas vidas.

544. Ao A. é ainda ensinado que o m � a � l � h � e � t �e nos lembra que habilidade sem esforço é de pouca valia, e que o trabalho é o destino do homem.

Ele também representa a força da consciência, que deve reprimir todos os pensamentos vãos e inconvenientes, para que nossos sentimentos e ações possam ser puros e imaculados.

Em terceiro lugar, vem o ciclo, que aponta que a educação e a perseverança são necessárias para estabelecer a perfeição, e que o material bruto de nossas naturezas recebe seu polimento e refinamento apenas por meio de esforços repetidos.

545. No antigo Egito, um significado um pouco diferente era dado a essas ferramentas – um pouco mais próximo do original, pois é óbvio que a educação e a consciência não são exatamente ferramentas para um homem usar.

Notar-se-á que todas as três estão especialmente conectadas com a modelagem da pedra.

Assim como o maçom operativo molda a pedra bruta na pedra perfeita, removendo as excrescências, alisando-a e medindo-a, assim também o A.A. na maçonaria especulativa deve treinar a si mesmo perfeitamente em moralidade.

No antigo Egito, o aprendiz permanecia nessa condição geralmente por sete anos, até que satisfizesse aqueles em autoridade de que estava apto a passar para o segundo grau.

Nos dias atuais, as qualificações tornaram-se pouco mais do que a passagem do tempo e a resposta a certas perguntas.

546. No cristianismo primitivo, havia três estágios reconhecidos pelos quais todos que desejassem progredir tinham que passar – purificação, iluminação e perfeição.

São Paulo disse: “Falamos sabedoria entre os que são perfeitos.” Isso é frequentemente mal compreendido.

Obviamente, se as pessoas fossem perfeitas no sentido moderno do termo, não precisariam ser ensinadas de forma alguma.

Essas palavras não são usadas em seu sentido comum; são termos técnicos usados em conexão com os Mistérios, e bem conhecidos por todas as pessoas educadas daquele período como sendo assim usados.

O que São Paulo disse foi: “Ensinamos a gnose, a sabedoria secreta, apenas àqueles que alcançaram o grau de perfeição,” ou, como um maçom diria, o grau de M.M., porque esses três estágios correspondem de maneira geral aos três graus da Maçonaria.

Hoje em dia, a Igreja Cristã parece parar no primeiro estágio – a purificação – e considerar como seu maior trabalho tornar as pessoas santas.

Isso é de fato uma coisa muito elevada e nobre, mas nos dias mais antigos do cristianismo, tornar um homem um santo era apenas um estágio preliminar.

São Clemente de Alexandria, um dos maiores Padres da Igreja, diz: "Pureza — essa é apenas uma virtude negativa, valiosa principalmente como condição de insight." Quando o homem havia se tornado perfeitamente puro e santo em sua vida, ele era elegível para o segundo estágio, o da iluminação, e somente depois de plenamente iluminado poderia passar ao estágio da perfeição, e assim tornar-se um canal para o poder de Deus.

547. INTERPRETAÇÃO EGÍPCIA DAS FERRAMENTAS DE TRABALHO

548. No antigo Egito, o t � f � r i � g �, ou como era então, o t � f � e i � g �, ou côvado sagrado da grande pirâmide, era quase o mesmo que o nosso.

Sua unidade de medida, a polegada, derivava do conhecimento preciso que os egípcios tinham do diâmetro polar da Terra, sendo uma quinhentos milionésima parte dessa divisão a polegada piramidal.

Nossa polegada inglesa atual foi derivada, através da Grécia e de Roma, dessa medida egípcia, mas não é exatamente a mesma unidade que foi usada na construção da grande pirâmide.

Com o passar do tempo, ela foi encurtada um pouco; perdeu cerca de um milésimo de si mesma, de modo que a polegada piramidal equivale a 1,0011 da polegada inglesa.

Foi somente no último século que os homens chegaram a conhecer o comprimento do diâmetro equatorial da Terra, mas o diâmetro polar era conhecido há muito tempo.

549. Muitos países ainda mantêm medidas de comprimento derivadas da polegada piramidal, mas na França foi adotado o sistema decimal.

Lá existe o metro, que foi concebido para ser uma décima milionésima parte de um quadrante da Terra, medido sobre a superfície do polo ao equador.

Mais tarde, descobriu-se que essa medida não era perfeitamente exata, de modo que o metro é agora um comprimento convencional padronizado por uma barra guardada em Paris, assim como um jarda-padrão é guardada em Londres.

550. O conhecimento científico naquela terra antiga era, em alguns aspectos, tão avançado quanto o nosso — na verdade, ainda mais avançado do que o nosso até muito recentemente.

Os Mistérios incluíam uma educação completa e liberal, e ênfase especial parecia ser dada à química, à astronomia e à geodesia.

Nas eras mais remotas, quando a grande pirâmide, a Casa da Luz, foi construída, uma vasta quantidade de informações já estava na posse daqueles que ergueram esse monumento estupendo, e eles projetaram suas proporções de modo a abrigar dentro dela, na forma que esperavam ser indestrutível, grande parte desse conhecimento inestimável.

Por exemplo, o perímetro da base (36.524 polegadas de pirâmide) está para a altura (5.813 polegadas de pirâmide) assim como a circunferência de um círculo está para seu raio, ou seja, matematicamente 2. É interessante também que o circuito da base mede, em polegadas de pirâmide, exatamente o número de dias em cem anos.

O tamanho exato da Terra também está ali indicado, bem como uma série de outros cálculos relacionados ao sistema solar.

Muitos desses foram cuidadosamente elaborados por R. A. Proctor, o astrônomo inglês, e Sir Gaston Maspero, o egiptólogo francês, aos quais fui apresentado por Madame Blavatsky.

Davidson e Aldersmith, em *The Great Pyramid*, apresentam uma grande quantidade de informações sobre esse assunto.

Eles observam:

551. As características externas, dimensões e unidades da Grande Pirâmide, quando estudadas em planta, verificar-se-á que fornecem precisa e exatamente todo valor essencial da órbita da Terra e seus movimentos.

Isso inclui os valores dos anos sideral e solar, a distância média ao Sol, o diâmetro do Sol e os valores máximo e mínimo da excentricidade da órbita da Terra. (Op. cit., p. 95.)

552. A Grande Pirâmide era uma casa de iniciações, e se alguns fanáticos muçulmanos criminosos não tivessem destruído seu revestimento externo, ainda teríamos ali, consagradas em pedra, medições de muitos fenômenos astronômicos mais precisas do que qualquer uma que nos estivesse disponível até o século passado.

Foi somente recentemente que medições confiáveis foram obtidas por astrônomos europeus da distância média da Terra ao Sol.

Quando eu era menino, ensinaram-nos que era de noventa e seis milhões de milhas; depois reduziram para noventa e três milhões; mais tarde, cálculos foram feitos a partir de medições muito cuidadosas da paralaxe solar horizontal equatorial média, tomadas por ocasião dos trânsitos de Vênus em e 1882, e estimaram-na em noventa e dois milhões e meio de milhas.

Lembro-me de que o Sr. Gladstone anunciou isso na Câmara dos Comuns, e despertou grande interesse na época.

Na décima primeira edição da *Encyclopedia Britannica*, é dada como 92.998.000 milhas.

Os antigos egípcios a fizeram de 92.996,08 milhas; quem dirá que eles não possam ter estado mais próximos da verdade do que nós?

553. No antigo Egito, o t � f � i � g � era tomado como o símbolo do instinto.

Estou usando ali uma palavra que geralmente é aplicada apenas aos animais, e não quero que ela seja mal compreendida.

Por instinto entendia-se um sentimento interior — o sentimento instintivo que temos em relação às coisas.

A isso atribuíam grande importância.

Consideravam-no como tendo dois lados — o negativo ou receptivo, que nos dá o sentimento de se uma coisa é boa ou má, ou adequada ou inadequada para nós — e um lado ativo que hoje chamaríamos de gosto; isto é, o saber exatamente o que é a coisa certa a ter e a fazer, e quais coisas combinam entre si, ajustam-se e harmonizam-se.

Em relação aos nossos semelhantes, isso seria tato.

Assim, o significado dessa ideia de instinto era muito mais amplo do que o de hoje.

554. Naqueles dias, as pessoas — pelo menos no Egito, em Creta, na Grécia — viviam muito próximas da natureza, ao sol e ao ar livre, e desfrutavam dessas coisas de uma maneira que hoje vemos apenas talvez entre grandes poetas e artistas.

Estavam mais próximas do coração das coisas e, portanto, seus instintos eram muito mais confiáveis do que os da maioria das pessoas atualmente.

O instinto era, assim, para elas, uma ferramenta definida a ser usada na formação e construção do caráter.

Muito disso se perdeu, pois os modernos têm levado por tanto tempo vidas tão artificiais e geralmente permitiram que sua razão se sobrepusesse ao instinto, mesmo quando essa razão tinha pouco material sobre o qual fundamentar seus juízos.

Eu mesmo tive esses instintos em muitas ocasiões, e creio que a experiência seja bastante comum; às vezes os deixei de lado por não serem motivados pela razão, como muitos homens fazem, mas no fim sempre me arrependi de não lhes ter dado mais atenção.

O instinto não está morto e, quando encorajado, pode ser revivido por muitas pessoas em extensão considerável.

555. Os egípcios tomavam o cinzel para simbolizar o intelecto, que consideravam um instrumento de gume afiado.

Consideravam que o homem que usasse seu intelecto seria capaz de remover as excrescências da superstição das crenças que se lhe apresentassem, até se tornar uma pedra perfeita, quando seu pensamento seria bem definido e verdadeiro.

O malho era considerado a força divina por trás do cinzel, e era interpretado como a vontade.

Isso não deve, naturalmente, ser confundido com o malho do Mestre, com o qual nada tem em comum, do qual difere até mesmo na forma.

A distinção também é esclarecida pelo fato de que essa ferramenta é sempre mencionada como o malho.

556. Em sua obra, *A Magia da Maçonaria*, o Major A. E. Powell fez um estudo interessante das ferramentas de trabalho do primeiro grau, em um capítulo especialmente dedicado a elas.

Ele toma o t � f � i � g � como símbolo da sabedoria do V.M., que deve medir e planejar enquanto governa, o g � como emblema da força do 1º Vig., sendo o instrumento para a transmissão de força, e o c � para a beleza do 2º Vig., sendo a ferramenta usada para moldar o material.

Ele salienta que todo o nosso conhecimento exato ou científico se baseia na medição, simbolizada pelo t � f � i � g �, que todo o nosso trabalho na vida é feito pelo movimento da matéria, efetuado pela nossa energia que lhe aplica golpes, para o qual o g � é o símbolo, e que o c � é típico da concentração do nosso propósito, pois ele fende a matéria.

Assim, ele diz, conhecemos com o t � f � i � g �, sentimos com o c �, e agimos com o g �. Cada uma dessas ferramentas, acrescenta ele, deve ser tomada como típica de uma classe – o t � f � i � g � para todos os instrumentos de medição, o g � para todos os implementos e máquinas de aplicar força, o c � para todas as ferramentas usadas para cortar e penetrar a matéria.

557. CAPÍTULO VII

558. O SEGUNDO GRAU

559. AS PERGUNTAS

560. Já foi traçado um paralelo entre os três graus da Maçonaria Azul e os três estágios de progresso reconhecidos pela igreja cristã primitiva.

Assim como a conquista das paixões e emoções é prescrita para o primeiro grau, correspondendo assim à ideia de purificação, também no segundo grau a ideia de iluminação é posta diante de nós na lembrança de que seu objetivo especial é desenvolver as faculdades intelectuais, artísticas e psíquicas.

Como é declarado em nosso ritual, o candidato a este grau deve primeiro dar prova de sua proficiência no Primeiro Grau.

Mencionei em um capítulo anterior que, nos tempos antigos, o E.A. permanecia nesse estágio por um período de sete anos; e, de fato, em alguns casos o período era ainda mais longo, pois o candidato era cuidadosamente observado na conduta de sua vida diária por seus superiores, e somente quando estavam plenamente satisfeitos de que ele havia desenvolvido razoavelmente as qualidades necessárias dentro de si é que lhe era permitido prosseguir. Nos dias atuais, parece não haver limite de tempo estabelecido, embora na constituição da Co-Maçonaria se entenda que ele deve ter comparecido a um número definido de reuniões da Loja e também a uma classe especial realizada em intervalos regulares para a instrução dos E.A.s. Espera-se também que ele seja capaz de repetir de cor o O. do Primeiro Grau e de responder em Loja aberta a algumas perguntas prescritas.

561. À primeira dessas já nos referimos; é de importância porque estabelece a nota fundamental de todo o conjunto, pois quando o candidato é perguntado onde foi primeiramente preparado para ser feito Maçom, ele é instruído a responder: "Em meu coração", mostrando assim que a preparação interior é considerada de importância ainda maior do que a exterior.

Ele deve então descrever a preparação no plano físico e explicar que foi iniciado no corpo de uma Loja justa, perfeita e regular. (Ver p. 88.)

562. Vem então a ideia expressa de modo peculiar de que o sol está sempre em seu meridiano com respeito à Maçonaria, o que pode ser interpretado como o Logos derramando sempre Seu pleno poder através de cada Loja Maçônica, onde quer que ela esteja situada.

Parece ter havido um estágio na história maçônica em que era costume dividir a Loja em três, ou realizá-la em três salas, sendo a mais externa a dos E.A.s, com o V.J.W. na cadeira, enquanto na segunda sala o V.S.W. presidia sobre os F.C.s, e somente na terceira sala o V.M. se sentava encarregado dos M.M.s. Isso foi dado como razão pela qual o D.S., tendo transmitido as ordens do V.M. ao V.S.W., deve aguardar o retorno do D.J. da sala externa.

De acordo com essa teoria, como o V.J.W. preside sobre a Loja dos E.A.s, e como ele representa o sol em seu meridiano, é apropriado que a cerimônia de iniciação seja dita figurativamente como ocorrendo ao meio-dia.

563. Vem então a curiosa descrição que a Maçonaria faz de si mesma como "um sistema peculiar de moralidade, velado em alegoria e ilustrado por símbolos". Essa resposta sempre me pareceu um tanto enganosa.

Não é a moralidade maçônica que é peculiar, pois essa é a mesma que é proclamada por todas as religiões do mundo; o que talvez seja justamente reivindicado pela Maçonaria é que sua exposição do sistema é peculiarmente feliz, e que o método de sua ilustração é único e vigoroso.

A Maçonaria é certamente uma das sociedades secretas mais interessantes e influentes do mundo, contando em suas fileiras cerca de cinco milhões de homens comprometidos a observar os laços de fraternidade; e em suas maravilhosas procissões cerimoniais — nos rituais de seus muitos graus, ordens, cavalarias e ritos — estão consagrados esplêndidos ideais e profundo ensinamento espiritual do mais absorvente interesse para o estudante do lado oculto da vida.

564. Embora hoje os maçons não chamem sua Arte de religião, ela tem, no entanto, uma origem religiosa, como já vimos, e realiza trabalho religioso ao ajudar seus iniciados e, através deles, o resto do mundo.

Para muitos dos Irmãos,

ela é a única religião real que já tiveram, e certamente muitos deles colocam seus princípios nobremente em prática: pois a Maçonaria masculina é uma estupenda organização beneficente, bem como um "sistema de moralidade", e oferece um esplêndido treinamento em bondade prática e fraternidade.

Na Inglaterra e suas colônias e nos Estados Unidos da América, as obras de caridade maçônicas estão em escala magnífica, e há muitas escolas e orfanatos maçônicos extremamente bem administrados.

Por essa razão, e por causa do excelente caráter de seus membros, a Maçonaria é altamente respeitada, embora na França e na Itália ela tenha perdido prestígio em certa medida por ter se permitido identificar com partidos políticos anticlericais.

Infelizmente, os maçons modernos perderam completamente de vista o que poderia ser chamado de caridade interior — seu poder nos planos superiores.

Eles dificilmente compreenderiam se alguém lhes dissesse: "Vocês deveriam estar emitindo correntes de poder do pensamento; essa deveria ser uma de suas formas de caridade." É uma pena que esse trabalho interior seja tão negligenciado, pois é uma agência tremenda para o bem, e uma na qual todo Irmão

pode participar.

A caridade externa depende da riqueza privada de poucos; mas qualquer maçom, por mais pobre que seja, pode dar seu pensamento.

565. Naturalmente, as Lojas Maçônicas não estão todas no mesmo nível intelectual, e algumas gastam tempo demais em banquetes e muito pouco em estudo; mas basta ler a literatura sobre o assunto para ver que, nos países de língua inglesa ao menos, os objetivos da Ordem sempre foram nobres e edificantes.

Observe, por exemplo, as seguintes declarações:

566. O verdadeiro objetivo da Maçonaria pode ser resumido nestas palavras: apagar entre os homens os preconceitos de casta, as distinções convencionais de cor, origem, opinião, nacionalidade; aniquilar o fanatismo e a superstição, extirpar a discórdia nacional e, com ela, extinguir o archote da guerra; em uma palavra — chegar, por progresso livre e pacífico, a uma fórmula e modelo de direito eterno e universal, segundo o qual cada ser humano individual seja livre para desenvolver toda faculdade com que possa ser dotado, e concorrer cordialmente e com toda a sua força para a concessão de felicidade a todos, e assim fazer de toda a raça humana uma única família de irmãos, unidos por afeição, sabedoria e trabalho. (History of Masonry, Rebold, p. 62.)

567. O mundo inteiro é apenas uma República, da qual cada nação é uma família, e cada indivíduo um filho.

A Maçonaria, sem de modo algum depreciar os diferentes deveres que a diversidade de Estados exige, tende a criar um novo povo, que, composto de homens de muitas nações e línguas, esteja todo unido pelos laços da Ciência, da Moralidade e da Virtude. (Morals and Dogma, de Albert Pike, p. 220.)

568. Que os sentimentos acima expressos não permaneceram meras teorias é demonstrado pelo seguinte extrato de Arcana of Freemasonry, do Dr. Churchward:

569. Há apenas alguns anos, passamos neste país por uma grande e aguda tensão — aquele perigo que ameaçava guerra entre nós e os Estados Unidos da América.

Isso passou e nunca mais retornará de forma aguda.

Por quê? Porque a Fraternidade enviou seu grande representante, o Grão-Mestre de Illinois, a este país, e tive o grande prazer de encontrá-lo na Loja Q. C., quando ele transmitiu a mensagem de paz e fraternidade: "Não haverá guerra entre os Estados Unidos da América e a Inglaterra; somos de uma só Fraternidade, e os Maçons dos Estados Unidos decidiram que não haverá guerra, agora ou jamais, entre os dois países, e fui delegado para vir aqui e lhes dizer isto, representando mais de um milhão de Irmãos, e pedir-lhes em retorno que declarem que não haverá guerra." (Op. cit., p. 75.)

570. Este é um esplêndido testemunho do poder do laço maçônico.

É lamentável que uma tentativa feita posteriormente para evitar a grande guerra europeia tenha fracassado; pois as Grandes Lojas Prussianas, quando um apelo semelhante lhes foi feito, recusaram-se a apoiar o movimento pela paz.

571. A próxima pergunta feita diz respeito aos princípios sobre os quais nossa Ordem está fundada, que são geralmente dados como amor fraternal, alívio e verdade.

Grande proeminência é corretamente dada a essas três virtudes no ritual do Ofício masculino, e nas palestras oficialmente preparadas para uso em suas Lojas elas são descritas da seguinte forma:

572. Pelo exercício do Amor Fraternal somos ensinados a considerar toda a espécie humana como uma só família, o alto e o baixo, o rico e o pobre, criados por um Ser Onipotente, e enviados ao mundo para a ajuda, o apoio e a proteção uns dos outros.

Sobre este princípio, a Maçonaria une homens de todos os países, seitas e opiniões, e por seus ditames cultiva a verdadeira amizade entre aqueles que, de outra forma, poderiam ter permanecido a uma distância perpétua.

573. Aliviar o aflito é um dever que incumbe a todos os homens, particularmente entre os Maçons, que estão ligados entre si por um vínculo indissolúvel de sincera afeição; portanto, consolar os infelizes, compadecer-se de suas desgraças, condoer-se de suas misérias e restaurar a paz em suas mentes perturbadas é o grande objetivo que temos em vista; sobre esta base estabelecemos nossa amizade e formamos nossas conexões.

574. A Verdade é um atributo Divino e o fundamento de toda virtude maçônica; ser bons homens e verdadeiros é uma lição que nos é ensinada em nossa Iniciação; sobre este grande tema contemplamos, e por seus infalíveis ditames nos esforçamos para regular nossas vidas e ações.

Portanto, a hipocrisia e o engano são ou deveriam ser desconhecidos para nós, sendo a sinceridade e a franqueza nossas características distintivas, enquanto o coração e a língua se unem para promover o bem-estar um do outro e para se regozijar na prosperidade da Ordem.

575. As demais perguntas, embora peculiares, parecem autoexplicativas, e os vários pontos que elas suscitam já foram considerados.

576. O p � g � e o p � w � são então dados ao candidato.

Em conexão com isso, é interessante notar que um feixe de milho é frequentemente esculpido na cadeira do V.S.S. como seu emblema; e isso provavelmente está relacionado ao fato de que uma espiga de milho era mostrada ao aspirante como símbolo do mistério supremo em Elêusis, indicando-lhe ao mesmo tempo a universalidade da evolução e a indestrutibilidade da vida.

“Se o grão de trigo não cair na terra e morrer, fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto.” (João, xii, 24.) Talvez valha a pena notar que o p � g � entre o Primeiro e o Segundo Grau indica a necessidade da conquista daquele emaranhado peculiar da mente inferior nas malhas do desejo, que na literatura teosófica é denominado kama-manas.

O Ir. Wilmshurst observa:

577. Isto [o p � w �] tem a intenção de ser descritivo do próprio candidato e de sua condição espiritual.

É ele quem é uma espiga de milho plantada perto de uma queda d'água e por ela nutrida.

Seu próprio crescimento espiritual, alcançado na etapa de Aprendiz, é tipificado pelo milho amadurecendo; a causa fertilizante de seu crescimento sendo o derramamento sobre sua natureza interior do orvalho vivificante do céu, como resultado de sua aspiração em direção à luz. (The Meaning of Masonry, p. 119.)

578. A PREPARAÇÃO

579. Notar-se-á que na preparação do candidato segue-se o mesmo princípio que governou a cerimônia correspondente no primeiro grau.

O l � a � é feito b � porque é através dele que o poder deve ser derramado, e também porque durante a cerimônia de Passagem o 1 � e � deve ser apoiado pelo s � Da mesma forma, o r � b � é tratado de maneira semelhante porque o I.G. o tocará com o s � ao admitir o candidato à loja.

Como antes, o r � k � é descoberto e o l � h � s � p - s � d, porque esses são os pontos em contato com o piso ou almofada do altar altamente magnetizados, durante a tomada do O. e a efetiva concessão do grau.

580. A PREPARAÇÃO INTERIOR

581. A preparação interior neste grau é em parte a mesma que no primeiro, pois o C. espera obter o privilégio de ser elevado ao Segundo Grau com a ajuda de G �, a assistência do s �, e a virtude de uma p � g � e p � w � O quadrado aqui mencionado é o quadrilátero da personalidade.

Duas coisas devem acontecer com referência a isso: ele foi subjugado, como está implícito no fato de o candidato pisar sobre ele ao entrar na Loja, mas não perdeu sua força e atividade por isso; permanece tão ativo quanto antes, mas agora toda a sua energia está voltada para o serviço do homem real, o eu superior.

Esse eu superior encarnou em uma personalidade com o propósito de adquirir definição; o ego em seu próprio plano é magnífico, mas vago em sua magnificência, exceto no caso de homens muito avançados no caminho da evolução.

Agora, no simbolismo deste grau, a personalidade viu com toda clareza que o propósito da vida é servir ao superior; ele se lança à tarefa com vigor e assim confere parte de sua definição para tornar claro para si mesmo o propósito do ego; ele faz um apelo ao Guerreiro interior, para usar a simbologia de A Luz no Caminho.

582. A ABERTURA

583. Enquanto a preparação do C. está ocorrendo, o R.W.M. mais uma vez convoca os Irms. para auxiliá-lo na abertura da Loja, mas desta vez no Segundo Grau; e ainda mais uma vez ele começa com a pergunta universal, mas ligeiramente variada: "Qual é o primeiro cuidado de todo F.C.F.?" E recebe a resposta invariável: "Provar que a Loja está devidamente coberta." Na mesma forma que no Primeiro Grau, ele determina que esse dever seja cumprido, e as indagações e respostas vêm exatamente como antes.

Contudo, essa cobertura não é exatamente a mesma que a anterior.

Em cada caso, a construção do muro de proteção ocorre em todos os planos; mas no Primeiro Grau a atenção está focada principalmente no mundo astral, e a defesa estabelecida nesse nível é incomparavelmente mais forte do que as outras, porque é a mais necessária quando um esforço determinado de purificação e desenvolvimento astral está sendo realizado.

É como se, nessa purificação, a densidade do corpo astral do candidato fosse reduzida e, portanto, a pressão externa sobre ele se tornasse maior do que o habitual, exigindo uma defesa especial.

No esforço realizado na cerimônia do Segundo Grau, é sobre o corpo mental que uma pressão semelhante é exercida e, portanto, o esforço para fortalecer as defesas concentra-se no plano mental.

Assim, a proteção da Loja na abertura do Segundo Grau não é de modo algum uma repetição da cerimônia anterior, mas confere antes uma segurança adicional em um nível mais elevado.

584. No entanto, é sumamente necessário que também no nível inferior não haja possibilidade de perturbação; consequentemente, o passo seguinte é reforçar as defesas astrais convocando os Irmãos a se colocarem em ordem como Aprendizes, sendo essa ação, como antes, uma afirmação definida do poder dos Irmãos naquele nível e uma convocação de suas forças.

Feito isso, o Venerável Mestre dirige-se ao Segundo Vigilante, perguntando se ele é um Companheiro. Embora seja, em essência, o líder, o professor e o porta-voz dos Aprendizes, ele é também o representante do mental superior; e, consequentemente, responde imediatamente que é um Companheiro e pede que esse fato seja provado.

O Venerável Mestre pergunta por qual instrumento ele será provado, e ele prontamente responde: "Pelo esquadro".

585. A pergunta e a resposta seguintes, quanto ao caráter do esquadro, mostram-nos que o que aqui se entende é a ferramenta do pedreiro em atividade, o instrumento que simboliza a vontade espiritual, não o quadrilátero.

Por outro lado, quando o candidato entra na Loja neste grau, a outra forma do esquadro também é posta em uso, pois aquilo sobre o qual ele pisa, como representando a natureza inferior, a personalidade, é certamente a figura geométrica.

Os Irmãos são então convidados a provar-se como Companheiros e, quando o fazem, primeiro o Segundo Vigilante e depois o Venerável Mestre repetem com ênfase a prova dada, marcando assim a tônica e expressando a qualidade peculiar deste grau.

Pois, assim como a conquista das paixões e emoções é o objetivo proeminente do Aprendiz, também a conquista e o controle da mente inferior são o propósito especial do Segundo Grau.

586. Para a maioria das pessoas, essa é uma conquista muito mais difícil do que a outra; e, no caso de muitos candidatos, a faculdade mental precisa primeiro ser despertada.

Todos acreditamos ser ao menos capazes de pensar; e, no entanto, a verdade é que comparativamente poucas pessoas conseguem pensar com eficácia.

Uma pessoa que possua um ligeiro grau de clarividência pode rapidamente convencer-se disso se se der ao trabalho de examinar atentamente as formas-pensamento daqueles que encontra na vida diária.

A grande maioria dessas formas é de contorno vago e incerto; é um dos fenômenos mais raros ver formas claras e definidas entre os milhares que flutuam ao nosso redor. Assim, antes que se possa fazer progresso real no controle do pensamento, é necessário que o candidato comum adquira o poder do pensamento claro.

Como Ruskin observa em *The Ethics of the Dust*:

587. A grande dificuldade é sempre abrir os olhos das pessoas; tocar seus sentimentos e partir seus corações é fácil; a coisa difícil é partir suas cabeças.

Que importa, enquanto permanecerem estúpidos, se você muda seus sentimentos ou não? Você não pode estar sempre ao seu lado para lhes dizer o que é certo; e eles podem agir tão errado quanto antes, ou pior; e suas melhores intenções apenas lhes aplainam o caminho — você sabe para onde.

Pois não é o lugar em si que é pavimentado com elas, como as pessoas costumam dizer.

Você não pode pavimentar o abismo sem fundo, mas pode pavimentar a estrada que leva a ele.

588. Portanto, a primeira necessidade para nosso candidato do Segundo Grau é controlar sua mente, se ele tiver algo que mereça o nome de mente para controlar; e, se não tiver, desenvolvê-la. E esta é toda a direção do Grau e de suas cerimônias; para esse fim ele deve estudar; para esse fim ele deve esforçar-se por abrir vários centros em seus corpos superiores.

Dizem-lhe que é seu dever avançar diariamente no conhecimento maçônico.

589. Lembrar-se-á de que o S.D. é o representante especial do corpo mental, então naturalmente é ele quem assume a responsabilidade pelo candidato e desempenha o papel principal no trabalho deste grau.

É interessante notar a mudança de cor que se espalha pela Loja quando ela é aberta neste grau — não que os matizes distintivos dos globos de luz dos vários oficiais se percam, mas que todos são modificados pela mistura de um tom dominante que se combina com todos eles.

Essa cor-mestra era carmesim no grau de Aprendiz, enquanto no de Companheiro é amarela.

590. O chakra que procuramos despertar neste grau é um centro dentro do corpo astral que confere o poder de simpatizar com as vibrações emocionais dos outros, de modo que o homem instintivamente conhece seus sentimentos; e quando o chakra etérico correspondente também é estimulado, ele traz essas experiências para o corpo físico, de modo que ele se torna consciente, mesmo neste plano, das alegrias e tristezas de seus semelhantes.

Forças do centro esplênico, tais como foram descritas no Capítulo V, também atuam através deste chakra, mas desta vez é o raio amarelo que vai ao coração e, após realizar seu trabalho ali, passa ao cérebro e o permeia, dirigindo-o principalmente à flor de doze pétalas no meio do mais elevado centro de força no alto da cabeça.

A conexão deste centro especial com o Segundo Grau é óbvia quando recordamos suas características de companheirismo e serviço, sua associação com T.G.G.O.T.U., o segundo membro da Trindade, e o princípio búdico no homem.

591. A oração que é oferecida pouco antes de a Loja ser declarada aberta é para que os Obreiros sejam iluminados nos caminhos da virtude e da ciência, e a Loja é declarada aberta no s � para a instrução e aperfeiçoamento de F.C.F.s.

592. É de profunda significação que, na invocação deste grau, o R.W.M. use para o Logos o título de Grande Geômetra.

Há muito tempo Platão disse que Deus geometriza, e um estudo da cristalografia mostrará vividamente quão verdadeiro isso é no que diz respeito à construção de belas formas minerais.

Nos reinos superiores, o estudante também encontra a mesma evidência maravilhosa de ordem e regularidade.

Na verdade, quanto mais profundamente estudamos os processos da natureza, maior se torna, em todas as direções, nossa admiração pela obra maravilhosa d'Aquele que tudo fez.

593. O ÚLTIMO TRABALHO DO A.A.

594. O candidato, tendo mais uma vez provado a si mesmo como A.A., tem de realizar seu último trabalho nessa qualidade.

Nesta ocasião, é o S.D. quem o conduz, pois ele agora está especialmente relacionado com a mente inferior, que deve ser controlada e desenvolvida pelo C.C. Ele o leva primeiro ao pedestal do W.J.W., dá-lhe um malho e um cinzel, e instrui-o a a � sobre seu j � e dar três golpes com o malho, batendo o cinzel sobre a pedra bruta.

A pedra retirada da pedreira tem todos os seus lados irregulares.

Estritamente falando, não é uma pedra bruta até que o A. a tenha tornado regular em forma, e nesse ponto ele dá os toques finais a esse trabalho; mas ainda assim a pedra terá de ser alisada e polida antes de estar pronta para ser erguida no edifício, e isso é parte do trabalho do Segundo Grau.

Olhando com a visão interior para um número de pessoas reunidas, como a plateia de uma palestra ou teatro, ou a congregação de uma igreja, vê-se que a maioria delas está astral e mentalmente muito fora de forma, como pedras brutas, ou mesmo como árvores retorcidas e atrofiadas, que cresceram em um clima desfavorável.

Tais pessoas ainda não são aprendizes em nenhum tipo de Loja.

595. OS CINCO ESTÁGIOS

596. Os cinco estágios são jornadas ao redor da Loja, ao final de cada uma das quais o candidato recebe certas instruções, de um cartão impresso e verbalmente, enquanto carrega as ferramentas apropriadas para sua realização prática.

As jornadas são sinais externos da elevação da consciência do candidato através dos planos.

597. No primeiro estágio, ele carrega o malho e o cinzel, e aprende sobre os cinco sentidos — tato, audição, visão, paladar e olfato.

Este é o estágio físico, pois o corpo físico não é valioso em si mesmo, mas apenas como o veículo dos sentidos, através dos quais o homem obtém conhecimento do mundo físico com o qual dirigir seu trabalho.

São esses sentidos em seu corpo que agora devem receber sua atenção, para que possam servi-lo bem.

598. Na jornada do segundo estágio, o A. carrega uma régua e compassos, e aprende algo sobre as Artes.

Estas são classificadas como arquitetura, escultura, pintura, música e poesia — todas formas de beleza — uma indicação suficiente de que todo trabalho verdadeiro produz o que é belo.

A régua e os compassos servem para lembrá-lo de aplicar o princípio da geometria aos seus sentimentos, guiando e controlando seu corpo astral, para que seu trabalho expresse emoção elevada e a desperte nos outros.

599. No terceiro estágio, o A. é provido de uma régua e nível, e ele lê e ouve sobre ciência natural — matemática, geometria, filosofia, biologia e sociologia.

Ele está agora lidando com o plano mental e seus corpos nele, e a régua e o nível lhe falam da ordem, equilíbrio e senso comum que são necessários nesse trabalho.

600. No estágio seguinte, o candidato se vê não mais lidando com as coisas de sua natureza pessoal, mas olhando para cima, para aquela parte superior de si mesmo que florescerá na parte posterior de sua senda.

Ele vê tais questões primeiramente nas vidas de grandes homens e mulheres que adornaram as páginas da história.

Ele carrega um lápis e um livro, e aprende sobre os benfeitores da humanidade — sábios, artistas, cientistas, inventores e legisladores.

Todos estes exemplificam a unidade da humanidade, pois não vivem apenas para si mesmos, mas com uma clara consciência das alegrias e tristezas da humanidade, e um grande desejo de ajudar e de dar.

Aqui se expressa aquela qualidade da natureza humana que brota do princípio do buddhi no plano além do mental, onde há a visão intuicional direta da unidade da vida.

601. Além disso, está o último e quinto estágio, que o candidato percorre com as mãos livres, pronto para tomar qualquer instrumento que seja necessário a qualquer momento.

Neste, ele aprende sobre o serviço — que o mais elevado ideal da vida é servir.

Bem cantam os irmãos:

602. Tu me mostrarás a senda da vida; em Tua presença há plenitude de alegria; e à Tua destra há prazer para sempre.

603. Contemplarei Tua presença em retidão: e quando despertar à Tua semelhança, ficarei satisfeito com ela.

604. Pois esta é a senda do espírito, o Uno por trás dos muitos, a causa primeira.

Dessa causa primeira, o Cristo disse: "Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho", e Shri Krishna, falando como a Divindade, explicou no Bhagavad Gita que, se Ele se abstivesse mesmo por um momento de Sua atividade, Seu serviço ao mundo, tudo cairia em ruína.

A regra de que o serviço é o ideal mais elevado na vida foi assim iniciada pelo Altíssimo, e é o dever claro daqueles que seriam Seus servos fiéis seguir em Seus passos.

605. OS CINCO S — S

606. O candidato deve agora avançar para o leste pelos devidos s — s. Estes são cinco, e são dados como que subindo uma escada em espiral, que no t — b — conduz o F.C. à porta da câmara do meio do templo.

Com relação à câmara do meio, o Major Meredith Sanderson escreve o seguinte:

607. Este termo é uma leitura errônea do hebraico original, e é admitido como tal por todas as autoridades.

A leitura correta de I Reis vi., 8, é a seguinte: "A porta para a fileira mais baixa de câmaras (não 'para a câmara do meio') estava no lado direito da casa, e subiam por escadas em caracol até a fileira do meio, e da do meio para a terceira." Isto é, havia uma fileira de câmaras em cada andar, e as escadas em caracol iam do térreo até o último andar (cf. v. 6, onde a palavra câmara deve ser lida como andar, e Ezequiel xli, 7.) (Um Exame do Ritual Maçônico, p. 31.)

608. Os Companheiros passam para aquela câmara, diz a explicação do t � b �, para receber seus salários, o que fazem sem escrúpulo e sem desconfiança.

Os Companheiros não têm escrúpulo em tomar aquilo que ganharam e não duvidam de que serão pagos exatamente pelo que merecem.

Isso se refere não apenas à perfeita imparcialidade e à justiça absoluta dos Mestres da Grande Loja Branca (um dos quais disse certa vez: "A ingratidão não é um dos nossos vícios"), mas também à grande lei do carma.

Essa é uma lei divina que relaciona os seres vivos ao seu ambiente neste mundo, de modo que a um homem seja dado aquilo pelo qual trabalhou, nem mais nem menos.

Portanto, é a vontade de Deus que todo homem tenha o que lhe é devido; ele não precisa temer tomar o que lhe vem (o que incorpora uma oportunidade para um serviço maior) e não precisa imaginar que qualquer coisa que mereça possa ser roubada dele ou extraviada.

"Não vos enganeis", disse São Paulo, "Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará." (Gálatas vi, 7.)

609. Não apenas ele receberá no futuro o resultado exato do que faz agora, mas também se segue que o que ele está recebendo agora é o resultado exato do que fez no passado, seja em outras vidas ou na parte anterior desta vida.

Portanto, se o sofrimento vem, ele sabe que o mereceu, pois de outra forma simplesmente não poderia acontecer.

610. Outro ponto interessante é que nos é dito, na explicação do t � b �, que os Companheiros eram pagos em espécie, o que simboliza a recompensa do trabalho não diretamente remunerado por seus resultados, mas que os Aprendizes recebiam seus salários em trigo, vinho e azeite.

611. Trigo e vinho imediatamente trazem à mente os elementos sagrados na Eucaristia cristã, e também o mito do deus-sol, que se eleva ao meio do céu para amadurecer o trigo e a uva, e assim dá de sua vida para o benefício dos outros.

Estes são tipos das coisas mais valiosas para o homem; e dizer que alguém é pago em trigo e vinho significa que as mais ricas riquezas da terra são a recompensa do seu trabalho, e que ao mesmo tempo trazem consigo a bênção de Deus.

612. O óleo tipifica o grande dom da sabedoria.

Assim como o óleo é extraído da oliveira, assim a sabedoria é colhida pela alma do homem de todas as suas experiências na terra.

Quando todos os resultados materiais do trabalho pereceram, como no caso das civilizações mortas e extintas da antiguidade, ainda assim a sabedoria resultante de todos os esforços feitos e das experiências sofridas permanece no coração do homem.

A recompensa do trabalho no mundo não é apenas exterior, nas coisas que são ganhas, mas também interior, no coração e na mente do próprio homem.

613. Todas essas recompensas chegaram ao A.A. como resultado natural do seu trabalho, de acordo com a lei cármica, sentindo-as e desfrutando-as todas, e aprendendo sem intenção especial; mas o C. está mais desperto para o que está acontecendo.

Ele usa o discernimento e deveria ter controlado completamente seus sentimentos, de modo a estar em posição de decidir por si mesmo o que terá como resultado do seu trabalho, qual será o seu comer e beber, o seu dar e receber, a sua leitura e companhia.

Ele recebe seu pagamento em espécie e compra o que quiser — não mais uma criança, mas um homem responsável.

Ele busca experiência e sabedoria; não precisa que lhe sejam impostas ou dadas de fora.

614. Mas em todo esse uso de sua riqueza, poder e oportunidade, o ideal do C. deveria ser o serviço.

Ele deve ser como uma espiga de trigo junto a uma queda d'água para os outros, de modo que sua presença seja sempre uma bênção para eles, uma fonte de seu alimento espiritual, sua felicidade e verdadeira prosperidade.

615. A forma sinuosa da escadaria pode ser considerada como indicando que a evolução é sempre em forma de espiral, não de linha reta.

Estamos constantemente retornando ao tipo de trabalho, conhecimento e dever que já fizemos antes, mas sempre em um nível mais elevado.

Assim, em encarnações sucessivas em sua peregrinação humana, cada homem passará novamente pela infância, juventude, maturidade, idade produtiva e frutífera, mas à medida que evolui, cada uma dessas etapas será mais perfeita do que antes.

616. As espirais da evolução são ainda mais abrangentes, de modo que as divisões sucessivas da vida humana nos dão um epítome dos reinos da natureza.

O embrião humano, no curso do seu crescimento, assume sucessivamente a aparência de cada um dos reinos anteriores; e, além disso, no desenvolvimento do corpo humano, o período de gestação reflete o curso descendente dos reinos elementais mencionados na literatura teosófica; do nascimento até cerca dos sete anos, temos um período em que os mais sábios educadores consideram que a natureza física da criança deve receber mais atenção do que a emocional e a mental; em seguida, até cerca dos catorze anos, há uma época em que o correto desenvolvimento das emoções deve ter consideração primordial; depois segue-se outro período até cerca dos vinte e um anos, quando o professor deve apelar especialmente às forças desabrochantes da mente.

617. As três últimas idades podem ser consideradas como correspondendo, em certa medida, aos reinos mineral, vegetal e animal; na primeira delas, a consciência está no plano físico; na segunda, está se desenvolvendo no plano emocional; e na terceira, a mente inferior gradualmente ganha terreno e conduz ao estágio em que o homem se torna o verdadeiro pensador.

Há então um longo período de vida madura — a verdadeira carreira humana.

A isso se segue, por sua vez, a época da velhice, que deveria trazer sabedoria; isso ainda é, com frequência, imperfeito na maioria das pessoas, sendo apenas uma adumbração das alturas super-humanas da realização futura.

618. Quando o Senhor Buda caminhava pela Terra, foi certa vez perguntado por um discípulo se poderia resumir todo o seu ensinamento em um único verso.

Após um momento de reflexão, Ele respondeu:

619. Cessai de fazer o mal;

620. Aprendei a fazer o bem;

621. Purificai o vosso próprio coração;

622. Esta é a religião dos Budas.

623. Podemos certamente traçar aqui alguma correspondência com o ensinamento dos três graus na Maçonaria.

O ensinamento do Primeiro Grau é o da purificação, da expurgação da natureza de tudo o que possa levar o homem a uma ação egoísta e mal considerada.

O do Segundo Grau instrui o homem a buscar o conhecimento — a adquirir o desenvolvimento mental que não apenas o preservará do mal, mas também lhe prescreverá claramente um curso definido de ação altruísta.

O primeiro torna o homem negativamente bom, enquanto o segundo é positivo; mas ambos se referem a ações no plano físico.

O terceiro instrui o homem a elevar-se a um nível mais alto e a considerar não meramente a ação externa, mas a condição interna da qual toda manifestação externa deveria ser uma expressão.

624. A O.

625. Isto nos leva à O. do candidato, que, no entanto, contém singularmente pouco que possa ser considerado aplicável ao estudo especial e ao desenvolvimento do Grau.

Ele se compromete a agir como um verdadeiro e fiel C � n, a reconhecer s �, obedecer s � s, e manter os princípios inculcados no Primeiro Grau.

626. O R.W.M. então procede a criar, receber e constituir precisamente como no Primeiro Grau; mas qualquer um que possua a visão interior notará um alargamento mais decidido do vínculo entre o ego e a personalidade, de modo que ele se abre como um canal definido para o derramamento de força - um canal que o candidato pode utilizar com efeito marcante se ele se dispuser a trabalhar nele e através dele. Infelizmente, a maioria dos candidatos não recebe instrução sobre o lado interior da cerimônia e, consequentemente, não consegue aproveitar o privilégio realmente maravilhoso.

Neste aspecto também, como no grau anterior, há um certo paralelo entre a passagem de um F.C. e a ordenação eclesiástica ao diaconato; e ao mesmo tempo um vínculo é feito entre o C � n e o H.O.A.T.F. naquelas Lojas onde Ele é reconhecido.

627. Como no caso do alargamento da consciência que acabamos de mencionar, este maravilhoso vínculo com o grande M.O.T.W. é para o candidato exatamente o que ele quiser fazer dele. Pode ser do maior benefício para ele; pode mudar toda a sua vida e permitir-lhe fazer rápido progresso ao longo do caminho da iniciação; ou, por outro lado, se ele o negligenciar inteiramente, pode fazer muito pouca diferença para ele.

Quando tal vínculo é feito com o Senhor Cristo para o diácono em sua ordenação, o próprio trabalho que o diácono tem de assumir mantém as possibilidades de seu destino diante dele; mas com o maçom não instruído isso geralmente não acontece, e ele frequentemente continua a viver sua vida comum, sem perceber a magnífica oportunidade que se abriu diante dele.

Vemos, portanto, quão pesada é a responsabilidade do Mestre da Loja quando o dever lhe é imposto de empregar e instruir seus Brn. na Maçonaria.

628. Bro. Ward, em seu F.C.�s Handbook, enfatiza fortemente a ideia de que neste grau estamos lidando especialmente com o Aspecto preservativo da Divindade.

Ele escreve:

629. O s � de f � implica não apenas fidelidade ao seu O �, mas obediência às regras da T.G.G.O.T.U. Só podemos esperar ser preservados se nos conformarmos àquelas regras estabelecidas por Ele para a nossa preservação � O h � s � é dito em nossos rituais ser o sinal de p � y � r ou p � r s � e, mas em sua essência é o sinal de pre�servação, o sinal associado a Deus, o Preservador, sob qualquer nome que Ele seja chamado, em todo o mundo. (Op. cit., p. 31.)

630. Ele prossegue explicando que isso é encontrado nessa associação no Egito, na Índia e no México, e que foi assim usado pelos Colégios Romanos e pelos Comacini.

Ele também chama a atenção para o fato de que o distintivo característico deste grau traz duas rosetas azuis, simbolizando a rosa.

O azul era a cor de Ísis, e é a da Bem-aventurada Virgem Maria, cujo emblema é a rosa.

A aba triangular, que no Primeiro Grau era usada com a ponta para cima, para indicar que o espiritual ainda não havia assumido o controle do material, agora é voltada para baixo para mostrar que o superior é supostamente assumindo definitivamente o comando do inferior.

Veremos esse mesmo simbolismo levado ainda mais longe quando considerarmos o sublime grau do M.M.

631. Assim como o g � do Primeiro Grau mostrava a necessidade da conquista da natureza do desejo, o do Segundo Grau mostra a necessidade, nesta etapa, do controle total da mente inferior.

Podemos comparar a instrução aqui implícita com aquela dada em Luz no Caminho sobre a eliminação de vários tipos de desejo, e aquela em A Voz do Silêncio: "A mente é a destruidora do real; que o discípulo destrua o destruidor."

632. No ritual Co-Maçônico, o R.W.M. diz ao neófito duas vezes, quase nas mesmas palavras, que agora se espera que ele faça dos mistérios ocultos de nossa ciência seu estudo futuro; mas

633. o Ir. Ward observa que no ritual masculino a segunda declaração é que agora ele está autorizado a fazê-lo. Ele atribui grande importância a isso, por mostrar que os compiladores do ritual estavam bem cientes do perigo, tanto para si mesmos quanto para outros, que existe para homens que tentam desenvolver e usar poderes superiores sem antes terem dado prova de caráter moral elevado no grau anterior.

634. AS FERRAMENTAS DE TRABALHO

635. As ferramentas de trabalho deste grau são as mesmas que as joias móveis, e já as tratamos plenamente sob esse título.

636. O novo C:. é agora promovido de seu lugar no N.E. para outro no S.E. da Loja.

Ele segue o caminho do sol que (no hemisfério norte) nasce no verão ao norte do leste e prossegue através do leste para o sul, dando cada vez mais serviço ao mundo à medida que avança, até ascender ao seu ponto mais alto no sul, e então segue para o seu ocaso no oeste, e sua ressurreição para um novo dia, sobre o qual ouviremos mais no devido tempo.

637. FECHAMENTO DA LOJA

638. No fechamento da Loja no Segundo Grau, há apenas um assunto que requer menção especial.

O V:.M:. pergunta ao S:.V:. o que ele descobriu, onde está situado e a que alude, e recebe a resposta: "Um s:. s:. no c:. do edifício, aludindo ao G:.A:.D:.U:." Parece haver considerável diversidade de opiniões sobre qual deveria ser esse símbolo sagrado. Todos concordam que ele é colocado sob a Estrela Flamejante e é, em certo sentido, um reflexo dela. Uma vez que a letra G aparece dentro da estrela, a mesma letra é às vezes incrustada no piso.

O Major Sanderson considera isso meramente um substituto moderno do olho que tudo vê, ao qual, no ritual masculino, o V:.M:. faz referência ao explicar o símbolo.

O Ir:. Ward, no entanto, prescreve que o ponto dentro de um círculo limitado por duas linhas retas deveria ser incrustado no piso em latão.

Ambos os arranjos parecem passíveis à objeção de que o símbolo estaria sempre presente e, portanto, dificilmente poderia ser descrito como descoberto apenas no trabalho do Segundo Grau.

Tem sido nossa prática em certa Loja usar a estrela móvel de sete pontas como símbolo e colocá-la no piso apenas durante o trabalho do Grau de C:.

No ritual Co-Maçônico, o comentário que o V:.M:. faz é o seguinte:

639. Irmãos, lembremo-nos de que, assim como Ele é o c:. do Seu Universo, assim é a Sua reprodução de Si mesmo o c:. de nós mesmos, o Governante Interior, imortal, e que toda a nossa natureza deve ser conformada Àquele pelo qual ela vive.

640. CAPÍTULO VIII

641. O TERCEIRO GRAU

642. A ABERTURA DA LOJA

643. Quando tudo está pronto para a abertura da Loja no Terceiro Grau, o V:.M:. mais uma vez ordena ao S:.V:. que verifique se a Loja está devidamente coberta.

Desta vez, as forças com as quais temos de lidar no trabalho da reunião estarão principalmente no plano mental superior, portanto as defesas da Loja são agora reforçadas nesse nível pelos anfitriões invisíveis, e, por isso, um tom azul daqui em diante predomina, embora os níveis inferiores não sejam de modo algum negligenciados.

644. Os Irmãos

são então chamados à ordem como Artífices, e o V.M. dirige-se novamente ao V.J.V., com a pergunta: "Sois um M.M.?" Ao responder que sim, o Mestre pergunta-lhe por qual instrumento de arquitetura ele será provado, e ele responde: "Pelo esquadro e pelo compasso."

645. Isso significa que um M.M. pode ser testado e conhecido pelo fato de que tanto o eu superior quanto o eu inferior estão em ordem de funcionamento, operando juntos e em harmonia.

O M.M. é simbólico do Iniciado do quarto grau, a quem os budistas chamam de Arhat; nesse estágio de realização no caminho oculto, a batalha contra a quaternidade inferior está praticamente encerrada, e esta se tornou um instrumento obediente nas mãos da tríade superior, que está desperta e ativa em todas as suas três partes.

646. Em seguida, o V.M. faz uma série de perguntas alternadamente ao V.J.V. e ao V.S.V., e eles respondem como agindo em conjunto.

Um pouco mais adiante, ver-se-á que eles agem juntos também no trabalho de elevar um C.F. ao grau de M.M. Na presente ocasião, os Veneráveis dizem ao V.M. que vieram do oriente e vão para o ocidente buscar os genuínos s � s de um M.M., que foram perdidos pela morte prematura do Mestre H.A., e que esperam encontrá-los no c �

647. O C �

648. Recordar-se-á que, no encerramento da Loja de C.F., foi perguntado ao J.V. o que os irmãos haviam descoberto enquanto estavam na posição de C.F.s, e a resposta foi que haviam encontrado um s � s �, no c � do edifício, que representava Deus.

A consumação do trabalho de C.F. era descobrir esse c �; mas o M.M. tem seus olhos fixos nele o tempo todo como o lugar onde espera encontrar a verdade perdida.

649. É no c �, dizem agora os Oficiais, que esperam encontrar os genuínos s � s de um M.M. É ao encontrar em si mesmo esse Eu mais profundo, que é a Mônada, para além até da tríade superior, que o M.M. descobrirá por fim o supremo segredo da vida, e então encontrará, em verdade, por sua própria experiência viva, que ele é e sempre foi um com Deus.

Há algo quase védico nessa concepção maçônica do s � s perdido, pois os vedantinos dizem que, neste labirinto da vida, os homens se perderam, por assim dizer, numa grande e terrível floresta, e agora todo o seu objetivo na vida é escapar dela e encontrar aquela felicidade real que é a própria natureza do seu ser verdadeiro e essencial.

650. Um estudo do significado das ferramentas de trabalho de um M.M. lança muita luz sobre este assunto do c �; trataremos, portanto, delas aqui, em vez de mais adiante no capítulo.

651. As ferramentas de trabalho do terceiro grau são o s � t, o p � e o c �. O s � t é um instrumento que atua sobre um pino central, de onde se traça uma linha para demarcar a planta baixa da estrutura pretendida.

Com o p �, o arquiteto habilidoso delineia o edifício em uma planta para instrução e orientação dos obreiros.

E o c � permite-lhe verificar com exatidão e precisão os limites e as proporções das suas várias partes.

Assim reza o ritual.

652. Mas há um significado mais profundo do que este, pois estas são as ferramentas com as quais o Arhat deve se tornar um Adepto.

Nos graus anteriores, sua consciência teve de ser elevada do s � ao c �, isto é, do quadrilátero ao triângulo, do eu inferior ao eu superior; mas agora ela tem de ser elevada do triângulo ao ponto, do eu superior à Mônada.

A Mônada está agora começando a exercer sua vontade no eu superior, assim como antes o eu superior exercia sua vontade no inferior.

O s � t representa a ação dessa Mônada, ao girar sobre um pino central e emitir uma linha de seu próprio corpo enquanto tece a teia da vida, assim como uma aranha tece sua teia a partir do próprio corpo.

O p � marca aquele caminho escolhido ou raio da Mônada, a linha de vida e trabalho que o Arhat deve descobrir e na qual deve se especializar para progredir rapidamente.

E o c � representa mais uma vez o triângulo, os poderes do espírito tríplice que ele deve usar em seu trabalho.

653. A conversa entre o R.W.M. e os W.s prossegue definindo o c � como um p � dentro de um c �, do qual todas as partes do c � ce são equidistantes, e dizendo que é um p � do qual um M.M. não pode errar.

Já escrevi sobre este assunto no Capítulo II, mas poderia acrescentar aqui que há uma grande distinção entre as coisas do mundo natural e as da vida interior da consciência.

Todos os objetos materiais são caracterizados por limites — são delineados; mas a vida interior sempre procede de um centro, de modo que é totalmente impossível estabelecer fronteiras para o amor ou o pensamento.

Eles têm sua origem e se sustentam em um centro, e dele irradiam.

A circunferência de seu círculo está em lugar nenhum, mas o centro está dentro do homem.

Quando ele tiver ascendido à plenitude de sua natureza divina, a circunferência ainda estará em lugar nenhum, mas o centro estará em toda parte; nenhuma vida, seja qual for, será excluída de suas simpatias.

Isso é o que é simbolizado pela afirmação de que todas as partes do c ⋅ estão equidistantes do c ⋅ O M.M. que mantém seu olhar nesse c ⋅ e age a partir desse p ⋅ não pode errar.

É sobre esse c ⋅ que o R.W.M. abre a Loja.

654. Ainda um ponto da conversa permanece para consideração.

Os oficiais declaram que sua jornada é do leste para o oeste.

Isso pode ser tomado como referência ao caminho do sol, que é típico do caminho do Iniciado.

Aqui temos novamente o conhecido mito solar.

O sol nasce de novo no início do ano, na escuridão do inverno; ele luta através das nuvens do início da primavera, que parecem ameaçar sua vida; no verão, ele se eleva ao seu ponto mais alto no céu, dando livremente de sua vida para amadurecer o trigo e a uva.

Mas agora inimigos se fecham ao seu redor; o outono o cerca com suas sombras, e por fim ele cai, ferido, diante do ataque do inverno.

Contudo, passando por uma morte figurativa no oeste, ele descobre o segredo da vida renovada, e se ergue novamente no leste e ascende outra vez ao meio do céu.

Assim, em muitas vidas sucessivas, ele tem de lidar com o mundo e gradualmente dissipar as nuvens da ignorância que resistem ao desdobramento de suas potencialidades, antes que possa ascender ao alto meio-dia de sua glória, na conclusão de sua obra de construção do templo, quando finalmente segue adiante para o oeste e encontra o segredo da imortalidade perfeita.

Então não precisa mais viajar, pois alcançou o centro e está em repouso; tornou-se uma coluna no templo de Deus, e de lá não sairá mais.

655. Mas, na preparação para essa alta consumação, tanto o Leste quanto o Oeste tomam parte.

Embora o Leste sempre tenha sido o lugar da luz, de onde provém todo o conhecimento, ainda assim, quando a palavra sagrada foi perdida, os homens viajaram para o oeste na esperança de encontrá-la, e a cavalaria do Oeste uniu-se à filosofia do Leste nessa elevada busca.

O Oriente contribui com o ensinamento espiritual, mas o Ocidente fornece a exatidão e a definição que o tornam prontamente assimilável, e a praticidade que nos permite aplicá-lo em auxílio do mundo exterior.

656. A PREPARAÇÃO

657. Na preparação do candidato, ambos a � são feitos b � porque na devida guarda ambos são erguidos em bênção; ambos b � são abertos à dupla influência do c �, que têm sempre ao mesmo tempo uma qualidade positiva e uma negativa, conferindo simultaneamente poder e sensibilidade, estando um ponto sempre em repouso no centro, enquanto o outro descreve uma circunferência.

658. Por mais longe que viajemos de Deus, e por mais longa e difícil que seja a jornada, a centelha divina dentro de nós nunca pode ser verdadeiramente separada d'Ele, nem errar daquele Centro. (O Livro do M.M., pelo Ir. J. S. M. Ward, p. 22.)

659. Ambos k � são b �, porque ambos são usados na cerimônia, e ambos h � são s � p - s � d porque assim se aproveita ao máximo a magnetização muito concentrada do pavimento mosaico.

660. A PREPARAÇÃO INTERNA

661. Neste grau, o candidato busca seu objetivo com o auxílio unido do s � e c �, o que pode ser tomado como significando que seu desenvolvimento depende do uso correto tanto do corpo quanto da alma, o esquadro e o triângulo.

No método de simbolismo adotado, o candidato é sempre obrigado a olhar para aquilo que será, em vez de contentar-se com aquilo que é. A perfeição à qual o M.M. visa será atingida em sua plenitude somente quando os três pontos do triângulo, a vontade espiritual, a intuição e a inteligência, estiverem plenamente despertos e no controle total dos quatro veículos inferiores – os corpos mental, astral, etérico e físico denso.

662. Como disse o Ir. Powell:

663. No Terceiro Grau da Maçonaria, encontramos um apelo bastante diferente e distinto daqueles dos dois graus precedentes.

O M.M. entra no alcance de uma influência nova, adentrando um novo mundo, atravessando outro dos véus que o separam de uma verdadeira compreensão da vida – e da morte.

Talvez a característica mais distintiva do Grau seja essa atmosfera que ele cria, tão real e, no entanto, tão elusiva na descrição – um senso de mistério. (A Magia da Maçonaria, p. 92.)

664. ENTRANDO NA LOJA

665. Ao entrar na Loja, ele é recebido sobre as pontas do compasso e, por meio delas, obtém o primeiro contato com essa atmosfera superior, essa nova influência do grau de M.M.

A elevação da Loja a um grau superior altera as vibrações dominantes, não apenas da Loja como um todo, mas de cada Irmão presente.

Por isso é necessário que um Irmão que não esteve presente na abertura da Loja em um grau superior — como, por exemplo, o candidato à passagem ou à elevação — necessite de uma palavra de passe especial, uma palavra de poder, destinada a realizar rapidamente em suas vibrações o que a cerimônia de abertura realizou de forma mais gradual para as de seus Irmãos.

Na passagem que conduz do Segundo ao Terceiro Grau, mostra-se a necessidade de estender o autocontrole ainda mais e de obter certo domínio sobre essa estranha região intermediária, além da mente inferior, que em certa escola de pensamento é denominada consciência subliminar.

666. Neste Grau, como nos demais, ele se ajoelha sob um triângulo formado pelas varas cruzadas dos diáconos, enquanto a bênção de T.M.H. é invocada; de fato, é digno de nota que todas as Obrigações na Maçonaria Simbólica são tomadas dentro desse mesmo triângulo, indicando que o homem tríplice em sua totalidade — corpo, alma e espírito — está empenhado no trabalho que está sendo realizado.

O Irmão Ward chama a atenção para o fato de que o candidato agora realiza três jornadas simbólicas, como no Primeiro Grau, mas com um objetivo diferente:

667. Ele primeiro satisfaz o Irmão Vigilante Junior, que representa o Corpo, de que é um Aprendiz — isto é, um homem de bom caráter moral.

Em seguida, satisfaz o Irmão Vigilante Senior, que representa a Alma, de que se beneficiou das lições da vida e adquiriu conhecimento intelectual.

Então vem a terceira jornada, quando ele é mais uma vez desafiado pela Alma, que exige a Palavra de Passe — Combinemos esses significados.

Ele chega carregado de posses mundanas, que em si mesmas carregam as sementes da morte, representando inconscientemente em sua pessoa o trabalhador em metais que fez as colunas gêmeas e está prestes a ser sepultado.

Portanto, a Alma o apresenta ao Espírito como alguém devidamente preparado para desempenhar o papel de seu grande predecessor. (The M.M.'s Book, de J. S. M. Ward, pp. 28, 29.)

668. OS SETE S —

669. Em todos os Graus, o candidato avança em direção ao Oriente, o lugar da Luz, mas em cada Grau mais do que no anterior.

No primeiro, ele dá três s � s — embora mesmo então aumentem constantemente de comprimento — 9, 12, 15; no segundo, não apenas há cinco em vez de três, mas tendem decididamente para cima e formam uma escada.

No terceiro, há sete, e além disso, os três primeiros estão simbolicamente sobre um o � g �, mostrando que, no plano superior ao qual a escada em espiral o conduziu, o candidato triunfou sobre a morte e marcha inabalavelmente ao longo de seu caminho de progresso do outro lado dela. Alguns escritores pensam que, ao dar esses s � s sobre o o � g �, o candidato deve, após o primeiro s �, voltar-se para o norte, após o segundo para o sul, e após o terceiro para o leste, olhando assim para as três entradas do templo, pelas quais H.A.B. tentou escapar.

670. O O.

671. Ele então presta o O. do M.M. — talvez um dos mais belos e abrangentes que já foram escritos.

Se apenas todo M.M. cumprisse seu compromisso até o fim, tanto no espírito quanto na letra, esta nossa terra logo se tornaria um verdadeiro céu.

Para citar novamente o Ir. Powell:

672. "Fiel até a morte" pode bem ser tomado como o lema do M.M., e se esta fosse verdadeiramente a tônica de toda a sua vida, então, de fato, a Maçonaria teria prestado um serviço esplêndido a todos os homens, e seu nome seria honrado acima de todos os outros nomes, de geração em geração.

Se todo M.M. pudesse cumprir seu O � sem evasão, equívoco ou reserva mental de qualquer espécie, e preferisse sofrer a morte a caluniar o bom nome de um Irmão ou deixar de manter em todos os momentos a honra de um Irmão como se fosse a sua própria, então, de fato, haveria, bem no coração da humanidade, uma fraternidade tal que traria a conclusão do H.T. quase ao alcance de nossa visão terrena.

Tal padrão de fidelidade entre os M.M.�s, com o tempo, levaria a humanidade a um nível tão elevado de boa vontade que não apenas os homens cessariam de ferir uns aos outros, mas até a inação em um ato de misericórdia se tornaria ação em um pecado mortal.

Este, e nenhum outro, é o verdadeiro significado do F � P � de F �, para sustentar o qual o M.M. está comprometido.

Não é coisa leve entrar no Primeiro Portal e tornar-se Maçom; é um compromisso ainda mais sério prestar o O � de um M.M. e jurar ser fiel até a morte.

Que todo M∴M∴ pondere bem sobre isso e reafirme a si mesmo, por tudo o que lhe é sagrado, sua determinação de, em todos os casos de provação e dificuldade, seguir o nobre exemplo da grande figura simbólica que sofreu a morte antes de ser infiel ao seu juramento. ( *The Magic of Freemasonry* , p. 98.)

673. A O∴ dispensa comentários, salvo talvez uma referência à promessa de comparecer às reuniões quando convocado "se dentro do comprimento do meu c∴o∴". Aparentemente, tem sido costume interpretar isso como significando "dentro de três milhas"; provavelmente era originalmente equivalente a "dentro de uma distância conveniente para caminhar". Certamente nenhum M∴M∴ que compreenda quão grande é o privilégio de participar dos trabalhos da Loja deixará de atender a tal convocação se lhe for de alguma forma possível responder a ela.

674. Neste caso, como tantas vezes em outros, o Ir∴ Wilmshurst nos dá uma bela interpretação mística, tomando o c∴o∴ como representando o "cordão de prata" que liga a parte mais sutil do corpo à mais densa, e sugerindo que um Ir∴ que, por alguma boa razão, não possa obedecer fisicamente a uma convocação pode, ainda assim, comparecer astralmente e participar da cerimônia em um plano superior.

Se esta explicação for aceita, o comprimento do c∴o∴ seria a distância até a qual o M∴M∴ se vê capaz de viajar astralmente.

É perfeitamente possível e até eminentemente desejável que o M∴M∴ compareça astralmente às reuniões maçônicas, dando assim sua força e sua bênção a muitas Lojas, e realizando muito mais trabalho para a Ordem do que pode fazer confinando-se à sua própria Loja.

Um estudo mais aprofundado da física da vida superior lhe mostrará que o verdadeiro "cordão de prata" só é observável quando a matéria etérica é retirada do corpo denso, como no caso de um médium, e que a conexão entre os veículos astral e físico do homem comum é uma vibração simpática maravilhosamente exata; talvez melhor simbolizada por um acorde musical do que por um cordão de prata; mas a interpretação é, no entanto, perfeitamente admissível.

675. AS FORÇAS ETÉRICAS

676. Prestada a O∴, o V∴M∴ procede à cerimônia efetiva de admissão, cujo ritual externo é o mesmo dos graus anteriores, exceto pelos t∴o∴ e pelo nome do grau; mas o efeito interno é muito diferente.

677. Em cada um dos Graus anteriores, referi-me a certas correntes de força etérica que fluem através e ao redor da espinha de todo ser humano.

Madame Blavatsky escreve sobre elas da seguinte forma:

678. A escola Trans-Himalaia localiza Sushumna, a principal sede desses três Nadis, no tubo central da medula espinhal, e Ida e Pingala em seus lados esquerdo e direito.

Ida e Pingala são simplesmente os sustenidos e bemóis daquele Fá da natureza humana, que, quando tocado de maneira adequada, desperta os sentinelas de ambos os lados, o Manas espiritual e o Kama físico, e subjuga o inferior através do superior.

— (A Doutrina Secreta, vol. iii, p. 503.)

679. É o Akasha puro que sobe pela Sushumna; seus dois aspectos fluem em Ida e Pingala. Estes são os três ares vitais e são simbolizados pelo fio bramânico.

Eles são governados pela vontade.

Vontade e desejo são os aspectos superior e inferior de uma mesma coisa.

Daí a importância da pureza dos canais.

— A partir desses três, estabelece-se uma circulação, e do canal central passa para todo o corpo.

— (Ibid., p. 537.)

680. Ida e Pingala percorrem a parede curva da medula na qual está Sushumna.

Eles são semimateriais, positivo e negativo, sol e lua, e colocam em ação a corrente livre e espiritual de Sushumna.

Eles têm caminhos distintos próprios; caso contrário, irradiariam por todo o corpo. (Ibid., p. 547.)

681. Faz parte do plano da Maçonaria estimular a atividade dessas forças no corpo humano, a fim de que a evolução seja acelerada.

Essa estimulação é aplicada no momento em que o R.W.M. cria, recebe e constitui; no Primeiro Grau, afeta a ida, ou aspecto feminino da força, tornando assim mais fácil para o candidato controlar a paixão e a emoção; no Segundo Grau, é a pingala, ou aspecto masculino, que é fortalecida, a fim de facilitar o controle da mente; mas neste Terceiro Grau, é a energia central em si, a Sushumna, que é despertada, abrindo assim o caminho para a influência do espírito puro vindo do alto.

É passando para cima através desse canal da sushumna que um yogi deixa seu corpo físico à vontade, de tal maneira que pode reter plena consciência nos planos superiores e trazer de volta ao seu cérebro físico uma memória clara de suas experiências.

As pequenas figuras abaixo dão uma indicação aproximada da maneira como essas forças fluem através do corpo humano; num homem, a ida começa na base da espinha, logo à esquerda da sushumna, e

682. Figura

683.

684. A pingala à direita (entenda-se que me refiro à direita e à esquerda do homem, não do espectador); mas na mulher essas posições são invertidas.

As linhas terminam na medula oblonga.

685. A espinha é chamada na Índia de *brahmadanda*, o bastão de Brahma; e o desenho dado na Fig. 14(d) mostra que ela é também a origem do caduceu de Mercúrio, as duas serpentes que simbolizam a kundalini ou fogo-serpente que está prestes a ser posto em movimento ao longo desses canais, enquanto as asas tipificam o poder de voo consciente através dos planos superiores que o desenvolvimento desse fogo confere.

A Fig. 14(a) mostra a ida estimulada após a iniciação no Primeiro Grau; essa linha é de cor carmesim.

A ela se acrescenta, na Passagem, a linha amarela da pingala, representada na Fig. 14(b); enquanto na Elevação a série é completada pela corrente azul-escura da sushumna, ilustrada pela Fig. 14(c).

686. A estimulação desses nervos e das forças que fluem através deles é apenas uma pequena parte do benefício conferido pelo V.M. quando ele empunha a espada no momento da admissão.

Já me referi ao alargamento da conexão entre a individualidade e a personalidade, e à formação de um vínculo entre certos princípios do candidato e os veículos correspondentes do S.O.V.M. As mudanças induzidas são de natureza um tanto semelhante àquelas que descrevi na página 319 de *A Ciência dos Sacramentos*, mas de caráter menos pronunciado.

687. Não posso enfatizar com demasiada frequência ou demasiada ênfase que, embora esses efeitos sejam absolutamente reais, inconfundíveis e universais, seu resultado na vida espiritual do candidato depende inteiramente dele mesmo.

O vínculo feito com o S.O.V.M. e o alargamento dos canais de comunicação oferecem ao homem uma oportunidade verdadeiramente sem paralelo na vida comum do leigo; mas de modo algum o obrigam a aproveitar essa oportunidade.

Se por ignorância ou indolência ele não fizer nenhuma tentativa de utilizar os novos poderes que lhe foram concedidos, eles permanecem adormecidos; se ele os usar inteligentemente, eles aumentam continuamente em eficácia à medida que se torna mais familiarizado com eles.

Como observa o Ir. Ward: "O benefício espiritual que um homem recebe da Maçonaria está em proporção exata ao seu desejo e capacidade de compreender seu significado interno." (*The M.M.'s Book*, p. 3.)

688. HIRAM ABIFF

689. É somente após o candidato ter recebido esta maravilhosa efusão de força espiritual que ele é submetido à "prova maior de sua fortaleza e fidelidade", que está envolvida na parte simbólica do Grau.

Um drama notável se desenrola agora diante dele, e ele se vê, inesperadamente, representando o papel de seu herói.

O cenário da peça é bem-arrumado e eficaz; o escurecimento da Loja, os versos que são cantados, a música que é tocada, as vestimentas especiais adotadas tanto para os oficiais quanto para o candidato - todos os elementos são admiravelmente calculados para realçar a impressão geral que se deseja criar.

Sob tais circunstâncias, o recém-feito M.M. ouve pela primeira vez a história tradicional que desempenha um papel tão importante no esquema maçônico.

690. O nome comumente dado a esta narrativa extraordinária é talvez um tanto inadequado, pois uma pequena reflexão logo nos mostra que ela não pode ser seriamente considerada como histórica no sentido comum da palavra; mas se a aceitarmos como uma lenda e a investirmos de um significado moral, descobriremos que ela tem muito a nos ensinar. Não precisamos duvidar de que sua figura central, Hiram Abiff, realmente viveu, nem de que foi enviado por seu homônimo, Hirão, Rei de Tiro, para trabalhar para o Rei Salomão em conexão com a decoração do templo.

Ele é descrito na escritura judaica como um hábil trabalhador em metais, e aqueles de nós que investigaram a confecção das colunas confirmam plenamente essa afirmação, embora não o encontrem sofrendo a morte sangrenta que a lenda afirma.

Como mencionei em um capítulo anterior, o próprio Rei Salomão parece ser responsável por introduzir na Maçonaria judaica a forma original da história, mas não pela inserção do nome que agora usamos para seu herói.

Moisés trouxe do Egito o mito da morte e ressurreição de Osíris, e isso persistiu de forma modificada até os tempos de Davi.

Salomão, por razões patrióticas, transferiu o teatro do drama para Jerusalém e centrou seu interesse em torno do templo que havia construído, ganhando popularidade ao mesmo tempo ao colocar seu ritual em conformidade com o dos povos circunvizinhos, que eram em sua maioria adoradores da divindade fenícia Tamuz, posteriormente chamada pelos gregos de Adônis.

691. Embora ele tenha reformulado a lenda, tornando-a inteiramente judaica, não foi ele quem introduziu nela o nome que tão bem conhecemos, pois encontramos Hiram Abiff atuando como o que hoje chamaríamos de W.J.W. numa grande cerimônia privada de consagração e dedicação, na qual o novo ritual de Salomão foi realizado pela primeira vez.

Na mesma ocasião, Hirão, rei de Tiro, desempenhou o papel de W.S.W., embora por alguma razão obscura sua visita tenha sido mantida em segredo, e ele tenha retornado para casa quase imediatamente, sendo seu lugar ocupado nas cerimônias públicas por Adonirão.

Roboão, filho de Salomão, parece ter nutrido uma intensa antipatia por Hiram Abiff, que mais de uma vez o repreendera por arrogância e conduta indigna; assim, quando após a morte de Salomão ele ascendeu ao trono, vingou-se de Hiram de maneira curiosa e pervertida, decretando que a vítima do 3º grau carregasse seu nome para sempre.

Por que exatamente isso deveria ter proporcionado satisfação a Roboão é difícil de compreender; mas talvez não devêssemos responsabilizá-lo por suas ações, pois ele era obviamente um decadente, um degenerado do pior tipo.

Sua inimizade pode possivelmente ter se manifestado também de outras maneiras, pois Hiram Abiff logo achou conveniente retornar ao seu próprio país, onde morreu em idade avançada e cheio de honras.

692. Dizem-me que há apenas alguns anos um príncipe javanês imitou o procedimento de Salomão, por razões muito semelhantes às que motivaram o monarca judeu.

Ele e seu povo eram ao menos nominalmente muçulmanos; mas ele lhes disse: "Por que deveríeis vos voltar para Meca em vossas devoções? Tenho aqui um templo magnífico; voltai-vos para ele e não para a Arábia quando recitardes vossas orações." Eles parecem ter aceitado a sugestão, e assim surgiu uma variação no culto que pode muito bem intrigar os historiadores um século depois.

693. Ir. Ward, em seu recente livro *Quem foi Hiram Abiff?*, argumenta que toda a lenda não passa de uma adaptação do mito de Tamuz, que Hiram Abiff foi um de um grupo de Reis-Sacerdotes, e foi morto pelos outros como sacrifício voluntário na dedicação do templo, a fim de trazer boa sorte ao edifício.

Ele apresenta muitas evidências em apoio a essa teoria, e demonstra uma vasta erudição e pesquisa, reunindo uma coleção impressionante dos fatos mais interessantes.

Recomendo fortemente seu livro à leitura de nossos Irm., embora eu pessoalmente ainda me agarre à ideia de que a Maçonaria originalmente chegou aos judeus vinda do Egito, por mais que tenha sido posteriormente influenciada, como certamente foi, pelo culto de Tammuz das nações vizinhas.

Ir.

Ward cita exemplos da sobrevivência de traços do culto de Adônis nos lugares mais inesperados; por exemplo, ele escreve:

694. Quando o Papa morre, um alto oficial, armado com um pequeno martelo ou malho de marfim, aproxima-se do morto e toca-o levemente uma vez em cada têmpora e uma vez no centro da testa.

Após cada batida, ele o chama para se levantar, e somente quando o terceiro chamado é feito em vão é que ele proclama oficialmente a triste notícia de que o Papa está morto, e portanto um sucessor deve ser eleito. (Op. cit., p. 74)

695. Ir.

Ward identifica ainda Hiram Abiff com Abibaal, o pai de Hirão, Rei de Tiro, e até sugere que Hirão não era um nome pessoal, mas um título dos Reis de Tiro, assim como Faraó era o dos reis do Egito.

696. De outra fonte vem a sugestão um tanto fantástica de que Salomão também não era um nome pessoal, mas é passível da subdivisão Sol-om-on; sol significando o sol, om sendo a palavra sagrada dos hindus (uma palavra substituta, porque a palavra real é um Nome de Poder, o Nome do Logos, cuja pronúncia abalaria o mundo e destruiria o falante) e on, do grego to on, a existência absoluta.

Essa interpretação pode ser fantasiosa; mas parece verdade que os compatriotas do Rei o chamavam de Salomão, pronunciando seu nome como um anfibraco, não como um dáctilo, como nós fazemos.

697. O nome de Hiram Abiff é um tanto alterado nos graus superiores, e até mesmo na Bíblia às vezes aparece como Huram.

Uma modificação adicional é Khairum ou Khurum.

Khur por si só significa branco ou nobre.

Há uma variante Khri, que sob certas circunstâncias se torna Khris.

Isso sugeriria alguma possível conexão com Krishna e Cristo.

Há certas passagens no Livro de Jó onde ele fala do orbe do sol, e a palavra que ele usa é Khris.

Está registrado que Hirão, Rei de Tiro, foi o primeiro homem que ofereceu o sacrifício do fogo ao Khur, que posteriormente se tornou Herakles.

Plutarco nos conta que os persas de sua época chamavam o sol de Kuros, e ele o conecta com a palavra grega Kurios, que significa Senhor, que encontramos no serviço da Igreja como "Kyrie eleison". Khur também está conectado com o nome egípcio Hórus, que também era Her-Ra e Haroeris, nomes do deus-sol.

A palavra hebraica Aoor também significa luz ou fogo ou o sol, e daí obtemos Khurom, que é igual ao grego Hermes.

Ir.

Wilmshurst também considera o nome Hiram idêntico a Hermes, e pensa que uma conexão pode ser traçada entre a forma Huram e a palavra sânscrita Guru, que significa "mestre espiritual". Ele portanto toma Hiram Abiff como significando o Pai-Mestre, ou o Mestre que vem do Pai. (The Masonic Initiation, p. 100) Que Hiram era filho de uma viúva é também um fato significativo.

Hórus, como filho de Ísis, era a reencarnação de seu próprio Pai Osíris, e assim, como filho póstumo, poderia bem ser descrito como filho de uma viúva.

698. Embora da tribo de Naftali, ele nasceu e residiu em Tiro, e pode portanto ter aprendido com a fraternidade dionisíaca que tinha um centro ali.

699. MORTE E RESSURREIÇÃO

700. O que quer que pensemos da história tradicional como narrativa, é claro que ela é um mito de morte e renascimento.

A expressão disso é talvez um tanto desajeitada, pois nenhuma referência é feita à alma; é meramente o corpo que é erguido sobre os pés, mas está obviamente implícito que, quando isso foi feito da maneira adequada, a vida retornou a ele, como se dizia ser o caso quando Anúbis ergueu Osíris do esquife com o mesmo gesto.

701. Na religião exotérica do Egito, duas características proeminentes eram o luto pelo Osíris morto e a alegria universal por sua ressurreição.

Ambas são comemoradas no ritual da Co-Maçonaria; a primeira pelas várias leituras prescritas para o Orador, e a segunda pelo pequeno cântico "Graças a Deus, que nos dá a vitória".

702. Na religião exotérica do Egito, duas características proeminentes eram o luto pelo Osíris morto e a alegria universal por sua ressurreição.

Ambas são comemoradas no ritual da Co-Maçonaria; a primeira pelas várias leituras prescritas para o Orador, e a segunda pelo pequeno cântico "Graças a Deus, que nos dá a vitória".

703. Além da instrução dada sobre a vida após a morte, há nesta estranha história uma lição alegórica que deveria ser levada a sério por todo M.M. Mais uma vez, Ir.

Wilmshurst o expressa por nós, explicando que assim como:

704. � o afastamento das atrações do mundo exterior � a purificação e subjugação das tendências corporais e sensuais � o trabalho de desapego e autopurificação é o nosso trabalho de Aprendiz � [assim como] a análise, disciplina e obtenção de controle sobre o mundo interior de cada um - da mente, dos pensamentos, das faculdades intelectuais e psíquicas - é a tarefa extremamente difícil do estágio de Companheiro � [assim] a �última e maior prova� reside na ruptura e rendição da vontade pessoal, no esmorecimento de todo senso de personalidade e individualidade, de modo que a pequena vontade pessoal possa se fundir na Vontade Universal divina, e a ilusão de existência separada e independente dê lugar à realização consciente da unidade com a Vida Una que permeia o Universo.

Pois somente assim pode-se ser elevado das condições de irrealidade, conflito e morte figurada para um conhecimento da Realidade última, da Paz e da Vida Imortal.

Alcançar isso é alcançar a Mestria, envolvendo a completa dominação da natureza inferior e o desenvolvimento em si mesmo de uma ordem superior de vida e faculdade. (The Masonic Initiation, pp. 19, 20.)

705. Essa realização da unidade absoluta é talvez a experiência mais maravilhosa que chega ao homem no curso de sua evolução - uma profundidade de bem-aventurança que é totalmente indescritível.

Nenhuma pessoa, nenhuma coisa é separada de qualquer outra, e ainda assim tudo é perfeitamente claro; todos são �expressões parciais de uma unidade única, subjacente e inexprimível�. Lord Tennyson escreveu sobre isso assim:

706. De repente, a partir da intensidade da consciência da individualidade, a própria individualidade parece dissolver-se e desvanecer-se em ser infinito; e este não é um estado confuso, mas o mais claro dos claros, o mais certo dos certos, onde a morte é uma impossibilidade quase risível, a perda da personalidade (se assim fosse) parecendo não ser extinção, mas a única vida verdadeira.

Envergonho-me de minha descrição débil.

Não disse eu que o estado está totalmente além das palavras? Esta é a declaração mais enfática de que o espírito do escritor é capaz de se transferir para outro estado de existência, não é apenas real, claro, simples, mas também infinito em visão e eterno em duração.

707. Outro Ir.'. da Ordem escreveu:

708. Você conhece tudo e compreende as estrelas, as colinas e as canções antigas.

Tudo está dentro de você, e você é toda luz.

Mas a luz é música, e a música é vinho violeta em uma grande taça de ouro, e o vinho na taça dourada é o Perfume de uma noite de junho.

709. A ESTRELA

710. Mesmo após a ressurreição simbólica ter ocorrido, ainda somos advertidos de que qualquer luz que possa penetrar nestes planos inferiores é apenas escuridão visível, e que para a verdadeira luz e informação mais completa devemos erguer nossos olhos para aquela brilhante estrela da manhã cujo nascer traz paz e salvação aos fiéis e obedientes entre os homens.

Não há dúvida de que no mito ensinado no antigo Egito, a estrela à qual se fazia referência nesses termos era originalmente Sirius.

Irmão

Ward observa:

711. A associação dessas ideias com a Estrela do Cão é, sem dúvida, um fragmento que desceu do antigo Egito, pois o nascer de Sirius marcava o início da inundação do Nilo, que literalmente trazia salvação ao povo do Egito ao irrigar a terra e permitir que ela produzisse alimento. (O Livro do M.M., p. 50.)

712. Para nós, porém, a estrela está investida de um significado simbólico e nos lembra a Estrela da Iniciação que marca o assentimento e a aprovação do Senhor do Mundo quando um novo candidato se junta à poderosa Fraternidade que existe de eternidade a eternidade.

Assim, nos esforçamos para cumprir o preceito de nosso ritual:

713. Que essa Estrela esteja sempre diante de seus olhos, e que sua luz ilumine seu coração; siga-a, como fizeram os Magos de outrora, até que ela o conduza ao portal da Iniciação, onde brilha acima do pórtico daquele templo glorioso, eterno nos céus, do qual até mesmo o de Rei Salomão era apenas um símbolo. (Os Mestres e o Caminho, p. 157.)

714. A ELEVAÇÃO DA HUMANIDADE

715. A humanidade é apenas um estágio da poderosa escada da evolução.

A vida divina que agora se manifesta através de nós, em eras passadas e longínquas, animou sucessivamente os reinos elemental, mineral, vegetal e animal.

Agora essa onda de vida particular alcançou o reino humano.

Ela entrou nesse reino pelo portão da individualização há eras e eras; deixará esse reino humano pelo portal da iniciação — essa Quinta Iniciação que transforma um homem em super-homem ou Adepto.

A humanidade está lentamente — muito, muito lentamente — trilhando uma grande e ampla estrada que serpenteia ao redor de uma montanha, sempre subindo gradualmente até atingir o cume.

O processo é deliberado e frequentemente irregular, até que a alma subitamente percebe o propósito de sua evolução, o plano de Deus para o homem, e resolve usar todo o seu poder para alcançar a meta o mais rápido possível.

Então ele começa a subir diretamente pela encosta da montanha, e cada vez que seu caminho cruza a estrada sinuosa, ele alcança um estágio definido de seu progresso; em cada um desses pontos há uma Iniciação.

716. As grandes Iniciações são cinco; a primeira marca o momento em que a alma sai do caminho batido, e a última, sua entrada no Templo no cume da montanha.

Tornar esse caminho mais curto, porém mais íngreme, uma realidade viva deveria ser o esforço de todo M.M.; e os três graus, sem dúvida, tipificam estágios nessa estrada.

717. O A.A. deveria, como personalidade, estar empregado em organizar sua vida física para um uso mais elevado; mas, ao mesmo tempo, como ego, deveria estar desenvolvendo inteligência ativa em seu corpo causal, exatamente como faz o pupilo dos Mestres que se prepara para a Iniciação.

Não sugiro, é claro, que cada A.A. esteja fazendo isso, ou mesmo que ainda possa fazê-lo; mas o Grau tem a intenção de colocar esse desenvolvimento diante dele como uma meta, e quanto mais cedo ele começar sua subida, melhor.

Da mesma forma, o C.C. está organizando sua vida emocional no nível inferior, enquanto desabrocha o amor intuicional em seu corpo búdico; e o M.M., ao organizar sua vida mental aqui embaixo, deveria, como ego, estar fortalecendo sua vontade espiritual.

718. FOGO, SOL E LUA

719. Encontramos nas escrituras indianas certas provas que parecem abordar as mesmas ideias por um ângulo diferente e, portanto, deveriam ser de interesse para os Maçons.

Os centros do umbigo, coração e garganta no corpo humano são mencionados como os lugares do fogo, do sol e da lua, respectivamente, e diz-se que aquele que medita nesses centros encontrará ali as Devis Saraswati, Lakshmi e Parvati ou Girija, nessa ordem.

Essas Devis são poderes voltados para fora, ou shaktis, de Brahma, Vishnu e Shiva, as três Pessoas da Santíssima Trindade, e têm respectivamente as qualidades de conceder conhecimento, prosperidade e autocontrole — em outras palavras, de ajudar o homem a alcançar seus mais elevados objetivos mental, astral e físico; pois os princípios físico, astral e mental são um reflexo (invertido, como o de uma montanha na água) dos três princípios da tríade superior.

720. Saraswati é a padroeira do aprendizado e da sabedoria prática; Lakshmi satisfaz os desejos e torna a vida rica e plena, e quando é verdadeiramente adorada, santifica toda a prosperidade material; Girija ou Parvati abençoa o corpo físico e torna santos os seus poderes.

O E.A. tem de levar seu corpo físico à perfeição, então a ajuda de que necessita é precisamente o que é simbolizado pela vontade de Girija; o F.C. tem de fazer o mesmo com seu corpo astral, com a ajuda do amor de Lakshmi; o M.M. repete o processo para o corpo mental, auxiliado pela kriyashakti de Saraswati, ou poder do pensamento.

721. Para conquistar e organizar a natureza física em benefício do eu superior, o E.A. deve usar sua vontade, o poder de Shiva, a Primeira Pessoa, refletido por sua Devi Girija.

Para transmutar as paixões do corpo astral, o F.C. deve usar seu amor intuicional que vem de Vishnu, a Segunda Pessoa, através de Lakshmi.

Para conquistar a mente vacilante e torná-la um instrumento perfeito para o eu superior, o M.M. deve usar o poder de seu pensamento, a atividade divina de Brahma, a Terceira Pessoa, refletida por Saraswati.

Madame Blavatsky disse que o aspirante deveria fazer um feixe das coisas inferiores e pregá-las ao eu superior; quando tiver feito isso, terá cumprido o destino que lhe é indicado - terá pisado com t � s � sobre seu o � g �

722. Essa alusão é semelhante à dos k � s nos três Graus, e de modo algum afeta o fato de que o E.A. está ao mesmo tempo aprendendo a controlar as emoções, e o F.C. está obtendo domínio sobre a mente.

O Maçom está simultaneamente realizando dois trabalhos - desenvolvendo-se e avançando em planos superiores, e ainda assim controlando e aperfeiçoando seus instrumentos pessoais.

723. Como estão esses conectados com o fogo, o sol e a lua? Lembre-se das três luzes menores: (1) o R.W.M., (2) o sol - o W.S.W., e (3) a lua - o W.J.W. Em sua capacidade de luzes menores, esses oficiais correspondem às Devis.

É o W.J.W. quem especialmente ajuda o E.A., o W.S.W. o F.C., e o R.W.M. o M.M.

724. É interessante notar que na explicação acima, o fogo corresponde à mente.

Outro aspecto da mesma verdade é visto no fato de que é o poder por trás da ciência moderna.

Sem o fogo, a química, a física, a geologia, a astronomia e todas as aplicações práticas dessas ciências não poderiam existir.

O M.M. é simbolicamente um detentor desse poder; ele é um trabalhador em metais, um fundidor de pilares, ocos por dentro, para conter os arquivos da alma e do espírito.

Em sua mão está kriyashakti, o poder criativo.

725. Diz-se que o caminho da lua tipifica a vida do homem comum, que se apega aos objetos de desejo e deles se separa com relutância na morte.

Após um período nos mundos astral e celestial, ele retorna à terra, para repetir o processo.

É o caminho do renascimento após intervalos.

O caminho do sol é o do aspirante ocultista, o homem de desejos espirituais, que valoriza a vida apenas pelo que ela pode dar ao eu superior, tanto nos outros quanto em si mesmo.

Ele também renasce, mas geralmente sem intervalo, ou após um intervalo muito curto.

O caminho do fogo é o caminho da ascensão, do qual não há mais renascimento sob a lei da necessidade, mas apenas por escolha do ego – apenas para ajudar o mundo.

726. OS VILÕES

727. Pouco precisa ser dito sobre o restante da história tradicional.

Podemos notar a curiosa semelhança entre os nomes dados aos três vilões, e o fato de que as três terminações, quando reunidas, formam a palavra sagrada Aum ou Om. Jubel ou Yehubel diz-se que significa "bem e mal"; ou pode ser interpretado como contendo os dois nomes de Jah (Jeová) e Bel ou Baal – o que, para um judeu daquele período, teria sido simplesmente bem e mal novamente.

728. A INSCRIÇÃO

729. Por fim, podemos mencionar a misteriosa inscrição na placa do c ∘ n na t ∘ b ∘ deste grau, escrita na cifra maçônica.

Em sua forma direta e comum, esse criptograma é conhecido por quase todo estudante; mas é capaz de uma série de permutações.

Neste caso, suas letras estão dispostas de maneira um tanto incomum, e deve ser lido da direita para a esquerda.

Tratado dessa forma, produz as iniciais de nosso Mestre, a suposta data de sua morte, e a palavra e a senha do grau.

Mas ninguém, exceto um Maçom, provavelmente o decifrará.

730. CAPÍTULO IX

731. OS GRAUS SUPERIORES

732. A maioria dos maçons do sexo masculino sustenta que a Ordem compreende apenas os três Graus de A.A., C.C. e M.M., embora na Maçonaria inglesa permitam o Grau de Marca e o Real Arco Sagrado como extensões nominalmente do Segundo e do Terceiro Graus, respectivamente, e também tenham uma cerimônia de Instalação para o Mestre de uma Loja que é praticamente um Grau adicional, embora nunca seja chamado assim.

733. Entre os maçons masculinos, apenas aqueles que pertencem ao Rito Escocês Antigo e Aceito trabalham os Graus superiores, embora vários outros pequenos corpos de maçons utilizem alguns deles.

Os Ritos de Memphis e Mizraim costumavam ter uma lista de 97 graus, mas agora os reduziram a 33. No entanto, embora muitos maçons não os admitam, esses Graus superiores são definitivamente parte do grande esquema da Maçonaria, destacando-se como marcos no Caminho ascendente que conduz à união consciente com Deus, encerrando em seu ritual e simbolismo uma série de quadros dos estágios sucessivos da realização espiritual, e conferindo poder sacramental calculado para acelerar o crescimento das faculdades internas do homem em vários níveis e de várias maneiras.

734. Portanto, no Rito Co-Maçônico reconhecemos ambos os conjuntos de Graus e os consideramos como constituindo um todo coerente, conduzindo aqueles que os trabalham adequadamente a um estágio muito elevado de desenvolvimento.

Mas eles são claramente destinados a prover para dois tipos distintos de pessoas — para a maioria e para a minoria.

Para o homem comum do mundo, os três Graus da Maçonaria Simbólica são totalmente suficientes; quando ele aprendeu as lições que têm a ensinar, ele não é mais o homem comum; ele se eleva muito acima da média.

Se ele puder suplementá-los com o conhecimento transmitido pelo Grau de Marca e pelo Santo Arco Real, ele terá uma regra de vida e uma filosofia que o conduzirão com crédito através do restante desta encarnação, e assegurarão para ele uma boa oportunidade de progresso na próxima.

No Arco Real, ele transcende os segredos substitutos e aprende a Palavra genuína que por tanto tempo e tão infelizmente foi perdida.

Pois a verdadeira Palavra é o Nome de Deus, e aqueles que nutrem uma concepção indigna da natureza e dos atributos de Deus estão em ignorância dessa verdadeira Natureza.

735. O PLANO MAÇÔNICO

736. O plano maçônico é obviamente destinado a desenvolver os princípios do homem em ordem regular.

O trabalho da Loja Azul está preocupado principalmente com a personalidade transitória, o instrumento temporário da alma.

Se a língua do bom relato é ouvida em favor de um homem, podemos supor que ele tem seu veículo físico razoavelmente sob controle; mas no Grau de Aprendiz, ele é instruído a trazê-lo completamente à subjugação, a alisar e polir a pedra bruta, e ao mesmo tempo a manter sua natureza emocional dentro dos devidos limites, reprimindo seus aspectos inferiores e desenvolvendo seu lado superior.

Como F.C., ele aprende a controlar absolutamente essas emoções, enquanto trabalha no gradual desdobramento dos poderes de seu corpo mental, no despertar e no treinamento de suas faculdades intelectuais.

737. Como M.M., ele é ensinado a viver à altura desse sublime título, obtendo completo domínio sobre a personalidade, a mente e também as emoções, a desenvolver uma magnífica atitude de fraternidade e altruísmo que o obriga a sempre adotar o ponto de vista do ego, de modo que nunca mais o esquadro possa obscurecer o compasso, e que o conduz através do Vale da Sombra da Morte ao limiar daquele mundo celestial onde o Self imortal habita para sempre.

Pois a morte mística e o ressurgimento não se relacionam apenas à existência contida da personalidade do homem no mundo astral após a morte do corpo físico, mas, em um sentido mais elevado, tipificam uma morte para tudo o que é transitório e impermanente, e a obtenção de uma Realidade eterna além dos véus do espaço e do tempo.

738. A CERIMÔNIA DE INSTALAÇÃO

739. Sempre me pareceu motivo de grande pesar que, nos trabalhos da Maçonaria Continental, a bela cerimônia de instalação do Mestre de uma Loja seja tão grandemente truncada ou até mesmo inteiramente omitida.

A posição de R.W.M. é de grande dificuldade e responsabilidade, e ocupá-la com sucesso exige uma combinação de qualidades nem sempre exemplificadas.

Firmeza e justiça perfeita devem ser conjugadas com tato, adaptabilidade e poder de persuasão.

O R.W.M. deve ter um interesse entusiástico no trabalho maçônico, uma forte determinação em manter suas tradições imemoriais e a santidade de seus marcos, e uma resolução séria de sempre sustentar a dignidade da Ordem, sem nunca esquecer, por um momento, que a gentileza e o amor fraternal são a própria essência e o fundamento de todos os seus trabalhos.

740. O Ir.

cujo dever é desenvolver essas características dentro de si manifestamente precisa de toda a ajuda que lhe possa ser dada, e ele inquestionavelmente recebe mais poder do alto pelo uso de uma cerimônia solene e impressionante do que pelo mero fato de ser eleito pelos Irm.

e tomar seu assento na cadeira do Mestre.

Aparentemente, o H.O.A.T.F. aceita e endossa o costume do rito mutilado naqueles países onde ele prevalece, pois a sucessão é transmitida, embora haja um sentimento bastante diferente sobre o efeito produzido.

(Veja p. 175.)

741. A outorga efetiva da autoridade ocorre no momento em que o Mui Respeitável Mestre é solenemente colocado em sua Cadeira com certos sinais e palavras de poder, mas há também um simbolismo encantador e apropriado oculto por trás dos outros sinais. O bastão é o de um monarca poderoso e digno que distingue alguém sobre quem está prestes a conferir um favor; o pilar e o trono de Salomão oferecem valiosíssimas indicações sobre qual deve ser o comportamento do Mestre na Cadeira, e o símbolo de uma maça de autoridade e cetro expressa bem a cortesia e a dignidade que devem caracterizar cada uma de suas ações.

742. O GRAU DE MARCA

743. No Grau de Marca, o aspirante é encorajado a acrescentar àquele crescimento geral que se espera de todos os Maçons a revelação de qualquer talento ou poder especial que porventura possua, a fim de que suas habilidades possam assim estar à disposição de seus irmãos e ser usadas em benefício de sua Loja, de modo que tal trabalho que passe por suas mãos possa trazer sobre si a marca de suas características particulares, e assim ser reconhecido dentre todos os demais.

Assim, desenvolver seu talento, não para autoglorificação, mas para o bem de seus Irmãos, é o dever especial do Maçom de Marca; enquanto o trabalho do Mestre de Marca é encontrar naqueles sob seus cuidados talentos ainda não suspeitados nem mesmo por seus possuidores, e extraí-los sob seu cuidado bondoso e protetor.

744. Ao mesmo tempo, o neófito é ensinado pelo ritual a necessidade da humildade e da paciência.

Ele faz uma pedra angular, uma obra bela e excelente, mas para a qual os construtores ainda não estão prontos, e consequentemente ela tem, por enquanto, de ser posta de lado.

O candidato, em sua decepção, sente a princípio que seu trabalho de vida foi desperdiçado; mas é exortado a demonstrar paciência e fortaleza, e no devido tempo chega o momento em que seu trabalho pode ser aceito e utilizado.

Tal experiência é inevitável na vida daquele que se esforça para servir à humanidade; o estudante deve estar preparado para descobrir que ideias, inquestionavelmente boas em si mesmas, ainda assim precisam ser rejeitadas quando apresentadas prematuramente; ele deve aprender a subordinar sua vontade à do Grande Arquiteteto do Universo, a trabalhar na tarefa que lhe foi prescrita e a desempenhar o papel que lhe foi designado no grande plano do qual ele é apenas uma fração infinitesimal, embora necessária.

745. Por mais pleno que o mundo esteja,

746. Há lugar para um homem sincero;

747. Deus tem necessidade de mim, ou eu não existiria;

748. Estou aqui para auxiliar o plano.

749. Podemos ver nos Graus da Maçonaria Simbólica uma profecia ou adumbração das Verdadeiras Iniciações que estão muito à frente na Senda do neófito, tomando o Grau de Aprendiz como imagem da entrada na Senda Probatória, o de Companheiro como representando a entrada na Corrente, que é a Primeira das Grandes Iniciações, e o de Mestre como tipificando o Quarto Passo, a Iniciação do Arhat.

750. A característica do Grau de Companheiro é o Serviço; todos os seus cinco estágios são formas de serviço, e eles conduzem àquela condição em que as mãos do candidato estão perpetuamente livres para pegar quaisquer ferramentas que possam ser necessárias no momento, no trabalho de ajudar outros.

Como o Grau de Marca é reconhecido como tendo sido originalmente parte do Grau de Companheiro, o Excelente e Perfeito Irmão Wood toma o Homem da Marca e o Mestre da Marca como simbolizando, respectivamente, a Segunda e a Terceira das Grandes Iniciações, conduzindo assim, de maneira muito satisfatória, ao Grau de Mestre, que é obviamente um prenúncio do Estágio de Arhat.

751. Ele também encontra no sistema hindu uma analogia interessante ao ensinamento do Grau de Marca.

O homem que entrou no Primeiro Estágio da Senda propriamente dita é chamado *parivrajaka*, o Peregrino, e isso é tomado para significar que o Iniciado não tem lar real, nenhuma fundação ou ancoragem neste mundo físico.

Como é expresso em um hino: "Sou apenas um estrangeiro aqui; o céu é meu lar." Ele realizou a primeira parte dessa citação, mas ainda não totalmente a segunda; ele sente como se fosse meramente um visitante destas regiões mundanas onde a maioria das pessoas se estabelece e se sente em casa, contudo ele não está definitivamente estabelecido no trabalho espiritual.

Quando ele se desfez dos três grilhões do egocentrismo, da dúvida e da superstição, ele é chamado *kutichaka*, o Construtor de Cabana; ele agora não é mais um peregrino, instável em ambos os mundos, pois encontrou para si um lugar e um trabalho definidos no plano búdico.

Quando isso é alcançado, uma Marca lhe é dada, tipificada na fraseologia maçônica e bíblica como uma pedra branca, sobre a qual um novo nome é escrito — o verdadeiro nome do ego.

752. O termo hindu para o homem que dá o Terceiro grande passo é *hamsa*, o Cisne; e esse nome é suposto ser fundado sobre uma antiga fábula que dotou essa ave com a faculdade apócrifa de separar o leite da água depois de terem sido misturados.

Ele é, portanto, tomado como símbolo do homem cuja discriminação é perfeita, que sabe distinguir o que vale a pena fazer e o faz, e por isso "marca bem".

753. Os Oficiais de uma Loja de Marca representam os sete princípios no homem, como o fazem na Loja comum, mas temos, além disso, três Supervisores, que guardam os Portões Sul, Oeste e Leste.

Estes também estão em seu devido lugar na série de princípios, se os tomarmos como tipos do antahkarana, que no Iniciado se tornou um canal ativo entre o ego e a personalidade.

Assim como os Senhores do Carma selecionam a porção do carma acumulado a ser trabalhada em uma vida, e isso se expressa nos corpos do homem e em seu ambiente, assim também o ego, diz o Ir. Wood, seleciona uma porção de si mesmo para ser o agente interno (antahkarana) entre si mesmo e a personalidade.

(Isto é explicado em seu livro Os Sete Raios.) Este antahkarana, que é tríplice, contém assim o plano de trabalho da encarnação, e os Supervisores, como agentes dos Senhores do Carma, guardam esse plano.

754. Quando o homem passou pela Segunda Iniciação, tendo lançado fora os três grilhões acima mencionados, ele começa a ver e a agir segundo o plano maior do ego, que é superior à porção encarnada.

Mas os Supervisores não permitirão que ele siga sua visão em detrimento do trabalho inferior na parte menor do plano que ainda lhe resta realizar. Ele não deve perder de vista sua visão, mas deve, contudo, submeter-se humildemente aos deveres que permanecem a ser cumpridos nas linhas ordinárias.

755. O REAL ARCO SAGRADO

756. Assim como o Grau de Marca é uma extensão do C.F., assim o Real Arco Sagrado de Jerusalém é uma continuação lógica do Grau de M.M.

Deixo intencionalmente de lado toda consideração sobre a elaborada confusão de sua história, embora tenha introduzido algumas notas sobre ela em meu segundo volume, Vislumbres da História Maçônica. Basta dizer aqui que todos os Graus superiores, aos quais me refiro neste livro, têm suas raízes nos Antigos Mistérios do passado mais remoto.

Eles não foram, como muitas vezes se supõe, criados de novo por cerimonialistas da Idade Média, mas foram revividos e reintroduzidos por sugestão direta ou indireta do C.S.T.F. quando Ele considerou desejável sua reemergência.

Que nunca seja esquecido que, através de todas as eras, Ele (ou Seu predecessor no Ofício) tem sido "A Vida Oculta na Maçonaria", e que essa Vida se manifestou de muitas maneiras e através de muitos canais inesperados, quando e onde pareceu mais adequado para a realização da Grande Obra.

757. Para explicar, na medida do permitido, o maravilhosamente iluminador ensinamento deste verdadeiramente sublime Grau do Santo Arco Real, tomarei emprestado livremente da exposição dada na Palestra Mística do Ritual Co-Maçônico do Grau, reservando apenas os pontos necessários para guardar os segredos.

758. Tendo alcançado simbolicamente no 3º grau o limiar da imortalidade, o aspirante encontra diante de si uma busca, uma busca pela P.S. de um M.M., que foram perdidas pela morte prematura de nosso Mestre H.A. Pode-se notar que, através do ensinamento dado neste Grau do S.A.R., vemos pela primeira vez por que e como a Palavra Sagrada foi perdida devido a essa morte.

Não foi porque foi esquecida, mas porque os Três Principais haviam jurado pronunciá-la somente quando se reunissem juntos.

Por esses segredos perdidos, todos os M.M.s estão comprometidos a buscar até que sejam encontrados.

Estes são os segredos do ser eterno do homem, os segredos daquela Divindade que ele esqueceu por estar envolto no véu da matéria; e diz-se que podem ser encontrados seguindo a orientação de uma Estrela, como fizeram os Sábios de outrora.

Essa Estrela é a Estrela da Iniciação, a Estrela da presença de Deus em nossos corações.

759. O Grau do S.A.R. conduz o neófito um passo adiante em sua busca, sendo assim uma sequência adequada ao Sublime Grau de M.M., sendo de fato uma parte integrante da mesma tradição hebraica.

O tempo simbólico do A.R. é o do início da construção do Segundo Templo, o Templo da alma do homem, assim como o Templo do Rei Salomão representa o de sua personalidade transitória.

Mas antes que o investigador possa encontrar a P.S., aquela Luz Oculta que habita em todas as coisas criadas, que está sepultada nas profundezas do Templo de Salomão, o Rei, sua visão deve ser tão purificada que ele possa contemplar Sua presença com olhos desvelados.

Essa obtenção da verdadeira visão espiritual é simbolizada pela Passagem dos Quatro Véus no caminho para a Cidade Celestial, o Santuário de Luz e Paz; pois os Véus representam aquelas limitações da consciência que cegam sua visão da Verdade.

Os P � W � s dos Véus explicam os meios pelos quais ele pode erguer as barreiras que o detêm, e mostram-lhe as qualidades que devem ser desenvolvidas para que se faça um real progresso espiritual.

Tal é a obra do Grau de Mestre Excelente, e ela é empreendida no poder e na luz da Estrela.

760. No Capítulo do H.R.A., a busca pelo W � é levada a uma conclusão temporária.

Por um aparente acaso, o Candidato é levado a descobrir a Abóbada Secreta de Salomão, o Rei, enterrada profundamente sob a superfície da terra; nessa Abóbada ele encontra o s � e m � N � de T.M.H., e pela primeira vez em seu trabalho maçônico obtém visão direta da Presença Divina.

O poder sacramental derramado neste Grau destina-se a acelerar o crescimento da Centelha Divina dentro dele, de modo que uma realização consciente da verdade da imanência de Deus possa ser alcançada por aqueles que vivem seu ensinamento corretamente, e o Candidato possa, assim, ser habilitado a reconhecer a presença de Deus em todas as coisas, por mais profundamente que essa presença esteja velada aos olhos da carne.

761. O ensinamento do H.R.A. é belamente epitomizado nas palavras do Salmista:

762. Para onde irei eu do Teu Espírito, ou para onde fugirei da Tua Presença?

763. Se subir ao céu, lá estás Tu; se descer ao inferno, lá estás também.

764. Se tomar as asas da manhã, e habitar nas extremidades do mar, ainda ali a Tua mão me guiará, e a Tua destra me sustentará.

765. Se disser: Porventura as trevas me cobrirão; então a minha noite se converterá em dia.

766. Sim, as trevas não são trevas para Ti, mas a noite é clara como o dia; as trevas e a luz são para Ti ambas iguais.

767. (Salmo cxxxix, 7-12)

768. Certos emblemas que são trazidos proeminentemente diante de nós na cerimônia do H.R.A. são para nós cheios de solene significação e valiosa sugestão.

O significado do N � Divino que é descoberto na Abóbada Secreta de Salomão, o Rei, é ao mesmo tempo simples e profundo.

Ensina que Deus é um e o mesmo Deus, por qualquer Nome que os homens O chamem, e que Ele é imanente no mais baixo assim como no mais alto.

Proclamando assim a Paternidade universal, mantém também a Fraternidade universal, e coloca diante de nossos Companheiros o mais nobre dos ideais.

O símbolo inteiro é envolvido pelo Círculo, o emblema do próprio Deus, a Realidade eterna por trás e dentro de todas as coisas, imutável, mas contendo todos os elementos da mudança.

Deste círculo pode-se verdadeiramente dizer que tem seu centro em toda parte e sua circunferência em lugar nenhum; pois é a Onipresença manifestada em símbolo.

Além disso, o círculo encerra uma profunda verdade da criação.

Ele é gerado por radiação a partir de um centro; isto é, sua circunferência é determinada pelos limites dos raios que partem do centro em todas as direções.

É essa radiação que, no sentido mais profundo, constitui o próprio círculo; pois centro e circunferência são apenas momentos alternados no processo de radiação.

Por isso podemos compreender que a Criação, ou a radiação do Centro Divino de todos os seres vivos, não é uma ação realizada em algum momento particular por Deus, mas é contínua; é o próprio Ser d'Ele; a criação é coeterna e coexiste com Deus.

769. Toda a criação verdadeiramente emana do Centro Divino.

Os inúmeros raios movem-se, cada um em sua própria direção, rumo à circunferência; mas enquanto no centro são todos Um, na circunferência são múltiplos, sendo cada raio distinto de todos os outros.

Assim, em Deus, tanto a unidade quanto a multiplicidade estão simultaneamente contidas; no Centro tudo é Um, na circunferência tudo é múltiplo.

No mundo exterior vivemos na circunferência do Círculo Eterno, e tudo está em separação e, portanto, em dor; a Arte Real da Maçonaria ensina-nos que devemos viajar ao longo de nosso próprio raio de manifestação em direção àquele Centro do qual um M∴M∴ não pode errar, a fim de redescobrir a verdade da unidade da Vida Divina em todas as coisas.

Quando nos movemos na circunferência, movemo-nos no tempo; contudo, quando contemplamos o círculo como um todo, vemos sua circunferência simultaneamente em todas as suas partes, e assim somos levados a perceber que o tempo é apenas nossa visão distorcida da Eternidade.

770. Novamente, o símbolo do círculo ensina-nos o poderoso Ritmo da Criação; todas as coisas emanam do centro da Unidade para a circunferência da Multiplicidade, e então retornam uma vez mais àquela Unidade de onde surgiram.

Este é o Sopro Eterno de Deus, o Sopro da Criação que se manifesta por todo o universo, na vida do homem com seu ciclo de existência da infância à maturidade e à velhice, e na Natureza com suas alternâncias de dia e noite e o fluxo rítmico das estações.

Neste contexto, é interessante notar quantas palavras que denotam Espírito em diferentes línguas significam primariamente Sopro – *spiritus* em latim, *pneuma* em grego, *ruach* em hebraico, *atma* em sânscrito.

É este Sopro Divino, o Espírito Santo, o Fogo Criativo de Deus, que invocamos especialmente no Grau do H.R.A.

771. Dentro do círculo, o triângulo é colocado, ensinando-nos que Deus, embora Um em essência, manifesta-se como uma Trindade – Poder, Sabedoria e Amor.

A Vontade Divina é o Centro do círculo, repousando em Si mesma em paz eterna e imutável; a Sabedoria Divina é o processo de radiação, o Espírito Santo, que é a Fonte da Atividade Divina, criando a multiplicidade das coisas à medida que se irradia do Centro; o Amor Divino é manifestado na circunferência do círculo, unindo todas as criaturas separadas no próprio vínculo da paz.

Esta natureza tríplice do Divino está presente em toda a Criação, em cada objeto e em cada criatura.

Em nossa própria consciência, manifesta-se na Vontade Espiritual, na Sabedoria Intuitiva e na Inteligência Criativa, que são três aspectos ou modos do espírito do homem, feito à imagem e semelhança de seu Criador.

No universo ao nosso redor, vemo-la como as três qualidades da manifestação – inércia, mobilidade e ritmo, conhecidas na filosofia hindu como os três *gunas*, e na filosofia ocidental como espaço ou extensão, tempo ou mudança, e ritmo ou qualidades que conferem a cada coisa sua natureza distinta e essencial.

772. Outro símbolo da criação é a cruz inscrita dentro do círculo, mostrando como o Divino em manifestação é crucificado na cruz da limitação, sofrendo voluntariamente para que o mundo pudesse vir a ser.

Nesse processo de criação, o Divino como vida e o Divino como forma parecem uma dualidade, embora sejam apenas manifestações do único Deus eterno.

Essa interação ou aparente dualidade no universo é também simbolizada pela cruz, que assim se torna o emblema do Nome Quádruplo de Deus.

Entre os Rosacruzes medievais, os quatro braços dessa cruz eram tomados como símbolos dos quatro elementos – água, fogo, ar e terra – chamados em hebraico *Iammim*, *Nour*, *Ruach* e *Iabescheh*, correspondendo ainda aos Quatro Seres Viventes ao redor do trono de Deus, simbolizados para nós pelos Quatro Grandes Estandartes da Ordem.

773. Visto que assim aprendemos que toda vida é a Vida Divina, segue-se também que a fraternidade dessa vida é, em verdade, universal, e de modo algum se limita à espécie humana.

Não apenas todo homem é nosso irmão, seja qual for sua raça, cor ou credo, mas também os animais e as árvores ao nosso redor — sim, até mesmo a rocha sob nossos pés — são todos nossos irmãos mais jovens, todos parte da mesma poderosa evolução.

Quando percebemos tudo o que esse conhecimento implica, quando vemos quão grande diferença ele faz em nossa atitude para com o mundo ao nosso redor, e quão grande mudança a prática da verdade aqui ensinada deveria produzir em cada Companheiro, não nos admiraremos da elevada consideração em que os escritores maçônicos têm este Grau do R.A. de Jerusalém, que consideram como a coroa e a completação da Maçonaria, por causa do conhecimento de Deus que ele nos proporciona.

774. Um símbolo curioso, porém altamente instrutivo, característico deste Grau é o chamado Tau Triplo, formado por três níveis, um em posição vertical e dois dispostos horizontalmente, unidos no centro.

O Tau, no antigo Egito, era o equivalente simbólico da cruz; significava a crucificação da Vida Divina no mundo da manifestação.

Era também emblemático da natureza andrógina da Divindade; tipificava Deus como Pai-Mãe.

No Avental do Mestre Instalado

775. Figura

776.

777. encontramos três Taus separados; no Real Arco Sagrado os vemos unidos, pois aqui o ensinamento dado é a unidade a ser encontrada em todo este universo tríplice, transmitindo também o significado de que cada Pessoa nesta Trindade tem seu aspecto masculino e feminino — exatamente a mesma ideia que é expressa na religião hindu pela afirmação de que cada Pessoa tem sua Shakti, comumente descrita como sua consorte.

Assim, o Três-em-Um torna-se Seis-em-Um, e, com o círculo circundante que indica a Totalidade não manifestada, temos o Sete Místico.

778. O Tau Triplo é também chamado, na Maçonaria do Real Arco, de a Chave.

Ele contém oito ângulos retos e é usado como medida ou mnemônico pelo qual os Sólidos Platônicos podem ser calculados.

Tomado isoladamente, é comensurável com o Tetraedro, cujos lados, sendo quatro triângulos equiláteros, juntos equivalem a oito ângulos retos, porque os ângulos internos de qualquer triângulo somam dois ângulos retos.

Diz-se que esse sólido foi usado pelos platônicos como símbolo do elemento Fogo.

779. Duas dessas Chaves são equivalentes ao Octaedro, que contém dezesseis ângulos retos e era considerado como representando o Ar.

Três Chaves são comensuráveis com o Cubo, cujos lados contêm vinte e quatro ângulos retos; essa figura era suposta a tipificar a Terra, porque é de todas essas figuras a mais firme e imóvel sobre sua base.

780. Cinco dessas Chaves nos dão quarenta ângulos retos, que são iguais em quantidade àqueles contidos nos vinte lados equiláteros do Icosaedro.

Esse sólido foi tomado para expressar o elemento Água.

781. O Sólido Platônico restante, chamado Dodecaedro, tem como lados doze pentágonos regulares.

É uma regra em geometria que os ângulos internos de qualquer figura retilínea são iguais a duas vezes tantos ângulos retos quantos lados a figura tem, menos 4 ângulos retos; assim, os ângulos internos de um pentágono são 10 − 4 = 6 ângulos retos; portanto, o dodecaedro é contido por setenta e dois ângulos retos e, consequentemente, é representado por nove Chaves.

Assim, ver-se-á que esta Chave é a maior medida comum de todos esses Sólidos Platônicos, e é por isso que no pergaminho ao redor dela na Jóia do Grau do Real Arco Real encontramos a frase latina: *Nil nisi clavis deest*, “Nada falta senão a chave”, ensinando-nos, por um lado, que sem o conhecimento interior todos esses símbolos são apenas sem vida, e, por outro, que, por maior que seja o ensinamento dado, há ainda mais a ser encontrado à medida que avançamos no caminho do progresso maçônico.

782. Há um método pelo qual, subdividindo os triângulos e o Selo de Salomão em triângulos menores e somando o número total de graus formados por todos os seus ângulos, podemos ainda uma vez mais calcular o número de ângulos retos equivalentes àqueles dos Sólidos Platônicos.

Esse processo é complicado e tem pouco valor prático, então não o apresento aqui; embora seja verdade que os Sólidos Platônicos tenham um significado profundo em conexão com aquele processo de Criação Divina, sobre o qual o Grau do Real Arco Real contém ensinamentos tão inestimáveis.

783. AINDA MAIS ALTO

784. Ao tentar dar uma ideia, tanto quanto possa ser licitamente dada, do esplendor e do imenso valor prático dos Graus Superiores, devo recapitular brevemente algo do que já escrevi em *Glimpses of Masonic History*. Embora o H.R.A. complete de forma tão satisfatória o sistema de ensino maçônico para a maioria dos homens, ainda existem poços mais profundos de sabedoria para o estudante que está decidido a conquistar seu caminho até a meta final, aquele a quem nada além do mais elevado pode satisfazer.

Gradualmente, tal homem chega a compreender que, embora tenha de fato encontrado no H.R.A. o Nome Divino e tenha contatado por si mesmo ao menos um aspecto da Luz Oculta de Deus, há ainda uma busca mais adiante diante dele, na qual pode penetrar ainda mais profundamente na consciência e no ser da Divindade.

Grande e maravilhosa é, de fato, a revelação que já lhe foi dada — uma revelação que mudou para ele todo o aspecto da vida e tornou para sempre impossível a existência egoísta e miseravelmente limitada do profano.

Contudo, ele agora começa a ver que está ainda tocando apenas uma circunferência de um vasto círculo — mais ainda, que está trabalhando apenas na superfície de uma esfera infinita.

785. A ROSA-CRUZ

786. É então que ele inicia sua segunda grande busca, que o conduz através de uma série de estágios, durante os quais diferentes atributos do Pai-Todo-Poderoso são estudados e, até certo ponto, realizados, até culminar na magnífica iluminação dada no Décimo Oitavo Grau, o de Soberano Príncipe da Rosa-Cruz de Heredom, através do qual ele encontra o amor divino reinando em seu próprio coração e no de seus Ir.·.

Ele também aprende que Deus desceu e compartilhou nossa natureza inferior conosco expressamente para que possamos ascender e compartilhar Sua verdadeira natureza com Ele.

787. O Nome do G:.A:.D:.U:. que é revelado ao aspirante neste maravilhosíssimo 18.º Grau era o segredo central e mais íntimo do antigo ensinamento dos mistérios egípcios.

O S:.O:.A:.T:.F:. em Sua encarnação como Christian Rosenkreutz traduziu o Verbo para o latim, retendo engenhosamente seu notável caráter mnemônico, todas as suas complicadas implicações e até mesmo uma aproximação próxima de seu som original.

Naturalmente, isso não pode ser dado aqui, mas o caráter geral da instrução que ele transmite de maneira tão hábil pode ser indicado por uma frase citada de um dos santos padroeiros da Maçonaria: "Deus é luz, e nEle não há trevas nenhumas". Ele também nos ensina que Deus está entronizado em cada coração humano, que o Espírito mais íntimo de cada homem é parte do próprio Deus, uma centelha do Divino; e que, portanto, todos os homens são um nEle, e não há altura à qual o homem não possa aspirar.

788. Deste grande fato central, todo um sistema de filosofia pode ser deduzido, e também uma regra de vida; quando os homens estão realmente convencidos disso, há fraternidade, paz e progresso, mas quando essa Palavra se perde, o caos reina e o mal se espalha.

Cada Cavaleiro deve meditar sobre isso e tentar perceber tudo o que isso envolve, pois o conhecimento que isso proporciona deve permear toda a fibra do seu ser, deve literalmente tornar-se parte da sua própria essência, se ele quiser cumprir o dever que dele se espera.

A profunda reverência e gratidão que esse pensamento sublime inspira deve ser sua atitude constante; ele deve viver na luz dessa verdade gloriosa; ela nunca deve ser esquecida, nem por um momento.

Pois para o homem que realmente sabe isso, toda a vida é um grande cântico de triunfo e gratidão.

Tudo isso ele reconhece, em tudo isso ele se alegra, sempre que se lembra dessa maravilhosa Palavra de poder.

789. É dever claro de todo Cavaleiro Rosa-Cruz difundir essa luz - pregar pela palavra quando possível, e sempre pela ação, este verdadeiro "evangelho da graça de Deus". Na forma Co-Maçônica deste Grau, ele é instruído a oferecer-se como um canal para a força Divina e a fazer esforços para cooperar com T.G.A.O.T.U. Por meio desse trabalho diário, seu buddhi ou princípio intuicional, a sabedoria oculta que no Egito era chamada de Hórus, o Cristo que habita no homem, deve ser despertado e grandemente desenvolvido, de modo que ele se torne, até o limite de sua capacidade, uma manifestação viva do Amor Eterno, um verdadeiro sacerdote que é seu instrumento para ajudar o mundo.

790. Neste Grau também encontramos certos símbolos de profundo significado.

A flor da Rosa tem a tríplice conotação de Amor, Sigilo e Fragrância, enquanto a Cruz também carrega o tríplice significado de Autossacrifício, Imortalidade e Santidade.

Assim, quando esses dois emblemas são tomados em conjunto, como sempre o são no nome Rosa-Cruz, eles significam o Amor do Auto-sacrifício, o Segredo da Imortalidade e a doce Fragrância de uma vida Santa.

791. A Serpente representa a Eternidade; o Triângulo Duplo, o Espírito e a Matéria; o Pelicano é outro símbolo antigo do Auto-sacrifício, assim como a Águia é o da Vitória.

792. É significativo que até este ponto o aspirante, tendo cumprido certos requisitos, possa solicitar avanço, possa exigir reconhecimento de seu progresso. Mas agora que ele está se aproximando dos Graus superiores, ele não pode mais fazer exigências - ele deve aguardar o convite daqueles que já alcançaram. Não cabe a ele, mas a eles, decidir quando está pronto para fazer um esforço adicional. Nos níveis aos quais ele deve agora se aproximar, a fraternidade é tão estreita, tão perfeita, que não deve haver risco de que sua plenitude seja prejudicada pela introdução de um elemento discordante.

793. Não apenas esses Graus superiores dão continuidade ao mesmo processo de desenvolvimento que foi iniciado nos inferiores, mas pode-se dizer que, em certo sentido, o repetem em um nível mais elevado. O Aprendiz controla e eleva a emoção no corpo astral; o Rosa-Cruz de Heredom desenvolve um amor muito mais elevado no buddhi que lhe corresponde. O Companheiro tenta fortalecer seu intelecto para compreender os mistérios ocultos da Maçonaria; o Cavaleiro K.H. desenvolve dentro de si aquela qualidade intelectual mais grandiosa que lhe dá sempre perfeito equilíbrio e um senso de justiça absoluta, de modo que ele compreende o funcionamento do karma. O Mestre combina dentro de si e leva adiante as qualidades dos Graus abaixo dele; a devida guarda de seu Grau mostra que ele deve derramar bênçãos e ajuda ao seu redor onde quer que vá; e, naturalmente, isso é verdade em muito maior extensão e em um nível muito mais elevado do Soberano Grande Inspetor Geral do 33°, pois ele deve ter amor, sabedoria e poder manifestando-se igualmente nele, para que nele a verdadeira essência do governo seja apresentada.

794. Na Maçonaria Azul e no Grau de H.R.A., invocamos a assistência de certos Anjos do Sétimo Raio para auxiliar os oficiais na condução dos trabalhos da Loja ou Capítulo; neste 18° e em outros Graus ainda mais elevados, fazemos isso também, mas o tipo de Anjos que respondem é diferente, pois cada Grau tem seu próprio tipo de assistente deva.

Nesses casos, porém, o apoio do reino Angélico é muito mais amplamente estendido; não apenas temos o auxílio dos Devas na realização de nossas cerimônias, mas a cada Príncipe de Heredom, no momento de sua Perfeição, um Anjo especial é vinculado, para ajudá-lo em seu trabalho privado e individual pela causa.

Isso será mais facilmente compreensível se eu mencionar primeiro a característica dos outros Graus.

795.   MAÇONARIA NEGRA

796.   Poucos necessitam de algo além da esplêndida revelação do Amor de Deus imanente que recebem no Décimo Oitavo Grau.

Mas há aqueles que sentem que ainda há mais a aprender sobre a natureza de Deus, que anseiam ardentemente por compreender o significado do mal e do sofrimento, e sua relação com o plano Divino; para eles existe a Maçonaria Negra – o ensino e o progresso compreendidos nos Graus do décimo nono ao trigésimo.

Esta seção dos Mistérios está especialmente concernida com o funcionamento do karma em seus diferentes aspectos, estudado como uma lei de retribuição, e assim, de um ponto de vista, é sombria e terrível.

Este é o núcleo interno que jaz por trás dos elementos de vingança no grau de Cavaleiro K.H. Os aspectos mais sombrios do karma estão amplamente conectados com a ignorância do homem sobre a natureza de Deus, e com a confusão a respeito de muitas formas nas quais Ele Se revela, e assim os s � s do 30º contêm o coração de sua filosofia.

Aquele Grau não seria plena e validamente conferido a menos que esses s � s fossem devidamente comunicados, uma vez que expressam seu significado e propósito internos.

797.   Na antiga instrução egípcia, correspondente a este grupo de Graus, ensinava-se que tudo o que o homem semeia, isso também deve colher, e que se semeasse o mal, o resultado seria sofrimento para si mesmo.

O karma das nações e raças também era estudado, e o funcionamento interno da lei sobre os diferentes planos era investigado pela visão interna, e mostrado ao estudante.

Todo o conjunto do que hoje chamamos de Maçonaria Negra conduzia a uma explicação do karma, como justiça Divina, tendo sido isso preservado para nós em sombra no que é agora o 31º, o do Grande Inspetor Inquisidor Comandante, cujo símbolo é um par de balanças.

No Egito, esse par de balanças era tomado como um emblema do perfeito equilíbrio da justiça Divina; o aspirante aprendia que todo o horror às vezes associado ao funcionamento do karma era de fato baseado na justiça absoluta, embora aparecesse como mal à visão menor dos profanos.

798. Assim, o primeiro estágio da instrução superior, o da Maçonaria Rosa-Cruz ou Vermelha, é dedicado ao conhecimento e à certeza do bem, enquanto ao segundo estágio, o do Cavaleiro K.H., é atribuído o conhecimento do mal aparente e sua explicação.

Em seguida, nos primeiros passos da Maçonaria Branca, coroa de toda a gloriosa estrutura, o aspirante aprende a ver a justiça subjacente do grande e eterno Deus, chamado no Egito de Amen-Rá, que está por trás de tudo igualmente, quer nos pareça mal ou bem.

Somos informados de que, em tempos mais antigos, antes do Kaliyuga, no qual o mal aparente predomina sobre o bem, o Cavaleiro K.H. usava insígnias amarelas em vez de pretas.

799. O 30º grau liga o Cavaleiro K.H. ao ramo governante, e não ao ramo docente, da Grande Hierarquia.

Ele deve tornar-se um centro radiante de energia perene, que se destina a dar-lhe força para vencer o mal e torná-lo um verdadeiro poder a favor do bem.

Embora a faixa seja preta, a cor predominante da influência é um azul elétrico (o do Primeiro Raio, bem diferente do azul da Maçonaria simbólica ou azul dos primeiros graus) orlado de ouro, incluindo e, no entanto, não submergindo a rosa do 18º grau. Um nível mais elevado da mesma energia é transmitido à Cátedra do Soberano Comendador, que tem a capacidade de transmitir a graça sacramental do grau a outros.

800. MAÇONARIA BRANCA

801. O mais elevado e último dos poderes sacramentais dos Antigos Mistérios que nos foram transmitidos é o do Soberano Grande Inspetor Geral do 33º grau. Os Irmãos desta alta Ordem devem ter passado de uma concepção da justiça divina para a certeza do conhecimento e a plenitude da Glória Divina na Luz Oculta.

O 33º grau liga o Soberano Grande Inspetor Geral ao próprio Rei Espiritual do Mundo — esse Adepto dos mais Poderosos que está à frente da Grande Loja Branca, em cujas fortes mãos repousam os destinos da Terra — e desperta os poderes do Espírito Triplo até onde podem ainda ser despertados.

Este mais elevado de todos os graus é dado a poucos, mas, mesmo entre esses poucos, só pode ter havido um punhado que tivesse a menor concepção do que haviam recebido, ou dos poderes postos em suas mãos.

A maioria daqueles a quem ele chega provavelmente o considera principalmente um grau administrativo, e não tem ideia de que ele possui um lado espiritual.

A concessão efetiva do Grau é uma experiência esplêndida quando vista com a visão interior; pois o Hierofante dos Mistérios (o H.O.A.T.F.) permanece acima ou ao lado do iniciador físico, naquela extensão de Sua consciência que é chamada o Anjo da Presença.

Se o recipiente do Grau por acaso já for um Iniciado, a Estrela (chamada no Egito a Estrela de Hórus) que marca a aprovação do Único Iniciador mais uma vez chameja acima dele em toda a sua glória; enquanto em qualquer caso os dois grandes Anjos brancos do rito fulguram em esplendor desde os lugares celestiais, mostrando-se tão baixo quanto o nível etérico, para que possam dar a sua plena bênção ao novo Governante no Ofício.

802. O H.O.A.T.F. faz os vínculos efetivos tanto consigo mesmo quanto com o reservatório de poder destinado à obra da Fraternidade Maçônica, e também através de Si mesmo com aquele Poderoso Rei cujo representante Ele é para esta obra, enquanto os grandes Anjos brancos da Ordem permanecem como os guardiões do Soberano Grande Inspetor Geral por toda a vida.

Este estágio combina o maravilhoso amor de Hórus, o Filho, com a inefável vida e força de Osíris, o divino Pai, e Ísis, a eterna Mãe do mundo; e esta união de amor com força é a sua característica mais proeminente.

803. Confere àqueles que se abrem à sua influência poder semelhante e apenas um pouco abaixo daquele da Primeira grande Iniciação, e aqueles que entram no 33º deveriam certamente qualificar-se para esse Passo antes de muito tempo.

De fato, nos grandes dias dos Mistérios este estágio era acessível somente a Iniciados, e sente-se que deveria ser dado apenas a tais agora, assim como pareceria apropriado que o maravilhoso dom do episcopado fosse conferido somente a membros da Grande Fraternidade Branca.

O poder do Grau quando em operação mostra-se em uma aura de branco e dourado deslumbrantes, envolvendo em si o rosa e o azul de Rosa-Cruz e K.H.; e ainda assim é também fortemente permeado por aquele tom peculiar de azul elétrico que é o sinal especial da presença do Rei.

O Soberano Grande Inspetor Geral é o "Bispo" da Maçonaria, e se a vida do Grau é realmente vivida, ele deveria ser um centro sempre radiante de poder, um verdadeiro sol de luz e vida e glória onde quer que vá.

804. Tal era o mais elevado e sagrado dos poderes sacramentais conferidos nos Mistérios do antigo Egito, tal o mais alto Grau que conhecemos na Maçonaria de hoje, outorgado em sua plenitude a muito poucos.

A oportunidade de atrair sua glória sublime é oferecida a todos os que recebem o Grau; até onde ela é aproveitada e que uso se faz do poder está nas mãos dos Irmãos.

sozinhos, pois para usá-lo, como deveria ser usado, é necessário elevado desenvolvimento espiritual e uma vida de constante humildade, vigilância e serviço.

Se ele o invocar para o serviço de outros, ele fluirá através dele poderosa e docemente para a ajuda do mundo.

Se ele negligenciar o poder, ele permanecerá adormecido e os vínculos sem uso — e Aqueles que estão por trás desviarão Seu olhar dele para outros mais receptivos.

A influência do 33° é um verdadeiro oceano de bem-aventurança e esplendor, força e doçura, pois é o poder do próprio Rei, o Senhor que reina na Terra como Vicegerente do Logos, de eternidade a eternidade.

805. COMO USAR OS PODERES

806. Deve-se, naturalmente, compreender em todos os casos que, embora a concessão dos Graus Superiores coloque certos poderes definidos nas mãos do recipiente, ela não o dota instantaneamente do conhecimento de como empregá-los; ele deve crescer nisso por meio de prática longa e cuidadosa, e a plena compreensão deles é o primeiro passo.

807. Alcançar tal entendimento completo não é tarefa fácil.

Aqueles de nós a quem esses poderes são confiados temos de manejar as forças de um mundo novo e superior; temos de aprender a fazer em pequena escala o que nossos Mestres fazem o tempo todo em escala muito maior; e isso significa que devemos conscientemente elevar nossas vidas muito mais para perto Deles.

Uma parte definida de Sua obra está sendo entregue a nós, para libertá-Los para outras e mais elevadas atividades; não devemos falhar com Eles, não devemos decepcioná-Los mostrando-nos incapazes de realizá-la.

808. Claramente, nossa tarefa é da mesma natureza daquela com a qual todos nós já estamos teoricamente familiarizados.

Todos os que trabalharam na Igreja Católica Liberal ou nos Graus anteriores da Co-Maçonaria sabem que o principal objetivo dessas grandes organizações é atrair influência espiritual do alto e irradiá-la sobre o mundo circundante, numa forma que esse mundo possa prontamente assimilar. Mas, em cada um desses corpos, o trabalho efetivo de irradiação e distribuição é realizado por entidades não humanas — pelos grandes Anjos ou Devas que invocamos — cabendo-nos, nesse trabalho, antes a provisão do material que eles empregam.

Nossa é a intensidade da devoção, da vida e da boa vontade que desperta a resposta do Logos; deles é o labor de selecionar, classificar e dirigir as múltiplas variedades dessa resposta Divina, aplicando-a onde for mais necessária.

809. Mas agora, neste trabalho dos Graus superiores, somos chamados não apenas a coletar, mas a dirigir — não apenas a fornecer material, mas a distribuí-lo e aplicá-lo. Devemos exercer as funções dos Anjos em alguns dos planos inferiores, deixando-os assim livres para concentrar suas energias em níveis mais elevados, onde ainda somos menos eficazes.

Os grandes Anjos de nossos respectivos Graus certamente trabalharão conosco; é para esse fim que vieram até nós; mas nós, por nossa parte, devemos fazer a nossa parcela do trabalho, para que a máquina como um todo possa atuar com a mais alta eficiência.

810. Esta é, de fato, uma privilégio prodigioso que nos foi conferido, e envolve uma responsabilidade correspondentemente pesada.

Nenhum de nós, estou certo, usaria intencionalmente nosso poder de forma errada; não há perigo disso; mas existe a possibilidade de que, por ignorância, deixemos de fazer uso suficiente desses novos talentos nossos.

Foi-nos dito há muito tempo que "a inação em um ato de misericórdia pode tornar-se ação em um pecado mortal". Uma vez que os Grandes Seres nos confiaram poderes tão portentosos, convém-nos tentar compreendê-los plenamente, estudar seu funcionamento, para que possamos aprender a usá-los da melhor maneira, a fazer com eles o que nossos Mestres pretendem que façamos.

811. Um segundo ponto é que, tendo recebido um grande acréscimo de força por nossa conexão com o Anjo, devemos manter uma vigilância duplamente cuidadosa sobre nossas palavras e pensamentos, e guardar-nos estritamente até mesmo de um lampejo momentâneo de irritabilidade.

Conosco, após nossos anos de autotreinamento, tal sentimento passa tão rapidamente que, embora seja sempre indesejável, pode não ter importado muito anteriormente; mas agora torna-se bem mais sério, pois mesmo sua passagem rápida pode causar considerável dano ao objeto de nossa ira.

812. NOSSA RELAÇÃO COM OS ANJOS

813. Devemos considerar atentamente a relação com o reino Angélico na qual estes Graus superiores nos introduzem, pois é uma questão da mais alta importância.

No momento de seu Aperfeiçoamento, é agregado ao Soberano Príncipe da Rosa-Cruz um esplêndido Anjo carmesim — um Ser de beleza, dignidade e poder além do máximo alcance de nossa imaginação.

814. Qual é a natureza dessa agregação, e qual será o efeito prático dessa bela parceria? O Anjo liga-se aos princípios superiores do homem, sobretudo ao buddhi ou sabedoria intuitiva, e o resultado deverá logo se manifestar de duas maneiras.

A indescritível vitalidade e versatilidade da mente do Anjo impressionar-se-ão constantemente sobre o corpo mental do neófito, estimulando-o a uma atividade muito maior, sugerindo novas linhas de pensamento e ação em benefício da humanidade, fortalecendo a qualidade do amor dentro dele e oferecendo-lhe sempre novos canais através dos quais possa fluir.

815. Inversamente, quaisquer ideias que surjam na mente do neófito serão de imediato captadas e intensificadas pelo Anjo, e toda sorte de sugestões será oferecida quanto aos métodos de colocá-las em prática.

Mas não se pode repetir com demasiada frequência nem gravar com demasiada ênfase no aspirante que tudo isso ocorrerá apenas se ele fizer um esforço definido para se abrir à influência Angélica, apenas se ele se preencher com o amor ígneo que é o fator comum e a linha de comunicação entre as duas evoluções que, de resto, diferem tão amplamente.

816. Se de algum modo devemos compreender esses maravilhosos habitantes de um mundo superior, que é ainda parte de nosso mundo (e é claramente nosso dever tentar compreendê-los), precisaremos alargar toda a nossa concepção de vida.

Nossos estudos nos Graus anteriores deveriam ter-nos dado um ponto de vista mais elevado e dotado-nos de uma perspectiva mais ampla do que a do homem não instruído; mas ainda estamos confinados em nossa rotina humana, e devemos aprender a transcendê-la. Em comparação com a realidade inimaginável, nossas ideias são, na melhor das hipóteses, pessoais e limitadas — até mesquinhas e sórdidas.

Eles são bons em sua espécie, mas estão restritos a essa espécie; eficazes em algumas direções, mas totalmente inconscientes de que existem outras direções de maior importância.

817. Os reinos da natureza estão curiosamente relacionados entre si, e a compreensão mútua é extraordinariamente difícil.

Pense até que ponto é possível, mesmo para o mais inteligente de nossos animais domésticos, compreender a nossa própria vida.

Ele nos vê sentados lendo ou escrevendo por horas a fio; como poderia ter qualquer ideia real do que estamos fazendo? A grande porção de nossa existência que depende da posse dessas faculdades está totalmente além de seu alcance, e nunca podemos explicá-la a ele.

Exatamente assim, há muitas atividades do reino angélico que são incompreensíveis para nós.

818. Contudo, quando um desses brilhantes Espíritos é ligado a nós por uma cerimônia maçônica, não devemos pensá-lo nem como diretor nem como atendente, mas simplesmente como um colaborador e um irmão.

Nosso egocentrismo é tão arraigado que, quando ouvimos falar de tão maravilhosa associação, pensamos imediatamente, ainda que inconscientemente, o que podemos ganhar com essa relação.

O que podemos aprender com esse ser resplandecente? Ele nos guiará, nos aconselhará, nos protegerá? Ou, por outro lado, é ele um servo a quem podemos enviar para fazer a nossa vontade? É justamente porque somos criaturas dessa espécie, justamente porque pensamos dessa maneira, justamente porque estamos nesse estágio de evolução, que a admissão ao 18º tem de ser somente por convite.

Uma pessoa que ainda se encontra nessa condição do que se poderia chamar de egoísmo latente não está ainda pronta para ser vinculada a uma entidade radiante que não sabe o que significa egoísmo.

819. Eis aqui um grande e poderoso Ser, de uma ordem bastante diferente da nossa, mas em certos aspectos complementar a ela; se nós dois pudermos trabalhar juntos em uma união tão perfeita que haja apenas uma vontade, um propósito, um pensamento — e esse o pensamento Divino — entre nós, poderemos alcançar muito mais, poderemos ser de enorme utilidade ao Logos, muito mais do que jamais poderíamos quando trabalhando separadamente, por mais vigorosos que fossem nossos esforços.

Tal união faz parte da intenção de Deus para nós; se pudermos alcançá-la, será uma vantagem incrível para nós; contudo, se a desejarmos por causa desse ganho pessoal, seremos indignos dela e falharemos em realizar nossa esperança.

Devemos aceitar tão magnífica camaradagem apenas por causa do benefício que advirá ao mundo; quanto a nós mesmos, devemos ser absolutamente impessoais, devemos ter-nos esquecido completamente de nós mesmos, contudo, devemos estar repletos do divino fervor de amor pela humanidade.

820. Um homem pode sentir: "Estas coisas são altas demais para mim; quem será suficiente para elas?" Se o carma coloca a oportunidade em seu caminho, a realização está ao seu alcance, mesmo que isso signifique um trabalho mais árduo do que ele jamais empreendeu.

E o amor ígneo, que é a própria essência da vida de seu Serafim, despertará cada vez mais a qualidade latente em si mesmo, até que o que agora parece impossível tenha sido realizado, tenha se tornado parte de sua existência diária.

821. O 30° traz também seu Anjo, de caráter apropriado — um grande Deva azul do Primeiro Raio, que empresta sua força ao Cavaleiro K.H., um pouco como o Anjo carmesim assiste o Ex. e Perf. Ir. do Rosa-Cruz.

O 33° dá dois companheiros de trabalho tão esplêndidos — Espíritos de tamanho gigantesco em comparação à humanidade, e de cor branca radiante.

Entre os Anjos não há sexo como entendemos a palavra; contudo, esses dois Grandes Seres diferem em um sentido que é melhor expresso dizendo que um deles é predominantemente masculino e o outro predominantemente feminino.

Aquele que geralmente está à direita do Soberano Grande Inspetor Geral tem uma aura de luz branca brilhante entremeada de ouro, e representa Osíris, o sol e a vida, o aspecto positivo da Divindade; ela que está à esquerda tem uma aura de luz semelhante veiada de prata, e representa Ísis, a lua e a verdade, o aspecto negativo ou feminino da Glória Divina.

Eles são esplêndidos além de todas as palavras, e radiantes com amor vivo, embora acima de tudo transmitam um senso de poder irresistível, embora benevolente; e dão força para agir com decisão, precisão, coragem e perseverança no plano físico.

822. Eles pertencem à Ordem cósmica dos Anjos, que são comuns a outros sistemas solares além do nosso, e seus centros permanentes de consciência estão no plano intuicional; embora sempre que julguem conveniente, eles atraem ao redor de si matéria mental e astral (como, por exemplo, em todas as cerimônias maiores em Loja) e estão sempre prontos a dar sua bênção sempre que for invocada.

Eles são inseparavelmente um com o Soberano Grande Inspetor Geral, ligados ao seu Eu Superior, nunca o abandonando, a menos que, por indignidade, ele primeiro os abandone e os rejeite.

Os símbolos do sol e da lua são geralmente representados nas luvas do detentor dessa posição sublime, e destinam-se a referir-se a essas grandes Potências Angélicas, que guardam uma estreita semelhança com aqueles magníficos membros de seu reino que se ligam a um Bispo no momento de sua consagração e, a partir de então, permanecem sempre em conexão com ele.

823. Esta última frase requer uma explicação um pouco mais detalhada, pois a associação é de caráter incomum.

Esse brilhante séquito da hoste celestial não acompanha visivelmente o Bispo ou o Soberano Grande Inspetor Geral em todos os momentos; contudo, a consciência desses elevados companheiros angélicos nunca está fora de contato com a sua própria, embora o vínculo não seja fácil de explicar.

O Anjo mantém uma linha de comunicação sempre aberta, e a extremidade dessa linha, que repousa na aura de seu parceiro humano, flutua ali como uma estrela ou um minúsculo ponto de luz.

Se o Bispo ou o Príncipe-Maçom chama seu amigo interior, este último está instantaneamente ali; na verdade, um chamado não é necessário — o mais leve lampejo de pensamento é suficiente.

O vínculo deve ser de natureza muito notável, pois eu mesmo descobri que a intenção de realizar qualquer ato episcopal — mesmo para dar a bênção mais comum — atrai imediatamente a atenção desses nobres colaboradores, embora eu não tenha pensado conscientemente neles de forma alguma.

824. Perguntei-me se seria irreverente ver naquele minúsculo ponto de luz na aura que representa o Anjo algum tipo de analogia, em um nível infinitamente inferior, à Hóstia no Sacrário, que é o veículo do Senhor Cristo.

Quantas vezes vi, em alguma pequena igreja de aldeia no Continente, o suave brilho que indica a Santa Presença; e quando alguma humilde camponesa entra a caminho do mercado, deposita sua cesta no adro e se ajoelha por alguns momentos de oração, quantas vezes vi esse brilho irromper em um resplendor semelhante ao sol, em resposta imediata ao seu pensamento sincero de devoção! A Santa Presença nunca está ausente, mas certamente se manifesta em maior atividade em resposta a um apelo.

O centro de força do Anjo é algo como um tênue reflexo disso?

825. Talvez outra analogia possa ser encontrada nas doze estrelas que, seguindo a bela descrição no Apocalipse, são tão frequentemente mostradas em pinturas medievais ao redor da cabeça da Bem-Aventurada Virgem Maria.

Todas estas representam poderes; talvez correspondam de alguma forma aos pontos de luz que os Anjos deixam em nossa aura.

A Estrela sempre flutuando sobre a cabeça de um Iniciado denota o Poder do Rei, do qual ele pode lançar mão a qualquer momento, enquanto a estrela sobre sua testa é o símbolo de seu próprio poder adquirido.

826. CAPÍTULO X

827. DOIS RITUAIS MARAVILHOSOS

828. OS TRABALHOS NO EGITO

829. No Capítulo VI comentamos sobre o procedimento adotado na Loja quando há um candidato a ser iniciado.

Naturalmente, este nem sempre é o caso, e quando não é, após tratar de qualquer assunto que possa surgir, é costume que o V.M., ou algum Ir.: especialista

por ele convocado, ministre alguma instrução aos IIr.:

ao longo de linhas maçônicas, ou profira uma palestra sobre algum ponto histórico de interesse maçônico.

Às vezes, as "Instruções" formuladas do Ofício Masculino são ensaiadas — um conjunto muito interessante de documentos organizados em forma de perguntas e respostas, que recapitulam e explicam o ritual, e contêm uma boa quantidade de informações maçônicas diversas.

Às vezes, a explicação oficial da P.:. é recitada, com qualquer comentário ou elucidação adicional que ocorra ao V.M.

830. No antigo Egito, este era o ponto em que, nas Lojas comuns, o ensino especial dos Mistérios era dado.

Parece ter consistido em palestras um tanto informais pelo V.M. sobre as várias ciências que estavam incluídas em seu currículo bastante extenso.

Os IIr.:

eram permitidos a fazer perguntas, mas tudo era feito com o maior decoro possível, e com uma certa reverência arcaica e formal, mas muito real, que era encantadora de se ver.

O que devemos chamar de exames, embora fossem muito diferentes dos nossos, eram realizados quando conveniente, e nenhum Ir.:

podia passar para um grau superior sem satisfazer os oficiais quanto ao seu pleno conhecimento e capacidade com relação ao estágio em que estava então trabalhando.

Sempre que era possível, um ponto especial era sempre feito da copiosa ilustração de qualquer assunto em consideração, e isso era efetuado às vezes por quadros e modelos, às vezes por representações dramáticas (como de cenas importantes da história antiga), e às vezes pela materialização real de objetos e materiais que não poderiam ser obtidos de outra forma.

831. Nas três Grandes Lojas o procedimento diferia.

Seus membros já haviam adquirido o conhecimento científico necessário, portanto podiam dedicar-se inteiramente ao grande propósito para o qual existiam — a emissão de poder espiritual sobre o país.

Isso era feito por meio de um ritual talvez tão magnífico quanto qualquer um já conhecido pelo homem — um ritual do qual darei aqui uma tradução livre, embora sinta ser inteiramente impossível reproduzir em palavras a majestade e o esplendor do original.

832. Como já foi dito, as Grandes Lojas eram limitadas a quarenta membros, mas esses Irmãos eram homens especial e essencialmente selecionados, e cada um tinha como dever assumir alguma qualidade ou atividade particular e capacitar-se para ser um representante dela.

Um homem, por exemplo, representava a perseverança e era chamado o Cavaleiro ou Senhor da Perseverança; outro era o Cavaleiro ou Senhor da Coragem; outro assumia a virtude do tato, e assim por diante. Uma lista dessas qualidades está anexada; mas não estou satisfeito com ela, pois é muitas vezes extremamente difícil encontrar equivalentes em inglês para as ideias egípcias, e em muitos casos uma frase inteira seria necessária para explicar plenamente estas últimas.

Amor e Sabedoria   Força   O Poder de descobrir e apreciar a Beleza   Discernimento (Bom Julgamento ou Discriminação)   Eloquência   Verdade e Exatidão   Diligência (Aplicação)   Eficiência   Sentido de Unidade (Simpatia)   Cortesia   Tato   Decisão (Prontidão)   Coragem

Alegria

Confiança

Calma

Equilíbrio   Perseverança (Firmeza)   Reverência   Devoção

Previsão (Cálculo ou Presciência)   Unidirecionalidade   Sentido de Honra   Imparcialidade (Ausência de Preconceito)   Justiça   Ausência de Desejo   Controle do Pensamento   Controle da Emoção   Controle do Corpo   Fala Judiciosa   Controle da Memória (Saber o que lembrar e o que esquecer)   Meditação   Pureza   Paciência e Gentileza   Persuasividade   Adaptabilidade

Tolerância   Ânsia de Serviço (Humildade)   Estudo   40. Perspicuidade

V.M.   V.S.W.   V.J.W.   I.P.M.

Orador ou Porta-voz   Secretário (Arquivista e Bibliotecário)   Administrador (Tesoureiro)   Diretor de Cerimônias   Diretor de Música   S.D.   J.D.   I.G.   Cobridor

Colunas

Colunas

833. Era, então, dever de cada irmão preparar-se para expor ou expressar sua qualidade ou atividade – não para si mesmo, mas como parte do todo.

Um homem cultivava a coragem, não para ser bravo, mas para representar a coragem naquele grupo, considerado como uma entidade composta, que era, em um sentido muito real, uma unidade.

Cada um deles devia conhecer sua qualidade não apenas do seu próprio ponto de vista, mas também por um curioso sistema de correspondências cruzadas.

Esperava-se que cada pessoa fosse capaz de proferir um sermão sobre sua qualidade do ponto de vista de cada uma das outras qualidades.

Coragem temperada pela humildade; coragem afetada pelo amor, e assim por diante; havia muitas combinações peculiares e interessantes.

Eram homens de primeira linha – e precisavam ser, para realizar seu trabalho com eficiência.

834. A FORMA DO TEMPLO DE AMEN-RA

835. A execução da bela cerimônia chamada "A Construção do Templo de Amen" era o principal trabalho realizado por essas grandes Lojas; e, como já disse, os Ir.

consideravam-na a principal razão de sua existência.

Como explicado no Capítulo I, eles sustentavam que a Luz Oculta de Deus habitava no coração de todo homem, por mais não evoluído que fosse; e consideravam dever do iluminado, primeiro, viver de modo a deixar essa Luz brilhar sem obstáculos através de si, e segundo, tentar por todos os meios ao seu alcance ajudar a despertar e desvelar essa Luz Oculta em seus semelhantes.

836. Eles descobriram por experiência que um dos modos mais eficientes de dar tal ajuda a grandes números simultaneamente era proporcionar um canal para a efusão de uma vasta torrente de força espiritual sobre a região circunvizinha, e era isso que se esforçavam por fazer na cerimônia que estou prestes a descrever.

Eles disseram: "Toda Luz vem do Grande; mas porque os homens se encerram nas cavernas da ignorância e do desentendimento, nossos espelhos terrenos podem refletir essa Luz onde de outra forma ela não penetraria, e assim o Grande aceita nossa ajuda e condescende em usar na obra aquela parte de Si mesmo que se manifesta através de nós." Aguardavam esta cerimônia com o máximo entusiasmo e não consideravam esforço algum demasiado para se prepararem para ela; e lançavam-se à sua execução com um entusiasmo insuperável.

837. Reuniam-se para essa função numa sala subterrânea de vastas dimensões, que em aparência se assemelhava a uma grande catedral.

A Loja era uma pequena área no meio dessa caverna prodigiosa, como a cella num templo grego.

O piso de mosaico, o pavimento tessellado e as disposições maçônicas usuais estavam ali, exatamente como os temos hoje.

Para a execução desse rito particular, o altar ficava no centro; mas a forma usual da Loja no Egito era o quadrado duplo — um retângulo cerca de duas vezes mais comprido do que largo — e nesse caso o altar ficava no ponto médio do quadrado oriental; mas para "A Construção do Templo de Amen" o altar era absolutamente central.

Em todas as Lojas no Egito atribuíam grande importância ao altar, dizendo que os altares da Maçonaria haviam sido desde tempos imemoriais os faróis de liberdade, e a Loja uma cidade de refúgio.

838. Logo fora da área da Loja, no lado norte, havia uma fileira de nove altares subsidiários, algo semelhantes a pequenas mesas de tampo arredondado.

Cada um era um pilar de pedra finamente esculpido, elevando-se a uma altura de pouco mais de três pés e então se alargando num tampo de mesa redondo, talvez com dois pés de diâmetro.

Em cada um deles estava o nome de um dos grandes Arcanjos.

Esses eram os altares das Nove Ordens de Anjos, e aquele que hoje representamos sob o nome de Arcanjo Miguel era o ponto central dos nove.

Abaixo, no chão, ao redor de cada um deles, havia uma espécie de calha rasa na qual, durante a cerimônia, incenso queimava o tempo todo.

Não estou muito certo de como o fogo era mantido, pois nos Mistérios Egípcios eles possuíam meios de produzir luz extremamente brilhante e calor intenso que eram bem diferentes dos nossos — provavelmente algo que ainda não descobrimos.

Assim, eles tinham um fino véu de incenso elevando-se ao redor de cada um desses pequenos altares.

839. O altar no centro da Loja era peculiar e requer um pouco de explicação.

Foi construído no mesmo plano geral dos dos Anjos, mas era consideravelmente mais maciço.

Sua borda era espessa e, estritamente falando, não circular; era realmente um polígono com quarenta lados — um lado para cada pessoa presente.

O topo do altar tinha talvez cerca de sete pés de diâmetro, e cada uma das quarenta pequenas facetas era quadrada.

O altar era feito de algum tipo de obsidiana ou possivelmente de jade — semelhante a vidro, não preto, mas azul-escuro ou verde.

No centro desse topo espesso do altar, havia uma luz muito brilhante escondida, bastante invisível quando todo o mecanismo estava fechado.

840. Na superfície superior desse altar oco, havia uma abertura circular, fechada por uma pequena porta, cujas duas metades podiam deslizar para se separar, de modo que a luz pudesse brilhar para cima em direção ao teto através desse orifício no topo do altar.

Além disso, cada uma das facetas tinha uma pequena porta que se levantava. Podia-se pegar a moldura saliente e levantar a pequena porta, de modo que um feixe de luz brilhasse horizontalmente em direção à parede distante através da pequena fresta que assim se abria.

Dentro de cada uma dessas pequenas portas havia vidro colorido, de modo que diferentes raios saíam de cada uma dessas quarenta frestas quando abertas.

Essas cores foram escolhidas para representar as várias qualidades, ou pelo menos para distinguir uma da outra.

Algumas eram cores simples, mas a maioria eram combinações.

Quero dizer que um feixe de luz seria dividido — metade amarelo e metade azul, digamos; às vezes essa divisão seria diagonal, e às vezes horizontal, de modo que os feixes resultantes fossem prontamente reconhecíveis.

841. Sobre o altar, no centro do teto, estava a Estrela Flamejante, que em plena potência era uma luz realmente esplêndida, igual a vários grandes arcos elétricos juntos.

Ela podia, no entanto, ser diminuída gradualmente, e podia ser usada em vários graus de potência.

Cada um dos Irmãos trazia para esta cerimônia uma luz privada própria, que era praticamente uma lanterna escura.

Era um vaso de cerâmica azul de aparência um tanto desajeitada, mas tinha um tubo correspondente ao de uma lanterna de bolso, de modo que podia disparar um poderoso feixe de luz que se destacava claramente no ar carregado de incenso.

O raio de luz de cada pessoa era diferente, correspondendo a um daqueles do altar no centro.

Outra característica bastante estranha às nossas ideias modernas era a presença de dois acólitos assistentes na cerimônia — um menino e uma menina de cerca de doze anos de idade, crianças belíssimas, escolhidas por sua beleza em toda a terra do Egito. Eles eram obrigados, sob o mais sagrado juramento (o juramento por Amen, que ninguém jamais ousaria quebrar), a não falar fora dali sobre o que ocorria na Loja.

Certos vasos e outros apetrechos eram mantidos sob o pedestal do V.M., e solenemente trazidos dali por esses pequenos acólitos quando necessário.

842. A CONSTRUÇÃO DO TEMPLO DE AMEN-RÁ

843. Quando a cerimônia da Construção do Templo de Amen ia ser realizada, a Loja era aberta da maneira comum e elevada diretamente ao Terceiro Grau pelo método mais breve, na devida e antiga forma.

A Estrela Flamejante brilhava no momento da abertura, mas não em sua máxima possibilidade.

Após as indagações sobre os negócios, o V.M. deu um k — que foi respondido como de costume, e disse:

844. — Irmãos, reunimo-nos para realizar o maior de nossos deveres — construir o Templo do Grande, o Grande Arquiteto, o Grande Geômetra, o Altíssimo.

845. Ao pronunciar o primeiro título, todos os presentes ergueram o dorso da mão direita à testa, e a cada um dos outros títulos as saudações apropriadas foram feitas, exatamente como as conhecemos agora.

Permaneceu na saudação, o V.M. continuou:

846. — Que sejamos considerados dignos de servi-Lo.

847. Todos os presentes repetiram as palavras, entoando solenemente em resposta:

848. — Que sejamos considerados dignos de servi-Lo.

849. Da mesma maneira, as seguintes frases foram repetidas:

850. V.M. — Que nosso trabalho seja guiado por Sua sabedoria.

851. Todos — Que nosso trabalho seja guiado por Sua sabedoria.

852. P.V. — Que nosso trabalho seja inspirado por Sua força.

853. Todos — Que nosso trabalho seja inspirado por Sua força.

854. S.V. — Que nosso trabalho manifeste Sua beleza.

855. Todos — Que nosso trabalho manifeste Sua beleza.

856. V.M. — Que nosso trabalho seja aceitável a Seus olhos.

857. Todos — Que nosso trabalho seja aceitável a Seus olhos.

858. Essa última frase significava mais do que se transmite nas palavras em português, pois também incluía a ideia de que, enquanto Ele o via e o aprovava, Ele também poderia ser visto nele, poderia brilhar através dele e manifestar-Se.

859. Então o V.M. disse:

860. — Irmãos, preparemo-nos com alguns minutos de meditação.

861. Fez um sinal com a mão, e a Estrela Flamejante foi extinta, deixando a Loja em total escuridão.

Cada irmão tinha sua lâmpada acesa, mas a luz estava perfeitamente oculta.

No assento de cada homem havia uma espécie de soquete ou suporte no qual sua lâmpada se encaixava, e quando era colocada nesse suporte, seu tubo estava precisamente apontado para a faceta correspondente do altar central.

Cada irmão (ou irmã) mantinha sempre o mesmo assento, e o vidro colorido no tubo de sua lanterna assemelhava-se exatamente ao da faceta do altar à qual ele estava oposto.

862. O DESVELAMENTO DA LUZ OCULTA

863. Após alguns minutos de meditação na escuridão, o V.M. deu uma batida, que foi respondida como de costume, e o V.S., disse:

864. "V.M., é vossa vontade que oremos ao deus Rá para desvelar a Luz Oculta?" (O deus Rá é o Logos Solar, manifestando-se através do sol).

865. O V.M. respondeu:

866. "Rá desvela Sua luz quando desvelamos a nossa.

Portanto, dai para que recebais."

867. Então ele deixou seu assento na escuridão, e desceu até o altar, com seus dois pequenos acompanhantes, e ficou de costas para seu próprio trono, mas próximo ao altar.

Ele também tinha uma lâmpada como todos os demais, e agora a carregava em sua mão.

Ele ergueu a corrediça de sua lâmpada e mostrou sua luz, enquanto dizia: "Eu dou a Luz da sabedoria," e apontou essa luz para o altar à sua frente, e ao fazê-lo, estendeu a mão e ergueu a portinhola correspondente.

Havia uma pequena saliência na qual ela se prendia, de modo que permanecia aberta, e assim, em resposta ao raio colorido de sua lâmpada, um raio de cor semelhante brilhou sobre ele vindo do altar.

Ele então entregou sua lâmpada a seu pequeno acólito, que a levou de volta à sua cadeira e a colocou em seu soquete; e então o V.M. contornou a mesa até o outro lado.

868. Então o V.S., de seu lugar, disse: "Eu dou a Luz da força," e descobriu sua luz, que também foi colocada em seu soquete de modo que o raio de luz caísse sobre a borda da mesa exatamente oposta a ele.

O V.M. ergueu aquela portinhola, e a luz correspondente brilhou.

Então o V.J. desvelou a luz da beleza, e após ele, cada membro por sua vez mencionou sua própria qualidade, dizendo: "Eu dou tal e tal luz," e cada vez o V.M. erguia a portinhola oposta ao orador, e a cor correspondente brilhava - sempre o raio duplo, aquele que o homem dava e o raio do centro que o respondia.

869. Quando todos os quarenta membros haviam assim descoberto suas luzes, o R.W.M. disse:

870. "O círculo está completo; que a luz brilhe."

871. Com essas palavras, ele abriu o topo da mesa, deslizando as duas portas semicirculares, de modo que um forte feixe cilíndrico de luz branca jorrou até o teto.

Os raios coloridos das qualidades tinham talvez quatro polegadas de diâmetro, mas esse feixe media cerca de dois pés de largura — um grande funil de luz disparando até o teto, que era muito alto — pelo menos setenta pés de altura, creio eu; e então, em resposta a isso, a Estrela Flamejante foi revelada em todo o seu esplendor.

872. O simbolismo aqui é óbvio e belo.

Cada pessoa primeiro dá sua cota e recebe sua resposta.

Quando todos cumprem suas respectivas partes, eles constroem o homem perfeito.

Então a luz branca, que inclui tudo, dispara para cima, e desce a Luz do Logos em resposta.

Quando todo o vasto salão foi inundado por essa luz esplêndida da Estrela Flamejante, as pessoas fecharam suas lâmpadas, todas as pequenas portas nas laterais do altar foram novamente abaixadas, e aquelas no topo da mesa deslizaram de volta ao lugar.

873. AS OFERTAS

874. A próxima parte da cerimônia foi um hino a Rá, o Logos, o Deus-Sol, agradecendo-Lhe por Sua resposta, dando glória a Ele e dizendo: "Banhemo-nos em Sua Luz e prestemos-Lhe a devida reverência." Esse era o efeito geral, mas havia muitos versos.

Quando isso terminou, o R.W.M. disse: "Trazei as ofertas"; e seus acólitos foram ao seu pedestal e as trouxeram.

875. As crianças trouxeram-lhe dois vasos de ouro, que tinham certa semelhança com os usados no serviço eucarístico cristão, e evidentemente correspondiam a eles em certa medida.

Essa cerimônia antecedeu em muito o cristianismo, portanto não é de modo algum impossível que algumas de suas características tenham sido absorvidas pela religião posterior.

Podemos claramente considerar esta como a forma egípcia da Eucaristia, pois seu objetivo era idêntico; os Irmãos ofereciam a si mesmos — corpo, alma e espírito — a Deus, Ele entrava neles de maneira especial em retorno, e eles então atuavam como canais de Sua generosidade para o mundo.

876. O menino voltou do pedestal do Mestre trazendo em suas mãos um prato circular de ouro com uma tampa abaulada, com talvez doze polegadas de diâmetro; na verdade, em forma e tamanho, não era diferente de alguns usados para servir legumes em uma mesa de jantar moderna, mas feito aparentemente de ouro maciço, ricamente cinzelado e evidentemente muito pesado.

A menina trazia uma taça de fabricação semelhante — não exatamente o cálice cristão; mais parecida com a taça de amor de duas alças dos tempos medievais.

Esses vasos eram tratados com a mais extrema reverência, como de antiguidade imemorial; dificilmente eram no estilo egípcio, e muito possivelmente poderiam ser atlantes.

A menina carregava também um curioso triângulo de ouro, no centro do qual estava gravado de forma realista um olho humano.

Uma ligeira depressão em forma de tigela no ápice do triângulo permitia que o oficiante o usasse como uma espécie de colher, como será explicado em seguida.

877. Esses vasos foram colocados sobre o altar diante do M.W.S., que estendeu as mãos sobre eles e disse:

878. "Ó Tu, Altíssimo, Fortíssimo, Sapientíssimo, Luz sempre resplandecente, de Quem toda luz provém eternamente, a Ti devolvemos aqui a luz e a vida que nos deste. Nossa vida está nesta oferenda; nós a depositamos a Teus pés, nós a derramamos diante de Ti.

Assim como ela leva nossa vida a Ti, que ela traga Tua Vida a nós. Inunda nossa oferenda com Tua Vida, para que ela desperte a Ti em nós."

879. Todos estenderam as mãos e entoaram o equivalente egípcio de: "Assim seja."

880. O M.W.S. então vestiu sobre si um magnífico manto dourado, que seu acólito trouxera do pedestal, fez uma saudação e, voltando-se lentamente, com os braços estendidos em direção às colunas, disse:

881. "Irmãos, vós vos entregastes ao nosso Senhor Osíris-Rá; agora Osíris-Rá Se entregará a vós."

882. E mais uma vez todos entoaram: "Assim seja."

883. Então o M.W.S. removeu as tampas dos vasos.

No prato havia um bolo achatado de aparência curiosa, com talvez seis polegadas quadradas e meia polegada de espessura, que estava marcado em quadrados como um tabuleiro de xadrez — não cortado por completo, mas meio cortado por seis linhas paralelas a cada um dos lados, de modo que pudesse ser facilmente partido em pequenos quadrados.

A marcação era mais profunda ao redor dos nove quadrados centrais.

O bolo era de farinha, com um sabor levemente adocicado, mas o topo era coberto por uma fina camada de material acinzentado-esbranquiçado, não muito diferente do glacê de alguns bolos modernos.

A taça continha um fluido incolor.

884. A DESCIDA DE OSÍRIS

885. Assim que o V.M. descobriu os vasos, ergueu os braços em direção à Estrela Flamejante e clamou três vezes: “Ó SENHOR, desce!”. Quando aquela torrente imensa de luz caiu sobre as oferendas, uma notável mudança química foi imediatamente iniciada, presumivelmente pela ação actínica dos raios de luz, e a cobertura cinzento-esbranquiçada tornou-se carmesim.

Pareceria que o mesmo produto químico sensível estava em solução no cálice, pois o líquido incolor também se tornou um rosa profundo.

A mudança de cor obviamente pretendia simbolizar a descida da Vida Divina, e quando foi completada, o V.M. deu sete batidas em uma sequência peculiar (que foram repetidas pelos V.V., pelo G.I. e pelo Cobridor) e disse:

886. “O Senhor se dá a nós; agradeçamos ao Senhor.”

887. Todos os Ir.

repetiram essas palavras, cantando-as repetidamente em uma espécie de hino com muitas partes, que evidentemente era muito conhecido por todos.

888. A DISTRIBUIÇÃO DO SACRAMENTO

889. Quando isso terminou, o V.M. fez sinal ao D.C., que colocou em ordem oito membros do canto sudeste da Loja e os trouxe ao altar consigo.

Esses nove se agruparam ao redor do V.M. enquanto ele permanecia no altar.

Ele então, de frente para o altar, partiu o pequeno quadrado no canto nordeste do bolo e o deixou cair no cálice; tomando o estranho triângulo dourado, mergulhou o ápice no cálice, retirou o pequeno quadrado na concha da colher e reverentemente o consumiu. Então, ao se voltar do altar para os nove Ir. que estavam ao seu redor, eles se curvaram levemente para ele, todos dizendo juntos: “Tu és Osíris.”

890. O V.M. partiu outro fragmento do bolo e o deixou cair no cálice; então o D.C. avançou com a saudação e lhe entregou uma pequena colher feita daquela bela cerâmica azul de alto esmalte que frequentemente encontramos em ushebtis.

O V.M. tomou a colher, recolheu o fragmento nela e o administrou ao D.C. Assim que este o recebeu, todo o grupo, incluindo o V.M., curvou-se levemente para ele e disse simultaneamente: “Tu és Osíris.” Cada Ir.

por sua vez produziu sua colher, recebeu seu fragmento do bolo e a grave reverência e saudação de seus Ir.

891. Quando o grupo de nove havia todos participado, o D.C. os conduziu aos seus assentos e trouxe ao altar o V.J. e nove outros — do canto sudoeste, de fato — que passaram exatamente pelo mesmo ritual.

Então o W.S.W. e nove do canto noroeste vieram, e finalmente o Secretário e nove do nordeste.

Cada Ir. trouxe sua pequena colher e, após usá-la para a administração a ele, o R.W.M. a colocou em uma grande tigela de ouro que era segurada ao seu lado por seus jovens assistentes.

Um ponto importante observado foi que eles estendiam a tigela à frente do R.W.M. toda vez que ele administrava um fragmento, para que nenhuma gota do líquido caísse.

Enquanto o R.W.M. dava o fragmento a cada homem, ele dizia: "Recebe a Luz; tu és Osíris; que a Luz brilhe." E os nove irmãos se curvavam gravemente e repetiam: "Tu és Osíris."

892. Ver-se-á que quando todos os quarenta haviam recebido e retornado aos seus lugares, o bloco central de nove quadrados ainda permanecia.

O R.W.M. quebrou um desses, colocou-o na taça, retirou-o com sua própria colher triangular de ouro, e o levou a um dos altares dos Anjos no norte.

Ele era acompanhado por seus jovens acólitos, que caminhavam um de cada lado, segurando um pano estendido diante dele para pegar qualquer gota que pudesse cair do triângulo.

Em cada altar havia um pequeno quadrado de linho com um minúsculo pires azul sobre ele, e neste o R.W.M. depositava o fragmento do bolo, dizendo: "O dom de Osíris a ..." (mencionando o nome do Anjo). Os Irs. cantavam em resposta: "Louvor ao santo ..." usando o mesmo nome.

O R.W.M. fez isso em cada um dos nove altares, voltando ao grande altar cada vez; e o último fragmento, que era o quadrado central do bolo original, foi para o altar do Arcanjo a quem chamamos São Miguel.

893. As crianças então trouxeram do pedestal um frasco contendo água, e o R.W.M. lavou cuidadosamente o prato, a taça e o triângulo, sendo a água derramada na grande tigela na qual as colheres azuis haviam sido lançadas.

Os vasos foram enxugados com o pano que os acólitos seguravam diante do R.W.M. Ele então prosseguiu com seus assistentes aos nove altares dos Anjos, removendo cuidadosamente de cada um o minúsculo pires com o fragmento de bolo, e lançou tanto o pires quanto o bolo na tigela.

Então ele pegou o pequeno quadrado de linho, limpou o topo do altar com ele, e lançou também isso na tigela.

É evidente que cada Anjo deveria ter extraído da oferenda o que desejasse, para que o símbolo externo pudesse agora ser removido.

O V.M. não fez, neste caso, uma jornada separada para cada um, mas começou na extremidade oeste da linha e avançou diretamente.

Quando retornou ao altar central, lançou na bacia o pano com o qual os vasos eram enxugados.

A tampa da bacia foi então colocada sobre ela, e o V.M. a selou em dois lugares com seu selo.

Foi então posta de lado pelos acólitos até o fim da cerimônia.

894. A REUNIÃO DE OSÍRIS

895. Feito isso, o V.M. retornou à sua cadeira com seus assistentes, e todos se sentaram.

Então ele deu um k �, e disse:

896. "Irmãos, o corpo de Osíris está despedaçado e sepultado dentro de vós.

Como Osíris ressurgirá?"

897. E os Irmãos

repetiram as mesmas palavras:

898. "O corpo de Osíris está despedaçado e sepultado dentro de nós; como Osíris ressurgirá?"

899. Eles as entoaram repetidas vezes, antifonalmente.

Era um hino, porém ajustado a uma estranha e lúgubre melodia menor, que era maravilhosamente impressionante.

Essa música gradualmente se tornou mais suave e mais melancólica, e, à medida que isso acontecia, a luz lentamente se apagava até haver completa escuridão.

Então a música cessou por completo, e houve um período de silêncio durante o qual os Irmãos

meditaram sobre a morte e a vida de Osíris.

900. Do silêncio, surgiu logo uma música suave, distante, feérica, que cresceu e se aproximou por graus imperceptíveis.

Embora tão suave, já não era triste, mas calma e feliz, com um refrão encantador e inesquecível; e após um tempo, uma voz emergiu, mas tão gradualmente, tão habilmente, que era quase impossível dizer quando começou.

A princípio parecia estar cantarolando a melodia; então palavras, de algum modo, foram se formando pouco a pouco, e antes que se percebesse, a voz cantava cada vez mais forte e clara: "Osíris é imortal, imutável; Osíris está despedaçado, dividido em milhares de partes, mas sempre reunido; embora Ele possa ser muitos, ainda assim é sempre Um.

Nós somos Osíris; através de nós Ele ressurgirá; através de nós Ele será reunido; pois nós somos um, assim como Ele é Um." Então os Irmãos

se juntaram e cantaram as mesmas palavras em um coro que gradualmente crescia.

901. Quando seu canto cessou, o V.M. deu o k � e sua voz ressoou:

902. "Levantai-vos, Irmãos, vós que sois Osíris; assim como recebestes, assim dai."

903. Ele próprio se levantou, voltou-se para o Oriente e descobriu sua lâmpada, lançando sua luz sobre a distante parede oriental do grande salão, dizendo ao fazê-lo:

904. "Eu, Osíris, dou a Luz da sabedoria." Todos os Irmãos

Agora, voltados para as paredes externas, o V.M.S. descobriu sua lâmpada e disse:

905. "Eu, Osíris, dou a Luz da força."

906. Então o V.M.J., da mesma maneira, enviou a Luz da beleza, e cada irmão, por sua vez, descobriu sua luz e enviou sua qualidade especial com toda a sua força para a vastidão obscura da catedral, que tipificava as trevas do mundo exterior.

Tão flexível era a linguagem que "a Luz da beleza" poderia igualmente ser interpretada como "a beleza da Luz".

907. A cena neste ponto era das mais impressionantes, os feixes de luz disparando em todas as direções para a vastidão obscura ao redor.

Quando o último irmão falou, o V.M. acrescentou:

908. "Como a mais verdadeira sabedoria é o amor, envio também a Luz do amor, que envolve e inclui a todos."

909. O RESPLENDECER DA LUZ

910. Após alguns minutos de intensa concentração silenciosa, o V.M. repetiu o k � setenário especial, que foi respondido pelos Vigilantes e Guardas, todos os Irms. voltados para dentro, e imediatamente um cântico de triunfo ecoou:

911. "Osíris ressurgiu; Osíris é Um; todos somos um n'Ele.

Regozijai-vos, ó irmãos, regozijai-vos! Pois Osíris venceu a morte e o medo.

Não há morte, não há medo; Osíris vive para sempre, e nós vivemos n'Ele."

912. Isso foi re-ecoado em forma de hino, e finalmente culminou em um grande grito triunfante:

913. "Brilhai, Osíris-Rá; que a Luz brilhe!"

914. E com isso, o V.M. acionou a Estrela Flamejante, de modo que toda a imensa sala foi inundada de luz novamente.

Todos os Irms. então apagaram suas lâmpadas e vestiram ao redor de si belas vestes festivas cintilantes em honra à ressurreição de Osíris; e quando estavam prontos, o V.M. deu um único k � e disse:

V.M. - V.M.S., Osíris é um ou muitos?

V.M.S. - Osíris é sempre Um, V.M., porém Se mostra em muitas formas.

V.M. - V.M.J., quando Ele Se mostra em muitas formas?

V.M.J. - Quando Ele Se divide e desce aos mundos inferiores, V.M.

V.M. - V.M.S., por que Ele assim desce?

V.M.S. - Por nosso bem, V.M.

V.M. - Como por nosso bem, V.M.J.?

V.M.J. - Porque sem Ele não poderíamos existir, V.M.

V.M. - V.M.S., somos então Osíris?

V.M.S. - Somos Osíris, V.M., e através de nós Sua Luz deve brilhar.

V.M. - V.M.J., de onde vem essa Luz?

V.M.J. - Do Olho de Osíris, V.M., quando Ele olha para o Seu mundo.

V.M. - V.M.S., e se Ele desviasse o Seu olhar?

W.S.W. — O mundo deixaria de existir, R.W.M.

R.W.M. — W.J.W., está então a Sua luz em todos?

W.J.W. — Está, R.W.M., mas em alguns está oculta pela ignorância.

R.W.M. — W.S.W., qual é então o nosso trabalho?

W.S.W. — Revelar essa Luz Oculta, R.W.M.

R.W.M. — W.J.W., como podemos realizar esse trabalho?

W.J.W. — R.W.M., quanto mais claramente a Luz brilha em nós, mais ela despertará a Luz Oculta nos outros.

R.W.M. — W.S.W., por que isso é assim?

W.S.W. — Porque Osíris é um, R.W.M., e Osíris dentro de nós chama Osíris em nossos irmãos.

R.W.M. — Então, Irm., expressemos sempre nossa gratidão por tudo o que Ele fez por nós, fazendo com que Sua Luz brilhe sobre os outros, como fizemos hoje.

R.W.M. (continuando) — E unamo-nos agora em reconhecimento a Ele.

915. O COMPROMISSO E A BÊNÇÃO

916. Formou-se então uma procissão, com todos os Irm. vestindo suas magníficas vestes festivas, e marcharam ao redor do grande salão, cantando hinos jubilosos com enorme entusiasmo.

Tendo completado sua circum-ambulação, dividiram-se em quatro grupos, cada um tomando posição no ponto médio de cada uma das quatro paredes do salão; então, a um sinal dado, todos se moveram simultaneamente em direção ao centro e retomaram suas posições originais na Loja.

Quando as alcançaram, o R.W.M. deu o peculiar sinal septuplo k � e, erguendo os braços acima da cabeça, disse:

917. "Irm., reconstruímos novamente o Templo de Amen-Rá, que cria, sustenta e encerra os mundos.

Osíris, Ísis, Hórus, todos são Um Nele.

Comprometemos nossas vidas com Aquele de quem as recebemos; invoquemos a Sua bênção."

918. Em resposta, todos os Irm. ergueram os braços em direção à Estrela Flamejante e solenemente repetiram:

919. "Comprometemos nossas vidas com Amen-Rá, com Aquele de quem vieram." Então, baixando os braços, irromperam em um final maravilhoso, um hino no qual o Sagrado Nome foi repetido muitas vezes, muito semelhante ao Coro Amém do Messias de Handel, embora a música fosse mais reminiscente das fugas de Bach: "Louvor a Amém, graças a Amém; Amém, Amém, Amém-Rá." A felicidade e o entusiasmo dos Irm. eram indescritíveis.

920. Quando o último acorde jubiloso se extinguiu, o R.W.M. ergueu novamente os braços e disse com profunda emoção:

921. "Bênção, Paz, Amor e Vida sejam vossos, de Amen, para sempre."

922. E todos estenderam as mãos e responderam:

923. "Assim seja."

924. Então a Loja foi encerrada e fechada na devida e antiga forma.

925. Em um momento conveniente, após toda a cerimônia ter terminado, o R.W.M. e alguns dos Oficiais levaram a taça de ouro até a margem do Nilo. Embarcaram em um barco e foram remados até o meio do rio, e ali o R.W.M. rompeu seus selos e esvaziou todo o conteúdo da taça nas águas profundas.

Em seguida, ele a lavou cuidadosamente, e ela foi levada de volta ao santuário.

926. A CERIMÔNIA DOS SANTOS ANJOS

927. O H.O.A.T.F. mantém uma Loja própria em um dos salões de seu castelo, e em várias ocasiões tivemos o privilégio de ver alguns de seus trabalhos.

Um belo ritual que testemunhei ali me é permitido descrever, pois é tão diferente de uma reunião maçônica comum que não pode haver qualquer infração de O.

928. É uma cerimônia especial realizada anualmente na festa eclesiástica de São Miguel e Todos os Anjos.

Vale a pena notar, tanto para o estudante maçônico quanto para o eclesiástico, que várias dessas festividades da Igreja Cristã são muito mais do que meras comemorações; são, definitivamente, ocasiões em que, por diversas razões, o céu e a terra se aproximam, e a comunicação entre os mundos visível e invisível é notavelmente mais fácil do que é comum.

Frequentemente há uma base astronômica para o fenômeno, como no caso das festas dos dois São João, que se diz serem os santos padroeiros da Maçonaria — uma ocorrendo em 24 de junho e a outra em 27 de dezembro — visando, obviamente, respectivamente, aos solstícios de verão e de inverno, embora erradas por alguns dias devido ao desajuste do calendário medieval.

O Dia de São Miguel é evidentemente uma tentativa de marcar o equinócio de outono, embora agora esteja uma semana atrasado; ainda assim, é uma das ocasiões que mencionei, e a cada ano se aproveita esse fato para realizar a maravilhosa troca de forças que estou prestes a tentar descrever — embora, novamente, como no caso anterior, este seja um dos muitos exemplos em que as palavras parecem irremediavelmente inadequadas.

929. A LOJA E OS OFICIAIS

930. Na extremidade leste de um grande salão, havia um trono lindamente esculpido de mármore branco, elevado sobre vários degraus; e sobre ele estava sentado o H.O.A.T.F., vestido com um esplêndido manto carmesim, semelhante a uma capa, preso no peito por um desenho de joias brilhantemente cintilantes, diamante e ametista, em forma de estrela de sete pontas.

Sob a veste semelhante a uma capa, Ele usava uma cota de malha dourada, que outrora fora posse de um Imperador Romano.

De cada lado Dele, em pé sobre um dos degraus que levavam ao Seu trono, havia um atendente vestido em cota de malha prateada, segurando sua espada erguida em posição de descanso.

Na extremidade oeste, voltado para Ele, sentava-se o Chohan do Terceiro Raio, magnificamente vestido em verde e ouro; mas o fecho de Sua veste era um triângulo dourado cravejado de diamantes e esmeraldas, e Seu trono era de pórfiro polido.

Ele estava evidentemente atuando como W.S.W.; e para o W.J.W. na parede sul, a meio caminho entre Eles, foi colocado um terceiro trono, de mármore cor-de-rosa, sobre o qual se sentava outro Adepto bem conhecido, vestido com uma vestimenta branca não muito diferente de uma casula, fortemente ornamentada com azul e ouro.

Na frente dela estava bordada uma coluna coríntia, estendendo-se do pescoço aos joelhos, e folhagens se espalhavam para cima a partir dela sobre os ombros, como fazem os orfréis de uma casula gótica.

Em Seu peito pendia, por uma corrente dourada, uma estrela de cinco pontas de safiras, e dela, por sua vez, dependia uma cruz de rubi.

931. Toda a parte central da Loja foi deixada vazia, embora um número de Brn.

vestidos em cores brilhantes se sentassem nas colunas.

Os losangos do pavimento de mosaico eram rosa pálido e azul pálido, e parecia haver algum desenho adicional vagamente indicado sobre ele por linhas.

Havia também linhas de cores diferentes ao redor da borda dele, como não é incomum em Lojas Co-Maçônicas.

932. O TRIÂNGULO DOS ADEPTOS

933. O H.O.A.T.F. estava claramente encarregado dos procedimentos como R.W.M., e Ele começou a cerimônia trocando algumas frases rápidas com os outros Adeptos.

Houve também alguns cantos e uma série de movimentos simultâneos rápidos.

Então o R.W.M. cantou algumas frases solenes que soavam como uma oração, e desceu de Seu trono e ficou no chão em um certo ponto a uma pequena distância à frente dele. Ao deixar o trono, os dois atendentes, de frente um para o outro, saudaram-No com suas espadas enquanto Ele passava entre eles, e então desceram para o chão e ficaram em frente ao trono aguardando Seu retorno.

O W.S.W. também cantou uma oração e desceu, e então o W.J.W. fez exatamente a mesma coisa, de modo que Eles estavam de pé no chão em um triângulo retângulo, todos voltados para o centro.

Após trocarem saudações cerimoniosas, entoaram juntos antifonalmente e pareceram lançar chamas de fogo um em direção ao outro, até que o triângulo foi demarcado por linhas de luz dourada brilhante.

934. A CHEGADA DOS ANJOS

935. Então o R.W.M. voltou-se para o W.J.W. e entoou uma sentença.

O W.J.W. respondeu, e então ambos viraram as costas para o centro e ficaram de frente para fora, em ângulos retos com a linha de fogo que os unia — voltados para sudeste.

Então, simultaneamente, entoaram uma invocação, lançando os braços para a frente; e de repente dois grandes Anjos apareceram diante deles, posicionando-se de modo a formar um quadrado com eles.

Trocaram certos sinais como em saudação, e então novamente entoaram e lançaram linhas de fogo, de modo que o quadrado foi demarcado em linhas de luz dourada, como o triângulo.

Então o W.S.W. voltou-se para o W.J.W., e entoaram juntos, voltados para fora, em ângulos retos com a linha que os unia — voltados para sudoeste.

Eles também entoaram a invocação e repetiram os movimentos que o R.W.M. e o W.J.W. haviam feito antes.

Novamente dois Anjos apareceram diante deles, formando um quadrado com eles, e novamente o quadrado foi traçado em linhas de luz.

Cada vez que um Anjo chegava, um grito de boas-vindas (H � B � B � H �) era erguido por todos os presentes, e algum tipo de saudação era feito.

936. Então o W.J.W. ergueu os braços e entoou uma invocação, e imediatamente ao seu lado surgiu um grande Anjo vestido como Ele.

Quando o Anjo apareceu, o Adepto e Ele apertaram a mão direita um do outro e ergueram as mãos esquerdas acima das cabeças.

Trocaram algumas saudações rápidas, a assembleia proferiu seu grito de boas-vindas, o Anjo tomou o lugar do W.J.W., e este retornou ao Seu trono.

Em seguida, o W.S.W. passou pelo mesmo ritual e também foi substituído por um Anjo vestido exatamente como Ele; e finalmente o R.W.M. fez como os outros haviam feito.

Quando o R.W.M. deixou o recinto e se preparou para ir ao Seu Trono, Ele desembainhou Sua espada e fez certo sinal no ar, recolocou-a na bainha e então retornou ao Seu assento.

Seus assistentes O saudaram como antes e retomaram seus lugares anteriores no degrau.

Todos os Adeptos deixaram Suas cadeiras pelo lado esquerdo e retornaram a elas pelo lado direito.

Tínhamos agora os Anjos representando os sete Raios do nosso sistema solar, dispostos em dois quadrados que se encontravam em um ponto, e de pé sobre os dois lados do triângulo adjacentes ao ângulo reto.

937. A CONSTRUÇÃO DO TEMPLO DOS ANJOS

938. Após mais alguns cânticos, o R.W.M. ergueu-Se do Seu trono e, estendendo os braços para cima, começou uma poderosa invocação, na qual, depois de Ele ter entoado a primeira frase, todos os Anjos e os dois W.W.s se juntaram.

Então os três oficiais e todos os Anjos voltaram-se bruscamente para o norte e uniram-se em um cântico de uma invocação mais longa, como resultado do qual dois outros Anjos apareceram, completando o terceiro quadrado.

Mas esses dois eram Anjos cósmicos, dos tipos que não estão limitados a um único sistema solar; de modo que agora todas as nove Ordens Angélicas estavam representadas; e quando eles delinearam seu quadrado de luz dourada, tínhamos diante de nós, no chão, uma delineação flamejante da quadragésima sétima proposição do primeiro livro de Euclides – com a preparação da qual o Adepto que atuava como W.J.W. estava tão intimamente associado em Sua encarnação como Pitágoras.

939. Figura

940.

941. Novamente os Anjos teceram suas linhas de luz, mas desta vez lançando-as para cima no ar, de modo que sobre cada um dos três quadrados ergueram uma pirâmide, e sobre o triângulo central original, um tetraedro.

Em seguida, lançaram suas linhas para baixo, na terra, e assim produziram um conjunto de pirâmides invertidas.

A figura inteira era, portanto, um ninho de quatro prismas (um hexaedro e três octaedros), sendo o chão sobre o qual os Anjos estavam o plano central.

Uma "vista de cima" dessa forma é tentada na Fig. 15, e a Estampa XI é outro esforço para mostrá-la em perspectiva colorida.

942. Estampa XI

943.

944. A CERIMÔNIA NO TEMPLO

945. Tendo assim construído para si mesmos um templo dessa forma estranha, os Anjos procederam a realizar uma cerimônia muito interessante dentro dele. Eles se moveram em uma maravilhosa dança coral, organizando-se em várias figuras, muito parecido com o que os Adeptos fazem na cerimônia de Wesak, que descrevi em Os Mestres e o Caminho, embora as figuras não fossem as mesmas.

Eles fizeram uma estrela de sete pontas, uma suástica, uma cruz e muitas outras figuras, mas era muito difícil vê-las por causa das ofuscantes radiações de fogo colorido emanadas dos pontos da figura.

Após muitas dessas mudanças, todos se uniram em uma espécie de hino – uma erupção de música mais maravilhosa, na qual as vozes ressoavam como chamados de trombeta, como o badalar de sinos poderosos.

O templo multiprismatoidal era transparente como cristal e, no entanto, de algum modo permeado de fogo, de modo que, ao observá-lo, compreendia-se o significado da estranha descrição no Apocalipse de um mar de vidro misturado com fogo.

946. Quando o coro angelical se expandiu, o brilho deste templo tornou-se cada vez mais intenso, e linhas de luz deslumbrante jorraram para o empíreo, levando mensagens e saudações a mundos distantes no espaço.

E, inconfundivelmente, veio uma resposta a este chamado maravilhoso — até mesmo muitas respostas.

Estranhas para nós, além de qualquer palavra, em magnetismo e em sentimento, eram essas respostas de outros mundos; mas que eram respostas, não havia dúvida.

Algumas vieram de outros planetas do nosso sistema; outras, com a mesma certeza, vieram de mundos dos quais atualmente nada sabemos.

947. O fim da cerimônia foi dramático.

Os prismas brilharam com intensidade cada vez maior, até que toda a figura pareceu uma massa de fogo vivo, e com uma explosão final de cântico triunfante, ela subitamente se elevou e desapareceu — arrebatada em um carro de fogo, como Elias de outrora.

Então, um hino foi entoado, o H.O.A.T.F. solenemente abençoou a assembleia, e todos saíram em procissão, cantando, com os três Oficiais fechando a retaguarda, como de costume.

948. O EFEITO DO FESTIVAL

949. O Festival de São Miguel e Todos os Anjos, no qual, como já disse, esta reunião maçônica é realizada todos os anos, é um aniversário que antecede em muito a era cristã, embora o cristianismo o tenha adotado muito apropriadamente, assim como adotou muitos dos festivais de religiões anteriores.

É um intercâmbio de saudações alegres e votos sinceros — uma espécie de "feliz ano novo" entre os Anjos.

A cerimônia, no entanto, não é meramente uma saudação celestial, mas tem também outras funções, muitas das quais são bastante impossíveis de compreender.

Ficou evidente, por exemplo, que forças estavam sendo descarregadas para o interior da nossa Terra; estávamos, de algum modo, sendo carregados ou energizados, e, por sua vez, transmitíamos a outros mundos algo de que eles necessitavam.

Tenho certeza de que ainda estamos longe de compreender plenamente o significado deste magnífico ritual.

Lembro-me de que Madame Blavatsky certa vez nos falou sobre isso, e também, muitos anos antes, ouvi uma referência a isso feita por um dos Irmãos Adeptos.

950. CAPÍTULO XI

951. ENCERRANDO A LOJA

952. AS SAUDAÇÕES

953. ASSIM como na abertura da Loja reunimos todas as nossas forças para o trabalho da noite, agora, no encerramento da Loja, nós as convocamos mais uma vez para o esforço final de derramar a bênção maçônica.

A cerimônia de encerramento começa quando o V.M. pergunta se algum Irmão tem alguma proposição a fazer, especificando que tais proposições devem ser para o benefício da Ordem em geral ou para o benefício da humanidade.

Todos os negócios e todas as propostas relacionadas a negócios devem ter sido tratados em um período anterior da noite, antes de a Loja ter iniciado o trabalho especial da reunião.

As únicas questões com as quais lidamos nesta fase são a proposição de candidatos à iniciação e o recebimento de saudações de outros Conselhos, Consistórios, Capítulos ou Lojas.

954. As saudações então dadas não são de forma alguma meramente formais.

Cada saudação recebida é uma contribuição muito distinta para a força que é produzida durante o trabalho da Loja; ela traz consigo a atmosfera mental peculiar da Loja cuja saudação é dada.

Toda Loja existe no plano mental como um objeto mental definido — uma coisa real no reino do pensamento.

Quando, portanto, um de seus membros dá uma saudação em outra Loja, vem até ele, de sua própria Loja, uma lança de luz, portadora de boa influência, que irradia através dele.

Quando um Irmão está em sua própria Loja, um certo aspecto, ou faceta, ou segmento de sua aura, que representa sua relação com aquela Loja, é galvanizado em atividade; alguma porção de seu ser potencial é vivificada porque ele faz parte daquela Loja.

955. A Loja como entidade mental é composta de tais seções de todos os seus membros, soldadas juntas para formar um todo, e é desse todo que a lança de luz vem e fulgura quando as saudações são dadas.

Quando falamos de uma Loja como entidade mental, não queremos dizer algo que exista meramente na mente ou na fantasia; no plano mental, cada Loja é uma coisa definida, uma grande esfera, com uma alocação precisa no espaço, sobre o lugar onde a Loja se reúne.

No caso de um salão onde várias Lojas se reúnem em diferentes noites, as várias esferas podem ser vistas flutuando acima do edifício; essas esferas então não se misturam de modo algum, mas se agrupam sobre as dependências de tal maneira que lembram a alguém uma coleção de balões de brinquedo.

956. As formas mentais feitas por diferentes Lojas variam muito.

Em alguns casos, tal forma é realmente algo muito bom, sustentada por um número de pessoas que estão intensamente empenhadas, cuja Loja é algo muito real em suas vidas.

Quando os membros têm considerável conhecimento do significado oculto da Loja e de seu trabalho, isso forma uma esplêndida forma no plano mental superior; mas se a Loja é composta de membros de pouca capacidade intelectual, cujos pensamentos estão em sua maioria centrados na boa camaradagem e em banquetes, a contraparte astral da Loja será forte, mas a porção mental de sua forma será deficiente.

Segue-se disso que as saudações de algumas Lojas têm muito mais efeito do que as de outras.

957. As mais elevadas saudações de todas são as do Supremo Conselho.

O R.W.M. faz a pergunta que conduz às saudações três vezes.

Portanto, a força que a Loja recebe através das saudações é divisível em três grupos, cada um bem distinto dos outros.

Às vezes há respostas a todas as três perguntas, mas frequentemente não há.

O primeiro grupo traz a bênção da Maçonaria Branca.

Essa saudação só pode ser dada por membros do 31º ao 33º inclusive, e tem distintamente o caráter de uma bênção do alto; por essa razão, suas comunicações são sempre datadas do Zênite, significando que sua bênção desce imparcialmente sobre todos.

958. Nesta mesma seção, saudações também podem ser recebidas de um Acampamento do 30º. As insígnias desse grau são pretas; seu ensinamento especial diz respeito ao funcionamento do carma, seja ele bom ou mau, e sua função especial na Maçonaria é a inculcação da ordem, justiça e disciplina.

Por essa razão, está estabelecido em um Acampamento nas colinas, para que possa ver ao redor de qualquer assunto que lhe seja submetido.

959. A segunda classe de força vem da Maçonaria Vermelha ou, melhor, cor-de-rosa.

Este grupo compreende todos os Maçons do 4º ao 29º, e inclui também os Maçons do Real Arco Sagrado.

Seu ponto central é o 18º ou Rosa-Cruz, e sua característica especial é o amor.

Por causa de sua qualidade de amor, data suas comunicações dos vales - os vales férteis que descem das montanhas, descendo ainda em direção às planícies repletas da vida cotidiana.

960. A saudação do primeiro grupo pode ser comparada à bênção de um grande guru ou mestre religioso, enquanto a segunda é mais semelhante ao afeto que os pais dedicam aos filhos, ou àquele que os pitris ou ancestrais derramam sobre a humanidade.

No 33° cada homem exerce um poder de bênção não muito diferente do de um Bispo na Igreja Cristã, pois os grandes Anjos Brancos que estão especialmente envolvidos no trabalho do 33° têm muito em comum com aqueles que exercem funções semelhantes nessa Igreja.

961. Vem então o terceiro grupo de saudações, das Lojas Mark e da Maçonaria Azul, dadas por membros dos três graus.

Estas trazem uma grande corrente de encorajamento fraternal e força de outras Lojas, que se encontram no mesmo nível maçônico daquela a quem as saudações são dirigidas.

Essas Lojas estão todas nas planícies, que se estendem até a distância azulada.

Assim, temos três tipos distintos de saudações, que transmitem respectivamente bênção, amor e encorajamento.

962. Às vezes, um Maçom é solicitado por uma Loja que não seja a sua, com a qual ele esteja pessoalmente conectado, a transmitir as saudações dela à sua própria Loja e a outras Lojas que ele possa visitar.

Nesse caso, ele se torna uma espécie de enviado daquela Loja, embora não pertença a ela, e é assim capacitado a levar sua saudação tão efetivamente quanto um membro daquela Loja poderia fazê-lo.

963. Nesta fase dos procedimentos, caso nenhuma proposição seja apresentada, o W.S.W. anuncia: "As c � s estão silenciosas, R.W.M." Aqui temos o uso da palavra c � s em outro sentido, referindo-se não aos pilares que se erguem sobre os pedestais, mas aos membros que não estão em posição oficial e se sentam ao norte e ao sul.

Esses Ir.

estão literalmente na posição de c � s na construção do templo, como se verá na grande Estampa colorida que acompanha este livro, e é o trabalho deles que sustenta a Loja.

Não é que os Ir.

formem uma c �, horizontalmente, estando em fileira, mas que cada um é uma c � perpendicular separada, ajudando a sustentar o teto; eles permanecem como irmãos, iguais em seu trabalho.

Citarei aqui o relato de uma visão muito bela e das mais instrutivas que veio, há muitos anos, a um íntimo amigo meu.

Ele escreve:

964. Um dia, ao meditar sobre a fraternidade, surgiu subitamente diante de minha visão interna um magnífico templo, aparentemente de estilo egípcio ou grego.

Não tinha paredes externas, mas consistia em um grande número de pilares sustentando um telhado gracioso, e cercando um pequeno santuário murado, no qual não pude ver.

Não posso expressar a vividez com que senti que o edifício era instintivamente carregado de significado — impregnado, por assim dizer, com o magnetismo da inteligência, que o tornava não uma mera visão, mas uma lição objetiva contendo o mais elevado ensinamento.

Simultaneamente, um soneto explicativo se desdobrou e descreveu em poucas linhas concisas e compactas como aquilo era um símbolo da verdadeira fraternidade — como todos aqueles pilares, todos em lugares diferentes, alguns banhados pela gloriosa luz do sol, alguns para sempre na meia-sombra das linhas internas, alguns grossos, alguns finos, alguns primorosamente decorados, outros igualmente fortes porém sem adornos, alguns sempre frequentados por devotos que costumavam sentar-se perto deles, outros sempre desertos — como todos eles silenciosa, generosa, perseverante e igualmente sustentavam juntos o único telhado, protegendo o salão interno e seu santuário — todos diferentes e, no entanto, tão verdadeiramente todos iguais.

E o soneto terminava: "Nisto vede a fraternidade."

965. Não poderia reproduzir aquele soneto agora, mas a riqueza e a plenitude de seu significado, a profunda sabedoria tão habilmente embrulhada naquelas poucas palavras, fizeram-me ver, como se no clarão de um holofote, o que a verdadeira fraternidade realmente significa — o compartilhar do serviço, o cumprir a própria parte, independentemente de tudo o mais, exceto o trabalho a ser feito. (*Some Occult Experiences*, de Johan van Manen, p. 20.)

966. Há muito a aprender, creio eu, com uma visão como essa.

967. As saudações são concluídas com a elevação de todos os Irmãos da Loja, e a troca de sinceros votos de boas-vindas com o V.M., concentrando assim seu sentimento de amor e lealdade a ele e ao C.S.T.V.F. que está por trás dele.

968. PREPARAÇÃO PARA O ENCERRAMENTO

969. Em seguida, versos inspiradores são lidos pelo Orador do V.S.L., e o V.M. convoca os Irmãos a auxiliá-lo no encerramento da Loja.

Já vimos quão grande parte os Irmãos desempenham na abertura da Loja, pelo poder de seu pensamento e devoção.

Durante toda a cerimônia, a forma-pensamento criada pelos Irmãos e trabalhadores visíveis e invisíveis tem aumentado em riqueza e força de seu conteúdo; agora todos voltam sua atenção para a distribuição dessa força ao mundo ao redor.

970. Posso talvez ilustrar a natureza desse efeito referindo-me à construção de certo tipo de mantras hindus.

Há alguns anos, fui solicitado por nosso nobre irmão, Sir S. Subramania Iyer, de Madras, a investigar um mantra que ele vinha usando há muitos anos, o qual lhe fora dado por Swami T. Subba Rao, um grande ocultista do sul da Índia.

Examinei o assunto com considerável cuidado e também o utilizei posteriormente, pois era muito notável.

971. Este mantra, segundo me disseram, encontra-se nas Upanishads Gopala-tapani e Krishna, e é composto de cinco partes, como se segue: (1) Klim, Krishnaya, (2) Govindaya, (3) Gopijana, (4) Vallabhaya, (5) Swaha.

Ao meditar sobre isso com intenção, cada sílaba traça uma linha em tal posição que resulta uma estrela de cinco pontas, como na Fig. 17.

972. Figura

973.

974. E, à medida que o mantra é repetido, essas estrelas se acumulam umas sobre as outras, formando um tubo com essa forma pentagonal de seção transversal, que cria um canal para a força espiritual que vem de Shri Krishna, que é o mesmo Ser que o Senhor Maitreya, o atual Bodhisattva ou Mestre do Mundo, o Grande Ser que entrou no corpo de Jesus como o Cristo.

Com essa força fluindo através dele, o mantra pode ser usado para muitos propósitos, como cura, ou a remoção do fogo e de outros elementais, bem como para o bem geral.

975. Descobri, no entanto, que havia três estágios no processo.

Com o recital de "Klim", que se diz ser chamado de "a semente da atração" pelos ocultistas hindus, a atenção da Fonte da força é atraída e o que se pode chamar de uma espécie de porta ou válvula descendente é aberto; então, através de todo o corpo do mantra, a força flui para a forma; e, finalmente, com o som "Swaha", essa força é enviada para realizar seu trabalho.

976. Nosso trabalho na Loja é da mesma natureza que o realizado por meio de tais mantras antigos.

Durante nossa reunião, temos enriquecido a forma com nossa devoção e pensamento, e agora nos preparamos para deixar a força acumulada irromper como uma bênção sobre o mundo ao redor.

977. O ENCERRAMENTO

978. O encerramento, assim como a abertura, começa com a momentosa questão sobre o primeiro e constante cuidado de todo Maçom em verificar se a Loja está devidamente coberta. Com o propósito geral e o efeito do fechamento já tratei no Capítulo V. A razão especial para colocar esta pergunta novamente nesta etapa é que agora estamos especialmente coletando e gerando força que se destina a ser usada não dentro da Loja, mas para projeção ao longo de certas linhas definidas fora dela. Portanto, cuidamos cuidadosamente do fechamento de nossa Loja, assim como um homem que inseriu um cartucho em um rifle de retrocarga cuida para fechar a câmara hermeticamente, de modo que toda a força da explosão seja direcionada apenas ao longo do cano; mas, é claro, a explosão neste caso não é de destruição, mas de bênção para o mundo.

979.   A próxima ordem é que os IIr.

se coloquem em ordem como Maçons — desta vez não para verificar se não há intrusos presentes, porque nossas portas foram guardadas durante toda a cerimônia, mas porque essa colocação em ordem com os S. e E. é o método designado para evocar o poder especial do grau, para aumentar ao máximo a atividade do chakra em questão, de modo que cada membro possa realizar e expressar plenamente o poder que lhe foi conferido como A.A. Quando isso é feito, pode-se ver o chakra iluminar-se e brilhar, cintilar e faiscar, e frequentemente aumentar de tamanho.

980.   Então o Ven.·. M.·. volta-se para o Vig.·. e pergunta mais uma vez qual é a sua situação na Loja e por que ele está assim colocado.

Isso é, com efeito, um chamado ao representante angélico do Vig.·. para que cumpra seu dever, velando para que cada Ir.

seja preenchido com força, não apenas para tomar parte no trabalho presente, mas para prosseguir pela vida até a próxima reunião.

Novamente, com o mesmo objetivo, tendo feito tudo o que era possível para estimular os IIr.

e aumentar o poder espiritual disponível — atraindo auxílio do Ofício, despertando a lealdade dos membros, pela inspiração da S. L., pelo fechamento mais cuidadoso, pelo uso do poder especial do grau em que estão trabalhando, e por um chamado ao Anjo por assistência — voltamo-nos agora para o próprio Logos, expressando nossa sincera gratidão pelas bênçãos que recebemos e nossa esperança de que a Ordem possa continuar a merecer Sua ajuda cumprindo seu dever de expressar toda virtude moral e social.

Ainda mais entusiasmo é evocado pelas belas palavras e pensamentos do hino de encerramento, e então o V.M. resume nosso dever maçônico para com o próximo na injunção abrangente de que devemos nos encontrar no nível, agir no prumo e nos separar no esquadro, cada oficial erguendo o símbolo preso ao seu colar à medida que a palavra é pronunciada.

981. Encontramo-nos em perfeita igualdade e cordialidade, sem mostrar preferência ou preconceito, mas fazendo justiça a todos.

Agimos sempre com absoluta verdade e retidão, demonstrando sempre o mais aguçado senso de honra; e embora a Loja esteja agora se encerrando, e estejamos prestes a nos separar no plano físico, contudo nos separamos no esquadro, nunca esquecendo o ajuste preciso que ele assegura, de modo que o interesse do nosso irmão é o nosso próprio, tanto na sua ausência como na sua presença, e não pode haver egoísmo ou esquecimento, pois somos todos pedras edificadas juntas em um templo divino para a glória do G.A.D.U.

982. Então o V.M., erguendo as mãos, profere as palavras fatídicas que liberam toda essa esplêndida acumulação de força e enviam uma pulsação vívida de energia a cada membro de toda Loja devidamente constituída em todo o mundo.

O que cada Ir. pode receber dessa transbordante efusão depende de si mesmo, de seu grau de adiantamento, de seu conhecimento, de sua atitude mental; mas que o dom é de valor enorme, que o privilégio de pertencer à Ordem é muito grande, não pode haver dúvida na mente de qualquer estudante de ocultismo.

983. As hostes elementais que foram reunidas precipitam-se para fora em todas as direções da bússola, apenas seus capitães, os Anjos representativos dos oficiais, permanecendo ainda em seus respectivos lugares.

Quando, ao comando do V.M., o V.P.S., que tipifica Shiva, o destruidor das formas, profere a fórmula de encerramento, os Anjos dos oficiais assistentes também se desvanecem, restando apenas os três principais e a augusta forma-pensamento do C.T.V.M. O V.M.I.P., na solene declaração "e o Verbo estava com Deus", lembra aos IIr. que, mesmo quando a manifestação cessa, o Cristo permanece ainda no seio do Pai, pronto a irromper novamente, o Unigênito, o Autogerado, quando Ele, o Verbo Eterno, dignar-se a falar uma vez mais.

984. Os principais Oficiais agora apagam suas velas em rotação, cada um decretando, ao fazê-lo, que a qualidade que personifica permanecerá, não obstante, gravada nos corações dos Irm.; e o R.W.I.P.M. explica como isso é possível, lembrando-lhes mais uma vez que “Sua luz brilha mesmo em nossa escuridão”. À medida que as velas são apagadas, os Anjos representativos desaparecem, cada um, ao partir, curvando-se profundamente diante da Presença do M.O.T.W., que ergue as mãos em bênção, e só desaparece quando, na oração final pela preservação da Arte, todos se voltam, com as mãos erguidas, para o Seu retrato.

985. Assim termina uma das mais maravilhosas cerimônias do mundo — uma cerimônia que sobreviveu, praticamente inalterada em suas partes essenciais, desde uma antiguidade tão remota que a história a esqueceu. Mal compreendida, apenas parcialmente apreciada, mutilada em muitos casos dos gloriosos e dignos ritos que são sua verdadeira expressão, ela ainda assim continua a realizar sua obra designada em um mundo ingrato e incompreensivo.

Fundada há muitos milhares, talvez milhões de anos, por ordem do Rei Espiritual do Mundo, ela permanece ainda uma das mais poderosas armas em Suas mãos, um dos mais eficientes canais de Sua bênção.

Alguns de nós temos a sabedoria de compreender isso, o bom carma de sermos empregados neste departamento de Seu serviço; que nunca esqueçamos quão grande é nosso privilégio; que nunca deixemos de aproveitar plenamente esta oportunidade que Ele nos deu!

S � M � I � B � .